Introdução: A educação médica baseada em competências exige métodos capazes de avaliar, de forma válida e confiável, o desempenho clínico do estudante. O Objective Structured Clinical Examination (OSCE) consolidou-se internacionalmente como um dos principais instrumentos para aferir o nível shows how (demonstrar como faz) da pirâmide de Miller.
Desenvolvimento: Este ensaio discute o lugar do OSCE na avaliação das competências clínicas, revisa sua trajetória internacional e latino-americana, resgata o protagonismo brasileiro na introdução do método na América Latina e analisa seus usos em avaliações formativas, somativas, informativas (diagnósticas) e de proficiência. Sustenta-se que o debate brasileiro atual não deve contrapor a necessidade de avaliação prática à inviabilidade de um OSCE de âmbito nacional centralizado. Alternativamente, o elevadíssimo número de escolas médicas no Brasil, com forte heterogeneidade institucional, faz com que um modelo híbrido pareça mais factível: avaliação cognitiva de âmbito nacional associada à avaliação descentralizada das habilidades clínicas nas próprias escolas ou em escolas organizadas em microrregiões, mas sob matriz nacional, documentação padronizada e estrita regulação e auditoria externas. Argumenta-se que a experiência histórica do OSCE no Brasil, especialmente a partir das iniciativas pioneiras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, oferece evidências valiosas sobre potencialidades e limites do método, incluindo custo operacional, necessidade de capacitação docente, treinamento de pacientes padronizados, blueprinting, definição de padrões de desempenho e análise psicométrica.
Conclusão: Defende-se que o futuro da avaliação prática no Brasil dependa menos da simples expansão quantitativa do OSCE e mais da construção de uma governança nacional de qualidade, baseada em bancos compartilhados de estações, consórcios interinstitucionais, revisão pós-implementação e integração do exame a sistemas de avaliação programática.
Palavras-chave:
Avaliação Educacional; Avaliação de Desempenho Profissional; Competência Clínica; Estudantes de Medicina
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Fonte: Miller
Fonte: Elaborada pelos autores.