O artigo propõe um diálogo crítico entre o pensamento ecológico e as emergentes cartografias antropológicas do mar como uma maneira de "oceanizar" a educação brasileira. O objetivo é refletir sobre as potencialidades da incorporação de epistemologias litorâneas do Sul Global no debate educacional nacional. Para isso, recuperamos aspectos da trajetória das lutas sociais em torno da questão ambiental no país e enfocamos a configuração recente da educação ambiental como um campo de controvérsias e de possibilidades. Em seguida, nos deixamos inundar pela atração do atual movimento intelectual das humanidades azuis para visibilizar outros modos de partilha de territórios e recursos marítimos que consideram o direito das comunidades multiespécies que habitam as regiões costeiras. Diante da urgência em repensarmos o Antropoceno, pensar com o mar enseja um gesto de abertura para que possamos reeducar nossa atenção com essas paisagens azuis que são mais-que-humanas.
Palavras-chave:
Antropologia; Educação Ambiental; Humanidades Azuis; Oceanização da Educação; Pós-Antropoceno