Este artigo investiga os impactos de uma formação em audiodescrição nas práticas docentes para o desenvolvimento de atividades pedagógicas que possibilitem aos alunos com deficiência visual o acesso às imagens. Configura-se como uma pesquisaintervenção, de cunho qualitativo, pautada nos pressupostos bakhtinianos. O estudo foi organizado em três etapas: oficinas pedagógicas de formação em audiodescrição, observação da prática docente e planejamento e mediação docente. Participaram da pesquisa 29 professores e quatro estagiários que atuavam em uma escola pública de Ensino Fundamental. Contudo, na análise, toma-se como referência a atuação de uma professora de Língua Portuguesa, que se converteu em interlocutora e parceira durante a fase de planejamento e mediação docente. Os resultados indicam que a formação em audiodescrição provocou impactos nas concepções e nas práticas dos professores e, em específico, da professora de Língua Portuguesa. Ela passou a contemplar a audiodescrição em sua prática, abordada sob a óptica de um uso multissensorial e colaborativo. Ademais, revela-se que a formação, por si só, não é suficiente para o uso da audiodescrição pelos professores, sendo preciso assegurar, também, espaços de planejamento e reflexão sobre a prática, a fim de efetivar a articulação entre os professores do Atendimento Educacional Especializado e os da sala de aula comum.
PALAVRAS-CHAVE:
Tecnologia assistiva; Deficiência visual; Formação de professores.