Resumo
Objetivo Avaliar os fatores associados às reações adversas a medicamentos (RAM) em pessoas idosas no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS).
Método Estudo epidemiológico, transversal e analítico, realizado em Unidades Básicas de Saúde dos municípios de Caicó e Currais Novos, Rio Grande do Norte, Brasil. Foram investigadas variáveis sociodemográficas, hábitos comportamentais, presença de comorbidades, uso de medicamentos, percepção de saúde, ocorrência de reações adversas aos medicamentos. As variáveis de exposição foram: polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos), uso de medicamentos potencialmente inapropriados; a variável de desfecho foi ocorrência de reações adversas potencialmente ameaçadoras à vida ou incapacitantes (delirium, sedação, hemorragias gastrintestinais, quedas, fraturas). Para análise dos dados, foi empregada a estatística descritiva seguida de análise bivariada (qui-quadrado) para investigar variáveis de associação e análise multivariada (regressão logística binária).
Resultados No total, 100 pessoas com 60 anos ou mais de idade foram incluídas no estudo. A polifarmácia foi identificada em 44% dos entrevistados, o uso de MPI em 28%, e 41% relataram alguma RAM, sendo a queda o evento adverso mais prevalente (26%). A análise bivariada associou RAM com comorbidade, polifarmácia e MPI (p < 0,001). Na análise multivariada, a polifarmácia manteve-se como fator de risco independente associado (p < 0,01) para RAM.
Conclusão A polifarmácia constitui o principal fator associado às RAM em pessoas idosas. O fortalecimento de práticas de prescrição racional, protocolos clínicos e a atuação interprofissional (médico-farmacêutico) são essenciais para mitigar riscos e garantir a segurança terapêutica na APS.
Palavras-chave
Atenção Primária à Saúde; Idoso; Lista de Medicamentos Potencialmente Inapropriados; Prescrições de Medicamentos; Polimedicação.
Abstract
Objective To evaluate the factors associated with adverse drug reactions (ADR) in older adults in the context of primary health care (PHC).
Method An epidemiological, cross-sectional, analytical study was conducted in Basic Health Units in the cities of Caicó and Currais Novos, Rio Grande do Norte state, Brazil. Sociodemographic variables, behavioral habits, presence of comorbidities, medication use, perceived health, and occurrence of ADRs were investigated. The exposure variables investigated were: polypharmacy (use of five or more medications), and use of PIM; the outcome variable was the occurrence of potentially life-threatening or disabling adverse reactions (delirium, sedation, gastrointestinal hemorrhages, falls, fractures). Data analysis entailed descriptive statistics followed by bivariate analysis (chi-square) to investigate the association of variables, and multivariate analysis (binary logistic regression).
Results Overall, 100 participants aged 60 or older were included in the study. Polypharmacy was identified in 44% of the interviewees, PIM use in 28%, while 41% reported ADR, with falls being the most prevalent adverse event (26%). Bivariate analysis revealed ADR was associated with comorbidity, polypharmacy, and PIM (p < 0.001). On the multivariate analysis model, polypharmacy remained the only associated independent risk factor (p < 0.01).
Conclusion Polypharmacy constituted the main factor associated with ADRs in the community-dwelling older adults. The strengthening of rational prescribing practices, clinical protocols, and interprofessional work (physician-pharmacist) are essential to mitigate risks and ensure therapeutic safety in PHC.
Keywords
Primary Health Care; Older Adult; Potentially Inappropriate Medication List; Drug Prescriptions; Polypharmacy.
INTRODUÇÃO
O envelhecimento acelerado e as consequentes modificações nos perfis demográfico e epidemiológico da sociedade brasileira exigiram uma nova perspectiva assistencial, devido ao aumento na prevalência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), especialmente na população idosa1,2.
Em pessoas idosas, a prevalência de polifarmácia e de uso de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) aumentam significativamente2. A polifarmácia é caracterizada pelo uso concomitante de cinco ou mais medicamentos1,3. Por sua vez, os MPI são fármacos em que os riscos superam os benefícios de sua utilização quando há opções terapêuticas com evidência científica equivalente mais segura3.
Tais condições – polifarmácia e uso de MPI – são fatores de risco para a ocorrência de desfechos negativos, os quais podem ser decorrentes de reações adversas a medicamentos (RAM) e/ou de interações medicamentosas1,4,5.
Diante desse contexto, a American Geriatrics Society (AGS) estabeleceu os Critérios de Beers em 2012 como uma lista de MPI para pessoas idosas6. Tais critérios foram criados por especialistas, visando aumentar a segurança das prescrições ao identificar fármacos a serem evitados em situações específicas7. No Brasil, os Critérios de Beers fundamentaram a criação do Consenso Brasileiro de Medicamentos Potencialmente Inapropriados (CBMPI)8, consolidando-se como uma ferramenta essencial para classificar os medicamentos, racionalizar as prescrições e minimizar as RAM3.
É sabido que o Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pela promoção do uso racional de medicamentos, mediante a formulação de plano de ação para diminuição da polifarmácia9. O papel da equipe multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (APS), especificamente a atuação do profissional farmacêutico, pode gerar impactos positivos na prevenção e resolução de problemas relacionados a medicamentos, resultando em maior adesão à farmacoterapia e controle das doenças crônicas10.
No cenário de alta prevalência de polifarmácia e de MPI em pessoas idosas, o presente estudo justifica sua importância ao considerar a APS como ordenadora do cuidado e da assistência integral à pessoa idosa. O objetivo deste estudo foi avaliar os fatores associados às reações adversas a medicamentos em pessoas idosas no contexto da APS.
MÉTODO
Trata-se de um estudo de caráter epidemiológico, transversal e analítico. O público-alvo da pesquisa foi: pessoas a partir de 60 anos de idade, cadastradas e atendidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com dispensação de medicamentos ou farmácia básica dos municípios de Caicó e Currais Novos – RN. De acordo com o IBGE, o município de Caicó – RN possui, aproximadamente, 61.146 habitantes, sendo 17,22% pessoas com 60 anos de idade ou mais11; e dispõe de 24 UBS, sendo cinco dessas com dispensação de medicamentos. Já o município de Currais - RN possui, aproximadamente, 41.313 habitantes, sendo 18,36% de pessoas com 60 anos ou mais11; dispõe de 18 UBS, e a dispensação de medicamentos ocorre através da farmácia básica.
Os participantes da pesquisa foram selecionados no momento da retirada dos medicamentos prescritos na farmácia da UBS. Destaca-se que essas unidades deveriam dispor de profissionais residentes do Programa de Medicina de Família e Comunidade e Programa de Residência em Atenção Básica da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte (EMCM/UFRN). O número amostral foi obtido por conveniência. Estipulou-se a realização de 100 entrevistas, considerando a operacionalização para execução da pesquisa, em tempo oportuno.
Desta forma, os critérios de inclusão foram ter 60 anos ou mais e portar documento com registro dos medicamentos utilizados (prescrição médica, cartão do usuário do SUS ou a caderneta de Saúde do Idoso). Não houve exclusão de participantes. Os dados foram coletados no período de março a agosto de 2025 pelos estudantes de medicina/EMCM (Caicó) e pela farmacêutica residente em Atenção Básica/EMCM (Currais Novos), devidamente treinados para aplicar o questionário semiestruturado de coleta. Os participantes foram convidados a participar da pesquisa e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
As informações coletadas foram referentes a: características sociodemográficas, hábitos comportamentais, presença de comorbidades, uso de medicamentos, percepção de saúde e ocorrência de reações adversas ao medicamento.
As variáveis de exposição foram: polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos) e uso de medicamentos potencialmente inapropriados; a variável de desfecho foi ocorrência de reações adversas potencialmente ameaçadoras à vida ou incapacitantes (delirium, sedação, hemorragias gastrintestinais, quedas, fraturas).
As informações sociodemográficas coletadas foram: sexo, idade, cor/etnia, situação conjugal, escolaridade, prática religiosa, renda mensal. Em relação aos hábitos comportamentais, foi investigado questionando se o indivíduo consome álcool e/ou tabaco; a prática de atividade física foi investigada perguntando se nos últimos três meses a pessoa idosa praticou ou tem praticado algum tipo de exercício físico. A presença de comorbidades foi avaliada considerando o diagnóstico médico das seguintes doenças crônicas: doenças cardíacas, hipertensão arterial, diabetes mellitus, tumor maligno, artrite ou reumatismo, doenças pulmonares, depressão, osteoporose e Acidente Vascular Encefálico (AVE).
A percepção de saúde foi avaliada utilizando uma escala do tipo Likert cuja resposta varia entre muito boa, boa, regular, ruim ou muito ruim.
Em relação à presença de polifarmácia e MPI, foi investigado o uso de medicamentos quanto a: nome e posologia do medicamento prescrito. Cada medicamento relatado foi classificado de acordo com Anatomical Therapeutic Chemical classification system (ATC), recomendada pela OMS, nos níveis 1 (grupo anatômico) e 2 (subgrupo terapêutico); e foi verificado se estava selecionado na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME)5.
A ocorrência de polifarmácia foi considerada quando relatado uso concomitante de cinco ou mais medicamentos1. A ocorrência de MPI foi caracterizada, independentemente da condição clínica, conforme o CBMPI, que é formado por 118 critérios, dos quais 43 devem ser evitados independente da condição clínica da pessoa idosa e 75 dependentes de determinadas condições de saúde3.
A RAM foi investigada perguntando ao participante sobre a ocorrência, no último ano, de: quedas, fraturas, hospitalizações, constipação, insuficiência cardíaca, depressão, déficit cognitivo e disfunção renal 3.
Os dados foram armazenados e processados em software estatístico. Foi realizada análise descritiva (frequência absoluta e relativa, medidas de tendência central e medidas de dispersão) para caracterização da amostra, e foi calculado o intervalo de confiança [IC95%] das proporções observadas entre as categorias analisadas. Em seguida, foi realizada análise bivariada (teste qui-quadrado de Pearson) para investigar variáveis de associação. Por fim, a análise multivariada (regressão logística binária) foi conduzida para ajustar possíveis variáveis de confundimento e identificar os fatores associados à ocorrência de RAM. Estimou-se IC95% e nível de significância α=5%.
Para o modelo de regressão, as variáveis foram agrupadas em blocos: 1) características sociodemográficas (sexo e faixa etária); 2) condições de saúde (presença de comorbidades, uso de polifarmácia e uso de MPI). As variáveis sociodemográficas foram incluídas na regressão logística binária, independentemente do p-valor da análise bivariada, visto a importância delas para o ajuste da análise. As demais variáveis foram selecionadas de acordo com a significância estatística obtida a partir da análise bivariada, considerando como critério de inclusão p-valor < 0,20.
O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (CEP FACISA – UFRN), conforme as determinações da Resolução n° 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que define as diretrizes e normas regulamentadoras que regem a pesquisa envolvendo seres humanos e Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). CAAE: 85766424.0.0000.5568 / Nº do Protocolo: 7.392.508.
DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi disponibilizado no figshare e pode ser acessado em https://doi.org/10.6084/m9.figshare.31231507.
RESULTADOS
Foram entrevistadas 100 pessoas com 60 anos ou mais de idade, (50 em Caicó e 50 em Currais Novos), cadastrados e atendidos na estratégia de saúde da família desses municípios.
A Tabela 1 caracteriza a amostra de acordo com as variáveis sociodemográficas, hábitos comportamentais e condições de saúde, e descreve o IC95% das proporções observadas em cada categoria analisada. A média de idade foi 71,41 ± 7,88 anos. A maioria dos participantes foi do sexo feminino, faixa etária de 70 anos ou mais, casada ou em união estável, etnia parda, praticante de alguma religião, escolaridade abaixo do fundamental completo e renda salarial menor que dois salários-mínimos. Em relação aos hábitos comportamentais, apenas a prática de atividade física regular foi relatada pela maioria dos entrevistados. Quanto às condições de saúde, a maioria possui comorbidades e uma percepção regular da própria saúde.
Caracterização da amostra de acordo com variáveis sociodemográficas, hábitos comportamentais, condições clínicas e de saúde. Caicó e Currais Novos, RN, 2024.
A Tabela 2 apresenta a ocorrência das principais doenças e das reações adversas investigadas neste estudo. Quanto às principais comorbidades, destacaram-se como mais prevalentes a hipertensão arterial sistêmica, as artrites e diabetes mellitus. Em relação aos efeitos adversos, as quedas foram as mais prevalentes.
Ocorrência de comorbidades e reações adversas a medicamentos em pessoas idosas comunitárias. Caicó e Currais Novos, RN, 2024.
A Tabela 3 apresenta o resultado da análise bivariada entre a presença de reações adversas com faixa etária, sexo, prática de atividade física, presença de comorbidades, uso de polifarmácia e de MPI. O teste qui-quadrado de Person revelou associação significativa entre reação adversa com comorbidade (p < 0,001), polifarmácia (p < 0,001) e MPI (p < 0,001).
Análise Bivariada da presença de reações adversas com as variáveis sociodemográficas, hábitos comportamentais, condições clínicas e de saúde. Caicó e Currais Novos, RN, 2024.
Após a análise bivariada, foi realizada a análise multivariada através de regressão logística binária para controle de possíveis variáveis de confundimento e avaliar os fatores associados à RAM (Tabela 4). Dessa forma, apenas a polifarmácia manteve-se como fator de associação, independentemente da idade, do sexo, da presença de comorbidades e do uso de MPI.
Modelo de regressão logística binária para identificar os fatores associados às reações adversas a medicamentos em pessoas idosas comunitárias. Caicó e Currais Novos, RN, 2024.
DISCUSSÃO
O principal achado deste estudo evidenciou a polifarmácia como fator de risco independente para a ocorrência de RAM, mesmo após modelo ajustado por variáveis de confusão como idade, sexo, presença de comorbidades e uso de MPI. Esse resultado confirma a premissa de que a quantidade de fármacos utilizados pode ser determinante para o surgimento de eventos adversos, superando isoladamente a influência da idade ou de classes terapêuticas específicas, convergindo com evidências robustas da literatura, que apontam o uso concomitante de múltiplos fármacos como um elemento central para interações medicamentosas e desfechos clínicos negativos, sobretudo em pessoas idosas7,15,22.
Apesar da análise multivariada ajustada destacar a polifarmácia como protagonista para RAM, é fundamental discutir os achados observados na análise bivariada, nos quais a ocorrência de RAM também foi associada à presença de comorbidades e ao uso de MPI, sugerindo um tripé de vulnerabilidade clínica: comorbidades, uso de MPI e polifarmácia, que não deve ser negligenciado, principalmente pela alta prevalência dessas condições na APS3,19,20.
No presente estudo, os achados referentes às condições de saúde reforçam a alta carga de doenças crônicas na população idosa. A maioria dos participantes (70%) apresentou comorbidades, um achado similar ao observado em outros estudos conduzidos com usuários da APS15,16. A polifarmácia foi identificada em 44% e o uso de MPI em 28% dos entrevistados, corroborando com o panorama internacional, onde a polifarmácia varia de 13,9% a 64,5%1,4,7,14,17,18, e o uso de MPIs alinha-se a estudos que aplicaram os critérios de Beers e o CBMI, variando entre 27,6% e 32,9%3,21. As reações adversas foram relatadas por 41%, sendo o evento queda o mais relatado.
Esse cenário evidencia a complexidade do manejo clínico na APS. Embora alguns medicamentos sejam classificados como inapropriados para pessoas idosas, em muitos casos, eles são imprescindíveis para o manejo adequado de condições crônicas, visto que cada condição pode exigir um ou mais medicamentos para seu tratamento e controle7,15,20.
Contextualizando esses resultados, o perfil da amostra estudada (baixo nível de escolaridade, renda reduzida e alta prevalência de doenças crônicas) condiz com a realidade observada em outras investigações no nordeste brasileiro e na APS em geral1,12,13,14, onde fatores socioeconômicos desfavoráveis comprometem o autocuidado e a adesão terapêutica, exacerbando o risco associado à polifarmácia14.
Ressalta-se que a polifarmácia assumiu um papel determinante para a ocorrência de RAM, ultrapassando a influência de outros fatores e consolidando-se como marcador de risco prioritário. Isso justifica a necessidade de políticas e protocolos voltados à revisão periódica de prescrições na APS, bem como a adoção de medidas não farmacológicas para o tratamento e controle de doenças crônicas. Estudos demonstram que intervenções focadas na revisão de medicamentos, pautadas na decisão compartilhada e no treinamento profissional, são eficazes para redução da carga medicamentosa23.
Nesse contexto, a prevenção quaternária apresenta-se como ferramenta essencial para mitigar a medicalização excessiva24, na qual o farmacêutico é primordial para conduzir a conciliação medicamentosa, identificar problemas relacionados à prescrição, com potencial para prevenir reinternações e custos evitáveis ao sistema de saúde1,25.
Contudo, é imperativo interpretar os resultados do presente estudo à luz de suas limitações: delineamento transversal que impede o estabelecimento de causalidade direta entre as variáveis; viés de seleção, devido à amostra por conveniência; e viés de aferição decorrente dos autorrelatos.
Dentre as limitações, destacam-se os autorrelatos referentes à ocorrência de RAM, passíveis de viés de memória (esquecimento de eventos passados ou nomes de medicamentos) e de viés de informação (desconhecimento da própria condição clínica da pessoa idosa). Tais fatores podem ter levado a uma subestimação das prevalências reais de RAM.
Apesar do delineamento transversal, do tamanho amostral reduzido e da seleção não probabilística, o estudo tem potencial pelo rigor metodológico aplicado (uso de instrumentos validados e padronização na coleta de dados) e pela análise estatística ajustada.
Portanto, devido à importância da temática e ao caráter exploratório desta investigação, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas futuras, com amostra probabilística e representativa, delineamentos longitudinais, integrando dados quantitativos e qualitativos. Além disso, estudos voltados à avaliação de intervenções, como revisão sistemática de prescrições, integração multiprofissional e educação em saúde, podem oferecer subsídios para estratégias efetivas de cuidado seguro.
CONCLUSÃO
Em síntese, a polifarmácia constitui o principal fator associado às reações adversas a medicamentos em pessoas idosas comunitárias, configurando-se como desafio prioritário para a Atenção Primária à Saúde. O fortalecimento de práticas de prescrição racional e de protocolos clínicos, aliado à interdisciplinaridade, é fundamental para mitigar riscos e garantir maior segurança terapêutica à população idosa.
Embora alguns medicamentos classificados como inapropriados sejam necessários para o manejo de condições crônicas, sua prescrição deve ser acompanhada de revisão periódica, considerando número de fármacos, horários de administração e potenciais interações.
A atuação interprofissional (médico – farmacêutico) e o cuidado centrado no paciente são essenciais para promover a prescrição racional e reduzir eventos adversos associados ao uso de medicamentos.
AGRADECIMENTOS
À Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pelo suporte institucional e acadêmico ao desenvolvimento desta pesquisa.
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