Este artigo analisa o uso do fetichizado termo “revolução” como categoria da prática no Haiti e em Cuba em diferentes momentos históricos, argumentando que essa palavra-chave amiúde implica e ajuda a produzir uma temporalidade de retornos e repetições de vários passados, e não apenas rupturas e futuros, como os cientistas sociais normalmente pressupõem. As seções sobre o Haiti baseiam-se em pesquisa de arquivo, examinando o período entre o final do século XVIII e o final do século XX. O componente cubano tem carácter etnográfico e baseia-se sobretudo em trabalho de campo realizado no início do século XXI. Debatendo com as antropologias do tempo e da história, com discussões interdisciplinares sobre a ideia de “revolução” e com a literatura antropológica recente sobre revoluções, o artigo mobiliza os casos haitiano e cubano para sustentar que alguns usos modernos da palavra-chave “revolução” combinam seu significado sociopolítico com a temporalidade de seu sentido astronômico.
PALAVRAS-CHAVE
Revolução; temporalidade; antropologia da história; Haiti; Cuba