Open-access De 1989 em diante: características e transformações da pesquisa em Comunicação e Política no Brasil nas últimas três décadas

From 1989 onwards: characteristics and transformations of research in Communication and Politics in Brazil in the last three decades

Resumo:

O ano de 1989 é considerado como o marco para o interesse acadêmico mais sistemático por temáticas da comunicação e política. Em 2006, como ação para a consolidação desse campo de pesquisa, é formada a Compolítica. Baseados em diversas revisões de literatura ao longo dessas três décadas, fizemos uma análise de conteúdo nos papers empíricos de todas as edições da Compolítica de 2006 a 2021 (n= 650), buscando tanto elencar características do campo quanto verificar as possíveis modificações longitudinais. Apesar de se tratar de uma pesquisa ainda exploratória, nossos dados indicam melhoras ao longo do tempo em praticamente todas as variáveis acerca da qualidade da aplicação metodológica das pesquisas. Entretanto, os dados sobre o tímido crescimento da interdisciplinaridade do campo merecem maior discussão.

Palavras-chave:
Comunicação e Política; internet e política; cientometria

Abstract:

The landmark year for more systematic academic interest in communication and politics was 1989. Compolítica - the Brazilian Association of Political Communication Researchers - was created in 2006 to consolidate the field. Based on various literature reviews over the last three decades, we conducted a content analysis of empirical papers from all editions of Compolítica from 2006 to 2021 (n=650). Our purpose was to identify the field’s characteristics and to verify changes over time. Although this is still exploratory research, our data indicate improvements over time in almost all variables related to the methodological quality of research. However, data on the timid growth of the field’s interdisciplinarity deserve further discussion.

Keywords:
Political Communication; internet and politic; scientometrics

Introdução

O ano de 1989 é considerado o marco fundamental para a pesquisa sobre Comunicação e Política. Naquele momento, o impulso inicial esteve fortemente ligado ao uso da TV no horário gratuito político eleitoral, um formato bastante característico do Brasil, no qual os partidos e as campanhas tinham tempo livre em TVs e rádios para expor suas ideias diretamente aos eleitores.

Desde então, nestas mais de três décadas, tivemos mudanças significativas no campo político e ainda maiores na ecologia midiática. Na seara política, tivemos dois impeachments, protestos massivos de rua, formas de ativismo presencial e on-line, duas ou mais tentativas de golpe de estado, a ascensão da extrema direita, dentre tantos outros fatos. Vimos uma verdadeira revolução nas formas de comunicação, incluindo a consolidação e uso ubíquo da internet, de tecnologias móveis, redes sociais e outras plataformas digitais, além de mais centenas de avanços tecnológicos na área.

Ao longo desses anos e de tais mudanças, o campo de pesquisa em Comunicação e Política foi gradativamente se consolidando. Apesar da importância fundamental da criação de grupos de trabalho nas principais associações científicas de Comunicação (Compós), Ciência Política (ABCP) e Ciências Sociais (Anpocs), é inegável que um ponto central para essa consolidação foi a criação de uma associação científica exclusivamente dedicada à temática.

A Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política - Compolítica - foi criada em dezembro de 2006, com o intuito de promover e fomentar a especialidade da Comunicação e Política, advinda inicialmente da interseção entre a Comunicação Social, a Ciência Política e áreas correlatas. Visando fomentar o intercâmbio de conhecimento entre os pesquisadores associados, foram idealizados os congressos da Compolítica, iniciando a partir de seu ano de fundação, repetindo-se no ano seguinte, e se tornando bienal a partir de então, até sua mais recente edição de 2023, a 10ª edição do evento.

Apesar de bastante discussões sobre a temática, poucas foram as pesquisas a avaliar empiricamente a área através dos estudos de papers ou artigos (Barros; Silva, 2017) e estes ainda se voltaram para temáticas muito específicas, como o emprego de mídia na Ciência Política (Barros; Silva, 2017), a temática de internet e política (Sampaio et al., 2016) e a pesquisa sobre Democracia Digital (Sampaio et al., 2022), todas incapazes de lidar com os vários subcampos da pesquisa em Comunicação e Política.

Apesar das inúmeras discussões sobre o campo da Comunicação e Política (Albuquerque, 2018; Marques; Miola, 2018; Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021), poucas foram as pesquisas a avaliar empiricamente a área através dos estudos de papers ou artigos, sendo ainda voltados para temáticas específicas, como “internet e política” (Sampaio et al., 2016), o emprego de mídia na Ciência Política (Barros; Silva, 2017), o subcampo da “Democracia Digital” (Sampaio et al., 2022), ou mesmo o estudo do GT de um único evento, como realizado por França et al. (2018) ao estudar o GT de Comunicação e Política da Compós. Assim, acreditamos que são pesquisas importantes, mas incapazes de lidar com os vários subcampos da pesquisa em Comunicação e Política.

Por outro lado, a Compolítica é o único congresso exclusivamente dedicado ao tema, já teve em sua diretoria integrantes tanto da Ciência Política quanto da Comunicação Social e apresentou ao longo dos anos inúmeros grupos de trabalho para lidar exatamente com esses vários subcampos. Portanto, assumimos que a avaliação focada na Compolítica consegue nos dar uma visão geral sobre as mudanças ocorridas na área e funciona bem como proxy para se compreender o campo de maneira geral. A pesquisa em tela propõe-se a verificar a distribuição quantitativa e qualitativa da produção científica da área de Comunicação e Política brasileira, por meio de papers empíricos publicados ao longo das nove edições dos encontros da Compolítica: 2006-2021, o que nos garante uma análise longitudinal completa da produção acadêmica (N = 650). Com isso, propõe-se não só uma investigação e um mapeamento das especificidades temporais e áreas de produção como também uma análise dos principais objetos de estudos e abordagens empíricas da produção acerca do campo da comunicação e política.10

A análise dos papers apresentados é feita com base na Análise de Conteúdo (AC) (Sampaio; Lycarião, 2021) e na cientometria (Bufrem; Prates, 2005). Guiando a AC, utilizamos um livro de códigos com variáveis que, entre outros aspectos, procuram identificar os trabalhos (ano de apresentação, grupo de trabalho, título, resumo e palavras-chave), descrever os autores (nome, sexo, instituição e área de atuação dos autores), e iluminar as escolhas metodológicas de cada trabalho, como objeto de pesquisa, tipo de método utilizado e técnicas de coleta e análise de dados.

O campo da comunicação e política

Rubim e Azevedo (1998), um especialista em comunicação e um cientista político, apresentam o primeiro esforço teórico para organizar a ideia de um campo de pesquisa sobre comunicação e política. Os autores revisitam esforços isolados das décadas de 70 e 80 sobre comunicação e regimes autoritários, classes dominantes e setores subalternos. Eles são categóricos em destacar que foi a eleição presidencial de 1989 que gerou um boom em pesquisas sobre as conexões entre mídia e política, afinal, tratava-se da primeira eleição direta para presidente em 29 anos.

Naquele momento, os autores denotavam um interesse tardio pelas temáticas da área e uma interlocução ainda tímida entre cientistas sociais e comunicólogos, que, se bem realizada, pode ser “capaz de viabilizar a convergência de abordagens analíticas distintas; permitir a aquisição e uso comum de linguagem, modelos e procedimentos metodológicos que demonstrem afinidades e, finalmente, propiciar o desenvolvimento teórico acerca deste objeto comum” (Rubim; Azevedo, 1998, p. 198). E, nesta lógica, sugeriram a discussão de uma agenda de pesquisa que permitisse “reduzir descompassos, ampliar a interlocução interdisciplinar e inaugurar um itinerário mais consistente no sentido de conformar um campo comum de estudos” (Rubim; Azevedo, 1998, p. 198).

De um ponto de vista mais comunicacional, França (2000) fez algumas reflexões pertinentes acerca da formação deste campo. Como começava a se tornar cada vez mais claro, França (2000) já anunciava que a mediatização da política era uma realidade inquestionável. Em suas palavras, a questão da imbricação Comunicação e Política é basilar: “suas modificações se refletem mutuamente novas práticas políticas demandam e se realizam através de novas formas comunicativas; novas formas comunicativas sugerem / estimulam novas práticas e novos usos para a política” (França, 2000, p. 8). O problema para a autora era de abordagens que tendiam a separar a forma e o conteúdo e ter uma concepção bastante redutora do processo comunicativo, o que tendia a se manifestar nos estudos de “mídia” e política, “o que supõe uma redução do processo comunicativo ao seu aparato técnico de produção e difusão, e a consequente subsunção dos sujeitos pela tecnologia” (França, 2000, p. 11), ou ainda, uma funcionalização da comunicação.

É notável que a perspectiva apresentada por França coincide com o interesse tardio da Ciência Política em relação aos impactos dos meios de comunicação nas diferentes práticas e instituições políticas. Para Guazina (2007, p. 59), para essa área, questões como opinião pública, comportamento eleitoral/escolhas políticas e cultura política tangenciam a mídia, mas “quando a mídia é mencionada, em geral, é reduzida à função de transmissora, disseminadora, instrumento, fonte, canal de informações sobre a política”. De acordo com Porto (1997), a resistência da Ciência Política estava diretamente ligada à adoção da abordagem das teorias da escolha racional pelos eleitores, o que deixava pouco espaço para discussões mais simbólicas, focadas na emoção, sedução e estetização da política (Barros; Silva, 2017).

Neste momento inicial, as mídias ou eram desconsideradas ou, se muito, eram apenas variáveis em análises. Conforme Miguel (2002), naquele momento:

O recorte da “política”, que a ciência política faz, inclui governos, partidos e parlamentos; dependendo das preocupações específicas e das inclinações de cada um, também participam movimentos sociais, militares, elites econômicas ou a igreja. Os meios de comunicação de massa ficam (quase) invariavelmente de fora. Ou então são vistos como meros transmissores dos discursos dos agentes e das informações sobre a realidade, neutros e, portanto, negligenciáveis (Miguel, 2002, p. 156).

Segundo Chaia (2007), para a Ciência Política, as preocupações centrais eram compreender a importância das mídias nas eleições, nas campanhas políticas e, em certa medida, o impacto das mídias e dos atores midiáticos no processo de representação política, principalmente considerando sua centralidade nas democracias contemporâneas. Chaia enfatiza a importância de certos fenômenos da Comunicação, como a definição da agenda, o enquadramento e a objetividade jornalística, como questões importantes para essa compreensão do impacto da comunicação sobre a política. Mas em sua visão, já em 2007, era possível se afirmar se tratar uma produção de caráter interdisciplinar, “envolvendo a Ciência Política para explicitar as relações de poder e os temas propriamente políticos [...], as Teorias da Comunicação - utilizadas para melhor compreender os mecanismos de atuação dos meios de comunicação” (Chaia, 2007, p. 174).

No entanto, esse cenário parece ter mudado nas últimas décadas. O levantamento realizado por Barros e Silva (2017) considerou os 20 periódicos presentes nos estratos superiores do sistema Qualis para a área de Ciência Política, com o objetivo de compreender as características dos estudos de mídia e política. Apesar de a maioria dos autores ter formação em Comunicação (39%), quando consideradas as Ciências Sociais, as presenças de Sociologia (23%), Ciência Política (15%) e Antropologia (11%) foram superiores no total.

Da mesma forma, apesar do tema de mídia e eleições ainda ser o principal na ciência política (23%), outras temáticas já ganharam importância, a exemplo de jornalismo político (11%), mídia e gênero (9%), deliberação e ativismo online (8%), mídia e cidadania (7%), mídia e democracia (6%) e representações midiáticas (5%). O artigo verificou ainda o estudo de diferentes meios de comunicação, com destaque para mídia impressa (46%), TV (32%) e mídias digitais (15%). Em termos metodológicos, os métodos qualitativos são amplamente utilizados (68%), em comparação com os métodos mistos (30%) e quantitativos (1%). Os autores ainda destacam o uso excessivo de estudos de caso (51%), análise de conteúdo (17%) e pesquisa bibliográfica (15%).

França e equipe (2018), por sua vez, avaliaram as referências bibliográficas presentes nos artigos apresentados no GT de Comunicação e Política da Compós entre 2006 e 2015 (N = 99). As autoras concluem que tanto autores da Comunicação como da Política (Ciência Política e Filosofia Política) são acionados ao nível nacional (como Wilson Gomes, Luis Felipe Miguel, Rousiley Maia, Mauro Pereira Porto, Venício Artur de Lima) e internacional (destaque para Jürgen Habermas, Pierre Bourdieu, Pippa Norris, Daniel Hallin e Iris Young).

Embora não tenham realizado uma efetiva revisão da literatura, Marques e Miola (2018) apresentam avaliação mais crítica do campo de Comunicação e Política. A primeira crítica é sobre as dificuldades teóricas do campo, que começariam com a imprecisão terminológica de termos como “meios de comunicação”, “grande mídia” ou “mídia hegemônica”, que “deixa em segundo plano toda a riqueza de fenômenos, serviços, interesses, mercados, profissionais, deontologias, tecnologias, técnicas e práticas que marcam a comunicação de massa contemporânea” (Marques; Miola, 2018, p. 112). Ademais, conforme Marques e Miola, haveria uma desatualização da literatura, que “em situações diversas, teorias e hipóteses da década de 1970 ainda são apresentadas como se novidade fossem” (Marques; Miola, 2018, p. 112).

Em segundo lugar, para Marques e Miola (2018), a área teria notáveis dificuldades metodológicas, haveria uma falta de avanço heurístico e falhas no processo de montagem e aplicação das estratégias metodológicas. Eles argumentam que essas limitações levam a conclusões particulares e pouco capazes de avançar o conhecimento na área. Entre as questões apontadas pelos autores, destaca-se a suposta disputa entre pesquisadores que enfatizam métodos quantitativos e outros com abordagem qualitativa. Eles também criticam pesquisas de caráter quantitativo que não apresentam modelos mais refinados, como índices ou tipologias, mas se limitam à contagem de frequências.

De acordo com a avaliação dos autores, as dificuldades teóricas e metodológicas no campo da comunicação e política no Brasil levam a certas consequências. Em primeiro lugar, a questão do hipermidiatismo e da generalização das conclusões, muitos estudos verificam apenas uma plataforma de comunicação específica e fazem generalizações sobre determinados fenômenos políticos, como na comunicação eleitoral, na qual “persistem análises orientadas estritamente de acordo com o resultado do pleito” (Marques; Miola, 2018, p. 117). Em segundo lugar, os próprios pesquisadores da Comunicação e Política no Brasil tenderiam a fazer avaliações de fenômenos com base na defesa de determinada diretriz política. Logo, estudos da área poderiam ser usados por partidos para ratificar a visão do mundo compartilhada pela militância dessa organização, com os autores dando como exemplo documento do Partido dos Trabalhadores (Marques; Miola, 2018, p. 120). Logo, defendem, “é necessário discutir se, e em que medida, verifica-se alguma influência ideológico-partidária em análises da área de Comunicação e Política no Brasil” (Marques; Miola, 2018, p. 117).

Diante disso, Marques e Miola (2018) fazem duas sugestões para melhorias, nomeadamente: uma maior articulação com especialidades vizinhas - citando o exemplo da Economia Política da Comunicação e de teorias de imagem e um papel mais ativo das associações científicas e dos periódicos na agenda de pesquisa, que deveriam incentivar debates epistemológicos mais robustos na área. Nesta avaliação, apesar de certos avanços na área, persistem barreiras para um acúmulo consistente em termos metodológicos e uma incapacidade da área de fazer mais inserções em âmbito internacional. Nas palavras dos autores:

O que se está sugerindo é a necessidade de que a literatura pare de andar em círculos. Mesmo cerca de 30 anos depois da redemocratização brasileira, permanece-se com muitas das perguntas de partida originalmente formuladas, perscrutadas por meio de estratégias metodológicas repetitivas, o que dificulta a consolidação da autoridade da disciplina (Marques; Miola, 2018, p. 120).

Por sua vez, na mesma toada, Albuquerque (2018) faz uma avaliação bastante crítica do campo, tendo o impeachment de Dilma Rousseff como ponto de partida. Segundo ele, o processo pode ser visto como um golpe na democracia, que contou fortemente com as instituições que deveriam zelar por sua manutenção, como o judiciário e a imprensa. O autor questiona e responde: “Diante de transformações tão dramáticas no panorama político, cabe questionar: que contribuições a pesquisa em Comunicação Política no país tem oferecido para dar conta delas? Surpreendentemente, a resposta parece ser: muito pouco ou quase nada” (Albuquerque, 2018, p. 173). O que para o autor: “indica a necessidade de uma ampla revisão da agenda da pesquisa no campo da Comunicação Política no Brasil” (Albuquerque, 2018, p. 173).

Grosso modo, para o autor, determinados conceitos, como accountability e governança, seriam fomentados por determinadas instituições, como o Banco Mundial, o National Endowment for Democracy e a Freedom House, e importados pelos pesquisadores brasileiros, ajudando a desvincular a importância da vontade popular como fundamento para um governo representativo legítimo. Logo, para Albuquerque (2018), o papel da imprensa e de outros agentes não eleitos ganha crescente protagonismo na vida política, deteriorando a importância de representantes eleitos e das instituições representativas democráticas. Notadamente, Albuquerque (2018) critica a “virada cyber”, que seriam estudos sobre a política digital, mas que teriam uma concepção neoliberal de ciberespaço.

Dentre outras coisas, o autor critica as visões excessivamente positivas da literatura (que, inclusive, barrariam os estudos sobre temáticas e objetos mais conservadores e mesmo da extrema-direita), como as jornadas de junho, campanhas online, ativismo de hashtags, memes e afins, que “tomados em seu conjunto eles contribuem para legitimar uma perspectiva reativa sobre a militância política, baseada numa lógica individualista, e que substitui estratégia por efeitos estéticos” (Albuquerque, 2018, p. 194), que seriam para o autor a evidência da falta de efetividade concreta de tais ações. O mesmo valeria para todos os estudos de e-democracia, porque em sua lógica: “a ideia de que instituições que desempenharam um papel ativo no golpe de 2016, como o Senado Federal ou a Câmara dos Deputados sejam, em seu braço digital, agentes da ampliação da cidadania e do aperfeiçoamento da qualidade da democracia soa um tanto exótica (Albuquerque, 2018, p. 195).

Esse teor mais negativo e crítico do autor não é um movimento isolado. Como apontado por Tavares, Massuchin e Albuquerque (2025), a pesquisa da Comunicação Política brasileira começou a sofrer uma mudança de perspectiva na década de 2010, partindo de “um otimismo aberto para uma visão sombria”. Isso decorreu do contexto sócio-político brasileiro dos últimos anos, que experienciou uma ascensão da extrema-direita, protestos políticos seguidos de uma erosão na confiança da democracia e a utilização das plataformas sociais digitais para a disseminação de desinformação. Entretanto, o ceticismo de Albuquerque (2018) vai além, ao desenvolver uma crítica centrada na ideia de que o campo deveria intervir mais incisivamente na realidade social e não apenas produzir ciência. E, mesmo se tratando de uma avaliação crítica, o autor parece não estar atento a sazonalidades importantes, como os estudos sobre ciclos eleitorais e a latência entre episódios conjunturais e movimentos analíticos que se seguem, como os dados aqui apresentados demonstram.

Voltando aos levantamentos mais sistemáticos da literatura, Sarmento, Massuchin e Mendonça (2021) fazem o mais abrangente levantamento da literatura da ótica da ciência política das ciências sociais, verificando papers publicados nos anais dos congressos da ABCP e da ANPOCS entre 2010 e 2019 (n=341). Em tal levantamento, há mais pesquisadores ligados à Ciência Política (35%) seguidos daqueles ligados à Comunicação (24%), às Ciências Sociais (17%) e à Sociologia (10%). Os autores ainda denotam que a grande maioria dos trabalhos foram empíricos (78,23%), sendo os objetos de estudo mais frequentes: mídias sociais (20,82%), imprensa escrita (13,88%) e os websites (9,15%).

Por fim, buscando fazer um agrupamento temático mais amplo, os autores denotam as seguintes áreas: “comunicação e ativismos” (20,5%), “jornalismo político” (15,5%), “campanha e propaganda” (13,8%), “governo eletrônico e Estado digital” (11,7%) e comunicação institucional/imagem pública (10,6%). E depois discorrem qualitativamente sobre as características de cada uma dessas temáticas. De forma geral, os autores ressaltam como se trata de uma área claramente interdisciplinar, que acompanha de maneira rápida os fenômenos políticos e sociais mais relevantes da contemporaneidade, lançando mão de diferentes metodologias que podem ser mais ou menos sofisticadas a depender da temática (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021).

A título de exemplo, ao falarem da pesquisa sobre ativismo digital, eles afirmam que as pesquisas são bem diversificadas, usando métodos qualitativos e quantitativos para coleta e análise de dados, e o “uso de softwares para captura/ “raspagem” de dados em várias plataformas online, bem como o grande volume de material apresentado em pesquisas específicas, é uma diferença evidente dos últimos anos, dadas as precedentes realizações de coleta manual” (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021, p. 9). Por sua vez, “na agenda das campanhas online, os estudos se deslocam com rapidez, passando por websites, blogs, Wikipedia, Orkut, Twitter, Facebook, chegando mais recentemente ao Instagram e ao WhatsApp” (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021, p. 14).

Ao tratarem de jornalismo político, eles afirmam que a cobertura eleitoral continua como temática central, mas “é possível notar ampliação, complexificação e pulverização dos estudos, tanto considerando as agendas internas quanto a rede de autorias e grupos de pesquisas que passam a se debruçar sobre tais questões” (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021, p. 11). E também “outra discussão-chave que ganha evidência nos estudos sobre jornalismo político é sobre como a imprensa cobre momentos conflituosos da política” (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021, p.11), como o impeachment, o mensalão e outros casos de corrupção. Além disso, as relações de candidatos com a religião, e com as questões de gênero são outras temáticas que ganham importância. Logo:

Se o impulso inicial e a consolidação vieram fortemente da atuação de comunicólogos e de jornalistas que fizeram formação doutoral nas Ciências Sociais, a Ciência Política contemporânea tem se voltado com mais afinco para a dimensão comunicacional da política, dada a sua centralidade em uma série de fenômenos hodiernos (Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021, p. 2).

De forma similar e complementar, para Weber (2020), no Brasil, o campo da Comunicação Política está consolidado, sendo “um dos exercícios de interdisciplinaridade melhor sucedidos” (Weber, 2020, p. 11). Dentre outras vantagens, a autora elenca que “aos métodos das ciências políticas e sociais acopla-se a perspectiva cultural da comunicação que permite qualificar as análises sobre o exercício de poderes dependentes de atos de visibilidade, comunicação e propaganda essenciais às democracias e totalitarismos” (Weber, 2020, p. 10). Haveria uma troca metodológica e teórica.

Discordando da avaliação de Albuquerque (2018), Weber (2020) trata extensivamente sobre a importância de estudos da comunicação e política tanto para regimes democráticos quanto para aqueles autoritários e cita os casos exemplares de estudos de lawfare e fake news. Indo ao encontro do elaborado por França (2000), Weber (2020, p. 11) afirma que o binômio - Comunicação e Política - trata da impossibilidade de compreender os fenômenos contemporâneos da política e da sociedade “quando isolados da interferência comunicacional e midiática que detém o poder de mostrar, ampliar, restringir ou anular a visibilidade destes fenômenos”. Logo:

Essas dimensões permitem problematizar questões caras às ciências sociais e humanas, como poder, visibilidade, credibilidade e realidade que historicamente assumem diferentes denominações e permitem formular a hipótese de que o impacto dos meios de comunicação e a difusão de mensagens em linguagens e estéticas próprias impulsionaram e impulsionam as pesquisas e o pensamento em torno dos efeitos possíveis sobre o comportamento e as ações da sociedade (Weber, 2020, p. 12).

Em revisão mais recente sobre a literatura de estudos on-line no Brasil, Albuquerque, Recuero e Santos Júnior (2023) continuam criticando a influência de conceitos de accountability e governança na pesquisa de Democracia Digital, que tenderia a se focar excessivamente na comunicação ou aspectos digitais de tais instituições, mas raramente na interação desses aspectos digitais com o comportamento de tais instituições políticas. Porém, os autores reconhecem que a pesquisa acadêmica brasileira passou a estudar o uso das plataformas digitais pela extrema direita para disseminar desinformação e discurso do ódio, além de desafios que o processo de plataformização aos modelos de negócio do jornalismo. Em suma:

A primeira vertente da pesquisa é um tópico de grande atenção na academia brasileira, pelo menos desde o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff em 2016, e tornou-se cada vez mais importante após a eleição de Jair Messias Bolsonaro em 2018 (Albuquerque; Recuero; Santos Júnior, 2023, p. 17, tradução nossa).

Portanto, observando as reflexões teóricas e empíricas de tais revisões, parece-nos que a maior parte dos questionamentos apontados por Marques e Miola (2018) e Albuquerque (2018) já foram, em grande medida, respondidos. A consolidação do campo é notória, assim como os avanços em termos de objetos, temáticas, conceitos e mesmo metodologias. Concordando com Weber (2020), temos fortes indicações de ser uma das mais profícuas atuações interdisciplinares presentes na área de humanidades na pesquisa brasileira. Em suma, consoante Gomes:

A comunicação política, em particular, e a interface entre a política e os fenômenos, recursos e linguagens da comunicação de massa, em geral, despontam nas últimas décadas como uma área de interesse central para os pesquisadores de ciências políticas, comunicação, filosofia política e de outras ciências sociais. Pouco a pouco foi se formando uma especialidade interdisciplinar, sobre a qual se acumulam pesquisas empíricas e estudos teóricos em um volume consideravelmente elevado e que vem crescendo em proporções extraordinárias nos últimos anos (Gomes, 2004, p. 22-23).

Entretanto, por maior que seja o papel da Compolítica nesta trajetória (Aldé; Chagas; Santos, 2013; Chaia, 2007; França et al., 2018; Sarmento; Massuchin; Mendonça, 2021; Weber, 2020) e na consolidação do campo, surpreendentemente não encontramos revisões de literatura ou mapeamentos bibliográficos baseados em seus anais. Buscando sanar esta lacuna e tendo alguns apontamentos das revisões anteriores, o nosso objetivo é apresentar um pouco do estado da arte e da trajetória das pesquisas apresentadas no congresso ao longo de sua existência.

Métodos

O presente trabalho é resultado de pesquisa realizada pelos discentes e o docente de uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (PPGCOM-UFPR). O trabalho tem como objetivo a verificação da distribuição quantitativa e qualitativa da produção científica da área de comunicação e política brasileira, por meio de papers empíricos publicados ao longo das nove edições dos Encontros da Compolítica. Para isso, empregamos uma abordagem quantitativa da Análise de Conteúdo (Sampaio; Lycarião, 2021) como apoio para um estudo cientométrico dos trabalhos apresentados e publicados nos Anais dos Encontros da Compolítica. Entendemos a cientometria como o uso de técnicas quantitativas e análise estatística no intuito de aprofundar o entendimento da estrutura, do desenvolvimento e de tendências da ciência (Bufrem; Prates, 2005; Machado, 2007).

Foram coletados 1.049 papers apresentados nos Encontros de 2006 a 2021. Coletamos os trabalhos de 2006 a 2019 manualmente no website da associação Compolítica (Compolítica, 2022), enquanto aqueles publicados em 2021 foram coletados no website próprio do 9º Encontro da Compolítica (Compolítica2021, 2021). Em seguida, filtramos o material coletado para manter somente os papers empíricos, uma vez que não somente parte importante de nossas preocupações estavam conectadas à evolução das abordagens empíricas, mas também e, principalmente, porque aspectos empíricos são elementos essenciais de meta-análises, visto que permitem comparar de modo mais preciso os estudos, identificando variações metodológicas que podem influenciar os resultados, bem como reconhecendo limitações e vieses na composição de amostras e na coleta de dados. Finalmente, em nosso caso em específico, incorporar artigos de caráter exclusivamente teóricos não permitiria testar a hipótese de que, superando o que Marques e Miola (2018) sustentam, o campo teria atravessado um amadurecimento profundo com relação aos métodos e abordagens analíticas empregadas.

O filtro resultou em 650 trabalhos a serem analisados. Para fins de sistematização, os dados foram seccionados em três períodos distintos e equivalentes entre si. Os trabalhos publicados nos anais dos eventos entre 2006 e 2009 correspondem à primeira fase, de institucionalização do campo. Aqueles publicados entre 2011 e 2015 correspondem à segunda fase, de consolidação do campo. E os publicados entre 2017 e 2021 correspondem à terceira fase, de expansão do campo. Esta cronologia é representada a partir de anotações em alguns dos gráficos a seguir, e permite que os dados sejam sumarizados de forma objetiva.

Para guiar a análise de conteúdo dos trabalhos, adaptamos um livro de códigos utilizado em revisões de literatura anteriores (Sampaio et al., 2022). Optamos por adaptar um livro de códigos já existente e não elaborar um novo, uma vez que, desde sua versão original, o livro de códigos contempla variáveis que permitem traçar o perfil de pesquisadores(as), onde eles ou elas estão pesquisando e como conduzem suas pesquisas.11

Nesse sentido, para a presente pesquisa utilizamos um conjunto expressivo de variáveis que nos permitiram entender a Compolítica ao longo dos anos. Primeiro, temos as variáveis de identificação dos trabalhos: ano de apresentação, GT do trabalho, título do artigo, resumo e palavras-chave. Em seguida, identificamos os autores, a instituição à qual estavam filiados quando apresentaram o paper e a área de atuação: quantidade de autores, nome, sexo, instituição e área de atuação do primeiro ao terceiro autor. Por fim, temos as variáveis que respondem como as pesquisas são realizadas: pesquisa interdisciplinar, objeto de pesquisa predominante, tipo de método empregado, tipo de técnica de coleta e análise de dados utilizada. Para os artigos que utilizam metodologia quantitativa, verificou-se o uso de estatística e que tipo de estatística foi empregado. Já para os trabalhos com abordagem metodológica qualitativa, aferimos a menção a formas de se lidar com a subjetividade dos pesquisadores ou codificadores, menção a alguma forma de validação dos dados e se há algo que indique transparência metodológica. Seguindo os princípios da análise de conteúdo (Sampaio; Lycarião, 2021), todos os códigos de cada categoria são mutuamente excludentes.

A análise de conteúdo dos trabalhos foi conduzida após uma série de treinamentos com os sete codificadores (discentes da disciplina). O treinamento para a codificação é etapa essencial para a AC, sendo, nessa etapa, quando se verifica se as variáveis e categorias funcionam e se os codificadores estão interpretando variáveis e categorias da mesma forma (ou da forma mais semelhante possível), ou seja, verifica-se a validade interna da pesquisa. Nesse sentido, antes de cada sessão de treinamento eram selecionados aleatoriamente quatro papers a serem codificados, sendo que todos os codificadores analisavam os mesmos quatro trabalhos. Durante as sessões, o resultado da codificação era debatido pelos codificadores com o objetivo de se atingir um consenso sobre a forma de interpretação das variáveis. A codificação oficial da AC, cujo resultados serão descritos a seguir, começou após considerarmos que os codificadores estavam codificando da forma mais semelhante possível, todas as codificações foram conferidas por ao menos dois pesquisadores. Portanto, não foram rodados testes de confiabilidade, mas usadas estratégias alternativas para mitigar a subjetividade de codificações individuais.

Resultados

Ao todo, foram analisados 650 artigos empíricos publicados nos anais de nove edições de eventos da Compolítica entre 2006 e 2021.12 Os dados indicam um aumento no número de trabalhos publicados nos anais a cada edição (Gráfico 1), seguindo tendência de crescimento ao longo dos anos. Vale ressaltar que este incremento, ao menos em princípio, não é acompanhado por alterações significativas na dinâmica dos grupos de trabalho, já que, entre 2011 e 2019, a Compolítica permaneceu essencialmente com uma composição de 10 GTs. Apesar de alguns picos anteriores, como em 2007 e em 2009, há uma elevação gradual na quantidade de artigos empíricos publicados nos anais, de forma que a última edição do evento responde sozinha por 17,1% do total de trabalhos. Observando-se a periodização tripartite adotada, que distingue as fases de institucionalização, consolidação e expansão do campo de acordo com as edições do evento, é possível notar um substancial aumento no volume de artigos publicados na terceira e última fase. A média de artigos na primeira fase é de 174, passando a 195 na segunda fase, e 281 na terceira.

Gráfico 1.
Volume de artigos por ano

Em relação aos autores dos trabalhos, praticamente metade dos papers (49,4%, N = 321) foi assinada por um(a) autor(a) apenas, ao passo que outros 33,4% (N = 217) foram apresentados por dois autores, e 16,5% foram elaborados por três ou mais autores, além de um pequeno residual de 0,7% (N=5) de trabalhos sem menção clara aos dados de autoria. Na observação longitudinal destes dados, é possível verificar um crescimento gradual no número de parcerias, sendo que, de 2017 em diante, há mais trabalhos elaborados por dois autores do que com autoria única (Gráfico 2). Os dados agregados por períodos são ainda mais elucidativos. Na fase de institucionalização do campo, em média, 121 trabalhos eram assinados por somente um(a) autor(a), 34 por dois autores e 15 por três ou mais. Ou seja, a proporção de trabalhos assinados por um(a) único(a) autor(a) era mais de três vezes superior à de trabalhos assinados por dois autores. Na segunda fase, esta proporção cai para mais da metade. Passam a ser 103 trabalhos assinados por um(a) autor(a), 57 por dois autores, e 35 por três ou mais. Por fim, na terceira fase, a relação se inverte, com 97 trabalhos assinados por um(a) único(a) autor(a), ao passo que 126 têm dois autores e 57 três ou mais. Desta forma, a terceira fase pode ser considerada como uma fase de consolidação de trabalhos submetidos em parceria.

Gráfico 2.
Quantidade de Autores por Artigo

No que diz respeito ao gênero dos autores e autoras, observa-se que há mais pesquisadoras mulheres assinando como primeiras autoras ou únicas autoras dos trabalhos do que pesquisadores homens. São 53,4% (N = 347) dos artigos assinados por mulheres como primeiras autoras, e 45,7% (N = 297) por homens, somando-se ainda um pequeno percentual de trabalhos (0,9%, N = 6) cuja autoria ou gênero dos autores não foi possível identificar. As curvas longitudinais ao longo das edições do evento revelam, ainda, que a predominância de pesquisadoras mulheres como primeiras autoras é histórica na área, sendo a edição de 2013 o único ponto fora da curva, em que mais homens do que mulheres assinaram como primeiros autores os seus respectivos trabalhos (Gráfico 3). Os dados agregados por período evidenciam uma certa estabilidade na proporção de trabalhos assinados por homens e por mulheres como primeiro(a) autor(a). Na primeira fase, a proporção é de 1,25 trabalho assinado por autora mulher para cada trabalho assinado por autor homem. Na segunda fase, ocorre uma inversão nessa proporção para 0,91. E, na terceira, restabelece-se a proporção original, com leve acréscimo, na razão de 1,33 trabalho assinado por autora mulher para cada outro assinado por autor homem.

A observação desses dados sugere que a Comunicação e Política apresenta um histórico de participação feminina em seus fóruns bastante expressivo, diferentemente do relatado na área de Ciência Política em geral, em que há não apenas uma prevalência de pesquisadores homens entre os autores, mas também entre os autores mais citados (Candido, 2023). Embora os dados da área de Comunicação sejam mais dispersos, há que se destacar o estudo de Amaral, Lima e Cordeiro (2022), que, enquanto restrito ao universo da USP, demonstra que, na contramão de outros cursos, cuja prevalência masculina é evidente, a graduação em Comunicação é predominante e historicamente feminina. Colocados em diálogo, os números favorecem a leitura de que a interdisciplinaridade da Comunicação e Política se reflete em uma salutar paridade de gênero.

Gráfico 3.
Gênero d(a) Primeiro(a) Autor(a) por Artigo

Para a análise da área do conhecimento declarada pelo(a) primeiro(a) autor(a), foi considerada a formação ou a atuação mais alta especificada na minibiografia contida nas notas de rodapé dos artigos no momento da publicação. Por exemplo, se o(a) autor(a) informou que é “Doutor em Comunicação pela Universidade X e Mestre em Ciência Política pela Universidade Y”, a área considerada foi a de Comunicação. Se era doutor em Comunicação, mas professor em Ciência Política, esta foi a área considerada. Desta forma, conforme o Gráfico 4, nota-se que a Comunicação (54,2%, N = 352) é a área prevalente entre os participantes do evento, seguida pela Ciência Política (16,9%, N = 110), e mais adiante pelas Ciências Sociais (7,1%, N = 46), pela Sociologia (3,1%, N = 20), e pelo Direito (1,2%, N = 8). A despeito da predominância histórica da Comunicação, nos anos mais recentes, tem ocorrido um tímido incremento no volume de trabalhos de autores provenientes de áreas como o Direito e a Administração Pública, e, ainda que residualmente, a Ciência da Computação e as Relações Internacionais, o que pode significar uma abertura disciplinar ainda maior para a acolhida pela Comunicação e Política de investigadores de outros campos (Gráfico 4). O olhar sobre as fases sumarizadas demonstra que, ao passo que os trabalhos oriundos da Comunicação mais que dobraram em volume, de 77, na primeira fase, em média, para 184, na terceira, as demais áreas tiveram acréscimos ou decréscimos relativamente tímidos.

Gráfico 4.
Área do(a) Primeiro(a) Autor(a) por Artigo

A natureza interdisciplinar da Comunicação e Política é patente também na maneira como seus objetos são definidos. Frequentemente, os trabalhos apresentam um desenho de pesquisa construído a partir de um ou mais objetos políticos ou sociais colocados em diálogo com um ou mais objetos comunicacionais. A avaliação desses objetos pode revelar padrões interessantes acerca das investigações desenvolvidas. Por exemplo, se é bem verdade que há um filão clássico de pesquisas que têm as campanhas eleitorais (27,2%, N = 177) como seu objeto político ou social prevalecente, e ainda um segundo conjunto de histórica relevância concernente aos estudos sobre esfera pública e sociabilidade (18,5%, N = 120), é inegável que, nos anos mais recentes, a área tem se movimentado para incorporar também um olhar sobre outros fenômenos. Olhando para os dados segmentados por edição do evento, observa-se um crescimento nos estudos em torno de temas como Governo e Parlamento, notadamente a partir do novo vigor conferido ao campo pelas iniciativas de Democracia Digital. Este mesmo impulso é responsável pela retomada de temas como as políticas públicas e os movimentos sociais e ações coletivas, que voltaram a ganhar prestígio nos últimos anos (Gráfico 5). A conclusão que se tira a partir disso é de que, longe de estagnados, os objetos políticos e sociais tratados nos trabalhos do campo respondem bem ao seu tempo. Sobre a crítica de que estes estudos sofreriam de uma certa colonização e subordinação a realidades e conceitos tipicamente neoliberais cabe notar que a retomada de fôlego sobre investigações acerca de tópicos concernentes a políticas públicas e movimentos sociais após a eleição de Jair Bolsonaro parece uma clara resposta à autonomização do campo. Além disso, é suficiente lembrar que os trabalhos analisados no presente estudo compreendem também aqueles desenvolvidos pelos próprios autores da crítica. Assim, se há marcadores de interesse com relativa estabilidade, é preciso se observar também o cruzamento desses objetos com os respectivos objetos comunicacionais.

Gráfico 5.
Objeto Político ou Social Predominante

Os objetos comunicacionais analisados pelos artigos empíricos apresentados nos congressos da Compolítica dão uma dimensão da diversidade de olhares lançados sobre a ecologia midiática. O objeto mais investigado, em função inclusive de um grande crescimento recente, são as mídias sociais e linguagens digitais (18,9%, N = 123). Na direção oposta, com um largo e recente desprestígio, o segundo tema é o jornalismo impresso (16,8%, N = 109). Esses números apontam não apenas para uma inversão de prioridades no campo, mas para uma renovação temática forte, ainda que um olhar mais ontológico sobre a comunicação em geral (16%, N = 104) e os trabalhos acerca da televisão e do audiovisual (15,5%, N = 101) tenham demonstrado relativa estabilidade ao longo do tempo no que diz respeito ao interesse dos pesquisadores (Gráfico 6).

Gráfico 6.
Objeto Comunicacional Predominante

Quando colocados em contexto os objetos políticos ou sociais e os objetos comunicacionais predominantes nos estudos, um outro dado significativo é revelado: há objetos que guardam grande afinidade entre si, como é o caso dos estudos sobre campanhas eleitorais e dos estudos sobre televisão e audiovisual, um dos ramos tradicionais do campo. Por outro lado, há objetos comunicacionais novos e que são ainda parcamente explorados por pesquisadores que se dedicam a investigar, por exemplo, movimentos sociais e ações coletivas. A análise de correspondência canônica (Gráfico 7) também prova que os estudos sobre internet e sobre as mídias sociais e linguagens digitais têm ocupado uma centralidade importante na área em função de sua capacidade de construir múltiplos olhares. Estudos sobre jornalismo estão ainda distantes do debate em torno de políticas públicas, ainda que, nos últimos anos, tenha-se podido acompanhar uma atenção crescente à agenda sobre regulação das plataformas e os estudos de desinformação no Brasil.

Gráfico 7.
Análise de Correspondência Canônica entre Objeto Comunicacional e Objeto Político ou Social Predominante

Chama também a atenção uma mudança longitudinal no que tange à descrição das etapas metodológicas da pesquisa nos artigos. Os artigos que apresentaram uma seção orientada a discutir seus materiais e métodos eram em menor número nas quatro primeiras edições do evento, e passaram a superar aqueles que não descrevem em detalhes sua metodologia nas cinco últimas. Trata-se de uma mudança de grande vulto, não apenas sob o ponto de vista formal da redação dos artigos, mas de uma cultura de apresentação dos procedimentos metodológicos que envolve maior rigor e transparência. Este movimento está em linha com o que a literatura tem observado a respeito de uma virada na cobrança por uma maior transparência metodológica na Ciência Política e nas Humanidades em geral (Kapiszewski; Karcher, 2021). Hannes e Macaitis (2012), por exemplo, comentam que uma revisão publicada pelo periódico Qualitative Research, em 2007, dava conta de que, entre 1988 e 2004 - as datas não devem ser desprezadas neste caso, porque marcam períodos próximos à institucionalização crescente do campo da Comunicação e Política com a redemocratização no Brasil (o ano de 1989, como já citado) e à fundação da própria Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica, em 2006, no seu primeiro evento) -, havia uma predominância de artigos publicados sem detalhes explícitos sobre métodos de pesquisa, avaliação e síntese. Atualizando os dados em uma nova revisão, os autores notam uma mudança no perfil das publicações, em direção a práticas de maior rigor e transparência na apresentação dos dados e dos procedimentos empregados. Algo similar parece ter acontecido com a Comunicação e Política, conforme os dados levantados pelo presente estudo (Gráfico 8), isto é, a presença crescente de uma seção metodológica nos trabalhos indica uma preocupação cada vez maior com este tipo de detalhamento, e, de modo geral, uma maior qualidade nos estudos.

Gráfico 8.
O Artigo Apresenta Seção Metodológica?

Naturalmente, a presença de uma seção de métodos responde apenas em parte pelo amadurecimento metodológico da área. Junto a ela, o que se nota é uma diversidade maior de técnicas de análise e instrumentos de coleta empregados nas investigações. Ainda que a técnica de análise mais frequente dos artigos siga sendo de longe a análise de conteúdo (38%, N = 247), este dado merece ser observado mais amiúde, levando-se em conta, entre outros fatores, o instrumento de coleta e análise dos dados predominante, conforme declarado pelos pesquisadores (Gráfico 9). Na primeira fase, para cada três trabalhos publicados sem seção de método, em média, um era publicado com esta mesma seção. Na segunda fase, há uma quase equivalência entre os números. E, na terceira, a proporção inverte-se: para cada dois trabalhos com seção de métodos, um não a traz. Aqui, fica clara, novamente, uma mudança longitudinal não desprezível no perfil dos trabalhos, pois, embora muitos artigos ainda indiquem procedimentos de coleta dos dados manuais e mais rudimentares, o uso de bancos de dados de terceiros, e, principalmente, os métodos de coleta de dados digitais, por meio raspagem ou via interfaces de programação de aplicativos (APIs) têm despontado como alternativas crescentemente empregadas. Não levar em consideração essas mudanças, mesmo quando apenas pela imposição do tempo, pode orientar o pesquisador ou a pesquisadora a uma conclusão enviesada sobre o campo, como se a imprecisão sobre os objetos e a falta de clareza ou de consistência das opções metodológicas assumidas pelas investigações, próprias dos anos 1990 ou princípio dos anos 2000, ainda fosse de fato marcante entre as pesquisas da área hoje.

Gráfico 9.
Instrumento de Coleta de Dados

Finalmente, os dados também ajudam a esclarecer que elementos são determinantes para a presença ou não de maior detalhamento metodológico e até mesmo para a opção pelo tipo de abordagem metodológica (quantitativa, qualitativa, quali-quantitativa ou de revisão bibliográfica). Na Tabela 1, tem-se um modelo de regressão logística binária que considera o ano em que o trabalho foi apresentado e publicado nos anais; a área do conhecimento, o gênero e a instituição do(a) primeiro(a) autor(a) do trabalho; a quantidade de autores que assinam juntos o estudo; a abordagem empírica e o instrumento de coleta de dados, como variáveis independentes, e a presença ou não de uma seção metodológica no trabalho, como uma variável dependente. O resultado é que o ano em que o trabalho foi publicado é a variável estatisticamente mais significativa do modelo. Na prática, isso indica que houve uma mudança clara no perfil dos trabalhos, em direção a uma maior transparência e detalhamento dos métodos de pesquisa. Outras variáveis a serem consideradas são a abordagem empírica - com categorias que definem se se trata de um estudo de caso, de um estudo longitudinal ou de um estudo comparado - e o instrumento de coleta de dados. Ambas podem influir estatisticamente no modelo. Os dados sugerem que o campo tem atravessado um gradativo amadurecimento com relação ao tratamento empírico e metodológico dos dados apresentados, superando o argumento defendido por Marques e Miola (2018).

Tabela 1.
Preditores da presença de seção metodológica I

A Tabela 2 apresenta um modelo de regressão linear que utiliza as mesmas variáveis explicativas, mas traz como variável dependente o tipo de método empregado. Nesse caso, o que se observa é que a área do conhecimento, o gênero do(a) primeiro(a) autor(a) e a abordagem empírica do trabalho são estatisticamente significativas para predizer se o trabalho emprega métodos quali, quanti, uma combinação de ambos ou um estudo de revisão bibliográfica apenas. Ou seja, o gênero parece ser um fator significativamente associado a algumas abordagens metodológicas em específico, embora uma análise mais detalhada a esse respeito fosse necessária para indicar que métodos são mais associados a cada gênero.

Na mesma direção, há áreas mais vocacionadas para adotar alguns tipos de métodos, e, nesse caso, a data de publicação dos trabalhos faz pouca diferença. Os resultados sustentam uma avaliação de que o movimento em direção a um maior amadurecimento do campo passa, em grande medida, pela maior abertura disciplinar a outras áreas, algo que, à primeira vista, não é registrado pelas críticas que percebem o campo como desarticulado e desatualizado.

Tabela 2.
Preditores do tipo de método empregado I

O modelo seguinte é novamente um modelo de regressão logística binária e procura medir se o objeto político ou social e/ou o objeto comunicacional do estudo são capazes de explicar a presença ou não de uma seção metodológica no trabalho (Tabela 3). O resultado indica que o objeto comunicacional, mais do que o objeto político ou social, pode explicar essa relação. Vale dizer, a definição do campo de estudos midiático é determinante no rigor e na transparência metodológica apresentados pelo trabalho. Some-se este resultado ao obtido pelo modelo apresentado na Tabela 1 e pode-se concluir que os estudos sobre internet e mídias sociais e linguagens digitais, que emergiram nos últimos anos, têm contribuído decisivamente para uma reconfiguração do campo, empurrando os pesquisadores para uma condição em que a profusão de dados à disposição lhes demanda maior apuro científico. Nesse sentido, embora este artigo não contemple esta discussão, cabe observar que o efeito concreto desta disposição tem se refletido na profusão de trabalhos eminentemente empíricos e com pretensão de atuação sobre a realidade, em detrimento de uma abordagem exclusivamente voltada para análises que não procurariam apresentar contribuição social e política para a democracia, como argumenta Albuquerque (2018).

Tabela 3.
Preditores da presença de seção metodológica II

O modelo final apresentado no presente estudo é uma regressão linear, cujas variáveis independentes são, mais uma vez, os objetos investigados, e a variável dependente o tipo de método empregado (Tabela 4). O resultado, embora de significância estatística apenas moderada, é que a relação do objeto político ou social com o tipo de método empregado é moderadamente significativa e inversamente proporcional. Ou seja, ainda que se fale muito sobre a dataficação da ciência, os objetos midiáticos próprios da Era Digital podem servir tanto a estudos quantitativos quanto àqueles guiados por observações de natureza qualitativa. Mas o olhar sobre determinados objetos políticos ou sociais pode não mais do que “afugentar” a opção por alguns métodos. A conclusão apontada parece semelhante à tomada por Lindgren (2019), para quem é preciso ir além do paradigma quali-quanti e se focar em soluções criativas para os problemas teóricos de pesquisa. Na prática, os dados sugerem que este movimento já vem sendo assumido pelo campo paulatinamente.

Tabela 4.
Preditores do tipo de método empregado I

Conclusão

O objetivo deste artigo foi estudar o campo da Comunicação e Política de forma longitudinal através da análise dos papers do congresso da Compolítica. A principal limitação dos resultados está justamente no estudo de apenas um congresso da área, mas como o único dedicado exclusivamente ao tema, acreditamos que o recorte seja o suficiente para podermos falar de maneira ampla sobre a área. Futuras pesquisas poderiam ampliar o corpus para os GTs específicos de outros eventos de Ciência Política, Ciências Sociais e Comunicação. Outra abordagem poderia incluir entrevistas em profundidade e questionários quantitativos com os pesquisadores da área.

De maneira geral, a análise longitudinal dos dados referentes aos artigos publicados nos eventos da Compolítica mostra um aumento no volume de pesquisas, acompanhado por um crescimento no número de trabalhos feitos por mais de um(a) autor(a), sugerindo uma maior colaboração na área. Isso também se reflete, ainda que em menor proporção, no aumento no número de trabalhos interdisciplinares, com autores(as) de diferentes áreas, convergindo com o que outros trabalhos na área apontaram anteriormente (Gomes, 2004; Weber, 2020). Esta tendência, no entanto, não impede que exista um aumento destacado no número de autores provenientes da Comunicação, que se descola das demais áreas. Ao observar os gêneros dos autores e autoras, observa-se uma predominância feminina, evidenciando uma dissonância em comparação com outros campos cujas autorias das publicações são predominantemente masculinas, como a Ciência Política como um todo (Campos, 2023) e o campo da Democracia Digital (Sampaio et al., 2022).

Em relação aos objetos de pesquisa, nota-se um aumento natural nos trabalhos que se debruçam sobre campanhas eleitorais a cada quatro anos, após as disputas eleitorais para presidente, governadores, senadores e deputados. O crescimento, no entanto, foi ainda mais acentuado após as eleições de 2018, quando muitas pesquisas analisaram fenômenos ligados à eleição de Jair Bolsonaro à presidência. No mesmo período, há também um aumento significativo no número de trabalhos que têm as mídias sociais como objeto de estudo.

Em relação aos procedimentos metodológicos adotados e descritos nos trabalhos, é possível perceber uma preocupação recente e crescente com o rigor e a transparência na apresentação dos procedimentos. Com o passar do tempo, há um aumento gradual no número de trabalhos que se utilizam de instrumentos de coleta de dados mais sofisticados, os trabalhos que apresentam seção metodológica estão proporcionalmente mais frequentes, e há uma tendência de alta, ainda que discreta, nos artigos que explicitam como lidam com a subjetividade das codificações, mitigando as carências metodológicas anteriormente apontadas por Marques e Miola (2018). Ao analisar os dados longitudinalmente, observamos um aumento no número de autores por artigo, o que evidencia maior colaboração na área. As seções metodológicas estão mais bem desenvolvidas e há uma aplicação mais consistente de estatística em métodos quantitativos. No geral, o problema metodológico do campo parece ser consideravelmente menos desolador do que o cenário descrito e criticado por Marques e Miola em 2018.

Provavelmente, o maior desafio elencado por esses e alguns outros autores, está na interdisciplinaridade do campo. Nossos dados evidenciam que ela de fato está florescendo ao longo dos eventos, porém certamente não numa velocidade adequada e a concentração de autores da Comunicação parece não apenas persistir, mas também aumentar.

Da mesma forma, as preocupações expressas por Albuquerque (2018) acerca da suposta incapacidade do campo de observar as ameaças à democracia parecem, no mínimo, exageradas. Os dados que temos disponíveis indicam que as rupturas democráticas vivenciadas no país e os ataques contra a democracia não passaram despercebidos pelos estudiosos da comunicação e da política, e o olhar sobre objetos próprios do paradigma midiático digital não invalida o desenvolvimento de estudos sobre tópicos como populismo digital, extrema-direita, desinformação, discurso do ódio e violência política, dentre outros que merecem destaque nos últimos eventos. Não obstante, vale mencionar que as críticas feitas por Albuquerque, em 2018, não poderiam prever o que ocorreria posteriormente àquele ano e como a Comunicação e Política estudaria esses novos fenômenos. Temas como populismo digital, desinformação e fake news, ascensão da extrema-direita, entre outros, embora já comentados em 2018, tornaram-se muito mais relevantes no debate da Comunicação e da Ciência Política nos anos seguintes. Esses temas são apontados pelo próprio Albuquerque e colegas em pesquisa posterior (2023), especialmente o uso das plataformas digitais pela extrema-direita para disseminar desinformação, discurso de ódio e desafiar a ordem democrática.

Há, também, bastante espaço para incrementos na área, notadamente, em termos de sofisticação das análises. Se, por um lado, ainda se observa certa carência a respeito da mera importação de arcabouço teórico e problemas de pesquisa não condizentes com a realidade local, uma relação tímida e limitada com referências da América Latina, e parcerias intrainstitucionais, por outro, o campo não parece estar particularmente atrasado em relação às áreas vizinhas, nomeadamente a Comunicação, a Ciência Política e as Ciências Sociais em geral. De fato, a Comunicação e Política tem demonstrado ser capaz de se atualizar temática e metodologicamente de maneira superior à média de outros campos disciplinares. Em suma, não parece que o campo tenha parado em 1989, nem que tenha andado em círculos, nem que tenha sido incapaz de avaliar e dar respostas aos eventos políticos mais salientes dos últimos anos.

Finalmente, respondendo a Rubim e Azevedo (1998), mais de 30 anos depois, acreditamos que, apesar dos pesares, a interlocução transdisciplinar foi ampliada e consolidada, assim como possíveis descompassos foram relativamente bem evitados.

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  • 10
    Embora se possa argumentar que a análise de artigos publicados em periódicos seja uma forma mais eficiente de mapear e investigar o que pretendemos neste trabalho, visto a qualidade do material atestada pela avaliação de pares, defendemos que, ao nos debruçarmos sobre os papers em anais dos congressos da Compolítica, conseguimos capturar uma “fotografia” mais “real” do momento específico (neste caso, dos anos específicos) em que os trabalhos foram debatidos e publicados nos anais dos eventos. Isso porque ao analisar especificidades como objetos de pesquisa e abordagens empíricas de artigos publicados em periódicos de forma temporal, deve-se levar em conta o tempo que o artigo fica “parado” na editoração do periódico.
  • 11
    O livro de códigos, em sua versão atual, pode ser encontrado em https://figshare.com/s/7b19f58258c13ebfb6b1. Acesso em: 26 jan. 2024.
  • 12
    O banco de dados e o livro de códigos estão ambos disponíveis em: https://figshare.com/s/7b19f58258c13ebfb6b1. Acesso em: 26 jan. 2024.
  • Editoras
    Debora Rezende de Almeida
    Rebecca Neaera Abers

Disponibilidade de dados

Os conjuntos de dados gerados e analisados durante o presente estudo estão disponíveis no: https://doi.org/10.7910/DVN/GKLBYI

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Mar 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    29 Jan 2024
  • Aceito
    10 Jun 2025
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