A origem do contraste textural e da degradação do topo do horizonte B de um podzólico vermelho-amarelo abrupto foi investigada em 1990 e 1991, numa catena no município de Viamão, na Planície Costeira do Rio Grande do Sul, por meio de estudos de suas características morfológicas, propriedades físicas, químicas e mineralógicas. A hipótese deposicional para a gênese do contraste textural foi descartada, tendo em vista a grande similaridade dos solos nos diferentes segmentos da paisagem e da constância das razões areia fina e média/areia total nos perfis de solo da catena. A influência de processos de lessivagem foi confirmada pelo aumento da razão argila fina/argila total em profundidade e expressiva cerosidade nos horizontes iluviais. As perdas de argila e Fe-DCB nos horizontes eluviais, no entanto, foram muito superiores aos ganhos nos iluviais. Alta anisotropia textural, de porosidade e de densidade, foi constatada entre os horizontes E e EB, que favorecem o fluxo sub- superficial lateral e o excesso sazonal de água nos horizontes transicionais EB e B/E. O monitoramento da umidade e dos teores de Fe2+ revelou a ocorrência de ciclos alternados de redução e oxidação nesses horizontes; avaliações químicas e mineralógicas indicaram a dissolução seletiva da hematita no topo do horizonte B, e remoção do ferro do sistema. Avaliações termodinâmicas mostraram que as vermiculitas com hidróxi-Al nas entrecamadas (VHE) são mais estáveis que as caulinitas do solo; a quantidade e o grau de intercalação das VHE são maiores no horizonte EB. Os resultados indicam a existência de um processo contemporâneo de destruição da caulinita pela ferrólise nos horizontes EB e B/E, responsável pela degradação química do topo do horizonte B.
Termos de indexação
contraste textural; lessivagem; fluxos laterais; ferrólise
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