O presente artigo aborda a noção de Antropoceno, proposta como uma nova época geológica caracterizada pelo impacto humano significativo no planeta. O texto examina os debates em torno desta proposta, explorando as suas origens, as suas implicações no seio da comunidade científica e as disputas associadas aos sentidos e à formalização do termo. Destacam-se quatro ideias-chave em diálogo com o Antropoceno: o Capitaloceno, o Plantationoceno, o Chthuluceno e o Tecnoceno. As três primeiras servem como um fio de Ariadne neste labirinto de “cenos”, notadamente um fio de tecitura Harawayana. O Tecnoceno, por sua vez, suscita uma reflexão sobre a influência da tecnociência no sistema terrestre, bem como sobre as intersecções e contradições entre as perspectivas pós-humanistas neste emaranhado tecno-humano. O artigo ainda discute a pertinência e a importância de um Antropoceno “indomesticável”, capaz de promover escuta mútua em âmbitos polifônicos.
Palavras-chave:
Antropoceno; controvérsias; mudanças climáticas; pós-humano; tecnociência