Open-access COMO OS ACIONISTAS ESTATAIS SOB A INTERVENÇÃO DO GOVERNO AFETAM A DECISÃO DE INOVAR NOVAMENTE NAS EMPRESAS APÓS FALHA DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA?

RESUMO

No contexto da reforma da propriedade mista na China, a participação do capital estatal em empresas privadas afeta a decisão de inovar novamente após a empresa já ter falhado em implementar inovação tecnológica no passado. Este artigo toma as empresas listadas de fabricação farmacêutica de ações A na China como amostras de pesquisa para testar o impacto dos acionistas estatais e suas taxas de participação na decisão de uma nova inovação de empresas privadas após o fracasso da inovação tecnológica. A pesquisa descobriu que os acionistas estatais são mais propensos a reduzir a inovação adicional e adotar a nova inovação após o fracasso. Esse fenômeno será mais evidente com o aumento da proporção de acionistas estatais. Além disso, a intervenção governamental pode efetivamente suprimir o impacto positivo dos acionistas estatais sobre a nova inovação após o fracasso das empresas privadas. Este trabalho tem como objetivo fornecer base teórica e referência de tomada de decisão para que as empresas privadas melhorem sua estrutura de governança por meio da introdução de ações de capital estatais, e departamentos governamentais relevantes para estimular e otimizar sua decisão de inovar novamente após falha de inovação tecnológica por meio de intervenção adequada na inovação tecnológica das empresas privadas.

Palavras-Chave:
acionistas estatais; inovação inédita após fracasso; inovação incremental; intervenção governamental; efeito regulador.

ABSTRACT

In a mixed ownership reform context, the participation of state-owned capital in private enterprises affects re-innovation decisions after the failure of technological innovation. This article takes a sample of A-share pharmaceutical manufacturing listed companies in China to test the impact of state-owned shareholders and their shareholding ratios on the re-innovation decisions after these enterprises have experienced technological innovation failure. The research found that state-owned shareholders in these enterprises are more likely to reduce additional innovation and adopt new innovations after the experience of failing to implement technological innovation. This phenomenon is more obvious with the increased proportion of state-owned shareholders. In addition, government intervention can effectively suppress the positive impact of state-owned shareholders on new innovation in enterprises that have experienced technological innovation failure. This paper aims to provide a theoretical basis and decision-making reference for private enterprises to improve their governance structure by introducing state-owned capital shares and relevant government departments to stimulate and optimize their re-innovation decision after technological innovation failure through appropriate intervention in private enterprises’ technological innovation.

Keywords:
state-owned shareholders; new innovation after failure; additional innovation after failure; government intervention; regulatory effect.

RESUMEN

En el contexto de la reforma de la propiedad mixta, la participación del capital estatal en las empresas privadas afectará sus decisiones de reinnovación después del fracaso de la innovación tecnológica. Este artículo toma como muestra de investigación a las empresas de fabricación farmacéutica de acciones A que cotizan en bolsa, en China para evaluar el impacto de los accionistas estatales y su proporción de acciones en las decisiones de reinnovación después de que estas empresas hayan experimentado el fracaso de la innovación tecnológica. El estudio encontró que después del fracaso de la innovación tecnológica en las empresas privadas, es más probable que los accionistas estatales reduzcan la innovación adicional y adopten nuevas formas de innovación. A medida que aumente la proporción de accionistas estatales, este fenómeno será más evidente. Además, la intervención gubernamental puede frenar efectivamente el impacto positivo de los accionistas estatales en la nueva innovación después del fracaso de las empresas privadas. El objetivo de este artículo es proporcionar una base teórica y una referencia para la toma de decisiones para que las empresas privadas introduzcan acciones de capital estatal para mejorar la estructura de gobernanza a través de una intervención adecuada en la innovación tecnológica de las empresas privadas, así como para que los departamentos gubernamentales pertinentes incentiven y optimicen sus decisiones de reinnovación después del fracaso de la innovación tecnológica.

Palabra Clave:
accionistas estatales; nuevas innovaciones después del fracaso; innovación adicional después del fracaso; intervención gubernamental; efecto regulador

INTRODUÇÃO

Com o crescimento contínuo da economia chinesa, as ações de empresas privadas pertencentes ao capital estatal e as ações de capital privado em empresas estatais formam uma estrutura de propriedade mista, o que se tornou uma nova direção para a futura reforma e desenvolvimento de empresas de propriedade mista da China. No entanto, as empresas privadas geralmente não têm recursos internos e externos suficientes, em comparação com as empresas estatais, para promover sua inovação tecnológica. Portanto, aumentar a disposição de inovação tecnológica das empresas privadas é importante para melhorar o nível geral de inovação do país. O sucesso ou fracasso da inovação tecnológica em empresas da indústria farmacêutica não está relacionado apenas ao seu próprio desenvolvimento, mas também está ligado à saúde e segurança. Especialmente diante de emergências repentinas de saúde pública, as empresas farmacêuticas privadas obtêm benefícios econômicos da inovação tecnológica e trazem enorme influência internacional para o país. No entanto, devido ao seu alto investimento e risco, o fenômeno da falha na implementação de inovações tecnológicas é algo real e objetivo nas empresas (Zhang et al., 2024), sendo que as pessoas desconsideram que esse tipo de inovação é um processo contínuo que tem por base tanto o fracasso como o sucesso. Enquanto isso, a estrutura de capital é um meio importante de governança corporativa e afeta sobremaneira a tomada de decisões relacionadas a inovação nas empresas. No caso das empresas continuarem a inovar mesmo após terem fracassado na tentativa de implementar uma inovação tecnológica, pode-se observar que os acionistas estatais em empresa privadas incentivam as companhias a escolher entre dois métodos de inovação diferentes: a inovação adicional e a inovação inédita ou nova (David, 2016). Inovação adicional se refere ao investimento adicional feito pelas empresas com base em resultados obtidos na experiência anterior de fracasso. A inovação inédita está relacionada ao investimento em uma inovação tecnológica inteiramente nova.

Como a China está atualmente em um período crítico de transformação econômica, a interação entre os mecanismos de mercado e a intervenção governamental no mercado de capitais faz com que o governo adote esses mecanismos para alocar recursos até certo ponto. Nesse sentido, a intervenção governamental pode dispersar o risco de fracasso das atividades de inovação (Xiong et al., 2021). A influência do nível de intervenção do governo no mercado no que diz respeito à prática de inovar novamente após uma experiência de fracasso quando da implementação de uma inovação tecnológica em empresas privadas não pode ser ignorada. Assim, a forma pela qual os acionistas estatais podem auxiliar objetivamente essas companhias (que são privadas, mas estão sob influência do estado) a tomar decisões de inovação nas circunstâncias apontadas neste estudo e melhorar a taxa de sucesso da inovação tecnológica é um importante tópico de pesquisa no campo da gestão da inovação.

No entanto, ainda há pouca pesquisa sobre como os acionistas estatais afetam a decisão de empresas privadas de inovar novamente após ter fracassado na tentativa de implementar uma inovação tecnológica, bem como também há uma falta de atenção ao papel da intervenção governamental nesse processo decisório. A pesquisa existente se concentra principalmente no impacto dos acionistas estatais nas consequências econômicas das empresas privadas. Os estudos analisam a relação entre fracasso e inovação considerando a perspectiva teórica do aprendizado a partir do fracasso, usando entrevistas, estudos de casos múltiplos e métodos de simulação. Além disso, as pesquisas exploram a relação entre o ambiente institucional ou as preferências dos executivos sobre os riscos envolvidos e o fracasso ou uma nova tentativa de se envolver em inovação tecnológica. Além disso, observa-se que não há consenso na literatura. Em primeiro lugar, da perspectiva da relação entre acionistas estatais e as consequências econômicas de empresas privadas, alguns acadêmicos acreditam que a existência de acionistas estatais pode aliviar as restrições de financiamento de empresas privadas, promovendo atividades de inovação tecnológica dessas empresas (Li & Yu, 2015) e melhorando seu desempenho empresarial (Chen, 2015; Luo & Qing, 2019; Zhao et al., 2022). Especialmente quando empresas privadas incorrem em enormes “custos irrecuperáveis” devido a seus fracassos anteriores, a participação de acionistas estatais pode fornecer um suporte significativo para que elas retomem as atividades de inovação após terem experimentado algum fracasso na implementação de inovações tecnológicas. Essas empresas podem evitar ter que abandonar alguns projetos de inovação tecnológica devido ao fluxo de caixa interno insuficiente (He & Gao, 2012), bem como deixar para trás projetos de inovação que podem ser valiosos (mesmo que tenham falhado no passado). Acadêmicos com visões opostas acreditam que a intervenção do capital estatal trará encargos políticos para as empresas privadas, levando-as a contratar mais funcionários desnecessários e a pagar salários mais altos, restringindo o desenvolvimento de atividades de inovação tecnológica e, portanto, reduzindo o desempenho empresarial (Li & Yu, 2015). Em segundo lugar, da perspectiva teórica de aprender com o fracasso e analisar a relação entre fracasso e inovação, alguns acadêmicos acreditam que fracassar traz algum benefício para o desenvolvimento de atividades de inovar novamente em empresas que passaram por experiências de fracasso (Ucbasaran et al., 2010). Acadêmicos com opiniões divergentes argumentam que o fracasso da inovação tecnológica pode causar sofrimento psicológico aos gerentes de negócios, dificultando assim o desenvolvimento de futuras atividades de inovação (Mandl et al., 2016). Finalmente, do ponto de vista da relação entre o apetite ao risco dos executivos ou o ambiente institucional e o fracasso ou a decisão de inovar novamente após o fracasso na implementação de uma inovação tecnológica na empresa, Xiong et al. (2021) acreditam que o ambiente institucional afetará significativamente o desenvolvimento de atividades de reinovação após um fracasso. À medida que a preferência dos executivos em relação ao risco aumenta, a probabilidade de fracasso da inovação tecnológica nas empresas se tornará maior (Zhang et al., 2021); as empresas geralmente optam por buscar inovações novas e arriscadas após um fracasso anterior, negligenciando os benefícios potenciais de projetos de tecnologia que fracassaram (Ye et al., 2021).

Portanto, com base na teoria do crescimento endógeno e na teoria da dependência de recursos, este artigo usa métodos de pesquisa empírica para examinar a relação entre acionistas estatais e a decisão de uma empresa de inovar novamente após ter fracassado em uma tentativa de inovação tecnológica, bem como o papel da intervenção governamental na relação entre tais acionaistas e a empresa. A pesquisa descobriu que acionistas estatais são mais inclinados a apoiar que as empresas privadas invistam em novas inovações após o fracasso, e quanto maior a proporção de participação acionária de acionistas estatais, mais forte o efeito de promover essas novas inovações. A intervenção governamental pode também suprimir o impacto positivo de acionistas estatais na decisão de empreender novas inovações após o fracasso. A conclusão deste estudo fornece uma base teórica e referência de tomada de decisão para o capital estatal intervir em empresas privadas. Ele visa melhorar sua estrutura de governança corporativa, estimular e otimizar sua decisão de reinovação após o fracasso da inovação tecnológica e ajudar o governo a intervir razoavelmente nessas atividades inovadoras.

Diferentemente do observado em pesquisas anteriores que exploraram como a presença de acionistas estatais afeta os resultados econômicos de empresas privadas (Li & Yu, 2015; Luo & Qing, 2019; Zhao et al., 2022), este estudo contribui ao examinar como os acionistas estatais afetam a decisão de empresas privadas de se engajarem em uma nova tentativa de inovar após terem falhado em implementar uma inovação tecnológica. As conclusões podem expandir a pesquisa sobre as consequências econômicas de acionistas estatais e empresas privadas da perspectiva do fracasso da inovação tecnológica, enriquecendo a extensão teórica da teoria da inovação tecnológica. Em segundo lugar, este artigo considera os fatores internos e externos que influenciam as empresas privadas separadamente (Zhang et al., 2021). Ao estudar a relação entre acionistas estatais e a decisão de reinovação de empresas privadas após o fracasso da inovação tecnológica, esta pesquisa considera a relação entre o governo e o mercado e examina o impacto da intervenção governamental entre os dois. As conclusões podem enriquecer a literatura sobre decisões de reinovação de empresas após inovação tecnológica fracassada da perspectiva da intervenção governamental e expandir o escopo de aplicação da teoria da dependência de recursos. Em terceiro lugar, diferentemente de métodos anteriores, como entrevistas, casos múltiplos e simulação para estudar falha de inovação tecnológica ou reinovação (Xiong et al., 2021; Ye et al., 2021), este artigo expande os métodos de pesquisa existentes sobre a falha de inovação tecnológica empresarial por meio de testes de dados empíricos, melhorando a robustez e a credibilidade dos resultados.

O artigo está estruturado da seguinte forma. A seção dois apresenta uma revisão da literatura e a hipótese teórica. A seção três apresenta os métodos empregados, incluindo as principais variáveis, fontes de dados e construção de modelos. A seção quatro apresenta a análise dos resultados empíricos, seguida pela seção cinco com as conclusões e implicações da pesquisa.

ANÁLISE TEÓRICA E HIPÓTESES DE PESQUISA

O impacto dos acionistas estatais na tomada de decisões de reinovação de empresas privadas que fracassaram na implementação de uma inovação tecnológica

A teoria do crescimento endógeno sustenta que a inovação tecnológica é a força motriz por trás do crescimento e desenvolvimento econômico de um país, bem como o fator decisivo para a vantagem competitiva de longo prazo (Zhang et al., 2023). Pesquisas anteriores demonstraram que o sucesso ou fracasso da inovação tecnológica é determinado principalmente pelo cumprimento ou não dos objetivos pretendidos (David, 2016; Gu & Ma, 2020; Xiong et al., 2021). Ao introduzir acionistas estatais, as empresas ficam expostas à influência desses atores na seleção de seus gestores, e consequentemente, nas decisões de inovação tecnológica e em como lidar com o sucesso ou fracasso desse tipo de inovação (Li & Yu, 2015). De acordo com alguns acadêmicos, incorporar acionistas estatais em empresas privadas pode aprimorar sua estrutura de governança e transmitir uma mensagem positiva aos investidores externos de que o governo está pronto para compartilhar riscos com essas empresas. Isso pode atrair mais recursos de inovação tecnológica para empresas privadas, facilitando a aquisição de recursos como subsídios governamentais e empréstimos bancários, o que é benéfico para empresas privadas aliviarem sua situação de subinvestimento e promoverem inovação tecnológica (Luo & Qing, 2019). Alguns acadêmicos defendem a visão de que o problema do principal-agente na participação acionária estatal é mais grave em comparação ao do capital privado. Isso ocorre porque a inclusão de acionistas estatais pode enfraquecer a supervisão interna das empresas, piorar a má conduta da administração e resultar em inovação tecnológica fraca, recursos dispersos e efeitos de crowding-out em empresas privadas (Yuan et al., 2015). Além disso, os acionistas estatais podem avançar sobre os recursos econômicos necessários para o desenvolvimento de empresas privadas para dar conta de seus próprios objetivos políticos, tais como tributação e emprego, resultando no desperdício de recursos de inovação tecnológica (Liang & Feng, 2010). Os acionistas estatais têm um impacto significativo na inovação tecnológica de empresas privadas, seja positiva ou negativa. Portanto, nas atividades contínuas de inovação tecnológica das empresas, a decisão de inovar novamente após o fracasso também será influenciada pelos acionistas estatais. Se uma empresa tenta inovar, mas falha, os acionistas estatais podem sofrer as consequências desse fracasso. Para salvar o projeto e atingir seus próprios objetivos políticos, esses acionistas podem usar capital estatal para reduzir o custo de intervenção para as empresas. Isso pode levar as empresas a diversificar e expandir cegamente, tornando-se, em última análise, ferramentas para o alcance de objetivos políticos (Lian et al., 2011). Além disso, projetos de inovação tecnológica fracassados fazem com que as empresas privadas negligenciem seu valor potencial e escolham cegamente novas inovações com coeficientes de risco mais altos. Elas manterão conexões com acionistas estatais enquanto atendem a seus objetivos políticos, o que as leva a se inclinar para formas inovadoras de maximizar o desempenho político em vez de maximizar os lucros. Com base nessas informações, elaboramos aqui a seguinte hipótese:

  • H1: Acionistas estatais são mais propensos a reduzir a inovação adicional e adotar uma nova ou inédita após a empresa ter fracassado ao tentar implementar uma inovação tecnológica.

  • H2: Quanto maior a porcentagem de acionistas estatais, maior será sua influência na redução da inovação adicional e na adoção de inovações novas ou inéditas nos casos de empresas que tiveram uma experiência de fracasso ao implementar uma inovação tecnológica.

Efeito moderador da intervenção governamental

Com base na teoria da dependência de recursos, a intervenção governamental pode influenciar a inovação corporativa por meio de suporte direto ou indireto em relação ao uso de recursos (Xiong et al., 2021). Durante a reforma orientada ao mercado da China, a intervenção governamental se correlaciona significativamente com a inovação empresarial e frequentemente desempenha um papel decisivo no fluxo e alocação de recursos. O governo influencia as decisões estratégicas das empresas fazendo uso de métodos de intervenção, como finanças, economia e comércio. Isso, por sua vez, afeta as atividades de inovação tecnológica (Castellacci & Lie, 2015). A literatura apresenta duas visões opostas. Alguns acadêmicos apontam que o governo intervém na inovação tecnológica empresarial por meio de ferramentas políticas, como incentivos fiscais e subsídios que aliviam a pressão financeira da inovação tecnológica até certo ponto, reduzem a percepção de risco dos gestores em relação à inovação tecnológica, melhoram o entusiasmo da pesquisa e desenvolvimento empresarial, fornecem recursos suficientes para a inovação tecnológica e promovem a inovação por meio do compartilhamento de conhecimento (Salehi & Alanbari, 2023). Além disso, as intervenções governamentais podem melhorar os resultados da inovação e aumentar sua taxa de sucesso (Jenson et al., 2016), ao mesmo tempo em que ajudam as empresas a reduzir a saída de inovadores da economia digital da perspectiva dessa economia e da proteção ambiental (Zhao & Chen, 2022) e promover a inovação em tecnologia verde em empresas privadas (Bu et al., 2023). Acadêmicos que se opõem a essa visão argumentam que os subsídios governamentais podem não promover a inovação tecnológica nas empresas, mas sim substituir seus próprios gastos com P&D. Em situações em que o sistema moderador é imperfeito, os gerentes podem explorar a assimetria de informações com o governo ou se envolver em atividades de busca de renda com funcionários públicos para obter subsídios indevidamente. Isso pode levar ao desvio de subsídios governamentais para outros fins, resultando, em última análise, em uma diminuição no investimento necessário das próprias empresas em inovação tecnológica (Catozzella & Vivarelli, 2016). Além disso, funcionários do governo tendem a aportar mais subsídios em projetos com maiores taxas de sucesso e retornos de curto prazo, considerando suas próprias realizações e promoção. A intervenção excessiva do governo pode levar os gestores a priorizar a obtenção de benefícios de curto prazo para projetos, o que pode dificultar ou até mesmo prejudicar a inovação tecnológica da própria empresa. Isso pode ter um impacto negativo no fornecimento de recursos e na implementação tranquila das atividades de inovação tecnológica empresarial. Portanto, um equilíbrio entre a intervenção do governo e a autonomia da inovação empresarial é necessário para promover o desenvolvimento tecnológico sustentável (Ma et al., 2010). Caso contrário, pode ocorrer uma situação de promoção seguida de inibição (Zhong & Chen, 2023). Isso indica que a intervenção do governo desempenha um papel crucial nas atividades de inovação tecnológica de empresas privadas. Portanto, quando as empresas se envolvem em atividades de inovação após terem fracassado ao tentar implementar uma outra inovação tecnológica, a intervenção do governo pode influenciar o relacionamento entre acionistas estatais e as empresas. Uma intervenção governamental boa e moderada promoverá a inovação tecnológica empresarial, ajudará as empresas a reduzir a cegueira e escolherá uma “reinovação” razoável após terem experienciado o fracasso.

  • H3: A intervenção do governo desempenha um papel negativo na moderação da relação entre os acionistas estatais e a nova inovação em empresas que experienciaram um fracasso ao tentar implementar uma inovação tecnológica

  • H4: A intervenção do governo desempenha um papel positivo na moderação da relação entre os acionistas estatais e a inovação adicional em empresas que experienciaram um fracasso ao tentar implementar uma inovação tecnológica

MÉTODOS DE PESQUISA

Fontes dos dados

Este artigo focou em empresas da indústria farmacêutica que estão listadas na bolsa de valores (consideradas A-Share) da China, examinando o período de 2011 a 2022. Os dados foram processados excluindo empresas que não foram listadas em todos os anos do período de pesquisa, ou que não apresentam todos os dados, ou que foram monitoradas em virtude de eventos adversos não relacionados com medicamentos.

Primeiramente, a pesquisa usou a versão revisada lançada em 2012 das Diretrizes de Classificação da Indústria da China para Empresas Listadas, bem como aquelas que foram processadas pelas classificações ST, PT, e *ST (respectivamente: empresas que receberam tratamento especial, empresas sob supervisão especial, e empresas que receberam tratamento especial com anotação de alerta). Com base no site oficial da empresa e nos relatórios anuais, 398 empresas de produção associadas a cada empresa listada foram identificadas e pesquisadas por meio do National Population and Health Science Data Sharing Platform (Plataforma Nacional de Compartilhamento de Dados de População e Ciências da Saúde) e do Drug Adverse Reaction Database (Banco de Dados de Reações Adversas a Medicamentos). A inovação tecnológica é julgada com base em se atingiu suas metas esperadas. Quando os pacientes apresentam reações adversas devido ao uso correto de medicamentos qualificados que foram rigorosamente revisados por departamentos relevantes, como os departamentos nacionais ou provinciais de regulamentação de medicamentos, a meta esperada de usar medicamentos para aliviar ou eliminar sintomas não foi alcançada (David, 2016; Ye et al., 2021). Portanto, quando uma empresa listada apresenta eventos de reações adversas a medicamentos em suas empresas afiliadas dentro do período de pesquisa, ela é reconhecida como tendo passado por uma falha de inovação tecnológica. Assim, o estudo identificou um total de 32 empresas.

Em segundo lugar, as informações sobre acionistas estatais foram coletadas manualmente dos relatórios anuais das empresas listadas.

Em terceiro lugar, os dados sobre a intervenção do governo foram obtidos do “Relatório do Índice de Marketização Provincial da China”, publicado por Wang Xiaolu e Fan Gang em 2021. Os dados da amostra do índice “Relações de Mercado Governamental” são correspondidos com base na localização registada das empresas cotadas.

Finalmente, além da organização manual dos dados, todos os outros dados são obtidos dos bancos de dados CSMAR e WIND. Por meio da triagem de amostras acima, um total de 352 amostras de pesquisa válidas foram obtidas.

Definição das principais variáveis

Variável dependente: inovação adicional após o fracasso da inovação tecnológica (ADICIONAL) e empreender uma inovação nova/inédita após esse fracasso (NOVA). Com base na abordagem de David (2016) e Ye et al. (2021), o logaritmo natural do investimento em P&D capitalizado da empresa falida no ano t+1 é usado para medir essa inovação adicional (ADICIONAL). O logaritmo natural do investimento em P&D de despesa de uma empresa falida no ano t+1 mede a inovação inédita após o fracasso (NOVA). A inovação adicional e a nova inovação são duas formas diferentes de inovação após o fracasso da inovação tecnológica empresarial.

Variável independente: acionista estatal (AE1) e proporção de acionista estatal (AE2). os acionistas estatais são acionistas não financeiros, como departamentos governamentais como o Ministério das Finanças e a Comissão Estatal para a Supervisão e Administração dos Ativos do Estado (SASAC). O termo “pessoas jurídicas” se refere a empresas estatais e quatro grandes empresas de gestão de ativos, que incluem subsidiárias de propriedade integral da empresa matriz. Os acionistas “financeiros” incluem principalmente fundos de previdência social, fundos de investimento em títulos, contas de investimento em seguros, contas fiduciárias e contas de fundos bancários. Se os acionistas estatais estiverem entre os 10 maiores acionistas de empresas listadas AE1=1, caso contrário, AE1=0. Além disso, a proporção de acionistas estatais entre os 10 maiores acionistas de empresas listadas é somada como uma medida da proporção de acionistas estatais em empresas privadas listadas AE2. Se não houver nenhum acionista estatal entre os dez maiores acionistas, então AE2=0.

Variável moderadora: intervenção governamental (GOVERNO). Dadas as condições nacionais únicas da China, durante a reforma orientada para o mercado ocorrida no país, os governos locais ganharam muitos recursos, levando a uma alocação de recursos e infraestrutura controlada por meio do planejamento. Para obter recursos suficientes para inovação, as empresas devem manter um bom relacionamento com o governo, o que reduz riscos de inovação e ajuda a garantir uma implementação tranquila. No entanto, a intervenção governamental excessiva pode fazer com que os gerentes empresariais prefiram projetos lucrativos de curto prazo e reduzam o apoio do governo às atividades de inovação exploratória. O índice “relacionamento entre o governo e o mercado” envolve vários indicadores secundários que impactam significativamente a alocação de recursos econômicos. Esses indicadores incluem a extensão da intervenção governamental em empresas, a proporção de recursos econômicos alocados pelo mercado, a redução da carga tributária extra das empresas e a redução do tamanho do governo. Esses fatores podem oferecer uma melhor compreensão do papel do governo na alocação de recursos, o impacto da expansão do governo nas atividades regulares do mercado e o nível de intervenção governamental em empresas. Este artigo emprega o índice “governo-mercado” para medir a intervenção governamental (GOVERNO).

Variáveis de controle: Com base na pesquisa de David (2016), Xiong et al. (2021), Gu e Ma (2020), Luo e Qing (2019) e Ye et al. (2021), este artigo também controla variáveis como tamanho da empresa (TAMANHO), ou seja, o logaritmo natural do total de ativos no final do ano, a proporção de diretores independentes (PDI), ou a proporção do número de diretores independentes para o número de diretores, crescimento da empresa (CRESCIMENTO), ou a taxa de crescimento da receita operacional principal, retorno sobre ativos (ROE), ou a proporção do lucro líquido para a média dos ativos totais, nível de recursos tecnológicos (TECH), ou a proporção das despesas de pesquisa e desenvolvimento da empresa para a receita operacional principal, falha da inovação tecnológica (FALHAINOVA), ou seja, uma variável fictícia onde 1 indica reações adversas a medicamentos e 0 indica nenhuma reação adversa a medicamentos e ano (ANO), ou seja, uma variável fictícia que indica se a empresa foi listada na pesquisa de 2011-2021.

Construção do modelo

Este artigo usa dados da proporção de ações de acionistas estatais e acionistas estatais no período t-ésimo, considerando a inovação adicional e a nova inovação no período t+1 após o fracasso da inovação tecnológica experienciado pela empresa para análise de regressão. Esse tratamento segue a pesquisa de acadêmicos como Ye et al. (2021) e a perspectiva da tomada de decisão dos gestores. Com base nessa justificativa, quando uma empresa experimenta uma falha de inovação tecnológica no ano t, os acionistas estatais influenciarão a decisão de inovar novamente de acordo com seus próprios interesses. Portanto, para mitigar o impacto de questões de endogeneidade nos resultados empíricos, inovações novas e adicionais após o fracasso em uma tentativa de implementar uma inovação tecnológica são atrasadas no processamento de uma fase. O modelo de regressão que correlaciona a proporção de ações de acionistas estatais com inovações novas e adicionais após a inovação tecnológica fracassada é:

(1) ADICIONAL ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 1 ( i , t ) + β 2 TAMANHO ( i , t ) + β 3 PDI ( i , t ) + β 4 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 5 R O E ( i , t ) + β 6 TECH ( i , t ) + β 7 FALHAINOVA ( i , t ) + + μ ( i , t )
(2) NEW ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 1 ( i , t ) + β 2 TAMANHO ( i , t ) + β 3 PDI ( i , t ) + β 4 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 5 R O E ( i , t ) + β 6 TECH ( i , t ) + β 7 FALHAINOVA ( i , t ) + + μ ( i , t )
(3) ADICIONAL ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 2 ( i , t ) + β 2 TAMANHO ( i , t ) + β 3 PDI ( i , t ) + β 4 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 5 R O E ( i , t ) + β 6 TECH ( i , t ) + β 7 FALHAINOVA ( i , t ) + + μ ( i , t )
(4) NEW ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 2 ( i , t ) + β 2 TAMANHO ( i , t ) + β 3 PDI ( i , t ) + β 4 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 5 R O E ( i , t ) + β 6 TECH ( i , t ) + β 7 FALHAINOVA ( i , t ) + + μ ( i , t )

Este artigo examina o impacto da intervenção governamental como uma variável moderadora do modelo original:

(5) ADICIONAL ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 1 ( i , t ) + β 2 GOVERNO ( i , t ) + β 3 AE 1 GOVERNO ( i , t ) + β 4 TAMANHO ( i , t ) + β 5 P D I ( i , t ) + β 6 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 7 ROE ( i , t ) + β 8 TECH ( i , t ) + β g FALHAINOVA ( i , t ) + μ ( i , t )
(6) NOVA ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 1 ( i , t ) + β 2 GOVERNO ( i , t ) + β 3 AE 1 GOVERNO ( i , t ) + β 4 TAMANHO ( i , t ) + β 5 P D I ( i , t ) + β 6 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 7 ROE ( i , t ) + β 8 TECH ( i , t ) + β g FALHAINOVA ( i , t ) + μ ( i , t )
(7) ADICIONAL ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 2 ( i , t ) + β 2 GOVERNO ( i , t ) + β 3 AE 1 GOVERNO ( i , t ) + β 4 TAMANHO ( i , t ) + β 5 P D I ( i , t ) + β 6 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 7 ROE ( i , t ) + β 8 TECH ( i , t ) + β g FALHAINOVA ( i , t ) + μ ( i , t )
(8) NOVA ( i , t + 1 ) = α + β 1 AE 2 ( i , t ) + β 2 GOVERNO ( i , t ) + β 3 AE 1 GOVERNO ( i , t ) + β 4 TAMANHO ( i , t ) + β 5 P D I ( i , t ) + β 6 CRESCIMENTO ( i , t ) + β 7 ROE ( i , t ) + β 8 TECH ( i , t ) + β g FALHAINOVA ( i , t ) + μ ( i , t )

Onde, ADICIONAL(i,t+1) e NOVA(i,t+1) são a inovação adicional e a nova/inédita após o fracasso na tentativa da enésima empresa da amostra de implementar uma inovação tecnológica no período t +1, respectivamente. As variáveis AE1(i,t) e AE2(i,t) representam a proporção de participação acionária dos acionistas estatais e dos acionistas estatais no i-ésimo período da empresa da amostra t. GOVERNO1(i,t), AE1*GOVERNO(i,t), AE2*GOVERNO(i,t) representam o nível de intervenção governamental e o efeito moderador da intervenção governamental na i-ésima empresa da amostra durante o período t, respectivamente. TAMANHO(i,t), PDI(i,t), CRESCIMENTO(i,t), ROE(i,t), TECH(i,t), e FALHAINOVA(i,t), representam o tamanho da empresa, a proporção de diretores independentes, o crescimento da empresa, o retorno sobre os ativos da empresa, seu nível de recursos técnicos da empresa e o fracasso da inovação tecnológica da empresa no período t da i-ésima empresa da amostra. Para reduzir a multicolinearidade, os termos de interação foram centralizados durante a regressão. O software STATA 17 foi usado para análise estatística.

RESULTADOS DA ANÁLISE DA REGRESSÃO

O impacto dos acionistas estatais na tomada de decisões de reinovação de empresas privadas que fracassaram na implementação de uma inovação tecnológica

Do modelo de regressão de referência nas colunas 1 a 4 da Tabela 1, após o fracasso da inovação tecnológica, não há correlação significativa entre a proporção dos acionistas estatais e a inovação adicional. A proporção de acionistas estatais e o número de acionistas participantes estatais tem uma correlação positiva significativa com a inovação nova/inédita nos níveis de 1% e 5%, respectivamente. Como parte do investimento em P&D da empresa, os investimentos adicionais e novos em inovação somam-se ao investimento total nesse item. Portanto, quando o investimento anual total em P&D permanece o mesmo, o novo investimento em inovação por parte de uma empresa que experimentou um fracasso na tentativa de inovar aumentará por causa da participação de acionistas estatais. Isso quer dizer que há uma diminuição no investimento em inovação adicional, confirmando a hipótese H1. Além disso, quanto maior a a participação dos acionistas estatais na companhia, mais as chances de promoverem inovação inédita, confirmando a hipótese H2.

Tabela 1
Teste de regressão de referência e endogeneidade

O modelo de regressão de referência controlou variáveis relevantes, mas ainda pode haver problemas de endogeneidade causados por variáveis ausentes. Isso pode resultar em erros nos resultados. Para abordar essa preocupação, o método de processamento de Zhao et al. (2022) foi adotado, usando dados defasados de variáveis independentes de um período como a variável instrumental e o modelo 2SLS para teste. (Devido as restrições no tamanho do artigo, apenas os resultados da regressão do segundo estágio do modelo 2SLS serão apresentados aqui). Com base nos dados apresentados na Tabela 1, parece que, entre as empresas da amostra que fracassaram ao tentar implementar uma inovação tecnológica, não há correlação significativa entre a porcentagem de acionistas estatais e o nível de inovação adicional aplicada no caso dos esforços de inovação tecnológica da empresa, após o fracasso da inovação tecnológica empresarial, a nova inovação é significativamente correlacionada positivamente com a proporção de participação acionária dos acionistas participantes estatais e acionistas participantes estatais no nível de 1%. Depois de abordar potenciais problemas de endogeneidade, as descobertas da pesquisa se alinham com os resultados da regressão de referência.

Teste de robustez

(1) Alterar o método de estimativa. A viabilidade do método dos mínimos quadrados generalizados (FGLS) foi testada novamente. Ao comparar as conclusões da pesquisa nas Tabelas 1 e 2, pode-se concluir que o teste de robustez usando o modelo de regressão FGLS é consistente com as conclusões básicas da regressão do painel.

Tabela 2
Resultados de Regressão FGLS

(2) Adicionar variáveis de controle. Referindo-se aos métodos de pesquisa de Ye et al. (2021), novas variáveis de controle, como a integração do presidente do conselho e do gerente geral (GERENTE) e o grau de separação entre os dois poderes (PODER), foram adicionadas. De acordo com as conclusões da pesquisa na Tabela 3, pode-se concluir que a adição de múltiplas variáveis de controle para teste de robustez produziu resultados que são consistentes com a conclusão básica da regressão do painel.

Tabela 3
Resultados da Regressão de Variáveis de Controle Adicionadas

Por meio dos diferentes métodos acima, foram conduzidos testes de robustez. Os resultados nas Tabelas 2 e 3, foram consistentes com a conclusão original, indicando que os resultados são rebustos.

Efeito regulatório da intervenção governamental

Na regressão de referência mencionada anteriormente, a proporção de participação acionária de acionistas estatais e o número desses acionistas não teve um impacto significativo na inovação adicional nas empresas. Portanto, conforme observado na Tabela 4, embora o termo multiplicador entre a intervenção governamental e a proporção de participação acionária de acionistas estatais tenha um impacto significativo na inovação adicional, não se pode considerar que a intervenção governamental tenha um efeito moderador na proporção de participação acionária e inovação adicional. Portanto, a hipótese H4 não foi confirmada. Os resultados da regressão de referência indicam uma correlação positiva significativa (em nível de 5% e 1%) entre acionistas estatais, a proporção de acionistas estatais e a nova inovação. Além disso, a Tabela 4 mostra que o termo de cruzamento entre acionistas estatais e intervenção governamental (AE1*GOVERNO) é significativamente correlacionado negativamente com a inovação inédita em um nível de 5%, confirmando a hipótese H3. Após a empresa ter experimentado fracasso na tentativa de implementar uma inovação tecnológica, observou-se que a intervenção governamental tem um efeito moderador negativo significativo entre os acionistas estatais e a aplicação de uma inovação inédita quando a empresa busca inovar novamente.

Tabela 4
O Efeito Regulatório da Intervenção Governamental

DISCUSSÃO

Os resultados da análise empírica confirmaram as hipóteses H1 e H2. Essas conclusões de pesquisa representam um avanço na literatura. Em primeiro lugar, embora Luo e Qing (2019) e Li e Yu (2015) apoiem a ideia de que acionistas estatais podem promover a inovação na empresa, suas pesquisas ignoram que a essência da inovação tecnológica corporativa é um processo de inovação contínua com base no fracasso ou sucesso (Ye et al., 2021). No processo de inovação tecnológica, as empresas podem encontrar falhas; elas podem escolher investir em inovação adicional para os projetos que falham ou investir em projetos de inovação inteiramente novos (David, 2016). Este estudo examina a inovação tecnológica na empresa, explorando a decisão de inovar novamente diante do fracasso e o impacto dos acionistas estatais no processo. É óbvio que os acionistas estatais são mais propensos a reduzir a inovação adicional e adotar novas inovações nas circunstâncias estudadas aqui. Quanto maior a porcentagem de acionistas estatais, maior sua influência na redução da inovação adicional e na promoção da adoção de novas inovações. As conclusões da pesquisa podem ser mais abrangentes e aprofundadas.

Em segundo lugar, a perspectiva deste estudo não se limita à visão da equipe executiva ou do ambiente institucional em relação ao fracasso ou à reinovação da inovação tecnológica empresarial, como Gu e Ma (2020), Ye et al. (2021), Xiong et al. (2021), Zhang et al. (2021) e outros fizeram. Em terceiro lugar, a pesquisa de Zhang et al. (2021) usou entrevistas e estudos de caso para examinar o fracasso da inovação corporativa, na perspectiva de aprender com as falhas. Em vez disso, os métodos de pesquisa empírica deste artigo foram usados para ir além das escolhas metodológicas desses autores e produzir conclusões mais confiáveis. A conclusão de H1 e H2 pode ser devido aos atributos de identidade exclusivos dos acionistas estatais e à capacidade de fornecer recursos governamentais, facilitar políticas de empréstimos bancários, crédito, informações e outras formas de suporte para empresas privadas realizarem inovação tecnológica. O preconceito das empresas contra o fracasso da inovação tecnológica e sua crença em ter recursos tecnológicos suficientes pode levar ao desejo de obter resultados de inovação tecnológica correspondentes por meio de novas inovações. No entanto, isso pode levar ao desperdício de recursos de empresas privadas, pois elas tentam se recuperar de decisões erradas tomadas em experiências passadas em relação à inovação tecnológica. Em alguns casos, acionistas estatais e gerentes de empresas privadas podem transformar empresas privadas em ferramentas políticas para atingir seus próprios objetivos e atender aos interesses políticos de acionistas estatais. Isso pode acontecer quando projetos anteriores de inovação tecnológica falham, e ambas as partes buscam manter seu relacionamento e futuro político. Como resultado, empresas privadas podem ignorar o valor potencial de projetos fracassados e buscar cegamente novas inovações com um coeficiente de risco mais alto. Elas esperam obter novas tecnologias ou produtos para compensar o fracasso anterior causado por acionistas estatais, lutar contra dúvidas externas e salvar seu futuro político.

Além disso, de acordo com os resultados da análise empírica neste artigo, pode-se ver que a suposição H3 é válida. De acordo com Bu et al. (2023) e Yuan et al. (2015), a intervenção governamental promove a inovação corporativa. No entanto, ao estudar a relação entre acionistas estatais e inovação tecnológica corporativa, os pesquisadores ignoraram a questão da tomada de decisão de reinovação após o fracasso da inovação tecnológica. Eles não consideraram a intervenção governamental como uma variável moderadora para examinar o papel da intervenção governamental na relação entre os dois. Portanto, a conclusão da pesquisa deste artigo representou um avanço em relação às conclusões de acadêmicos anteriores. A conclusão de H3 é que os acionistas estatais estão obrigando as empresas privadas a buscar novas inovações cegamente após o fracasso da inovação tecnológica com um coeficiente de risco mais alto. Isso é feito para proteger seus interesses políticos. A intervenção governamental eficaz pode ajudar os acionistas estatais a avaliar objetivamente os resultados de falhas anteriores de inovação tecnológica. Isso pode impedi-los de ignorar o valor potencial de projetos de inovação tecnológica fracassados para seus próprios interesses políticos e desencorajar o desenvolvimento cego de novas inovações após o fracasso da inovação tecnológica com um coeficiente de risco mais alto.

CONCLUSÃO

Este artigo examina uma amostra de empresas farmacêuticas chinesas listadas na bolsa do país como “A-Share” de 2011 a 2022 para observar o impacto dos acionistas estatais e a proporção da participação acionária em duas diferentes decisões das empresas privadas sobre inovar novamente após experienciarem um fracasso ao tentar implementar uma inovação tecnológica. A decisão de implementar uma inovação adicional ou uma inovação nova/inédita. A pesquisa sugere que a presença de acionistas estatais em empresas que experimentaram um fracasso tem mais probabilidade de reduzir a inovação adicional e adotar uma nova inovação. Quanto maior a porcentagem de acionistas estatais, maior sua influência na redução da inovação adicional e na promoção da adoção de nova inovação nessas empresas. Enquanto isso, a intervenção do governo tem um efeito moderador negativo significativo entre os acionistas estatais e a implementação de uma inovação inédita nas empresas que falharam no passado; quando o governo intervém mais, os acionistas estatais têm menos impacto na promoção de nova inovação após o fracasso. Este artigo enriquece teoricamente a pesquisa sobre inovação tecnológica na teoria do crescimento endógeno e complementa a pesquisa sobre intervenção governamental na teoria da dependência de recursos. Na prática, visa fornecer uma referência de tomada de decisão para empresas privadas para melhorar sua estrutura de governança, introduzindo ações de capital estatais e departamentos governamentais relevantes para estimular e otimizar sua decisão de inovar novamente por meio de intervenção apropriada na inovação tecnológica de empresas privadas.

Com base nas conclusões acima, as seguintes implicações de gestão podem ser extraídas:

Os acionistas estatais devem tratar o problema do fracasso na implementação de inovações tecnológicas objetivamente, a partir da perspectiva do desenvolvimento de longo prazo da empresa e não devem motivá-la a escolher cegamente a decisão de inovar novamente buscando interesse próprio pessoal ou político. As descobertas do estudo mostram que a presença de acionistas estatais leva as empresas privadas a escolher reduzir a inovação adicional e aumentar a prática de buscar uma inovação inédita após experienciarem um fracasso ao tentar implementar uma inovação tecnológica. Entretanto, a diferença de risco entre a nova inovação e a inovação adicional é enorme, e as empresas já incorreram em enormes custos irrecuperáveisdevido a falhas anteriores. Se os acionistas estatais ignorarem ainda mais o valor potencial dos projetos de inovação tecnológica fracassados da empresa e instarem a empresa a realizar cegamente uma nova inovação, isso aumentará o desperdício dos recursos limitados de inovação tecnológica da empresa e também prejudicará a confiança da empresa na inovação contínua. Portanto, os acionistas estatais devem tratar objetivamente o problema do fracasso da inovação tecnológica e o desenvolvimento de longo prazo das empresas para ajudar as empresas privadas a resumir calmamente a experiência do fracasso e auxiliar os gerentes de empresas privadas a fazer inovações tecnológicas razoáveis após um eventual fracasso da decisão de inovar novamente. Os acionistas não devem se orgulhar de seu status de “propriedade estatal”, buscar interesses pessoais ou políticos ou usar empresas privadas como uma ferramenta política. Esses comportamentos geram expectativas de aumento de investimento em novas inovações após o fracasso da inovação tecnológica e de investimentos no acesso a novas tecnologias ou produtos para lidar com as demandas desses acionistas estatais (que pressionam o setor privado a inovar cegamente, potencialmente prejudicando as empresas). Isso leva a ignorar o valor potencial de projetos de inovação tecnológica que fracassaram, causando desperdício de recursos das empresas.

Os departamentos governamentais relevantes devem intervir na implementação cega de novas inovações por empresas privadas devido aos interesses pessoais ou políticos dos acionistas estatais. A conclusão da pesquisa indica que a presença de acionistas estatais pode levar as empresas a escolherem reduzir a inovação adicional e aumentar a nova inovação. No entanto, a intervenção do governo pode enfraquecer significativamente a influência dos acionistas estatais em buscar a inovação inédita. Portanto, a intervenção em tempo real por departamentos governamentais relevantes pode encorajar os acionistas estatais a tratarem a si próprios de forma mais racional como uma “ponte” entre o governo e as empresas privadas. Assim, esses acionistas podem auxiliar objetivamente as empresas na tomada de decisões de inovar novamente após terem fracassado ao tentar implementar uma inovação tecnológica considerando uma perspectiva de desenvolvimento de longo prazo. Ainda, a intervenção inibe que acionistas estatais tratem as empresas privadas como ferramentas políticas a serviço de seus interesses pessoais ou políticos, previne que ignorem o valor potencial de projetos de inovação tecnológica que fracassaram no passado e que implementem cegamente novas inovações. Essa providência reduz o desperdício de recursos destinados a inovação tecnológica.

  • FINANCIAMENTO
    O Departamento Provincial de Educação de Ciências Humanas e Sociais Projeto Juvenil da China [Hubei Provincial Department of Education Humanities and Social Sciences Youth Project of China ] (Grant No.: 22Q084)
    Projeto do Fundo Nacional de Juventude para Ciências Sociais [National Social Science Youth Fund Project] (20CGL038)
  • Avaliado pelo sistema de revisão duplo-anônimo.
  • Os revisores não autorizaram a divulgação de sua identidade e relatório de avaliação por pares.

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Editado por

  • Editor Associado:
    Fu-Sheng Tsai

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Jan 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    22 Mar 2024
  • Aceito
    02 Set 2024
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