Objetivo Analisar as interseções entre violência e trabalho no cotidiano de mulheres que vivem em áreas rurais.
Métodos Estudo qualitativo ancorado no método Histórias de Vida, realizado em dois municípios pequenos do Rio Grande do Sul, em 2022, com mulheres ≥18 anos que residiram a maior parte da vida em áreas rurais. Entre as 29 entrevistas realizadas, selecionaram-se cinco, em razão da densidade temática e riqueza narrativa sobre trabalho e violência. Adotou-se a análise temática combinando codificação indutiva, orientada pelos dados, e codificação dedutiva, guiada por referenciais teóricos.
Resultados Observou-se a invisibilidade da dor das mulheres, decorrente da falta de reconhecimento de seu trabalho, o que reforça a dependência econômica e restringe suas escolhas. As violências são utilizadas como mecanismo de controle, manutenção, dominação e exploração do trabalho feminino. Assim, o parceiro mantém a esposa sob ameaça e isolada socialmente, gerando para si força de trabalho e capital. Ao ficar doente, a mulher tem sua dor desvalorizada, num abandono de cuidados e de afeto.
Conclusão A intersecção entre trabalho e violência produz sobrecarga e exploração das mulheres rurais, repercutindo negativamente na saúde física, emocional e reprodutiva. O sofrimento é agravado por relações abusivas e barreiras no acesso aos serviços de saúde.
Palavras-chave:
Violência contra a Mulher; Violência de Gênero; Mulheres Trabalhadoras; Área Rural; Saúde do Trabalhador
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Fonte: Elaborada pelas autoras.