Objetivo: Este estudo multicêntrico - do qual participaram médicos de hospitais universitários brasileiros - avaliou empatia, abertura à espiritualidade e bem-estar que são aspectos fundamentais na formação médica.
Métodos: Trata-se de um estudo multicêntrico transversal que incluiu mil médicos de qualquer idade ou sexo, com pelo menos seis meses de atuação em hospitais universitários públicos ou privados afiliados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Utilizou-se a Escala de Empatia, Abertura à Espiritualidade e Bem-Estar na Medicina (ESWIM), validada no Brasil, com pontuações de 1 a 5. Nessa escala, pontuações mais altas indicam maior empatia, abertura à espiritualidade ou bem-estar. A análise estatística incluiu os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, com nível de significância de 0,05.
Resultados: Dos mil médicos convidados, 445 completaram a pesquisa. As medianas (intervalo interquartil) foram 3,90 (0,60) para empatia, 4,00 (0,67) para abertura à espiritualidade e 3,00 (0,86) para bem-estar. Não houve diferenças significativas na empatia entre sexos (p = 0,047). Fatores como dinâmica familiar (p = 0,003), funções acadêmicas (p = 0,004) e status parental (p = 0,003) estiveram associados a maiores pontuações de empatia. Médicos mais jovens mostraram maior abertura à espiritualidade (p = 0,019), e houve variações regionais. As pontuações de bem-estar foram influenciadas por sexo, experiência, idade, especialidade, grau acadêmico e atuação na linha de frente da Covid-19, com clínicos da linha de frente apresentando menores pontuações de bem-estar (p < 0,001).
Conclusão: Empatia, abertura à espiritualidade e bem-estar em médicos de hospitais universitários brasileiros são influenciados por diversas características.
Palavras-chave:
Médicos; Empatia; Espiritualidade; Qualidade de Vida; Hospitais Universitários