Os conflitos socioambientais relacionados a empreendimentos extrativos vêm aumentando na América Latina, na medida em que há, nessa região, um crescente incentivo à extração e à exportação de commodities. Nesse contexto, a ação coletiva de contestação funda-se a partir de um enquadramento que marca uma condição comum entre aqueles que são afetados pela mineração, pelo petróleo e por outros grandes empreendimentos extrativos. Isso abre um processo de contestação específico que reúne certos atores, repertórios e reivindicações, os quais constituem dinâmicas de mobilização do direto, haja vista o uso contundente de estratégias legais e judiciais. Este artigo apresenta uma proposta de caracterização dos atores, dos repertórios e dos enquadramentos insurgentes da política dos afetados pelo extrativismo na América Latina. Apresentamos uma explicação fundamentada em aspectos macro, mas com ênfase em elementos microssociológicos. A pesquisa levantou casos de variados países, empregando uma abordagem qualitativa com análise de materiais documentais e observação participante.
Palavras‐chave:
movimentos sociais; ambientalismo; mobilização do direito; afetados; extrativismo; emoções.
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Fonte: Documentos produzidos pelas mobilizações. Elaboração própria.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.Obs.: Foto tirada durante um Toxic Tour que visitou os megaempreendimentos de Vitória até a Barra do Riacho (local da foto), no Espírito Santo, realizado durante o Seminário Neoextrativismo na América Latina em 2014. A região é atualmente engolfada por indústrias de celulose, grandes portos, um dos maiores estaleiros do mundo, gasodutos, oleodutos, refinarias e projetos que pretendem instalar ainda novos portos para o escoamento de minério e petróleo.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.Obs.: Foto tirada durante oficina que debateu a instalação do mineroduto Manabi Minas/ES, realizada na Vila de Regência/ES com população litorânea da região em 2014. Na imagem aparece uma moradora local chamada Kátia, cujas terras estão sob uso da Petrobras para a exploração de petróleo. Kátia luta para que a empresa devolva suas terras.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.Obs.: Foto tirada em 2015 durante uma saída de campo em Barra do Riacho/ES, comunidade que aparece no mapa entre os diversos empreendimentos em instalação na região, conforme nos mostrou o líder da associação de pescadores, senhor Vicente.
Fonte: Campanha “Chevron Nunca Más”.
Fonte: La Izquierda Diario, disponível em <
Fonte: Adaptado a partir de Chaparro (2002), Viale e Cruzado (2012) e do banco de dados desta pesquisa