Resumo:
Esta pesquisa investiga os sentidos e significados atribuídos ao trabalho por docentes da educação básica no Cariri Cearense, analisando as implicações para a vida profissional desses(as) trabalhadores(as). Diante da contradição entre a centralidade do trabalho como elemento identitário e sua precarização no capitalismo contemporâneo, o estudo teve como objetivo compreender de que modo professores(as) significam sua atividade profissional e como as condições laborais impactam esses significados. Justifica-se o texto pela urgência em discutir as vivências de resistências e emancipação à precarização do trabalho docente no contexto neoliberal. Para a pesquisa, de natureza qualitativa, foi feito um estudo de caso, delimitado pela atribuição de significados ao trabalho de docentes da educação básica no Cariri Cearense, especificamente na região do Crajubar, a partir das vivências e da experiência concreta. Os resultados revelam que o trabalho foi fortemente associado à realização pessoal e à contribuição social, evidenciando significados positivos à atividade. No entanto, as docentes mencionaram sobrecarga, com reflexos na saúde. O relato de desvalorização salarial e institucional foi unânime, o que afeta a autoestima profissional. Conclui-se que, apesar da dimensão positiva atribuída ao trabalho docente, a precarização exige políticas públicas urgentes para garantir condições dignas de exercício profissional.
Palavras-chave:
significados do trabalho; educação básica; trabalho docente; precarização laboral; saúde do(a) professor(a)
Abstract:
This research investigates the meanings and significance attributed to work by Basic Education teachers in Cariri Cearense, analyzing the implications for the professional lives of these workers. Starting from the contradiction between the centrality of work as an identity-forming element and its precarization in contemporary capitalism, the study aimed to understand how teachers attribute meaning to their professional activity and how working conditions impact these meanings. The study is justified by the urgency of discussing experiences of resistance and emancipation in response to the precarization of teaching work in the neoliberal context. For this research, qualitative in nature, a case study was conducted, delimited by the attribution of meanings to the work of Basic Education teachers in Cariri Cearense, specifically in the Crajubar region, based on their lived experiences and concrete experience. The results reveal that work was strongly associated with personal fulfillment and social contribution, highlighting positive meanings attributed to the profession. However, the teachers reported excessive workloads, with repercussions on their health. Wage and institutional devaluation were unanimous, affecting professional self-esteem. It is concluded that, despite the positive dimension attributed to teaching work, precarization demands urgent public policies to ensure dignified professional conditions.
Keywords:
work meanings; basic education; teaching work; labor precarization; teacher health
Resumen:
Esta investigación analiza los sentidos y significados que los docentes atribuyen al trabajo de Educación Básica en el Cariri Cearense, en la región geográfica y cultural del Estado brasileño de Ceará, extendiéndose hacia los estados de Paraíba y Pernambuco, analizando las implicaciones que esto tiene para la vida profesional de estos trabajadores. Partiendo de la contradicción entre la centralidad del trabajo como elemento identitario y su precarización en el capitalismo contemporáneo, el estudio tuvo como objetivo comprender cómo los/las docentes dan significado a su actividad profesional y cómo las condiciones laborales influyen en estos significados. El texto se justifica por la urgencia de debatir las vivencias de resistencia y emancipación frente a la precarización del trabajo docente en el contexto neoliberal. Para la investigación, de naturaleza cualitativa, se llevó a cabo un estudio de caso, delimitado por la atribución de significados al trabajo de los docentes de Educación Básica en el área del Cariri Cearense, específicamente en la región del Crajubar, a partir de las vivencias y la experiencia concreta. Los resultados revelan que el trabajo fue fuertemente asociado a la realización personal y a la contribución social, evidenciando significados positivos en la actividad. Sin embargo, las docentes reportaron sobrecarga laboral, con reflejos en su salud. La desvalorización salarial e institucional fue unánime, afectando la autoestima profesional. Se concluye que, a pesar de la dimensión positiva atribuida al trabajo docente, la precariedad exige políticas públicas urgentes para garantizar condiciones dignas de ejercicio profesional.
Palabras clave:
significados del trabajo; educación básica; trabajo docente; precariedad laboral; salud del docente.
Introdução
O trabalho pode ser definido como uma categoria estruturante da existência humana, consubstanciando-se como elemento central para a geração de valor social, não apenas por garantir a subsistência, mas, principalmente, por ser um meio para conferir identidade, reconhecimento e sentido da própria condição humana. Por intermédio do trabalho, o ser humano se integra à sociedade e à natureza, transformando-as. À ação humana de transformação da natureza para adaptá-la aos seus interesses e objetivos dá-se o nome de trabalho. No usufruto do trabalho, o homem muda o mundo, e essa mudança do mundo, amparada na ação de transformação da natureza para assegurar a própria existência, denomina-se cultura. O trabalho é marcado por intencionalidade prévia, e, por meio dele, o ser humano se diferencia dos animais. Ao produzirem os meios de sua existência, os indivíduos constroem, de modo indireto, a vida material. Nesse sentido, a humanidade coincide com sua produção (Marx; Engels, 2002).
A natureza dos indivíduos depende das condições materiais que determinam o modo produtivo. Logo, as relações de produção constituem elementos que determinam comportamentos, valores e relações sociais. Percebe-se, contudo, que o processo produtivo implantado no modelo capitalista sofreu inúmeras transformações ao longo da história. Essas alterações implicaram mudanças significativas na organização do trabalho, de maneira a manter as características de exploração e alienação, necessárias para a manutenção da lucratividade dos detentores do capital (Antunes, 2005). Em contextos de capitalismo dependente, como o brasileiro, essas transformações se traduzem em uma realidade cada vez mais marcada pela precarização do trabalho. Nesse cenário, o(a) trabalhador(a) tem a impressão de que seu emprego é um privilégio, ainda que frágil e sob constante ameaça, o que fomenta uma “situação generalizada e permanente de insegurança” que o(a) obriga “à submissão, à aceitação da exploração” (Bourdieu, 1998, p. 75).
Não obstante, percebe-se que a categoria trabalho se mantém como elemento de estruturação e integração social (Antunes, 2005). Mesmo diante dessas transformações, a acumulação de capital se constitui como força motriz na sociedade, em um movimento que tem o trabalho como principal mercadoria e mecanismo de geração de valor (Satuf; Neves, 2021). Assim, atualmente, percebe-se uma contradição no mundo laboral: por um lado, tem-se o trabalho como elemento central para criação de valor, em um sentido de perenidade; por outro, ele estampa elementos de superfluidade, traduzida na precarização, na flexibilização e no desemprego (Antunes, 2009).
Entende-se que essas mudanças atravessam as relações sociais e de formação humana e podem influenciar a conformação dos significados do trabalho, bem como a percepção de sua importância na sociedade, pois implicam novos contornos na vinculação do sujeito com sua atividade. Tratando especificamente da Educação, compreende-se que as relações de trabalho precarizadas se materializam em diferentes formas de valorização ou de sujeição do professorado aos poderes instituídos. Nessa direção, esta pesquisa questiona: quais são os sentidos e significados atribuídos pelos(as) docentes da educação básica ao seu trabalho? Busca-se identificar os significados que esses(as) profissionais atribuem ao seu trabalho, visando, adicionalmente, compreender como as vivências laborais desses(as) trabalhadores(as) refletem na construção de significados.
Os sentidos e significados do trabalho
As pesquisas que envolvem os sentidos e significados do trabalho como objeto de análise possuem embasamento conceitual ancorado em perspectivas da Sociologia e da Psicologia. A atribuição desses significados, com base na Psicologia, fundamenta-se em percepções subjetivas que cada indivíduo faz sobre as suas interações e vivências no mundo do trabalho, tendo como referência um conjunto de marcadores sociais, políticos e ideológicos. A abordagem sociológica, por sua vez, apregoa que a atribuição de significados a essa atividade é expressão da influência de sistemas de valores e visões culturais disseminadas em cada sociedade, por meio da educação. Desse modo, embora as atitudes e expectativas individuais, bem como a interação entre a esfera laboral e outras esferas significativas, sejam consideradas, o processo de significação se torna mais complexo, pois envolve também a valorização do trabalho em uma sociedade, assim como o seu papel social. Dessarte, é esperado que o trabalho seja considerado algo significativo quando os sistemas culturais e sociais em que as pessoas se encontram imersas valorizem essa atividade (Rodrigues et al., 2018).
Os significados do trabalho compreendem elementos de uma realidade socialmente construída, tendo como referência um determinado contexto histórico, sendo constituídos a partir de conteúdos partilhados socialmente. No entanto, ao mesmo tempo, são marcados por singularidades estabelecidas nas trajetórias individuais dos sujeitos, de modo que incorporam elementos ideológicos de uma sociedade, sendo também influenciados por agentes de socialização (Borges; Barros, 2015). Esses significados concernem a uma preocupação sobre o papel do trabalho na sociedade, em termos de normas, valores e tradições de trabalho no cotidiano das pessoas, que contempla, também, as representações sociais que a atividade possui para o(a) trabalhador(a), representações essas que se estabelecem a partir da referência individual e social (Ghadi; Fernando; Caputi, 2015). Logo, são construídos mediante vivências individuais e no contexto de trabalho, mas, também, sofrem influência dos contextos social, histórico, cultural e econômico (MOW International Research Team, 1987; Satuf, 2024).
Os estudos que contemplam os sentidos e significados do trabalho sinalizam pouco consenso entre o uso desses termos, embora ambos tenham sua origem no latim sensos, que faz alusão à percepção e à interpretação (Schweitzer et al., 2016). Assim, podem ser utilizados de maneira interdependente ou de modo distinto. Quando abordados enquanto construtos interdependentes, os significados do trabalho são entendidos como construções coletivas, ao passo que o sentido é apreendido como a assimilação pessoal dos significados coletivos desenvolvidos nas experiências cotidianas. Nesta pesquisa, adota-se essa perspectiva, compreendendo-se sentidos e significados como construtos interdependentes (Bendassolli et al., 2015).
No caso do(a) professor(a), o aspecto das interações se faz marcante. Tardif e Lessard (2008) chamam a atenção para o aspecto interativo do trabalho docente, que se estabelece por meio de relações com pessoas, instituições e imposições do capitalismo moderno. Além disso, “o trabalho do professor é uma identidade em constante construção” (Paschoalino, 2024, p. 16), condicionada por normas e valores constituídos a partir das transformações do trabalho em nossa sociedade. O professor está sujeito a um conjunto de intensas interações em seu trabalho, estando, ainda, em contato direto e permanente com as insatisfações do mundo atual. A autora salienta que o saber docente está assente na premissa de que o saber é social, mas sua existência está vinculada ao(à) docente enquanto ser individual.
O trabalho docente, nessa perspectiva, deve ser analisado com base em um conjunto de dimensões, segundo Tardif e Lessard (2008). Primeiro, como qualquer trabalho humano, a docência é uma atividade realizada em determinado contexto e com objetivos específicos. Contudo a docência não é mera atividade, mas também uma questão de status, no sentido de que remete à identidade do(a) trabalhador(a) nas organizações de trabalho e social. Essa identidade não é apenas dada, mas construída nas práticas e escolhas profissionais. Como atividade e status, o trabalho docente deve ser analisado em função da experiência, ou seja, do modo como o(a) profissional vivencia e atribui significado ao trabalho.
Metodologia
A pesquisa adotou metodologia de natureza qualitativa, por meio de um estudo de caso com dez docentes que atuam na educação básica, com formação em Pedagogia. O método qualitativo se caracteriza por favorecer a compreensão do fenômeno investigado de maneira aprofundada, permitindo o estudo dos significados a ele atribuídos pelo sujeito, tendo como referência as condições em que este vive. O estudo de caso se caracteriza pela investigação de um fenômeno contemporâneo em profundidade. O caso em análise é constituído pela atribuição de significados ao trabalho a partir das vivências e da experiência concreta de docentes da educação básica no Cariri Cearense, especificamente na região do Crajubar, compreendida como uma unidade social e territorial que expressa dinâmicas particulares do trabalho docente em contextos de capitalismo dependente. Considera-se, nesse percurso analítico, a complexidade da relação entre condições laborais, trajetórias individuais e construções simbólicas dos participantes, a fim de desnudar os significados que emergem dessa relação, marcada por aspectos contraditórios.
Por meio do estudo de caso, esse fenômeno foi pesquisado em seu contexto real (Yin, 2016). Conforme define Stake (2009), trata-se de um estudo de caso instrumental, na medida em que o interesse não recai no caso em si, mas em seu potencial para compreensão de processos mais amplos relacionados à atribuição de significados ao trabalho em contextos de precarização. O contexto de análise situa-se no cenário social e educacional vivenciado por professores(as) egressos(as) dos cursos de Licenciatura em Pedagogia, em efetivo exercício, que trabalham em escolas localizadas na região do Cariri Cearense. Nesse quadro, a pesquisa encontra espaço para questionar a singularidade das contradições sociais apontadas pelos participantes e descobrir, nesse universo específico, aquelas que afetam a classe trabalhadora docente como um todo e que são “ocultas debaixo das aparências de singularidade” (Goldenberg, 2001, p. 35).
Nesse percurso metodológico, a pesquisa tem por finalidade a descrição do fenômeno, compreendido como os sentidos e significados que os(as) docentes atribuem ao seu trabalho, buscando compreender como eles se constroem e se manifestam nas interações cotidianas (Oliveira; Guimarães; Ferreira, 2023). A relevância do caso reside em sua capacidade de evidenciar contradições do trabalho docente no capitalismo periférico, especialmente em contextos de desigualdades estruturais.
A investigação envolveu a aplicação de entrevistas semiestruturadas, que combinam um roteiro de perguntas previamente elaboradas a novas formulações que podem surgir a partir das interações com os interlocutores (Oliveira; Guimarães; Ferreira, 2023). Os temas norteadores das entrevistas incluíram aspectos pessoais, voltados para a caracterização sociodemográfica das entrevistadas; trajetória laboral, com enfoque na inserção no mercado de trabalho até a atuação presente; avaliação do contexto e das condições de trabalho, com ênfase nos aspectos positivos e negativos do trabalho executado, bem como das implicações da atividade na saúde e autoestima; e, por fim, os significados atribuídos ao trabalho. As entrevistas foram realizadas presencialmente, em data e local definidos pelas participantes, conforme sua disponibilidade, no período compreendido entre julho e novembro de 2024. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas em sua integralidade.
O corpus deste estudo teve como critérios de inclusão a atuação como docente na educação básica, em escolas do chamado Crajubar, na Região Metropolitana do Cariri Cearense1, e a formação em cursos de licenciatura em Pedagogia ministrados em instituições públicas ou privadas, em formato presencial ou a distância. A amostra foi constituída por conveniência, conforme a rede de acessos das investigadoras, usando-se a metodologia “bola de neve”. Nesse sentido, docentes da educação básica foram convidados(as) a participar, em consonância com os objetivos da investigação.
Os dados obtidos foram examinados por meio da análise textual interpretativa, de Javier Gil Flores, com suporte do software QDA Miner. Apesar de ter origem na análise de conteúdo, essa técnica privilegia a apreciação qualitativa, pois compreende que “o sentido profundo do discurso não resiste à sua decomposição em unidades ou a sua quantificação em virtude de determinados critérios” (Flores, 1994, p. 69). A abordagem interpretativa utiliza categorias para apresentar a informação, mas o interesse está no conteúdo das categorias, e não na frequência dos códigos. Parte-se do pressuposto de que a realidade é fruto de um processo de construção dos sujeitos por meio da interação com outros membros da sociedade, com foco na compreensão da realidade tal como entendida pelos próprios participantes, constituindo-se um fenômeno subjetivo, múltiplo e dinâmico.
A técnica interpretativa envolve a organização dos dados mediante a escuta e a leitura dos discursos em sua completude e repetidas vezes, para que se possa obter uma apreensão global do conteúdo. Em seguida, são efetuadas a categorização, que possibilita a classificação conceitual das unidades em temas similares, suportando um significado; e a codificação, que contempla a atribuição de um código próprio a cada unidade de análise. Os códigos representam, portanto, as categorias que são atribuídas às unidades de dados, de modo a identificar sua filiação a um determinado tema (Rodriguez Gómez; Gil Flores; Garcia Jiménez, 1999), o que propicia o agrupamento dos componentes temáticos em unidades de conteúdo. Essas categorias podem ser estabelecidas previamente, a partir de um marco teórico adotado na pesquisa ou mesmo do roteiro utilizado nas entrevistas, mas podem também ser construídas no decorrer da análise dos dados. A análise textual interpretativa permite que um mesmo trecho textual pertença a duas categorias simultaneamente. O processo de análise é flexível, de modo que categorias de baixa representação possam se fundir, ao passo que outras, demasiado amplas ou de conteúdo heterogêneo, sejam divididas.
Como o estudo abrange a coleta de dados primários com seres humanos, sua condução foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da universidade à qual a investigação se vincula, sob registro do Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (Caee) nº 78836424.0.0000.5055. Portanto, encontra-se em conformidade com normas para pesquisas envolvendo seres humanos preconizadas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Análise e discussão dos resultados
A análise dos dados se orientou pela compreensão do caso investigado, delimitado pela atribuição de significados ao trabalho de docentes da educação básica no Cariri Cearense, especificamente na região do Crajubar, a partir das vivências e da experiência concreta. Em consonância com essa perspectiva, a análise privilegiou a articulação entre as narrativas das participantes e as condições concretas do trabalho docente. No exame das entrevistas, combinou-se o uso de categorias predefinidas, que foram aprofundadas por meio de temas emergentes.
Nesse prisma, evidenciaram-se os principais sentidos e significados atribuídos ao trabalho pelas docentes, tendo como pano de fundo as dimensões analíticas privilegiadas por Tardif e Lessard (2008): o trabalho, entendido como atividade realizada em dado contexto e com determinado objetivo, com enfoque no desenvolvimento da atividade; o trabalho como status, elemento de constituição da identidade do(a) trabalhador(a), com implicações nos modos como ele(ela) se percebe e é visto(a) pela sociedade; e a docência como experiência, com enfoque na atribuição de significados às vivências desse(a) profissional.
Durante a codificação, emergiram elementos como a sobrecarga laboral, a realização pessoal, a relação afetiva com alunos e a relação do trabalho com a saúde e a autoestima, o que permitiu o aprofundamento e a caracterização das categorias a priori. Assim, a categoria trabalho como experiência evidenciou aspectos da realização pessoal e relação afetiva. A categoria trabalho como atividade caracterizou a percepção de sobrecarga laboral; ao passo que a categoria trabalho como status e identidade evidenciou aspectos da desvalorização da atividade docente, com reflexos na autoestima dessas profissionais.
No caso investigado, foram entrevistadas dez professoras com idades entre 26 e 48 anos, entre os dias 11/7 e 13/11/2024. O tempo de experiência docente das participantes variou entre 1 e 28 anos, sendo que cinco trabalham em escolas públicas e as outras cinco, em escolas privadas. Às participantes foram atribuídos os códigos de E1 a E10, em conformidade com a cronologia em que foram realizadas as entrevistas. O Quadro 1 apresenta um resumo com as informações das participantes.
A caracterização das participantes evidencia elementos estruturantes do caso, como a feminização do magistério, a atuação em redes pública e privada e a diversidade de trajetórias profissionais, aspectos que se articulam às condições históricas e sociais do trabalho docente no contexto investigado. Esses elementos não são meramente descritivos e devem ser compreendidos em sua inserção no cenário mais amplo de precarização laboral no capitalismo contemporâneo.
O primeiro aspecto que chama a atenção em relação às entrevistadas é o fato de todas serem do sexo feminino. Nas escolas em que elas exercem sua atividade, não foram encontrados pedagogos do sexo masculino em sala de aula. Esse fato reflete a divisão sexual do trabalho em nossa sociedade, em que as mulheres ocupam, majoritariamente, funções voltadas para o cuidado. Nessa perspectiva, percebem-se a redução das remunerações e a perda do prestígio social da atividade, de modo que a docência passa a ser entendida como a extensão das atividades do lar, naturalizadas como femininas (Rosa, 2021). Nessa direção, tal como reportado nos estudos de Rosa (2021), as docentes reproduzem discursos naturalizados para a escolha da profissão, em que pesem, principalmente, o fato de gostar de crianças e a valorização do cuidado, ecoando a construção social dos significados do trabalho docente. Assim, “o que mais me motiva são os alunos” (E10). A fala de E5 salienta essa percepção: “Eu gosto de crianças, né? Então, a maneira que eu procurei de ficar mais perto delas é o meu trabalho como professora”. O afeto se faz presente na relação com os alunos, e “ver aquela carinha daquela criança, correndo, me abraçando”, como relatado por E4, é algo valorizado. Nessa mesma esteira, E9 afirma:
É um trabalho muito prazeroso. Eu me vejo... eu gosto muito de trabalhar nessa área exatamente por conta desse contato que você tem direto com a criança. Porque, quando você é professora, você não é só professora. Você é mãe. Você é psicólogo. Você é Conselho Tutelar. Você é tudo. Então, assim, eu percebo que, como eu trabalho aqui na escola desde 2016, então, muitas dessas crianças já passaram por mim na educação infantil. Aí, hoje, eu vejo no primeiro ano, no segundo, terceiro, quarto, quinto, evoluindo. Isso me dá uma satisfação tão grande. Esse ano, quando eu cheguei no quinto ano, um aluno disse: “Professora, eu me lembro muito da senhora”. Ai, mulher, eu quase choro de emocionada. E eu perguntei: “Por quê?” E ele disse: “Foi a senhora que me ensinou a ler...” Isso dá uma satisfação muito grande. Você sabe que aquilo é fruto do seu trabalho.
Essa configuração aqui verificada evidencia uma dimensão estrutural do trabalho, revelando como a divisão sexual do trabalho perpassa a atividade das professoras, conferindo contornos específicos na construção dos significados atribuídos à docência. Assim, a dimensão do cuidado, elemento marcante do trabalho feminino, materializa-se na relação afetiva com os alunos.
A categoria trabalho como experiência ressaltou aspectos da realização pessoal e relação afetiva. As participantes atribuíram forte centralidade ao trabalho. A atividade foi, majoritariamente, percebida como elemento de valor positivo, por meio do qual conferem sentido à existência. O trabalho “é uma realização” (E8), e, sem ele, “não tem como você ser alguém na vida, né? [...] é a nossa base” (E5). Nesse aspecto, denota-se a importância social do trabalho em nossa sociedade, fruto da ética do trabalho (Weber, 2004), que ressalta a atividade como algo que “edifica o homem” (E3). Isso reforça a presença da ética racional do trabalho, que tem a atividade como principal meio para garantia de dignidade para as pessoas.
Além disso, o trabalho permite que se estabeleçam relações interpessoais significativas e fomenta a organização da rotina diária, cumprindo um importante papel de socialização e estruturação individual. O trabalho, enquanto categoria, é dotado de significados sociais e psicológicos pelos indivíduos, mas também possui um significado econômico e social, que reverbera na sociedade como um todo (Rafagnin; Rafagnin, 2016). O fato de ser um elemento geralmente priorizado na vida dessas professoras pode ser reflexo do contexto econômico do País, sendo algo comum em sociedades nas quais a sobrevivência ainda é um aspecto a ser superado (Yeganeh, 2017).
Essa centralidade se consolida na perspectiva de uma contribuição social, a qual só pode ser atingida por meio da atividade, o que extrapola a questão da remuneração, já que “não é só receber o salário. Qual é o nosso papel? O que a gente está trabalhando para construir uma boa sociedade?” (E6). Nas palavras de E2, o “[...] trabalho é uma parcela, uma contribuição que eu posso estar dando para a sociedade, para os seres humanos que estão ali comigo... Eu vejo assim, que o meu trabalho vai fazer, mesmo que um pouquinho, vai fazer a diferença na vida daquelas pessoas”. O valor positivo atribuído ao trabalho passa, também, pelo orgulho que permeia o processo de construção de conhecimentos. O discurso de E6 reforça esse argumento, pois ela entende que a atividade realizada é de “uma importância gigante. Porque eu estou ali, dentro da sala de aula, formando as crianças para o mundo”. Na mesma direção, outra professora destaca que
o trabalho que a gente faz é muito bonito. Eu vejo que a gente ajuda muita gente... Olha, você pegar uma criança que chegou sem saber pegar no lápis, sem saber falar e você ver aquela criança falando, aquela criança aprendendo, aquela criança lendo, aquela criança interpretando textos... Isso é muito importante (E7).
A valorização e o orgulho da atividade docente se fazem presentes no discurso das entrevistadas, já que a educação “é a mola que transforma; então, o trabalho docente é transformador, ele transforma vidas. Uma palavra que você diz, fora do contexto, você traumatiza ou incentiva” (E3). Elas destacaram também a satisfação em perceber o desenvolvimento dos alunos, especialmente quando eles conseguem superar as dificuldades de aprendizagem.
O olhar para os significados atribuídos ao trabalho por essas professoras revelou ainda um aspecto instrumental da atividade, já que “a gente não trabalha só pelo amor, mas também pela necessidade” (E2). O trabalho é visto como uma fonte de sustento e manutenção das necessidades de subsistência, sendo uma forma de se viver dignamente e garantir a realização de sonhos. Como atividade remunerada, permite a aquisição de bens materiais que proporcionam estrutura para as entrevistadas e suas famílias. Nessa direção, está associado ao emprego, uma atividade realizada para recebimento de remuneração, que garante a manutenção das necessidades e a subsistência, ainda que mantenha a sua centralidade (Toledo; Martins; Gonçalves, 2023), sendo um meio para que se atinja melhor condição de vida.
Em um dos estudos seminais sobre os significados do trabalho, Morse e Weiss (1955), movidos pelo interesse em identificar como as mudanças decorrentes da modernização e da industrialização se refletiram na avaliação do trabalho, entrevistaram 401 trabalhadores dos Estados Unidos na década de 1950. Nesse intento, questionaram se esses profissionais continuariam a trabalhar, mesmo que herdassem uma quantidade de dinheiro suficiente para a garantia de conforto para eles e suas famílias. A grande maioria (80%) respondeu que continuaria a trabalhar, pois a atividade permitia a integração social, a ocupação do tempo e a organização da rotina, conferindo um propósito de vida.
Nosso estudo questiona se as docentes continuariam a trabalhar, ainda que ganhassem na loteria ou recebessem dinheiro suficiente para uma vida com conforto para si e seus familiares. Nenhuma delas abandonaria a docência, o que ressalta o gosto pelo trabalho, bem como a identificação com a atividade. Contudo, a redução da carga horária foi unanimidade, como destaca E10: “Eu continuaria como professora, mas diminuiria a carga horária”. A entrevistada 6 afirmou: “não pararia, porque eu gosto do que eu faço. Mas, assim, eu não trabalharia o tanto que eu trabalho, entendeu? Não pegaria uma carga excessiva de trabalho, mas trabalharia o suficiente, porque é o que eu gosto de fazer”. A ausência do trabalho traria impactos para a construção da rotina, pois muitas delas não se veem sem ele, o que causaria a sensação de inutilidade.
Notam-se, então, contradições no mundo do trabalho docente. A atividade é vista de maneira pragmática, com foco em seu objetivo, por vezes, instrumental, ao mesmo tempo que confere identidade, refletindo nos modos como essas professoras se percebem e são vistas pela sociedade. Assim, a vivência profissional assume significados de orgulho e de realização, mas também evidencia o peso da extensa rotina de trabalho.
Embora tenham sido encontradas significações positivas, é importante ressaltar o lado árduo do trabalho, especialmente em virtude das condições laborais, o que se reflete na categoria trabalho como atividade, marcada pela percepção de sobrecarga laboral e consequente adoecimento. Essa avaliação é um retrato das relações de trabalho cada vez mais precarizadas, uma característica marcante no modo de produção capitalista. Como salienta Antunes (2005), na sociedade contemporânea, marcada pelo advento da empresa moderna, o “trabalho vivo” tem sido reduzido ao “trabalho morto”, o que reflete na precarização, na informalidade, no aumento da terceirização e no avanço do desemprego estrutural. Entre os(as) docentes, essa precariedade é vivenciada diante da percepção de que a educação não atingiu um espaço de status elevado em nossa sociedade e se reflete na desvalorização da carreira, bem como nos efeitos e nas repercussões da rotina de trabalho na esfera pessoal (Paschoalino, 2024).
A rotina, com certa frequência, tem impactos nas relações pessoais e familiares, sendo comum o planejamento de aulas aos finais de semana. Nesse contexto, é possível verificar a fragilidade dos limites entre trabalho e vida pessoal, mesmo em períodos de descanso: “A gente tira férias, mas a sala de aula tá na gente” (E1). Nessa direção, E6 relata que, mesmo nas férias, está “sempre estudando, sempre pesquisando, procurando coisa diferente para inovar as aulas, para trazer coisa diferente”. “[...] Às vezes, estou olhando no Instagram e começa a passar coisas de Educação. ‘Deixa eu olhar isso aqui... Olha, é legal. Vou salvar, vou fazer futuramente’”. Mesmo com a previsão de carga horária voltada para o planejamento das atividades, é comum que as docentes levem trabalho para casa. Essa sobrecarga, frequentemente, conduz a quadros de adoecimento físico ou mental (Roque et al., 2022), bem como reflete na dupla jornada de trabalho. Muitas delas acumulam a tarefa de cuidado com o lar, sendo responsáveis pela maior parte das atividades domésticas. Assim, acumulam os papéis de mães, mulheres e professoras, o que implica ampliação do tempo de trabalho e reforça a percepção de sobrecarga (Rosa, 2021).
A profissão docente exige atualização constante. “Tenho que me preparar, fazer curso, me atualizar” (E8), já que “a educação está mudando o tempo todo. Se você não estiver aberto a essas mudanças, você não será um bom profissional” (E3). Cabe ao professorado a tarefa de se manter em constante atualização, buscando se apropriar das transformações no perfil dos alunos, bem como das novas necessidades de conhecimento. A atividade docente vai além da sala de aula: envolve a preparação das tarefas, a atualização e o aperfeiçoamento, e as interações com colegas e familiares dos alunos, o que faz com que a função seja extenuante, tanto do ponto de vista físico e cognitivo como emocional (Tardif; Lessard, 2008).
Esse excesso de trabalho, aliado às condições, muitas vezes marcadas por estruturas precárias, leva a casos de adoecimentos físicos ou mentais. Algumas docentes se sentem sobrecarregadas, entendendo que a rotina é cansativa e desgastante. A participante E7 relata ter adquirido problemas na coluna e afirma que, muitas vezes, vai trabalhar mesmo com dores. Por sua vez, E6 ressalta que ainda não sentiu os reflexos da atividade em seu corpo. Contudo, destaca que vem de uma família de professoras da educação básica e já percebe o desgaste no relato de familiares: “Uma das minhas tias trabalha na educação infantil e está com um problema nas pernas, com muito inchaço... Outra tia está perdendo o movimento da mão”. As constantes preocupações e cobranças no trabalho, por vezes, levam ao desgaste mental. “Eu tive transtorno de ansiedade generalizada por acúmulo de trabalho... Eu ficava angustiada porque eu queria resolver tudo, e isso me adoeceu” (E3). Essa percepção foi compartilhada por E10:
E aí, hoje, a gente lida muito com isso tudo, né? Você lida com o estado emocional do aluno. Você lida com a autoestima do aluno. Você lida com os problemas familiares do aluno. Você lida com o problema de aprendizagem do aluno... Então, assim, é muita coisa para você lidar.
Essa rotina a levou ao adoecimento, pois se sentia responsável pelo aprendizado dos alunos.
Por fim, a categoria trabalho como status e identidade evidenciou aspectos da desvalorização social da docência. Foi destacada a baixa valorização da profissão docente na sociedade, o que reverbera na autoestima dessas trabalhadoras: “A primeira diferença, financeiramente, né? É a de tempo de trabalho, né? Porque tem uns que trabalham pouco e ganham mais, né? A nossa profissão trabalha muito e ganha menos, né?” (E5). Nos casos em que o contrato profissional é temporário, a frustração se faz ainda mais marcante. A entrevistada E9 atua como professora temporária em uma escola pública e percebe tanto a “questão da falta de valorização dos colegas de trabalho, porque você é temporário”, quanto a falta de valorização salarial, já que “é uma disparidade muito grande... se o trabalho fosse menor, aí justificava. Mas você trabalha as mesmas 200 horas, e o salário não é nem a metade... Mas eu faço o mesmo trabalho, está aqui, o mesmo plano de aula”. Nessa direção, os discursos das docentes evidenciam o tripé da precarização: remuneração, jornada de trabalho e condições laborais, incluindo os contratos de trabalho (Rosa, 2021).
O discurso das entrevistadas demonstra a contradição no mundo do trabalho, conforme salienta Antunes (2009). “De um lado, o orgulho em ser professora, uma profissão fundamental, cuja função social não tem preço” (E1), “já que toda profissão passa pela educação” (E4). De outro lado, percebe-se a falta de valorização, conforme ressalta E8: “Além da questão de valorização salarial, que nós precisamos sempre, porque é muito gasto, né? Não é todo dia que tem pincel na escola, folha, o jogo, né? Então, é a questão salarial mesmo e de infraestrutura”. Esse aspecto pode comprometer a autoestima, pois, “[...] quando você diz assim: com o que você trabalha? ‘Ah, eu sou professora’. A primeira coisa que vem é ‘ai coitada’; ‘ai trabalha muito’. É a primeira visão das pessoas, e isso chateia muito, desmotiva até...” (E5).
As percepções das participantes nos encaminham a pensar o papel do Estado brasileiro no reconhecimento e na valorização do trabalho docente. As políticas educacionais precisam ter mais efetividade na melhoria das condições materiais de ensino, pois o ato de ensinar exige a mobilização de múltiplos saberes e práticas. Numa perspectiva da construção da educação democrática, faz-se necessário superar estruturas precárias e excludentes, que dificultam o trabalho docente para o ensino de qualidade (Laval; Vergne, 2023).
É nessa perspectiva que o texto nos demanda uma reflexão sobre as regulações postas para o trabalho docente, principalmente do professorado da educação básica, em dois aspectos: a carga horária de trabalho e o número de turmas por professor(a). Os sentidos do trabalho para o(a) professor(a) são fortemente influenciados por suas vivências no cotidiano da escola, no efetivo exercício da profissão. Portanto, a valorização e o reconhecimento docente passam por essa reestruturação humanista daqueles que trabalham com a formação humana.
A análise do caso evidencia que os significados atribuídos ao trabalho pelas docentes se conformam nos tensionamentos entre a realização pessoal e a precarização estrutural, articulando dimensões subjetivas e objetivas da experiência profissional. Observa-se que tais significados não são apenas individuais, mas socialmente construídos e atravessados por condições históricas, econômicas e institucionais que configuram o trabalho docente na contemporaneidade. Nessa lógica, o caso investigado sinalizou um contexto marcado por contradições, contribuindo para o debate mais amplo sobre trabalho e subjetividade.
Considerações finais
Este estudo objetivou compreender como professores(as) significam sua atividade profissional e como as condições laborais impactam esses significados. O discurso das entrevistadas permitiu identificar significados positivos associados ao trabalho, mas também evidenciou elementos contraditórios, pautados na desvalorização e no desgaste.
Na percepção das participantes, identificam-se as contradições inerentes ao trabalho sob as amarras do capitalismo em sua fase atual. O trabalho, que é ao mesmo tempo caminho para a cidadania, traz consigo a negação da vida, materializando-se como meio para “sobreviver”, e não para “viver”. Nesse aspecto, chama a atenção outro fator contraditório materializado no trabalho do(a) professor(a): o pouco tempo para planejar e avaliar. A sobrecarga instituída ao(à) profissional - cerca de 10 a 12 turmas, numa média de 300 alunos por professor(a) - revela intensificação e precarização para o fazer e o pensar do(a) docente.
Nas questões finais, chama-se a atenção para a escola como um projeto educacional, o que compromete essa instituição com a formação para a cidadania e o engajamento necessário à construção de uma sociedade ecologicamente democrática, sensível e inclusiva. O texto é revelador das angústias dos(as) professores(as) que vivenciam situações muito paradoxais. São os(as) profissionais que devem motivar os alunos para um futuro desejável, sem que eles(as) próprios(as) tenham assegurado esse futuro.
É preciso avançar nas pesquisas que analisam os impactos do neoliberalismo na construção de uma sociedade justa e igualitária e de uma educação democrática universalizada e de qualidade. Isso exige tempo e condições materiais para os(as) professores(as) pensarem sua formação e seu trabalho.
Ainda que os objetivos desta investigação tenham sido atingidos, é importante destacar algumas das suas limitações. O estudo foi circunscrito a uma região específica do Ceará e, além disso, contou com uma amostra relativamente reduzida de professoras. Pesquisas futuras podem ser desenvolvidas, incluindo outras regiões do estado, de modo a ampliar o universo de participantes e possibilitar uma maior compreensão do fenômeno em outros contextos.
Agradecimentos
O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) (Processos 313654/2025-5/DC3-0235-00008.01.00/24).
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A Região Metropolitana do Cariri foi criada em 2009, por meio da Lei Complementar nº 78. O Crajubar corresponde à conurbação dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, as três maiores cidades dessa região (Ceará. Governo do Estado, 2018).
Disponibilidade de dados:
Os dados não podem ser disponibilizados publicamente.
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Editora científica responsável:
Simone Albuquerque da Rocha. https://orcid.org/0000-0002-2217-7531


Fonte: Elaboração própria