RESUMO
Este artigo consiste em uma revisão de literatura temática com o objetivo de responder às seguintes questões de investigação: Como é o impacto empírico da educação empreendedora (EE) na intenção empreendedora (IE) no contexto dos estudantes universitários? Quais são as lacunas de investigação na literatura existente sobre o impacto da EE e da IE? Quais são as implicações teóricas e práticas das descobertas? As principais conclusões indicam que existem na literatura quatro tipos de impactos da EE na IE: 1) Efeito direto e positivo da EE na IE, 2) A EE não tem impacto na IE, 3) Efeito indireto da EE na IE através de variáveis mediadoras, 4) Efeito direto e positivo da EE sobre a IE, mas moderado por outras variáveis. Identificamos lacunas em quatro vertentes de pesquisa e fornecemos um exemplo de investigação prospectiva para colmatá-las com base na inclusão de estudantes com baixas intenções empreendedoras. Indicamos implicações práticas e teóricas.
Palavras-chave:
Educação empreendedora; intenção empreendedora; revisão de literatura temática; universidade; instituições de ensino superior
ABSTRACT
This research consists of a thematic literature review, conducted to answer the following research questions: What is the empirical impact of university entrepreneurial education (EE) on the students’ entrepreneurial intention (EI)? What are the research gaps in the existing literature about the impact of EE on EI? What are the theoretical and practical implications of the findings from studies on this matter? The findings indicate four types of impacts of EE on EI in the literature: 1) a direct and positive impact of EE on EI, 2) EE has no impact on EI, 3) Indirect and positive impact of EE on EI through mediating variables, 4) a direct and positive impact of EE on EI moderated by other variables. Additionally, we identified four research avenues with potential to address the gaps in the literature, suggesting a prospective inquiry as an example of future research that includes students with low EI. Finally, we indicate practical and theoretical implications derived from the literature on the impact of EE on EI.
Keywords:
entrepreneurial education; entrepreneurial intention; thematic literature review; university; higher education institutions
RESUMEN
Este artículo tiene como objetivo responder a las siguientes preguntas de investigación: ¿Cuál es el impacto empírico de la educación emprendedora (EE) en la intención emprendedora (IE) en el contexto de estudiantes universitarios? ¿Cuáles son las brechas de investigación en la literatura existente sobre el impacto de la EE en la IE? ¿Cuáles son las implicaciones teóricas y prácticas de los hallazgos? Se utilizó el método de revisión temática de la literatura. Los principales hallazgos indican que existen en la literatura cuatro tipos de impactos de la EE sobre la IE: 1) impacto directo y positivo, 2) la EE no tiene impacto sobre la IE, 3) impacto indirecto de la EE sobre la IE a través de variables mediadoras, 4) impacto directo y positivo de la EE sobre la IE, pero moderado por otras variables. Además, identificamos brechas en cuatro líneas de investigación y proporcionamos un ejemplo de investigación prospectiva para cerrarlas con base en la inclusión de estudiantes con baja IE. Finalmente, indicamos implicaciones prácticas y teóricas.
Palabras clave
educación emprendedora; intención emprendedora; revisión de literatura temática; universidad; instituciones de educación superior
INTRODUÇÃO
Dentro do campo do empreendedorismo, o principal objetivo de uma universidade está na oferta de educação empreendedora (EE), estimulando os estudantes a se envolverem em atividades empreendedoras (Fichter & Tiemann, 2018) e reconhecendo a intenção empreendedora (IE) como antecedente de uma ação nesse sentido. Autores como Astiana et al. (2022), Atmono et al. (2023), Duong (2022), Duong et al. (2022) e Micozzi et al. (2022) divergem quanto à capacidade da EE de fomentar a IE, encontrando resultados mistos que sugerem a necessidade de mais pesquisas e um entendimento mais aprofundado.
Embora a literatura existente tenha se concentrado amplamente no aprimoramento da pedagogia da EE, no estudo de abordagens inovadoras para sua implementação (Nabi et al., 2017; Shabbir et al., 2022) e na relação entre EE e IE (Xu & Mei, 2023), ainda falta uma tipologia clara que capte as diferentes maneiras pelas quais a EE impacta a IE. Em outras palavras, embora estudos anteriores analisem se e como a EE impacta a IE, não encontramos evidências de uma estrutura abrangente que identifique e categorize os tipos específicos de impacto. O desenvolvimento de tal tipologia ajudaria a definir melhor os limites e o potencial da EE no estímulo à IE. Isso é particularmente relevante, considerando que a EE se tornou uma ferramenta da qual se espera que aborde uma ampla gama de objetivos para formuladores de políticas, empregadores, acadêmicos e instituições educacionais (Henry, 2020).
Revisões de literatura anteriores, como as de Nabi et al. (2017), examinaram o amplo espectro de resultados associados à EE - desde a criação de negócios e mudanças emocionais ou de mentalidade até a transição da intenção para o comportamento empreendedor (por exemplo, criar um negócio anos após participar da EE). No entanto, argumentamos que focar especificamente no impacto da EE na IE representa uma meta mais realista e atingível dentro do escopo da importância das universidades na vida e formação dos estudantes. Esperar que as universidades gerem diretamente novos empreendimentos por meio da EE pode ser excessivamente ambicioso; em contraste, fomentar a IE dos estudantes é um objetivo mais viável e imediato, alinhado à sua missão educacional.
Embora a EE e a IE tenham evoluído para conceitos mais específicos e relacionados - como o ecossistema da EE (Rajpal & Singh, 2024), IE digital, IE sustentável e IE social (Mir et al., 2023; Usman et al., 2022) - argumentamos que compreender o impacto geral da EE na IE é um primeiro passo necessário. Somente esclarecendo como a EE impacta a IE em um sentido amplo, poderemos explorar significativamente como ela influencia essas formas mais específicas de IE. Nesse sentido, este estudo busca responder às seguintes perguntas de pesquisa:
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Qual é o impacto empírico da EE universitária na IE dos estudantes?
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Quais são as lacunas de pesquisa na literatura existente sobre o impacto da EE na IE?
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Quais são as implicações teóricas e práticas dos resultados de estudos sobre esse tema?
A contribuição desta revisão temática da literatura reside na busca por estudos que abordem temas tradicionais e outros que trabalhem com tópicos emergentes, aumentando o conhecimento sobre a capacidade das universidades de promover a IE por meio de seus esforços de EE. Este estudo também oferece uma agenda de pesquisa para preencher as lacunas na literatura.
Estrutura conceitual
Este trabalho conceitual baseia-se na literatura sobre EE e IE. A seção sobre EE esclarece inicialmente a distinção entre esse tipo de formação e a educação para o empreendedorismo, definindo então o conceito de EE. A revisão da literatura sobre IE concentra-se na definição desse conceito.
No jargão em inglês, há uma importante distinção conceitual entre entrepreneurship (substantivo “empreendedorismo”) e entrepreneurial (“empreendedor” ou “empreendedora” como adjetivo). Essa diferenciação tem implicações significativas para a forma como entendemos a entrepreneurship education (ou “educação para o empreendedorismo”) e a entrepreneurial education (ou “educação empreendedora”). Como explica Lackeus (2015), o empreendedorismo é frequentemente enquadrado por uma lente estreita, com foco principal em se tornar um empreendedor por meio da identificação de oportunidades, criação de empreendimentos e crescimento empresarial. Em contraste, há uma compreensão mais ampla ligada ao adjetivo “empreendedor” ou “empreendedora” enfatizando o desenvolvimento pessoal, a autossuficiência e comportamentos orientados para a ação.
Essa distinção se estende às abordagens educacionais. A “educação para o empreendedorismo” tradicionalmente se concentra no desenvolvimento da capacidade dos estudantes de criar e gerenciar novos empreendimentos, tornar-se autônomo ou contribuir para o crescimento de negócios existentes (Erkkilä, 2000; Quality Assurance Agency for Higher Education, 2018). Enquanto isso, a “educação empreendedora” abrange um conjunto mais amplo de habilidades, comportamentos e mentalidades que permitem aos estudantes não apenas identificar oportunidades, mas também tomar iniciativa, gerenciar riscos, desenvolver resiliência, liderar e se comunicar de forma eficaz - competências essenciais para a criação de valor em diversos contextos, além da criação de novos empreendimentos.
A EE também está intimamente relacionada ao conceito de educação empresarial, que promove o desenvolvimento de habilidades transversais aplicáveis a qualquer contexto organizacional ou social. Portanto, a estrutura deste estudo adota uma visão ampla da EE, não se limitando à formação de futuros empreendedores, mas visando desenvolver indivíduos empreendedores capazes de criar valor para futuros empregadores e para a sociedade (Lackeus, 2015). Essa abordagem pressupõe que o fomento das capacidades empreendedoras nos estudantes é relevante, independentemente de se tornarem empreendedores ou aplicarem suas habilidades em organizações ou iniciativas sociais existentes.
Neste estudo, a EE é entendida como um processo que busca desenvolver nos estudantes tanto a capacidade de gerar e implementar ideias quanto as competências necessárias para criar e desenvolver novos empreendimentos ou contribuir de forma inovadora em organizações existentes. A EE vai além do foco tradicional da educação para o empreendedorismo - centrada principalmente na criação de empreendimentos - ao promover uma mentalidade empreendedora, comportamentos e habilidades transversais, como iniciativa, criatividade, resiliência, gestão de riscos, liderança e pensamento estratégico. O objetivo final da EE é capacitar os estudantes a criar valor não apenas como futuros empreendedores, mas também como funcionários empreendedores ou agentes de mudança na sociedade e no mercado de trabalho (Erkkilä, 2000; Lackeus, 2015; Quality Assurance Agency for Higher Education, 2018).
Em relação à definição de IE, não há distinção entre “intenção empreendedora” e “intenção para o empreendedorismo”. Embora não haja consenso sobre uma definição única de IE, a maioria das interpretações converge para a ideia de um fenômeno cognitivo consciente relacionado à criação de um novo empreendimento (Donaldson, 2019). Embora a maioria das definições enfatize a criação de novos empreendimentos, autores como Erikson (1998), Van Gelderen et al. (2015) e Finisterra et al. (2011) definem IE de forma mais ampla - como um estado mental consciente que reflete a crença subjetiva de uma pessoa na possibilidade de se engajar em atividades empreendedoras, ou como a direção da atenção para objetivos futuros e específicos e os meios para alcançá-los.
Adotamos aqui a definição mais amplamente utilizada de IE, que enfatiza a determinação de criar um novo empreendimento. Essa definição mais restrita foi escolhida porque, no contexto universitário, ela se alinha aos esforços para fortalecer a colaboração universidade-empresa, incentivando o surgimento de novos empreendedores que geram valor para a sociedade (Carayannis et al., 2012). Além disso, essa definição é consistente com o trabalho seminal de Bird (1988), que conceituou a IE como a formação de um plano para estabelecer um novo negócio no futuro.
Este artigo está organizado em quatro seções: (1) a metodologia, que detalha o processo de revisão temática da literatura para reunir, organizar e avaliar as informações; (2) os resultados, onde apresentamos os quatro tipos de impacto da EE na IE; (3) a discussão e a proposta de uma agenda de pesquisa, que descreve quatro caminhos para pesquisas futuras e introduz uma investigação prospectiva para inspirar novos estudos; e (4) as conclusões e limitações, onde resumimos os principais insights, implicações e limitações do estudo.
METODOLOGIA
A revisão temática da literatura adotada no presente estudo nos permite encontrar temas em um domínio específico (Lim et al., 2022). O método foi escolhido para nos auxiliar em nosso objetivo de identificar os principais subtemas na literatura que abordam os impactos da EE na IE. A literatura apresenta artigos que abordam subtemas tradicionais e emergentes, enriquecendo e estabelecendo novos tópicos para discussão (Lim et al., 2022). Este estudo seguiu o protocolo SPAR-4-SLR de Procedimentos e Fundamentação Científica para Revisões Sistemáticas de Literatura, desenvolvido por Paul et al. (2021). Este protocolo inclui três etapas e subetapas:
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Preparação.
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Identificação da literatura.
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Aquisição da literatura.
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Organização.
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Organização da literatura em processo de síntese.
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Purificação da literatura em processo de síntese.
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Avaliação.
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Avaliação da literatura que foi sintetizada.
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Relato da literatura que foi sintetizada.
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Durante a etapa de preparação, a literatura foi identificada com base na pergunta de pesquisa. A base de dados Scopus foi selecionada como fonte em virtude da qualidade dos artigos indexados. A busca considerou as palavras-chave “entrepreneurial intention” (intenção empreendedora) e “entrepreneurial education” (educação empreendedora), buscando os conceitos em conjunto e investigando o período de 2021 a 2024 de maneira a garantir a inclusão de literatura recente sobre educação empreendedora. Um total de 272 artigos foram identificados.
Os critérios de inclusão foram determinados durante a etapa de organização, com base na leitura dos títulos e, posteriormente, dos resumos e, se necessário, do artigo completo. Os artigos foram incluídos quando:
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o título indicava que os estudos foram realizados com estudantes universitários.
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o título indicava que o estudo abordava EE ou IE de acordo com conceitos gerais, em vez de tipos específicos de EE ou IE.
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ambos os conceitos apareceram no título - EE e IE - OU se apenas um conceito fosse apresentado no título e o resumo confirmava que ambos foram abordados.
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o resumo indica claramente que a pesquisa examina o impacto direto da EE na IE. Caso a relação entre EE e IE não esteja clara, o artigo foi revisado integralmente para garantir que o estudo abordasse o impacto direto da EE na IE.
Os artigos foram excluídos da amostra quando:
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o texto não estava disponível na íntegra.
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o estudo se concentrou no ensino médio ou analisou funcionários.
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os conceitos não foram estudados em conjunto ou a relação entre eles não foi examinada.
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os estudos investigaram tipos de IE, como IE sustentável, IE digital e tipos de EE não incluídos em cursos de empreendedorismo, como o ecossistema de EE.
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a pesquisa teve implicações para a EE, mas não estudou explicitamente a variável EE.
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os artigos analisavam o impacto moderador da EE ou da IE em outras variáveis (por exemplo, estudos que exploravam o papel moderador da EE em relacionamentos onde a IE era uma variável dependente ou mediadora foram excluídos).
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a aprendizagem empreendedora foi utilizada como proxy para a EE (pois, neste caso, o principal aspecto avaliado é o lado do ensino por parte das universidades).
Após a purificação durante a etapa de organização, 52 artigos foram considerados para análise posterior. De acordo com Paul et al. (2021), um domínio possui maturidade de revisão suficiente se houver 40 ou mais artigos selecionados. Codificamos os artigos de acordo com o tipo de impacto da EE na IE da seguinte forma: impacto direto e positivo, nenhum impacto, impacto indireto e positivo mediado por outras variáveis e impacto direto e positivo moderado por outras variáveis. Por fim, avaliamos e relatamos os tipos de impactos da EE na IE.
RESULTADOS
A revisão temática da literatura permitiu-nos responder à primeira pergunta de pesquisa: Qual é o impacto empírico da educação empreendedora (EE) universitária na intenção empreendedora (IE) dos estudantes? Os resultados indicam que a EE pode ter quatro impactos diferentes na IE. Em alguns casos, os esforços envidados pelas universidades para oferecer cursos de empreendedorismo não alteram a IE dos estudantes e, em outros casos, o impacto da EE na IE é mediado por outras variáveis. No geral, os resultados sugerem quatro tipos de relações entre a EE universitária e a IE:
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A EE tem um impacto direto e positivo na IE.
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A EE não tem impacto na IE.
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A EE tem um impacto indireto e positivo na IE através de variáveis mediadoras.
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A EE tem um impacto direto e positivo na IE, moderado por outras variáveis.
Essas relações podem ser avaliadas em diferentes métodos de EE, como a aprendizagem experiencial, que envolve o desenvolvimento de planos de negócios, a prestação de serviços de consultoria, o desenvolvimento e a implementação de negócios, o desenvolvimento de projetos e atividades, o nível de reconhecimento de oportunidades e a aquisição de conhecimento empreendedor, a EE teórica e a EE prática. A medida mais comum de EE é se os estudantes recebem cursos de empreendedorismo (Manoj et al., 2022; Motta & Galina, 2023; Ntshangase & Ezeuduji, 2022; Pan & Lu, 2022; Soomro & Shah, 2022). A Tabela 2 apresenta uma síntese da revisão temática da literatura e os principais resultados para cada categoria de impacto da EE na IE.
Estudos que mostram um impacto direto e positivo da EE na IE
A maioria dos artigos indica um impacto direto e positivo da EE na IE (Arya & Sharma, 2024; Astiana et al., 2022; Deng et al., 2024; Ghaleb & Bozorov, 2024; Micozzi et al., 2022; Motta & Galina, 2023; Murad et al., 2024; Nasreen et al., 2024). Este impacto direto e positivo deve-se a vários fatores. A EE proporciona aos estudantes conhecimentos sobre os fundamentos do empreendedorismo - por exemplo, como desenvolver um plano de negócios e implementá-lo, e como desenvolver projetos e atividades - e os cursos de empreendedorismo proporcionam a experiência de usar habilidades empreendedoras (Amofah & Saladrigues, 2022; Motta & Galina, 2023). Além disso, outras características pessoais, como criatividade ou capacidade de assumir riscos, são importantes no processo de empreendedorismo (Amofah & Saladrigues, 2022).
Estudos que não demonstram impacto da EE na IE
Alguns estudos indicam que a EE não impacta a IE (Atmono et al., 2023; Cassol et al., 2022; Dobson & Muhammad, 2022; Duong, 2022; Duong et al., 2022; Li et al., 2021; Mónico et al., 2021; Tran et al., 2024; Truong et al., 2022; Wang & Liu, 2024). Os autores que chegaram a essa conclusão afirmam que a EE até pode impactar a IE, mas para isso são necessárias duas medidas. Primeiro, é necessário determinar que tipo de curso de empreendedorismo impacta direta e positivamente na IE. Segundo, é crucial reconstruir o currículo dos programas de empreendedorismo e avaliá-los continuamente até observar um impacto na IE (Atmono et al., 2023; Dobson & Muhammad, 2022).
Estudos demonstrando o impacto indireto e positivo da EE na IE
Outras variáveis facilitam o impacto da EE na IE. Os estudos mostraram que esse impacto foi mediado por:
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Autoeficácia/comportamento de controle percebido (Alhadihaq et al., 2024; Duong, 2022; Duong & Vu, 2024; Duong et al., 2024; Fan et al., 2024; Gao & Qin, 2022; Hoang et al., 2021; Manoj et al., 2022; Mykolenko et al., 2022; Pan & Lu, 2022; Wu et al., 2022).
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Atitudes empreendedoras (Arya & Sharma, 2024; Duong, 2022; Fan et al., 2024; Mykolenko et al., 2022; Otache et al., 2021; Truong et al., 2022).
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Capacidade empreendedora (Nguyen & Nguyen, 2023).
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Reconhecimento empreendedor (Hou et al., 2022).
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Aumento percebido no estado de atenção, inspiração, redes sociais, conhecimento e habilidades (Thomas, 2022).
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Inovação exploratória e inovação de exploração (Li et al., 2021).
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Motivação empreendedora (Chahal et al., 2024; Hassan et al., 2021).
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Orientação empreendedora (Hoang et al., 2021).
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Personalidade proativa (Deng et al., 2024)
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Engajamento no processo criativo (CPE) (Alhadihaq et al., 2024), como atitude, motivação, inspiração e orientação.
As variáveis que facilitam o impacto da EE na IE podem ser classificadas em diferentes grupos. O primeiro reúne as variáveis sobre a autopercepção relacionada à como os estudantes podem se envolver em atividades empreendedoras, dependendo do tipo de personalidade. As variáveis mais comuns neste grupo são a autoeficácia e o comportamento de controle percebido. O segundo grupo são as variáveis relacionadas às percepções dos estudantes sobre empreendedorismo, como atitude empreendedora, engajamento no processo criativo, inspiração e motivação e orientação empreendedora. Assim, se um aluno tiver uma atitude positiva em relação ao empreendedorismo, motivação e orientação para criar um negócio, o impacto da EE na IE será facilitado. O terceiro grupo de variáveis está relacionado à obtenção de conhecimento empreendedor, como capacidade empreendedora, inovação exploratória e inovação de exploração, atenção, habilidades empreendedoras e reconhecimento de oportunidades. Por fim, o quarto grupo reúne as variáveis relacionadas aos recursos empreendedores, como redes sociais e a capacidade dos estudantes de realizar atividades de networking, que facilitam o impacto da EE na IE.
Estudos mostrando impactos diretos e positivos da EE na IE moderados por outras variáveis
Em algumas situações, a relação entre EE e IE é moderada por outros fatores. Elementos externos, como sistemas de apoio social, país, renda familiar e status econômico da família, modificam a relação entre EE e IE. Esses estudos constataram que a EE tem um maior impacto na IE em estudantes com um sistema de apoio social mais forte e melhor status familiar e econômico (Fan et al., 2024; Gao & Qin, 2022; Liu et al., 2022; Padi et al., 2022). Além disso, um estudo mostrou que a relação entre EE e IE é mais forte na China (Zhang, Li, Zeng et al., 2022). Elementos internos, como uma personalidade proativa e o nível de aprendizagem empreendedora, alteram a relação entre EE e IE. Uma personalidade proativa reduz o impacto da EE na IE, e o impacto da EE na IE aumenta quando há uma maior aprendizagem empreendedora.
DISCUSSÃO E AGENDA PARA PESQUISAS FUTURAS
A revisão temática da literatura que explora o impacto da educação empreendedora (EE) na intenção empreendedora (IE) identificou quatro tipos distintos de impacto, conforme descrito na seção anterior: (1) um impacto direto e positivo, (2) nenhum impacto, (3) um impacto indireto e positivo e (4) um impacto direto e positivo moderado por outras variáveis.
Embora 52 artigos tenham sido analisados, vários examinaram mais de um tipo de impacto, resultando em um total de 69 casos. Entre estes, 49,3% relataram um impacto direto e positivo da EE na IE, 14,5% não encontraram relação significativa e 29% identificaram um impacto indireto e positivo mediado por outras variáveis. Os 7,2% restantes dos casos sugeriram que o impacto da EE na IE é positivo e direto, mas moderado por fatores adicionais.
O impacto da EE na IE está longe de ser uniforme. Enquanto 64% dos casos revisados sugerem que a EE pode ter um impacto direto e positivo na IE, outros não relatam impacto significativo. Essa inconsistência aponta para a importância de fatores subjacentes que possibilitam ou dificultam esse impacto. Uma percepção fundamental deste estudo é que o impacto da EE na IE é mediado ou moderado pelas percepções e características internas dos estudantes. Especificamente, estudos que identificam impactos indiretos da EE na IE revelam diversas variáveis mediadoras que ajudam a explicar essa relação:
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Autopercepção dos estudantes, incluindo sua confiança no engajamento em atividades empreendedoras e sua crença em suas próprias capacidades empreendedoras (autoeficácia);
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Percepção dos estudantes sobre o empreendedorismo, abrangendo atitudes em relação ao empreendedorismo, motivação empreendedora e inspiração;
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Acesso a recursos empreendedores, como redes sociais e capacidade de networking; e
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Conhecimento empreendedor, incluindo habilidades empreendedoras e a capacidade de explorar e aproveitar oportunidades.
Além disso, variáveis moderadoras esclarecem ainda mais a variação nos impactos da EE na IE. Estes incluem fatores internos, como traços de personalidade proativa, e externos, como sistemas de apoio social, contexto nacional e renda familiar.
Em conclusão, as evidências sugerem que o impacto da EE na IE não é determinado apenas pelo conteúdo ou pela oferta de programas educacionais que oferecem o conhecimento fundamental sobre empreendedorismo. Em vez disso, é significativamente moldado pela forma como os estudantes se percebem e percebem o empreendedorismo, bem como por suas características pessoais. Em outras palavras, a autoeficácia, as atitudes e as características internas dos estudantes - por exemplo, a personalidade proativa - desempenham um papel fundamental na determinação do impacto da EE em sua IE.
O impacto da EE na IE não decorre principalmente da transmissão de conhecimento fundamental sobre empreendedorismo. Em vez disso, sua eficácia reside em como ela influencia as percepções dos estudantes sobre si mesmos e sua visão do empreendedorismo. Isso sugere a necessidade de uma nova abordagem para a EE - uma que considere as situações de vida dos estudantes e como eles atualmente percebem seu potencial como futuros empreendedores. Na vida real, os estudantes - independentemente de sua especialização - podem eventualmente se tornar empreendedores, mas também provavelmente seguirão carreiras profissionais como empregados em áreas como engenharia, direito, contabilidade e outras. Compreender sua inclinação atual para o empreendedorismo é fundamental, pois uma IE alta ou baixa reflete como eles se veem no futuro: como potenciais empreendedores ou não. Portanto, a EE não deve apenas ensinar conceitos empreendedores, mas também promover a autoconsciência e a autorreflexão, ajudando os estudantes a avaliar quem são e quem desejam se tornar. Essa perspectiva em primeira pessoa se alinha ao apelo para que a EE apoie o desenvolvimento interno dos estudantes, fortalecendo suas autoconfianças e orientando seus processos de tomada de decisão para se tornarem empreendedores ou não, de maneiras que sejam pessoalmente significativas e contextualmente relevantes (Nzembayie & Coghlan, 2024; Ewijk & Weber, 2021).
Embora o impacto da EE na IE seja uma área legítima de foco, é igualmente importante considerar estudantes com baixa IE. A maioria das pessoas não está destinada a se tornar dona de um negócio; de fato, dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2023) mostram que, embora 23% das pessoas de 18 a 64 anos expressem IE, apenas 7,9% são donas de um negócio estabelecido. Isso significa que a maioria dos indivíduos provavelmente seguirá carreira como empregados - engenheiros, contadores, advogados e profissionais que contribuirão para empreendimentos sem necessariamente fundá-los. Ao ignorar estudantes com baixa IE, as abordagens atuais de EE correm o risco de marginalizar uma parcela significativa da força de trabalho futura. Reconhecer e incluir esses estudantes é essencial, não apenas porque eles representam a maioria, mas também porque apoiarão, colaborarão e até mesmo gerenciarão ou inovarão em iniciativas empreendedoras, desempenhando um papel vital no ecossistema empreendedor mais amplo.
É importante implementar uma abordagem diferenciada para a EE que atenda às necessidades distintas de estudantes com baixa e alta IE, reconhecendo a diversidade de futuras trajetórias de carreira. Embora alguns estudantes já se imaginem como futuros empreendedores e outros claramente prefiram se tornar funcionários, ambos os papéis são essenciais na construção de negócios bem-sucedidos e sustentáveis. Portanto, a EE deve refletir essa realidade, oferecendo conteúdo e experiências personalizados que ajudem cada grupo a desenvolver as habilidades e mentalidades específicas necessárias para criar e capturar valor em suas futuras funções. Embora alguns estudantes possam se encontrar em um estado intermediário de incerteza sobre seu futuro (IE intermediária), isso não deve ser visto como uma categoria estável. Em vez disso, representa uma etapa de transição na qual os estudantes podem se beneficiar da exploração de ambas as abordagens educacionais - empreendedora e intraempreendedora - para esclarecer suas aspirações. Em última análise, independentemente de os estudantes escolherem se tornar empreendedores ou funcionários, o objetivo da EE deve ser equipá-los com a capacidade de contribuir significativamente para a criação de valor - econômico, social, emocional ou ecológico - em qualquer contexto organizacional (Lackéus et al., 2016; Mishra & Zachary, 2015).
Essas descobertas abordam a segunda pergunta de pesquisa: Quais são as lacunas na literatura em relação ao impacto da EE na IE? Em particular, identificamos uma questão significativa e pouco explorada: a falta de estudos especificamente focados em estudantes com baixos níveis de IE. Para preencher essa lacuna, propomos o uso de uma abordagem de investigação prospectiva (Muñoz & Dimov, 2023), que permite o desenvolvimento de modelos generativos de EE que diferenciam estratégias pedagógicas para estudantes com baixa e alta IE. Tal modelo reflete a realidade das organizações contemporâneas, onde empreendedores e funcionários devem trabalhar colaborativamente para a criação e captura de valor.
Argumentamos que fomentar um ecossistema empreendedor vibrante requer não apenas o desenvolvimento de empreendedores, mas também o cultivo de uma força de trabalho com mentalidade intraempreendedora - indivíduos que, como funcionários, contribuem significativamente para a inovação e a criação de valor organizacional. Nesse sentido, identificamos quatro linhas críticas de pesquisa para o futuro: (1) examinar as formas de EE que incentivam interações produtivas entre estudantes com baixa e alta IE para aprimorar a criação colaborativa de valor; (2) investigar os antecedentes do comportamento intraempreendedor, explorando a intenção intraempreendedora entre estudantes universitários; (3) analisar as necessidades educacionais diferenciadas de estudantes com baixa e alta IE, particularmente em relação aos seus papéis potenciais na criação de valor organizacional; e (4) conceituar a IE como uma situação de vida dinâmica, permitindo assim abordagens mais adaptativas e sensíveis ao contexto para a EE que melhoram os resultados empresariais e gerenciais.
Para preencher a lacuna: Educação empreendedora de acordo com o nível de intenção empreendedora
Na seção a seguir, apresentamos uma investigação prospectiva com o objetivo de abordar uma lacuna na literatura atual: a relação entre os níveis de intenção empreendedora (IE) - sejam eles baixos ou altos - e o tipo de educação empreendedora (EE) necessária para apoiar cada um. Esta investigação representa uma exploração inicial, e não uma estrutura abrangente, com o objetivo de oferecer um ponto de reflexão e inspiração para pesquisas futuras. Ao considerar como as abordagens de EE podem diferir de acordo com os diferentes níveis de IE dos estudantes, propomos uma nova perspectiva para abordar a lacuna de pesquisa em EE, reconhecendo que o empreendedorismo é inerentemente orientado para o futuro (Muñoz & Dimov, 2023). Ao contrário do passado, que pode ser analisado por meio de fatos documentados, o futuro permanece incerto, composto não por dados concretos, mas por possibilidades, cenários e potencialidades. As atividades empreendedoras são sempre direcionadas a imaginar e criar o que ainda não existe - seja envolvendo novas soluções, modelos de negócios, produtos ou mercados. Portanto, a EE não deve se limitar a abordagens positivistas ou puramente empíricas que se baseiam em resultados observáveis; em vez disso, deve incorporar dimensões prospectivas e reflexivas que preparem os estudantes para navegar pela incerteza. Argumentamos que a EE deve ser adaptada de acordo com os níveis de IE dos estudantes e alinhada com suas situações de vida atuais e previstas. As universidades, como primeiro passo, podem apoiar os estudantes na identificação da presença ou ausência de IE, o que orientará não apenas seus caminhos de aprendizagem, mas também ajudará a moldar as teorias que embasarão ações futuras.
Existem dois tipos de estudantes: 1) com baixa IE e 2) com alta IE. Cada grupo requer formas diferenciadas de EE que se alinhem às suas distintas aspirações de criação de valor. Para estudantes com baixa IE - a aqueles menos inclinados a iniciar seus próprios empreendimentos - a educação intraempreendedora oferece um caminho mais adequado. Como explicam Frank et al. (2016), a educação intraempreendedora promove o desenvolvimento e a implementação de ideias inovadoras em organizações existentes. Ela apoia os estudantes no cultivo do pensamento empreendedor para criar valor dentro das empresas, incentivando-os a gerar e executar ideias que contribuam para a inovação e o crescimento organizacional. Em contrapartida, estudantes com alta IE se beneficiam da EE orientada pela demanda, definida por Béchard e Grégoire (2007) como uma abordagem que responde diretamente aos objetivos, motivações e necessidades empreendedoras dos estudantes. Essa forma de EE cria um ambiente que maximiza o engajamento dos estudantes e apoia atividades como reconhecimento de oportunidades, desenvolvimento de modelos de negócios e criação de empreendimentos. Apesar de suas diferenças, ambas as abordagens educacionais compartilham o objetivo final de capacitar os estudantes a criar valor - seja inovando em empresas existentes ou estabelecendo novos empreendimentos. A Tabela 3 esclarece o tipo de IE e o tipo de EE necessário em cada caso, além de oferecer exemplos de atividades.
A proposta anterior é uma investigação prospectiva para abordar a lacuna identificada na literatura a respeito da relação entre os níveis de IE - sejam eles baixos ou altos - e o tipo correspondente de EE necessário para sustentar cada um. Essa abordagem se baseia no reconhecimento de que o empreendedorismo é um fenômeno social multifacetado, não apenas um empreendimento individual. Como tal, requer uma visão multiperspectiva capaz de captar as diversas maneiras pelas quais os indivíduos se envolvem com a criação de valor. Em consonância com essa visão, Kakouris e Liargovas (2021) defendem o desenvolvimento de abordagens diferenciadas para a EE, cada uma com seu próprio nível de complexidade, requisitos pedagógicos e resultados pretendidos.
CONCLUSÃO E LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Este estudo propõe uma reorganização das abordagens atuais para a educação empreendedora (EE), com o duplo objetivo de oferecer treinamento mais personalizado em criação de empreendimentos para estudantes com perfis diversos e de expandir o espectro de possibilidades que eles podem explorar dentro da EE - como o intraempreendedorismo. Essa reformulação incentiva os estudantes a integrar o pensamento empreendedor em seus próprios contextos, enquadrando o empreendedorismo não apenas como a criação de negócios, mas como uma mentalidade e um estilo de vida que podem permear as esferas pessoal e profissional. Ao fazê-lo, respondemos à terceira pergunta de pesquisa: Quais são as implicações teóricas e práticas dos resultados de estudos sobre esse assunto?
De uma perspectiva teórica, isso exige uma mudança do paradigma dominante na EE, que frequentemente se concentra na criação de empreendimentos e no desempenho financeiro. Em vez disso, defendemos uma abordagem mais inclusiva e centrada no aluno, que reconheça as diversas aspirações de todos os estudantes - incluindo aqueles com baixa intenção empreendedora (IE), a quem nos referimos como o aluno antiarquétipo. Esses indivíduos podem não ter como objetivo lançar seus próprios empreendimentos, mas ainda podem desenvolver uma mentalidade empreendedora que os capacite a criar valor dentro das organizações. Ao acolher futuros empreendedores e intraempreendedores, a EE pode nutrir empreendimentos futuros onde o valor é cocriado por fundadores e funcionários - promovendo a colaboração, a visão compartilhada e um alinhamento mais forte entre aqueles que lideram os negócios e aqueles que contribuem para o seu sucesso internamente.
Portanto, a criação de valor deve ser posicionada no centro da EE em todos os níveis e tópicos. Isso promove uma compreensão mais fundamentada e pragmática dos negócios, do emprego e das diversas realidades que os estudantes enfrentam.
Na prática, esses insights têm implicações para as principais partes interessadas no ecossistema empreendedor. Para as universidades, essa abordagem convida a uma revisão crítica das ofertas de EE em todos os programas acadêmicos, com o objetivo de aprimorar a experiência e a inclusão dos estudantes. Também incentiva as instituições a projetar ambientes de aprendizagem onde estudantes com baixa e alta IE possam interagir, compartilhar seus objetivos de vida e se beneficiar do aprendizado mútuo. A estrutura proposta poderia servir de base para inovação curricular e experimentação pedagógica em cursos de EE.
Para formuladores de políticas, este estudo destaca a necessidade de ajustar as políticas públicas relacionadas aos ecossistemas empreendedores e programas de apoio, não apenas para promover a criação de empreendimentos em diversas regiões e comunidades, mas também para refletir uma compreensão mais inclusiva da EE. Isso inclui reconhecer e atender às diferentes necessidades de indivíduos com baixa e alta IE, promovendo, assim, ambientes onde uma gama mais ampla de caminhos empreendedores possa emergir e prosperar.
Uma limitação deste estudo é que não consideramos estudantes com experiência empreendedora prévia. Dentro das universidades, há estudantes que já se envolveram no processo empreendedor ou estão trabalhando em projetos empreendedores. Esses estudantes têm necessidades distintas que as universidades devem levar em consideração. Para obter uma compreensão mais abrangente das situações de vida dos estudantes universitários, é essencial considerar não apenas a IE, mas também o nível de ação empreendedora. Outra limitação é que este estudo se baseou apenas em artigos indexados na base de dados Scopus, e nosso acesso a outras bases de dados de alto impacto, como a Web of Science, foi limitado.
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Avaliadores/as: Rose Mary Almeida Lopes , Associação Nacional de Estudos de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas, São Paulo, SP, Brasil, O/A segundo/a avaliador/a não autorizou a divulgação de sua identidade e relatório de avaliação por pares.
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Avaliado pelo sistema de revisão duplo-anônimo.
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Editado por
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Editores Convidados:
Charles Kirschbaum, Daniel Paulino Teixeira Lopes, Gregory Pogue, Kadígia Faccin e Ricardo Reolon
