A literatura sobre captura do Estado em ciência política e economia política evidencia a imbricação ética das teorias positivas, mostrando como pressupostos normativos moldam seus enquadramentos descritivos. Este artigo analisa duas perspectivas opostas sobre o tema: a tese da responsividade desigual, de base igualitária, argumenta que a desigualdade econômica mina a igualdade democrática ao amplificar as preferências dos mais ricos; já a tese do rent-seeking, alinhada ao liberalismo clássico ou ao libertarianismo, sustenta que privilégios governamentais incentivam uma competição improdutiva, distorcendo mercados e política. Essas visões levam a conclusões normativas divergentes sobre a relação entre desigualdade econômica e democracia. O artigo demonstra como as teorias da captura do Estado entrelaçam argumentos empíricos e normativos, tornando explícita sua influência ética, e investiga como distinguir esses elementos permite um debate mais claro, uma crítica mais precisa e uma integração teórica mais robusta, aprofundando a compreensão das relações entre teorias positivas e normativas, desigualdade econômica e política, e ciência política, teoria política e filosofia.
Palavras-chave:
captura do estado; responsividade desigual; rent-seeking; desigualdade política