Trabalhar em uma maternidade envolve a escuta dos efeitos mobilizadores que a chegada de um filho tem sobre a vida psíquica dos pais. O tempo de espera de uma criança também inclui um tempo de construção da parentalidade. A questão que aqui levantamos é o desafio da inscrição na parentalidade diante de situações de perdas perinatais. No caso de bebês natimortos ou que nascem e vivem por pouco tempo, os pais se deparam com um duplo encontro com o real: a chegada do bebê que é, por sua vez, também uma despedida. Propomos retomar a noção de trauma na psicanálise a fim de discutir alguns aspectos em torno dos impactos da perda perinatal para a inscrição na parentalidade.
Palavras-chave:
parentalidade; trauma; real; psicanálise; maternidade; caso clínico