CARTA AO EDITOR
Caso de anafilaxia induzida por rocurônio tratado com o auxílio de sugamadex
Luís Otávio EstevesI,II
IInstituto Penido Burnier, Campinas, SP, Brasil
IICentro Médico Campinas, Campinas, SP, Brasil
Prezado Editor,
Primeiramente, gostaria de parabenizar os autores pelo artigo titulado "Caso de Anafilaxia Induzida por Rocurônio Tratado com o Auxílio de Sugamadex", recentemente publicado na Revista Brasileira de Anestesiologia.1
Foram observados, durante a leitura do artigo, dois pontos que merecem algumas considerações. Relatou-se uma reação anafilática após o uso de rocurônio. Entretanto, como descrito pelo próprio autor, é impossível diferenciar uma reação anafilática de uma anafilactóidea com base apenas em dados clínicos.1 O diagnóstico diferencial é feito por exames laboratoriais. É citado pelo autor um artigo que relata um caso semelhante no qual foi feito o diagnóstico diferencial e, portanto, pode-se empregar o termo anafilaxia.2
A segunda observação refere-se ao tempo das medicações usadas. No terceiro parágrafo do Relato de Caso, está escrito que imediatamente após a intubação foram notados sinais de uma provável reação alérgica e foi iniciado o tratamento. Foram usadas doses de 0,30 mg de adrenalina, repetidas a cada cinco minutos, totalizando 1,5 mg dessa medicação. No parágrafo seguinte, descreve-se que 700 mg de sugamadex foram usados cinco minutos após a administração do rocurônio, ao qual se sucedeu mais uma dose de adrenalina de 0,3 mg. Finalmente, no quinto parágrafo da Discussão, relata-se que o sugamadex foi administrado 25 minutos após o rocurônio.1
Dessa forma, percebe-se que existe uma incoerência nos tempos de administração das medicações e, consequentemente, na dose total de adrenalina. Por causa da grande importância do tema e da alta morbimortalidade dessa intercorrência, é necessária uma precisão nos dados descritos, a fim de que o relato se torne uma ferramenta de auxílio para casos futuros.
E-mail:otavioanestesio@gmail.com (L.O. Esteves).
