Open-access Elaboração e evidências de validade de website cuidativo-educacional para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas

Resumo

Objetivo  Elaborar e testar evidências de validade de um site cuidativo-educacional voltado à prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas.

Método  Trata-se de um estudo metodológico realizado no Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello, com amostra não probabilística por conveniência. A pesquisa seguiu o Modelo Práxico para Desenvolvimento de Tecnologias, contemplando três etapas: pragmática, produtiva/artística e experimental.

Resultados  A coleta foi realizada com 15 profissionais (enfermeiros e técnicos de enfermagem), utilizando plataforma para formação de nuvens de palavras, que permitiram identificar dificuldades na prevenção de quedas e preferências quanto ao formato e elementos da tecnologia. Em seguida, com base nas demandas elencadas, desenvolveu-se um site responsivo para ser utilizado em dispositivos móveis, estruturado em módulos de “Quizzes”, “Resultados”, e “Revisões”, com uso de plataformas on-line. Para o teste de evidências de validade de conteúdo, participaram nove especialistas e a avaliação ocorreu via Instrumento de Validação de Conteúdo Educativo em Saúde adaptado, aplicado em formulário on-line e analisado a partir do Índice de Validade de Conteúdo. O site alcançou Índice de Validade de Conteúdo total de 0,97, com todos os itens apresentando valores superiores a 0,80, além de confirmação estatística pelo teste binomial.

Conclusão  Conclui-se que o site possui evidências de validade de conteúdo e apresenta potencial para qualificar profissionais na prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas, recomendando-se a continuidade de avaliações para verificar aparência e usabilidade da tecnologia.

Palavras-chave
Tecnologia Educacional; Acidentes por Quedas; Idoso; Estudo de Validação.

Abstract

Objective  To develop and test the validity evidence of a care-educational website focused on fall prevention in hospitalized older adults.

Method  This methodological study was conducted at the Júlio Bandeira de Mello University Hospital, using a non-probabilistic convenience sample. The study followed the Praxis Model for Technology Development, encompassing three stages: pragmatic, productive/artistic, and experimental.

Results  Data were collected from 15 professionals (nurses and nursing technicians) using a word cloud platform, which allowed the identification of difficulties in fall prevention and preferences regarding the format and elements of the technology. Based on the demands identified, a responsive website for use on mobile devices was then developed, structured into modules "Quizzes," "Results," and "Reviews," using online platforms. For the content validity evidence testing, nine experts participated. Evaluation was performed using an adapted version of the Educational Health Content Validation Instrument, applied via an online form and analyzed using the Content Validity Index. The website yielded a total Content Validity Index of 0.97, with all items showing values above 0.80, in addition to statistical confirmation by the binomial test.

Conclusion  The website showed content validity evidence and potential for training professionals in fall prevention among hospitalized older adults. Further evaluations are recommended to verify the appearance and usability of the technology.

Keywords
Educational Technology; Accidental Falls; Aged; Validation Study.

INTRODUÇÃO

Observa-se, em âmbito global, um progressivo processo de envelhecimento populacional, o qual reflete tanto na assistência direta à saúde quanto no âmbito da pesquisa. Tal fenômeno remete à importância de elaborar medidas no tocante à promoção e manutenção da saúde, bem como à qualidade de vida desse público.

O envelhecimento é caracterizado por um conjunto de alterações nos âmbitos biopsicossociais, destacando-se as modificações na cognição, massa muscular, visão, redução da densidade óssea, polifarmácia, bem como a necessidade frequente de hospitalizações, o que faz com que essa população esteja mais suscetível a eventos adversos, como as quedas1. Estas podem ocorrer em qualquer ambiente, podendo-se destacar o hospital como um deles, onde as quedas de pacientes representam o quarto incidente relacionado à assistência à saúde mais frequentemente notificado no Brasil2.

Diante disso, a mensuração do risco de quedas é um dos indicadores de avaliação da qualidade da assistência prestada no hospital, com relação à segurança do paciente enquanto hospitalizado, bem como à qualidade de vida pós-hospitalização3. Paralelamente, uma pesquisa desenvolvida com pessoas idosas hospitalizadas em um Hospital Universitário demonstrou que grande parte da amostra possuía alto risco de quedas durante a hospitalização4, o que reforça a relevância da elaboração de medidas para redução de tal ocorrência.

Desse modo, é imprescindível citar as Tecnologias Cuidativo-Educacionais (TCE) como um recurso inovador incorporado à prática assistencial, por favorecerem a corresponsabilização do cuidado e contribuírem para que os usuários compreendam e compartilhem, de forma lúdica e participativa, informações associadas ao processo de cuidar5.

Pode-se destacar também que o desenvolvimento de inovações tecnológicas que potencializam as habilidades do público-alvo e promovam o compartilhamento de informações tem despertado atenção significativa entre pesquisadores contemporâneos6. Diante disso, a elaboração de uma TCE direcionada à prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas se configura como uma alternativa promissora frente ao desafio apresentado.

Outrossim, a prevenção de quedas requer capacitação profissional acerca do tema e a utilização de estratégias adequadas para orientação aos pacientes e familiares, favorecendo a identificação conjunta dos fatores de risco determinantes e o desenvolvimento de estratégias para minimizá-los7. Assim, deve-se investir em medidas voltadas para ações de educação permanente para que os profissionais adquiram o conhecimento necessário acerca da temática e possam intervir de forma eficaz, auxiliando na resolução do impasse em questão.

Nesse contexto, o desenvolvimento de uma TCE voltada à qualificação profissional constitui uma estratégia essencial para a prevenção de quedas. Por meio da utilização de recursos cuidativo-educacionais interativos, os profissionais da saúde podem aprimorar seus conhecimentos sobre a temática, promovendo maior segurança e qualidade na assistência5.

Além disso, a ferramenta favorece a aprendizagem contínua e a aplicação prática do conhecimento, estimulando habilidades críticas e reflexivas necessárias à identificação de fatores de risco e elaboração de medidas para prevenção de eventos adversos.

Ainda, é imprescindível realizar a elaboração e utilização de tecnologias precisas e eficazes, já que obtêm resultados altamente satisfatórios quando desenvolvidas de forma apropriada8. Então, para avaliar a qualidade do produto, assim como o alcance dos objetivos pretendidos, é necessário realizar o teste de evidências de validade das TCE após sua criação9. Portanto, o objetivo do presente estudo foi elaborar e testar evidências de validade de site cuidativo-educacional para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas.

MÉTODO

Trata-se de um estudo metodológico, cuja meta é investigar, organizar e analisar dados com o objetivo de construir, avaliar e validar produtos da pesquisa10, sendo adotada a amostra não probabilística por conveniência em todas as etapas de coleta de dados. O estudo foi realizado no Hospital Universitário Júlio Bandeira de Mello (HUJB), localizado no município de Cajazeiras (PB, Brasil), situado na extremidade ocidental da Paraíba, com área territorial de 562,703 km², distanciando 477 km da capital João Pessoa e aproximadamente 63.239 habitantes compreendem sua população, com densidade demográfica de 112,38 habitantes/km2 11.

Para desenvolvimento da pesquisa, foram atendidas as observâncias éticas e recomendações presentes nas diretrizes e normas regulamentadoras para estudos envolvendo seres humanos e nas resoluções 466/12 e 510/2016, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Campina Grande, sob parecer número 8.156.593, estando vinculada ao projeto guarda-chuva “Construção e validação de tecnologias cuidativo-educacionais no campo da interdisciplinaridade em saúde”, além de que todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Diante disso, o presente estudo foi desenvolvido a partir da execução das seguintes etapas: 1) Coleta de dados com profissionais do HUJB; 2) Elaboração da tecnologia cuidativo-educacional; 3) Teste de evidências de validade de conteúdo da tecnologia cuidativo-educacional, sendo estas descritas a seguir.

Na primeira etapa, foi realizada a coleta de dados com os profissionais do HUJB. Portanto, para compreensão da realidade, identificação dos principais fatores desencadeantes do problema e elaboração de soluções eficazes sob o olhar participativo dos pesquisadores em conjunto com o público-alvo, optou-se por seguir o referencial metodológico do Modelo Práxico para Desenvolvimento de Tecnologias (MPDT)9, e assim, elencar os aspectos essenciais à tecnologia através da interação com o público-alvo.

O MPDT propõe quatro etapas a serem seguidas para o desenvolvimento dos produtos, destacando-se por explicitar a importância de realizar um diagnóstico situacional, bem como da participação ativa do público-alvo na decisão das características do produto. A primeira é a fase pragmática, que consiste na inserção dos pesquisadores na realidade e identificação de entraves. A produtiva/artística é a elaboração de uma solução transformadora, que resulta na construção de um produto tecnológico, enquanto a etapa experimental é o momento no qual se busca evidências de validade da tecnologia. Por fim, a fase revolucionária se baseia na aplicação e verificação da efetividade do produto9.

Então, para enquadramento da pesquisa ao MPDT9, foi realizada a etapa pragmática com os profissionais do HUJB para maior participação do público na decisão do tipo de tecnologia a ser elaborada e suas características. Assim, foram incluídos os profissionais que oferecem assistência direta, constante e consequentemente têm maior contato com as pessoas idosas hospitalizadas, sendo incluídos enfermeiros e técnicos de enfermagem das clínicas médica e cirúrgica do HUJB. Foram excluídos os profissionais afastados (por atestado ou licença maternidade) e que atuassem no setor há menos de seis meses, por não apresentarem experiência profissional suficiente para atender aos critérios do estudo.

Assim, foram elaboradas quatro perguntas para coleta de dados, sendo: 1) “Você utiliza tecnologia(s) cuidativo-educacional(is) para facilitar a assistência de enfermagem?”; 2) “Quais as dificuldades/necessidades enfrentadas no processo de redução dos riscos de quedas em pessoas idosas hospitalizadas?”; 3) “Qual(is) tecnologia(s) cuidativo-educaciona(is) poderia(m) contribuir para reduzir essas dificuldades/necessidades?”; 4) “Qual(is) elemento(s) é(são) indispensável(is) nessa TCE?”.

Como estratégia para coleta de dados, foi utilizada uma plataforma on-line para criação de nuvens de palavras com feedback em tempo real, possibilitando a formação de tais nuvens com as respostas das perguntas supracitadas. Vale ressaltar que, à medida que os profissionais respondiam as perguntas, imagens com as nuvens de palavras já formadas eram adicionadas a cada pergunta, para que o público pudesse conhecer a opinião coletiva, conforme recomenda o MPDT.

Assim, a coleta de dados foi iniciada de forma presencial, com os profissionais que estavam disponíveis no serviço, por meio da disponibilização de um QR Code que direcionava os profissionais à um formulário que continha o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o link das nuvens de palavras formadas em conjunto com as perguntas a serem respondidas. Eventuais dúvidas, esclarecimentos e a exposição de opiniões foram realizados durante a coleta de dados.

Quanto à análise dos dados coletados, esta foi realizada diretamente na plataforma utilizada, através da avaliação das nuvens de palavras formadas pelas respostas dos profissionais. Nessas nuvens, a resposta mais frequente é representada pela maior palavra da nuvem, sendo disponibilizado o quantitativo de profissionais que responderam de forma similar.

Já na segunda etapa, foi realizada a elaboração da tecnologia cuidativo-educacional. Assim, tendo como base os achados da fase anterior, foi discutida a viabilidade da proposta mais sugerida pelos profissionais, bem como definidos os pontos centrais que subsidiaram a construção da TCE, com foco na minimização dos riscos de quedas em pessoas idosas hospitalizadas. A partir disso, procedeu-se à elaboração do tipo de TCE mais apontado pelos profissionais participantes.

Enquanto isso, na terceira fase, foi desenvolvida a análise da validade de conteúdo que deve ser conduzida por especialistas na área, visto que sua experiência garante maior rigor na avaliação das informações e do material apresentado. Para esse tipo de verificação, recomenda-se a utilização de instrumentos padronizados e validados, os quais permitem mensurar o nível de concordância entre os avaliadores12.

Esse processo envolve a apreciação criteriosa do material que compõe a tecnologia, a fim de confirmar tanto a pertinência para o público-alvo quanto a adequação do conteúdo ao tema em questão13. Com relação à seleção da amostra destinada ao teste de evidências de validade de conteúdo, foram adotados os critérios propostos por Fehring14, com as adaptações consideradas pertinentes.

Dessa forma, a seleção dos participantes ocorreu por meio da Plataforma Lattes, mediante análise dos currículos e verificação da pontuação mínima de cinco pontos14, distribuídos em, no mínimo, dois dos critérios apresentados na Tabela 1. Além disso, foram excluídos os especialistas que não devolveram o instrumento de avaliação no período máximo de 20 dias.

Tabela 1
Critérios de seleção para experts. Cajazeiras, PB, 2025.

Ademais, não há consenso na literatura sobre o número mínimo de participantes em estudos de teste de evidências de validade de conteúdo. Assim, adotou-se a recomendação de Salbego e Nietsche9, que sugere entre cinco e 27 avaliadores, definindo-se a participação mínima de nove especialistas. Nesse contexto, a TCE desenvolvida foi submetida à avaliação por profissionais da área da saúde, como enfermeiros, fisioterapeutas e outros, com expertise em envelhecimento humano, contemplando aspectos como forma de apresentação, clareza dos objetivos e aplicabilidade prática15.

Para essa finalidade, foi utilizado o Instrumento de Validação de Conteúdo Educativo em Saúde (IVCES)15, sendo feitas as adaptações necessárias ao estudo. O instrumento reúne dezoito itens distribuídos em três dimensões, com respostas em escala de 0 a 2. Com base nele, elaborou-se um questionário em ambiente virtual, por meio de uma plataforma de criação de formulários on-line, que foi utilizada para transformar o instrumento utilizado em um questionário de múltiplas escolhas, o qual foi enviado aos avaliadores, contemplando:

  1. Perfil do especialista – informações socioeconômicas e profissionais;

  2. Apresentação da tecnologia – identificação do produto, logomarca, telas e funcionalidades;

  3. Objetivos e relevância – descrição do propósito da tecnologia e sua importância para a prática assistencial.

A apreciação ocorreu por meio de uma escala Likert, amplamente aplicada na área da saúde, que permite quantificar o grau de concordância em cada item. As opções de resposta são: 0) Discordo; 1) Concordo parcialmente; 2) Concordo totalmente, devendo o avaliador selecionar apenas uma alternativa por item.

Com relação à análise dos dados obtidos por meio do IVCES, foi aplicado o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), que avalia a proporção de concordância entre os especialistas tanto em cada item individual (I-IVC) quanto no conjunto total do questionário (S-IVC)16. O cálculo do I-IVC consiste na soma das respostas assinaladas como 1 e 2 em cada questão, dividida pelo número total de avaliadores. Já o S-IVC é obtido pela média dos valores de I-IVC de todas as questões, refletindo a concordância geral entre os juízes16.

Quanto ao valor mínimo considerado aceitável para a concordância entre os avaliadores, a literatura indica um patamar mínimo de 0,80 como referência para validação de novos instrumentos17, sendo estabelecido tal valor neste estudo como critério mínimo para obter evidências de validade.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

Todo os dados coletados e que deram suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente.

RESULTADOS

Com o objetivo de facilitar a compreensão do estudo, os resultados e discussão serão apresentados em fases: 1) Coleta de dados com profissionais do HUJB; 2) Elaboração da tecnologia cuidativo-educacional; 3) Teste de evidências de validade de conteúdo da tecnologia cuidativo-educacional.

A primeira etapa foi realizada com 15 profissionais (enfermeiros e técnicos de enfermagem) da clínica médica do HUJB, tendo sido obtidas as nuvens de palavras representadas pelas Figuras 1 e 2. As nuvens de palavras presentes na Figura 1 mostram que a maior parte dos profissionais não fazem o uso de TCE, bem como trazem algumas dificuldades enfrentadas no processo de redução dos riscos de quedas, destacando problemas na infraestrutura do hospital.

Figura 1
Nuvens de palavras formadas pelas respostas dos profissionais respectivamente às perguntas 1) “Você utiliza tecnologia(s) cuidativo-educacional(is) para facilitar a assistência de enfermagem?” e 2) “Quais as dificuldades/necessidades enfrentadas no processo de redução dos riscos de quedas em pessoas idosas hospitalizadas?”. Cajazeiras, PB, 2024.

Além disso, na Figura 2 estão descritas algumas sugestões de tecnologias que podem contribuir atenuando essas dificuldades, sendo o formato de aplicativo o mais sugerido. Entretanto, alguns profissionais relataram de forma presencial, durante a participação da pesquisa, que o armazenamento dos dispositivos poderia ser um empecilho na utilização da tecnologia, então optou-se por desenvolver um site responsivo similar à um aplicativo, que possa ser utilizado em dispositivos móveis.

Figura 2
Nuvens de palavras formadas pelas respostas dos profissionais respectivamente às perguntas 3) “Qual(is) tecnologia(s) cuidativo-educaciona(is) poderia(m) contribuir para reduzir essas dificuldades/necessidades?” e 4) “Qual(is) elemento(s) é(são) indispensável(is) nessa TCE?”. Cajazeiras, PB, 2024.

Ainda na Figura 2 estão expostos alguns elementos que são indispensáveis na tecnologia a ser desenvolvida, como desenho animado, cores chamativas, cuidados e segurança, sendo todas as sugestões acatadas e incluídas, permitindo incluir à tecnologia informações relevantes ao público-alvo.

Assim, para definição dos pontos centrais da tecnologia, foram tomados como base os resultados da etapa de coleta de dados supracitada. Para elaboração da TCE, foi utilizado um editor com suporte para criação dos códigos. O sistema web foi desenvolvido em quatro módulos usando uma biblioteca que oferece componentes que facilitam a navegação e construção de interfaces. Ainda, para garantir maior flexibilidade conforme novas funcionalidades fossem adicionadas, adotou-se a arquitetura SOA (Arquitetura Orientada a Serviços).

Os módulos desenvolvidos foram: Autenticação, Quizzes, Resultados e Revisões, através da utilização de uma plataforma on-line gratuita e publicamente disponível18, em que foram utilizados produtos. Um desses produtos é responsável por simplificar o registro e autenticação de usuários e foi aplicado no módulo de autenticação, controlando acesso e criação de contas. Ainda, foi usado um banco de dados NoSQL baseado em documentos, que armazena informações dos usuários, respostas e gerenciamento das perguntas dos quizzes.

Para a disponibilização do sistema, utilizou-se uma ferramenta que permite configurar um domínio personalizado e atualizar o sistema diretamente a partir do código-fonte. O código também está versionado em um repositório, possibilitando controle de mudanças e integração com a plataforma para publicações automáticas a cada atualização.

Como base para elaboração do conteúdo da TCE, foi utilizado o Protocolo de Prevenção de Quedas do Ministério da Saúde19, bem como um estudo em que foi realizada uma revisão na literatura sobre fatores de risco para quedas e demais assuntos relacionados à temática20.

Desse modo, estão presentes 6 tópicos na TCE, sendo estes: 1) “Quedas em pessoas idosas hospitalizadas”: uma pequena introdução acerca da temática; 2) “Fatores intrínsecos”: explicação sobre o que são fatores intrínsecos e cita alguns deles; 3) “Fatores extrínsecos”: definição de fatores extrínsecos e explicita alguns deles; 4) “Importância de prevenção e como prevenir”: a importância de se prevenir as quedas, bem como medidas e atitudes que devem ser adotadas para tal resultado; 5) “Postura profissional”: forma correta que o profissional deve agir para reduzir as quedas; 6) “Orientações ao paciente e acompanhante”: orientações que devem ser realizadas ao paciente e seu acompanhante.

Com relação ao design da tecnologia, o avatar presente nela foi inspirado nas características da pesquisadora desenvolvedora do site e sua roupa representa a farda do grupo de pesquisa em que está inserida, cujo foco é o desenvolvimento e validação de TCEs. Quanto ao cenário exposto na tecnologia, este foi baseado na enfermaria do hospital em que a TCE foi desenvolvida e tanto o avatar como o cenário foram criados por uma designer e são de autoria dos desenvolvedores.

Ao final, obteve-se o desenvolvimento do site cuidativo-educacional, estando duas de suas telas apresentadas na Figura 3.

Figura 3
Telas do site cuidativo-educacional. Cajazeiras, PB, 2025.

Com relação à etapa de teste de evidências de validade de conteúdo da tecnologia cuidativo-educacional, nove especialistas participaram, sendo que destes, sete possuem doutorado como maior titulação, oito apresentam a enfermagem como área de formação e sete especialistas relataram entre 10 e 30 anos de formação. Os dados foram agrupados e analisados, sendo realizado o cálculo do IVC, alcançando assim o S-IVC de 0,97 (linha 24 na Tabela 2). Ainda, todos os itens de avaliação da tecnologia apresentaram índice superior a 0,80 (coluna 3 da Tabela 2), não sendo necessário realizar quaisquer alterações no conteúdo do site educativo.

Tabela 2
Avaliação de conteúdo segundo o Índice de Validade de Conteúdo (IVC) e Teste binomial. Cajazeiras, PB, 2025.

Ademais, após a realização do cálculo do IVC, buscando trazer maior confiabilidade ao estudo, optou-se por realizar o teste de Shapiro-Wilk para determinar a normalidade da amostra e decidir qual tipo de teste estatístico seria ideal a ser aplicado. Com a realização desse cálculo, obteve-se p-valor de aproximadamente 0,00000321, que é inferior ao nível de significância pré-estabelecido (0,05), demonstrando que há anormalidade da amostra. Assim, os testes não paramétricos seriam a melhor escolha, sendo selecionado o teste binomial para verificar a significância estatística.

Sobre o teste binomial, devem-se estabelecer duas variáveis para a realização do cálculo, sendo a Hipótese Nula (H0) e Hipótese Alternativa (H1), em que H0 indica que a probabilidade amostral é igual à probabilidade de referência, enquanto H1 aponta que é diferente. Desse modo, espera-se que os dados coletados sejam semelhantes aos valores de referência e que o p-valor seja >0,05, para que H0 não seja rejeitada. Ainda, foi adotado o valor de 0,80 para a hipótese nula, já que o mínimo de concordância estabelecido entre os especialistas foi de 80%. Para tanto, foram adotados os seguintes valores de referência:

- H0: P (proporção de respostas “concordo”) ≥0,80;

- H1: P (proporção de respostas “concordo”) <0,80.

Além disso, o nível de significância adotado foi de 0,05, então o critério de decisão para rejeitar H0 seria obter um p-valor <0,05. Diante disso, a Tabela 2 contém, em cada item do instrumento, os dados sobre o número de respostas “concordo total/parcialmente”, I-IVC de cada questão, o valor obtido através da aplicação do teste binomial e a conclusão do teste que comprova aceitação da H0.

DISCUSSÃO

A coleta de dados com os profissionais mostrou que a maior parte deles não faz uso de TCE para auxiliar no processo de cuidado. Em contrapartida, destaca-se a contribuição do uso dessas ferramentas para o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades pelos profissionais de enfermagem, além de promover maior segurança na prestação de cuidados ao paciente5,21, demonstrando a necessidade de incentivo à adesão e utilização dessas ferramentas.

Além disso, foram evidenciadas as dificuldades enfrentadas no processo de redução dos riscos de quedas em pessoas idosas hospitalizadas, destacando problemas na infraestrutura do hospital, camas e cadeiras de banho inadequadas, além da falta de conhecimento dos profissionais, em concordância com os achados do estudo de Veras et al.20. Assim, vale destacar que, encontrados tais impasses, cabe aos órgãos responsáveis promover melhorias na infraestrutura do hospital, bem como realizar adaptações nos móveis, de modo a oportunizar o processo do cuidado e reduzir a ocorrência de eventos adversos.

Com relação ao desenvolvimento da TCE, o tipo de ferramenta mais sugerido foi o aplicativo, porém os variados formatos de telas dos dispositivos, em conjunto com diferentes sistemas (IOS e Android), geram o impasse do desenvolvimento de interfaces para aplicativos que sejam adaptáveis a essa variedade, sem prejudicar a experiência do usuário22. Além do fato de que é necessário espaço de armazenamento livre nos dispositivos, o que nem sempre acontece, portanto, a alternativa mais assertiva foi realizar o desenvolvimento de um site responsivo extremamente semelhante a um aplicativo para suprir todas as necessidades encontradas.

Nesse sentido, através da primeira etapa descrita no desenho metodológico da pesquisa, sob o olhar participativo do público-alvo durante o processo criativo do produto tecnológico, foi possível elencar os aspectos essenciais à tecnologia sugeridos pelos profissionais. Dessa forma, o conteúdo presente no site foi construído com base na coleta de dados, atrelado ao embasamento científico para garantir respaldo, confiabilidade e robustez ao material apresentado na TCE. Assim, conforme recomenda o modelo metodológico adotado9, a tecnologia estaria sendo desenvolvida em conjunto com os usuários, garantindo assim uma maior adesão quanto à sua utilização.

Após a elaboração da ferramenta, obteve-se, a partir da participação de especialistas, o S-IVC de 0,97, que é considerado excelente, indicando alto nível de concordância entre os participantes com relação à qualidade do conteúdo presente na tecnologia. Tal dado é bem superior ao valor mínimo previamente estabelecido, superando outros estudos cujo objetivo era testar evidências de validade de TCE23,24.

Sendo assim, ao realizar a elaboração de materiais cuidativo-educacionais, deve-se realizar a sua avaliação para que a eficácia dos produtos seja maximizada. É de suma importância para os profissionais e pesquisadores da saúde compreender os métodos de teste de evidências de validade das tecnologias do cuidado, para se obter cada vez mais instrumentos confiáveis, com rigor metodológico necessário e adequados para atender às necessidades do público-alvo25.

Mesmo após obter evidências de validade do conteúdo da TCE, é fundamental validar a aparência e a usabilidade desta, pois tais aspectos influenciam diretamente sua efetividade prática. A validação de aparência permite verificar se o design, a organização visual, a linguagem e os recursos gráficos são adequados ao público-alvo, favorecendo clareza, atratividade e compreensão. Já a avaliação de usabilidade assegura que a ferramenta seja intuitiva, acessível e de fácil navegação, reduzindo barreiras tecnológicas que possam comprometer seu uso. Além disso, a análise desses atributos contribui para aprimorar a experiência do usuário, aumentar o engajamento e fortalecer a adesão às orientações propostas26. Dessa forma, a validação de aparência e usabilidade consolida a qualidade global da tecnologia e amplia seu potencial de impacto na prática assistencial e deve ser realizada como desdobramento da pesquisa.

Outrossim, o presente estudo teve como dificuldade o longo prazo para obter a resposta dos juízes quanto ao teste de evidências de validade de conteúdo do site, tendo em vista que mais de 60 juízes receberam o e-mail de convite, mas após cinco meses de espera, apenas nove responderam, o que resultou na limitação da amostra de especialistas e na necessidade de se postergar o período de desenvolvimento dessa etapa, a qual estava prevista para ser realizada em dois meses. Porém, o quantitativo de participantes obtido foi suficiente de acordo com a literatura9.

CONCLUSÃO

Ao final, obteve-se uma ferramenta que passou pelo teste de evidências de validade de conteúdo, sendo verificada a linguagem e o conteúdo nela presentes, garantindo eficácia na disseminação de conhecimentos ao público a que se destina. Vale destacar que é necessário submeter a tecnologia a outros testes de evidências de validade para verificar a praticidade e facilidade de uso, bem como se as ilustrações e cores presentes estão adequadas ao material. Só então, a tecnologia estará apta para qualificar profissionais para que eles possam auxiliar no processo de redução das quedas de pessoas idosas no ambiente hospitalar.

Diante do exposto, o produto da pesquisa trará benefícios para as pessoas idosas hospitalizadas, acompanhantes, profissionais envolvidos na assistência e a própria instituição, por consistir no desenvolvimento e evidências de validade de conteúdo de uma importante ferramenta que será capaz de atenuar o entrave em questão por meio da qualificação profissional.

Por fim, vale destacar que a tecnologia desenvolvida no estudo pode ser utilizada em âmbito nacional, dada a similaridade da condição de saúde da pessoa idosa em todo o país, o que proporcionará domínio da temática ao público, fazendo com que se torne multiplicador de conhecimento, repassando a aprendizagem aos pacientes, acompanhantes e demais colaboradores.

  • Financiamento
    Financiamento da pesquisa: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nº do processo: Editais nº 01/2023 e nº 01/2024. Bolsa de Projeto de Iniciação Científica.

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Editado por

  • Editado por
    Camila Alves dos Santos

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    19 Dez 2025
  • Aceito
    08 Abr 2026
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