Open-access Atividades do preceptor e tempo de preparo na residência médica: survey

RESUMO

Introdução:  A preceptoria é elemento central da residência médica, porém há lacunas sobre as atribuições formais e o tempo necessário para preparo e execução das atividades docentes.

Objetivo:   Este estudo teve como objetivos identificar atividades regulamentares e opcionais da preceptoria e estimar o tempo dedicado ao seu preparo e à execução em um hospital de ensino.

Método:   Trata-se de um estudo observacional, transversal, via survey on-line realizado com preceptores de programas credenciados pela Coreme. O questionário (44 itens) abrangeu perfil, locais de atuação e atividades de ensino/avaliação, além de tempo de preparo/execução. As análises foram descritivas.

Resultado:  Responderam 68/322 preceptores (21,1%) de múltiplas especialidades. As atividades de ensino mais frequentes foram participação em reunião clínica, discussão de casos em ambulatório e ensino de habilidades não cirúrgicas. Entre as consideradas regulamentares, prevaleceram discussão de casos em ambulatório, participação em reunião clínica e ensino de habilidades não cirúrgicas. O preparo de aulas demandou de duas a seis horas; a preparação de discussões de casos clínicos, em média quatro horas; e a elaboração/aplicação de avaliações, cerca de três horas por mês.

Conclusão:  O escopo da preceptoria na instituição é variado e alinhado a currículos por competência; a discussão de casos clínicos, quando regulamentar, concentrou maior tempo de preparo e execução. Os achados fornecem substrato para o dimensionamento de carga e a organização das atividades de preceptoria na residência médica.

Palavras-chave:
Preceptoria; Residência Médica; Educação Médica; Carga de Trabalho; Competência Clínica

ABSTRACT

Introduction:  Preceptorship is a central element of medical residency, but there are gaps in formal assignments and the time required to prepare and execute teaching activities.

Objective:   To identify mandatory and optional preceptorship activities and estimate the time dedicated to their preparation and execution in a teaching hospital.

Methods:   This was an observational, cross-sectional study via an online survey of preceptors from COREME-accredited programs. The 44-item questionnaire covered profile, practice locations, and teaching/evaluation activities, as well as preparation/execution time. The analyses were descriptive.

Results:  68/322 preceptors (21.1%) from multiple specialties responded. The most frequent teaching activities were participation in clinical meetings, outpatient case discussions, and non-surgical skills teaching. Among the mandatory activities, outpatient case discussions, participation in clinical meetings, and non-surgical skills teaching prevailed. Class preparation required 2 to 6 hours; the preparation of clinical case discussions, on average 4 hours; and the development/administration of assessments, approximately 3 hours per month.

Conclusion:   The scope of preceptorship at the institution is varied and aligned with competency-based curricula; clinical case discussions, when mandatory, required the most preparation and implementation time. The findings provide a basis for determining the workload and organization of preceptorship activities in medical residency programs.

Keywords:
Preceptorship; Medical Residency; Medical Education; Workload; Clinical Competence

INTRODUÇÃO

O Decreto nº 80.281, de 1977, instituiu a residência médica (RM) e criou a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), mas foi a Lei nº 6.932, de 1981, que estabeleceu as diretrizes detalhadas que definem a RM como uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização. A RM é caracterizada pelo treinamento em serviço, em regime de dedicação exclusiva, realizado em instituições de saúde -universitárias ou não - sob a supervisão de médicos com elevada qualificação ética e profissional1. Trata-se do modelo mais eficaz de formação do médico especialista2, baseado no aprendizado prático e no acompanhamento contínuo por um profissional com formação completa na sua área de atuação, que recebe o nome de preceptor (do latim praeceptor, aquele que instrui). Assim, todos os profissionais responsáveis pelo acompanhamento de alunos na área da saúde que realizarão o atendimento a pacientes são considerados preceptores3.

As principais competências do preceptor incluem a supervisão e orientação do aprendiz, proporcionando experiências que favoreçam sua socialização e seu desenvolvimento como profissional tecnicamente habilitado, ético e empático, apto ao exercício da profissão4. É também desejável que o preceptor, além da experiência na sua área de atuação, esteja capacitado em métodos de aprendizagem e avaliação4. A capacitação em estratégias pedagógicas que envolvem metodologias ativas, gestão de pessoas, desenvolvimento de empatia e manejo de conflitos fortalece um currículo estruturado que impacta diretamente a qualidade dos residentes que ingressam no mercado de trabalho5. A Academia Americana de Médicos de Família (American Academy of Family Phisicians - AAFP) reconhece que eventos voltados ao aprimoramento de habilidades pedagógicas são fundamentais para a excelência da preceptoria6.

Além da necessidade de se estabelecerem programas de RM bem desenhados, é imprescindível investir na capacitação de preceptores como base para a formação de especialistas na residência. A Sociedade Americana de Medicina da Família recomenda tempo protegido na carga horária de trabalho dos preceptores destinado exclusivamente à atividade docente6. No Brasil, Ribeiro et al.7 apresentaram um instrumento para avaliar programas de residência em medicina da família e observaram variáveis como tempo previsto para o exercício pedagógico da preceptoria e recebimento de incentivo financeiro para tal, mas não há informações sobre quais seriam as atividades regulamentares (ou obrigatórias) e voluntárias (desenvolvidas por motivação específica) de um preceptor. Este estudo teve como objetivo geral identificar o conjunto das atividades regulamentares e das opcionais que compõem a prática da preceptoria em programas de RM de um hospital de ensino. Os objetivos específicos foram os seguintes: 1. estimar o tempo de preparo e o tempo de execução por atividade; 2. descrever a proporção de preceptores que realizam cada atividade; 3. quantificar o número de atividades regulamentares ou opcionais por preceptor.

MÉTODO

Delineamento e diretrizes de relato

Trata-se de um estudo primário, observacional, transversal, conduzido em hospital universitário de ensino. O relato segue as recomendações para pesquisas baseadas em survey da Anatomical Science Education (ASE)8.

Cenário e período

A coleta foi realizada entre abril e julho de 2023 em programas de RM vinculados à Comissão de Residência Médica (Coreme) da instituição.

Participantes e critérios de elegibilidade

Foram convidados todos os médicos especialistas cadastrados como preceptores nos programas de RM (clínicos e cirúrgicos) da Coreme. Excluíram-se as respostas de preceptores de outras áreas da saúde que não a medicina.

Procedimentos de recrutamento e coleta

Os elegíveis receberam por e-mail um link do Google Forms contendo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o questionário autoaplicável. Cada convite permaneceu aberto para resposta por até sete dias; não respondentes receberam até dois lembretes subsequentes. A participação ocorreu em um único momento, e não foram oferecidos incentivos.

Instrumento e variáveis

O questionário (44 itens, predominantemente fechados) abrangeu: características demográficas (idade, sexo, tempo de atuação profissional), especialidade do programa, locais de trabalho (ambulatório, enfermaria, centro cirúrgico, pronto-socorro/pronto atendimento) e tipo de hospital onde exercia a preceptoria. Considerou-se credenciado o hospital com registro do programa de RM e conveniado aquele com vínculo de cooperação para prática supervisionada do residente. Foram coletadas informações sobre vínculo de trabalho (concurso público na instituição de ensino, docente estatutário, trabalhador celetista ou contratação por pessoa jurídica) e sobre eventual recebimento de benefício financeiro para a preceptoria (pagamento de hora extra, adicional específico, rubrica na carga horária ou banco de horas). O escopo de atividades de preceptoria incluiu: 1. participação em reunião clínica; 2. ministração de aulas; 3. discussão de caso em ambulatório; 4. discussão de caso em reunião clínica; 5. discussão de artigo científico; 6. ensino de habilidades cirúrgicas; 7. ensino de habilidades não cirúrgicas (manejo em UTI e enfermaria clínica); 8. orientação de trabalho de conclusão de curso; 9. avaliação de desempenho; 10. orientação de grupo de discussão; 11. orientação em metodologia científica; 12. orientação de simpósios e seminários; 13. participação em simulados; 14. atividades de gestão do programa; 15. mentoria; 16. elaboração de prova teórica e aplicação de prova prática; 17. atividade em laboratório de habilidades. Para cada atividade, os preceptores indicaram se sua participação era obrigatória no programa de RM e/ou se a realizavam de forma opcional. O tempo de preparo e o tempo de execução dessas atividades foram informados em intervalos (categorias), e não como medidas contínuas.

Desfechos

O desfecho primário foi a participação regulamentar em cada atividade (proporção de preceptores que a reportaram como exigência do programa). Desfechos secundários incluíram: 1. tipos de atividades realizadas de forma opcional; 2. tempos (em intervalos) de preparo e de execução por atividade; 3. número de atividades exercidas por preceptor.

Tamanho da população-alvo e amostragem

No início da coleta, havia 322 preceptores médicos cadastrados na Coreme, todos convidados a participar (tentativa de censo). A amostra final correspondeu às respostas obtidas (amostragem por conveniência dos respondentes).

Análise estatística

As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e relativas; as variáveis de tempo (em intervalos), por distribuições de frequência e medidas de tendência central/dispersão adequadas ao nível de mensuração (por exemplo, mediana e intervalo interquartil quando pertinente). Quando aplicáveis, apresentaram-se intervalos de confiança de 95%. Não se planejaram testes de hipótese inferenciais.

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE nº 66511023.0.0000.5133). A participação foi voluntária, com aceite eletrônico do TCLE antes do início do questionário. Não houve coleta de dados identificáveis no banco analítico.

RESULTADO

Amostra e especialidades

Responderam 68/322 preceptores (21,1%), abrangendo 24 especialidades. As mais representadas foram: ortopedia e traumatologia, 9/68 (13,2%); clínica médica, 5/68 (7,4%); obstetrícia e ginecologia, 5/68 (7,4%); e, com 4/68 (5,9%) cada, cirurgia geral, nefrologia e radiologia e diagnóstico por imagem. As demais especialidades tiveram ≤ 3/68 (≤ 4,4%) cada. As características gerais encontram-se na Tabela 1.

Tabela 1
Características gerais dos médicos preceptores (n = 68)*.

Características dos participantes

A idade média foi 45 ± 7,8 anos (variação 30-61), com 57,4% do sexo masculino. Quanto ao tempo de experiência, 39,7% tinham > 20 anos na especialidade, enquanto 54,4% atuavam como preceptores há < 10 anos. A maioria exercia a preceptoria em mais de um cenário assistencial, principalmente ambulatório (82,4%) e enfermaria (67,6%). Dos participantes, 95,5% atuavam em hospital credenciado, e 4,5%, em conveniado. O vínculo por concurso no hospital de ensino foi relatado por 77,9%, contrato por 11,7% e outros por 10,4%. Quatro preceptores eram docentes universitários, e três, docentes voluntários. Dos participantes, 14,7% (10/68) informaram algum incentivo financeiro para a preceptoria (rubrica específica e/ou banco de horas).

Atividades de preceptoria

Dentre todas as atividades de ensino (Tabela 2), o número de atividades realizadas por preceptor variou de 1 a 17 (média 8). As atividades mais frequentes foram participação em reunião clínica, discussão de caso em ambulatório e ensino de habilidades não cirúrgicas. Para as atividades consideradas regulamentares, o número variou de 0 a 15 (média 4). As mais prevalentes foram discussão de caso em ambulatório, participação em reunião clínica e ensino de habilidades não cirúrgicas. Entre as opcionais, que variaram de 0 a 15 (média 4), destacaram-se discussão de artigos, ministração de aulas, participação na reunião clínica e discussão de caso nessa reunião.

Tabela 2
Atividades de preceptoria: participação, obrigatoriedade e opcionalidade (n = 68).

Reuniões clínicas

Dos preceptores, 87% declararam participar de reuniões clínicas, realizadas preferencialmente no horário de serviço. Quanto à periodicidade, 70,7% informaram reuniões semanais; 15,5%, mensais; 8,6%, quinzenais, e 5,2%, diárias. A duração típica foi de duas horas (variação de uma a quatro horas).

Tempo dedicado às atividades

A ministração de aulas demandou de duas a seis horas de preparo. Para discussões de casos clínicos (ambulatório e reunião), o tempo de preparo relatado com mais frequência foi de aproximadamente quatro horas (faixa de uma a 12 horas). Na discussão de artigos, em um horizonte de 30 dias, os preceptores referiram aproximadamente uma hora para seleção, uma hora para análise crítica, duas horas para preparar a apresentação e três horas para preparar a discussão. As orientações (trabalhos, grupos de discussão, metodologia, simpósios e seminários) consumiram aproximadamente uma hora/mês por atividade. As avaliações (elaboração de prova teórica e aplicação de prova prática) demandaram aproximadamente três horas/mês. Na Figura 1 são apresentados os intervalos de confiança de 95% da média do tempo dedicado a cada atividade pelos preceptores.

Figura 1
Intervalo de confiança de 95% da média do tempo gasto pelos preceptores em atividades do programa de residência (n = 68).

DISCUSSÃO

A legislação e a literatura reconhecem a centralidade do preceptor na formação dos residentes no Brasil1. Persistem, contudo, lacunas na definição institucional de atribuições e, sobretudo, na alocação de tempo protegido para o exercício docente; quando existente, sua aplicação é heterogênea e nem sempre formalizada em hospitais universitários9.

As atividades regulamentares variaram amplamente (de 0 a 15 por preceptor), com maior frequência de discussão de casos em ambulatório, reuniões clínicas e ensino de habilidades não cirúrgicas. O predomínio de ações no local de trabalho é esperado, mas a média de quatro atividades regulamentares e a heterogeneidade observada sugerem assimetria entre expectativas e condições reais da prática. Contribuem para isso o reconhecimento institucional ainda insuficiente das competências pedagógicas do preceptor10 e a sobrecarga assistencial, que restringe o pleno desempenho pedagógico7.

O grande índice de participação em reuniões e discussões de casos sustenta a importância do processo ensino-aprendizagem e do feedback formativo, porém carece de condições de preparo (tempo para definir desempenhos, reflexão sobre escolher e aplicar estratégias de ensino, seleção de evidências, organização de pautas e processos). A menor frequência de mentoria e de avaliação formativa indica a oportunidade para fortalecer a necessidade de instituir a avaliação programática e o acompanhamento longitudinal do residente com feedback7, além da possibilidade de correção de rota.

Nesse cenário, políticas institucionais e governamentais devem definir atribuições, assegurar capacitação pedagógica e estruturar métodos de avaliação por competências, de modo a valorizar a preceptoria5. Ao dimensionarem as atividades e os tempos de preparo/execução, os achados oferecem base para alocar carga pedagógica, desenhar incentivos e reduzir assimetrias entre programas - temas centrais para acesso, permanência, formação, avaliação e fixação.

O estudo mapeia com detalhe o escopo regulamentar e o opcional, e estima o tempo dedicado ao ensino, contribuindo para a gestão da preceptoria. Mostra ainda que 14,7% dos participantes relataram benefícios, predominantemente banco de horas, evidenciando oportunidade de aprimoramento nas políticas de reconhecimento9.

A heterogeneidade da regulamentação da prática da preceptoria entre serviços - autoatribuída pelos respondentes - pode divergir de normativas institucionais e da Coreme. Isso reforça a necessidade de instrumentos de governança locais que explicitem o que, como e quanto cada atividade requer (matrizes de competência, cargas mínimas, prioridades) e prevejam tempo protegido para tarefas educacionais longitudinais, sem prejuízo assistencial6),(9.

A análise de tempo indica esforço relevante fora do atendimento direto (preparo de aulas, seleção de artigos, condução de discussões). Em contextos produtivistas, a ausência de reconhecimento formal desloca o ensino para “horas invisíveis”, com risco de desgaste e perda de qualidade pedagógica. Experiências internacionais associam tempo protegido e distribuição de tarefas não clínicas à retenção docente e a melhores condições para inovação educacional, orientando pactuações com mantenedoras e gestores7),(9.

Limitações

Eis as limitações deste estudo: 1. classificação de “regulamentar/obrigatória” autoatribuída; 2. mensuração categórica do tempo; 3. taxa de resposta de 21,1% com possível viés de autosseleção; e 4. ausência de validação externa da lista de atividades. Pesquisas com médicos podem alcançar retornos maiores, contudo recomenda-se cautela na generalização11.

Implicações práticas

Este estudo apresenta as seguintes implicações práticas: explicitar atribuições e resultados por atividade; dimensionar carga com tempo protegido para planejar, ensinar e avaliar; qualificar reuniões clínicas com objetivos e registro de feedback; e ampliar avaliações no trabalho (por exemplo, Mini-Clinical Evaluation Exercise, Direct Observation Procedural Skills, Entrustable Professional Activities) com decisões colegiadas alinhadas às competências do programa. Como desdobramento, recomenda-se acompanhar esses processos com indicadores operacionais (carga horária docente planejada versus executada; participação e periodicidade de reuniões clínicas; volume de feedbacks registrados), bem como explorar, em estudos multicêntricos, associações entre organização da preceptoria, desempenho do residente e qualidade assistencial. Tais medidas tendem a elevar a qualidade da formação e favorecer a fixação de especialistas nos serviços do Sistema Único de Saúde, em consonância com a responsabilidade social da RM5),(9.

CONCLUSÃO

As atividades de preceptoria observadas refletem o foco no ensino baseado no trabalho e são coerentes com a formação por competências dos programas avaliados. A discussão de casos clínicos, quando regulamentar, foi a que mais demandou tempo de preparo e execução. Esses achados fornecem base prática para futuros estudos de dimensionamento de carga de trabalho e organização das atividades educacionais da preceptoria nos programas de RM.

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  • 3
    Avaliado pelo processo de double blind review.
  • FINANCIAMENTO
    Declaramos não haver financiamento.
  • DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
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Editado por

  • Editora-chefe:
    Rosiane Viana Zuza Diniz.
  • Editor associado:
    Jorge Guedes

Disponibilidade de dados

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    25 Maio 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    09 Out 2025
  • Aceito
    19 Jan 2026
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