Open-access O conceito de cuidado nas Encíclicas Laudato Si’ e Fratelli Tutti: um olhar a partir da Teologia Feminista da Libertação

The Concept of Care in the Encyclicals Laudato Si’ and Fratelli Tutti: A Perspective from Feminist Liberation Theology

RESUMO

O paradigma do cuidado é uma referência teológica, filosófica, antropológica e política nas encíclicas Laudato Si’ (2015) e Fratelli Tutti (2020), escritas pelo Papa Francisco. Laudato Si’ apresenta o cuidado com a Casa Comum e a Fratelli Tutti o cuidado é entendido como Amizade Social. Desta forma, o Papa busca enfrentar de forma global a crise socioambiental e humana. Este artigo analisa o conceito de cuidado em ambos os documentos papais, problematizando a falta de referência ao protagonismo das mulheres no cuidado da Casa Comum como na construção da Amizade Social. A metodologia é bibliográfica, baseada na análise documental das duas encíclicas e no diálogo crítico com autoras da teologia feminista. Conclui-se que o cuidado da Casa Comum, da construção da Amizade Social necessitam da inclusão da justiça de gênero, afirmando a dignidade e os direitos de todas as pessoas e de toda a criação.

PALAVRAS-CHAVE
Cuidado; Casa Comum; Amizade Social; Protagonismo das mulheres; Laudato Si’ ; Fratelli Tutti

ABSTRACT

The paradigm of care is a theological, philosophical, anthropological, and political reference in the encyclicals Laudato Si’ (2015) and Fratelli Tutti (2020), written by Pope Francis. Laudato Si’ presents care for our common home, and in Fratelli Tutti, care is understood as social friendship. In this way, the Pope seeks to address the socio-environmental and human crisis globally. This article analyzes the concept of care in both papal documents, problematizing the lack of reference to the protagonism of women in the care of our common home as well as in the construction of social friendship. The methodology is bibliographic, based on the documentary analysis of the two encyclicals and on critical dialogue with authors of feminist theology. It is concluded that caring for our common home and building social friendship require the inclusion of gender justice, affirming the dignity and rights of all people and all of creation.

KEYWORDS
Care; Common home; Social friendship; Women’s empowerment; Laudato Si’. Fratelli Tutti

Introdução

A Encíclica Laudato Si’ (“Louvado sejas”), do Papa Francisco, foi assinada em 24 de maio de 2015 e publicada oficialmente em 18 de junho do mesmo ano. A carta gerou um expressivo impacto global, especialmente ao abordar as alterações climáticas sob a ótica da ecologia integral. Com repercussão mundial, o documento foi traduzido para múltiplos idiomas e dialetos, consolidando-se como um marco no debate socioambiental. Posteriormente, em 4 de outubro de 2020, por ocasião da festa de São Francisco de Assis, foi publicada a terceira encíclica, Fratelli Tutti (“Todos irmãos”). Ambos os documentos convergem na dimensão do cuidado: enquanto a LS foca no cuidado da “Casa Comum”, a FT detém-se no cuidado como Amizade Social. O presente artigo reflete sobre o conceito de cuidado e o cuidar em ambas cartas papais, identificando as suas aproximações e diferenças. Aponta para a importância do paradigma do cuidado, como modo de estar, ser e agir, nas relações e interrelações com a Casa Comum e na construção da Amizade Social. Problematiza, no entanto, a partir da Teologia Feminista, a ausência do protagonismo das mulheres na dimensão ética e prática do cuidado da criação e da construção da Amizade Social. A metodologia é bibliográfica, baseada na análise documental das duas encíclicas e no diálogo crítico com a Teologia Feminista. A metodologia utilizada é bibliográfica, análise das duas Cartas Encíclicas do Papa Francisco sob a ótica do cuidado e do cuidar. O artigo está organizado em cinco seções: As duas primeiras tratam da carta Laudato Si’, a terceira e quarta seção da Fratelli Tutti e a última para não finalizar, um olhar da Teologia Feminista da Libertação para a dimensão do cuidado nas encíclicas.

1 Laudato Si’: aspectos iniciais para entender a carta

O Papa Francisco não somente adotou o nome de Francisco, como tem uma grande conexão com a história e a teologia de São Francisco de Assis. O título da Encíclica LS foi tomado do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis e trata sobre o cuidado da Casa Comum. O exemplo de Francisco de Assis convoca a todas as pessoas a exercer o cuidado de toda a criação.

O documento foi assinado pelo Papa Francisco em 24 de maio de 2015 e publicada em 18 de junho do mesmo ano, composta por 246 parágrafos e está estruturada em seis capítulos, precedidos por uma introdução e finalizados com duas orações. O documento direcionado para além da comunidade católica inicia lembrando que São Francisco de Assis cantava “Laudato si’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor”, agradecendo por toda a criação.

Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras” (LG, n. 1).

Na introdução (16 parágrafos) o Papa Francisco estabelece a necessidade do cuidado da “Casa Comum”, coloca-se historicamente, recordando a reflexão e a atuação de seus antecessores no magistério. A encíclica é atravessada por alguns temas que envolvem

a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida (LG, n. 16).

A introdução é seguida por seis capítulos e cada capítulo tem a sua temática própria. João Vitor Santos e Ricardo Machado (2015, não paginado) afirmam que a escrita do “documento foi inspirado pela metodologia da Teologia da Libertação: ver, julgar e agir”. O capítulo I (45 parágrafos) trata sobre “o que está acontecendo com nossa casa”, apontando o diagnóstico, a partir da dimensão ver. O cuidado é apontado como escuta dos danos que afetam a Casa Comum: poluição, alterações climáticas, problemas com a água, a perda de biodiversidade entre outros danos. Segundo Suess (2017, p. 32), “o significado do ‘cuidado’ da 'casa comum’, na LS, é o ‘cuidado da vida comum’ em sua microestrutura vivencial e em sua macroestrutura cósmica”.

Os capítulos II, III e IV tratam da dimensão do julgar, a partir de aportes epistemológicos (históricos, teológicos, bíblicos, direitos humanos), buscando discernir as questões que afetam a Casa Comum. O capítulo II (39 parágrafos), tem como tema o Evangelho da criação e reflete bíblica e teologicamente sobre a responsabilidade humana perante a Casa Comum. O III capítulo (36 parágrafos) reflete sobre a raiz humana da crise ecológica e critica o paradigma tecnocrático e antropocêntrico. O capítulo IV (26 parágrafos) propõe o conceito ecologia integral, unindo as dimensões ambiental, econômica, social e cultural, objetivando relações justas entre as gerações (intergeracionais), a partir do bem comum. O bem comum desempenha “um papel central e unificador na ética social” (LG, n. 156).

Os capítulos V e VI estão focados no agir. O Capítulo V (39 parágrafos) apresenta “algumas linhas de orientação e ação”. O diálogo sobre o meio ambiente na política internacional, para novas políticas nacionais e locais, com processos transparentes para superar as diferentes crises climáticas é entendido como uma ação necessária e urgente. A política e a economia necessitam estar em diálogo para a plenitude humana. O diálogo também precisa se realizar entre as religiões e a ciência. O Capítulo VI trata da educação e espiritualidade ecológicas (45 parágrafos). Educar é um ato político, como afirma Paulo Freire (1982, p. 97), pois objetiva transformação de pessoas, contextos e realidades. Educar para a espiritualidade do cuidado objetiva relações éticas que envolvem não somente as pessoas, mas toda a criação. O cuidado é entendido como conversão e prática ecológica, materializado em novos estilos de vida. Maria e José são colocados como exemplo de conversão e cuidado. Maria é colocada como “Rainha da Criação”, protetora materna que ensina a desenvolver atitudes de sabedoria diante da criação. José é mencionado como o protetor humilde, que demonstra o cuidado no trabalho e na defesa da vida. A encíclica encerra com duas orações: Oração pela nossa terra e Oração cristã com a criação.

2 Dimensões do cuidado na Encíclica Laudato Si’ (Louvado Sejas)

“Sobre o cuidado da Casa Comum” é o subtítulo da encíclica LS. A palavra cuidado aparece 38 vezes no documento e o verbo cuidar 17 vezes, sendo, portanto, um conceito central em todo o documento. O cuidado é apontado como fundamentação para o discernimento sobre o que está acontecendo com a Casa Comum e está relacionado com três eixos epistemológicos: teológico, filosófico-antropológico e sociopolítico. O eixo teológico entende a criação como dom de Deus e o cuidado como resposta humana. “Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades” (LG, n. 14). A criação é uma herança comum cujos frutos devem beneficiar a todas as pessoas, conforme LG, n. 76:

Na tradição judaico-cristã, dizer “criação” é mais do que dizer natureza, porque tem a ver com um projeto de amor de Deus, em que cada criatura tem um valor e um significado. A natureza entende-se habitualmente como um sistema que se analisa, compreende e gere, mas a criação só se pode conceber como um dom quem das mãos abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunhão universal.

A criação como dom de Deus chama para a comunhão universal. Entende-se, portanto, que o eixo filosófico-antropológico aponta o cuidado como constitutivo do ser humano. “Um mundo frágil, com um ser humano a quem Deus confia o cuidado do mesmo, interpela a nossa inteligência para reconhecer como deveremos orientar, cultivar e limitar o nosso poder" (LG, n. 78). Nesta direção, aproxima-se das reflexões de Leonardo Boff (1999, p. 34):

[...] o cuidado se encontra na raiz primeira do ser humano, antes que ele faça qualquer coisa. E, se fizer, ela sempre vem acompanhada de cuidado e imbuída de cuidado. Significa reconhecer o cuidado como um modo-de-ser, sempre presente e irredutível à outra realidade anterior. É uma dimensão fontal, originária, ontológica, impossível de ser totalmente desvirtuada.

Segundo Leonardo Boff (2012, p. 21), “[...] o cuidado nos faz seres verdadeiramente éticos que assumem responsabilidade pelo bem-viver humano e ambiental, solidário [...]”. De acordo com o autor citado

O que se opõe ao cuidado é o descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro (Boff, 1999, p. 33).

Boff também afirma “Não temos cuidado. Somos cuidado. Isto significa que o cuidado possui uma dimensão ontológica que entra na constituição do ser humano. É um modo-de-ser singular do homem e da mulher. Sem cuidado deixamos de ser humanos” (Boff, 2005, p. 28). O cuidado necessita ser ensinado, aprendido e recuperado como um modo de ser que se interrelaciona com o todo. O cuidado compromete a ação das pessoas visando o bem comum (Suess, 2017, p. 25-28). É uma atitude de envolvimento e de compromisso. O cuidado é um ato essencial à existência humana, tem, portanto, um sentido verbal inato. O cuidado envolve atitude, ação, compromisso, mudança. A encíclica do Papa Francisco afirma que o cuidado necessita ser estendido a toda criação, em suas particularidades e contextos. A criação é um dom de Deus, que busca a comunhão universal de cuidado.

Neste sentido, é fundamental o eixo sociopolítico, isto é, entender o cuidado como ética pública, que vai além do compromisso individual. O cuidado opõe-se ao paradigma tecnocrático e manifesta-se na justiça social e na proteção dos mais vulneráveis (os “pobres crucificados”). O cuidado na LS deixa de ser uma gestão técnica de recursos para se tornar uma resposta espiritual e ética ao clamor da terra e ao clamor dos pobres. “Os gemidos da irmã terra [...] se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo. Nunca maltratamos e ferimos nossa Casa Comum com nos últimos séculos” (LG, n. 53).

Neste sentido, Luís Gabriel Provinciatto e Felipe de Queiroz Souto entendem que, o cuidado, na encíclica, necessita ser entendido num sentido triplo como adjetivo, substantivo e verbo. Esse triplo uso pode ser visto no subtítulo sobre o cuidado da Casa Comum:

em primeiro lugar, “cuidado” aí nomeia a ação que deve ser posta em prática no que diz respeito ao zelo da Casa Comum, tratando-se, pois, de um ato que sente a e se sente na Casa Comum. E mais: que a pensa, logo, que se põe a pensar esse modo de pertencimento, como dá a ver a raiz latina do verbo. Nesse sentido, “cuidado” nomeia um específico modo de pertencimento à Casa Comum, dizendo respeito inclusive à qualidade da relação que deve ser com ela estabelecida (Provinciatto; Souto, 2025, p. 78-19).

O cuidado não é somente um adjetivo, isto é, algo que qualifica uma ação. O uso adjetivado do cuidado permite que continuemos a produzir e a consumir sob o mesmo paradigma, apenas tentando agredir “menos” o ambiente. Se o cuidado é apenas um adjetivo, ele pode ser descartado se a rentabilidade ou o interesse político assim o exigirem. O cuidado como adjetivo é útil, mas insuficiente, é algo que podemos ou não aplicar.

O cuidado, como já mencionado é um ato essencial à existência de toda Casa Comum. Segundo os autores mencionados, o cuidado “quando substantivado, ele não só nomeia o ato posto em ação, mas também já o qualifica implicitamente”. Quando o cuidado é usado como substantivo, ele deixa de ser um acessório da ação humana e passa a ser um modo de ser e estar na Casa Comum. O cuidado como substantivo nos define como seres de cuidado. O §5 afirma: “Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas ‘nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades’” (LS, n. 5).

Esta mudança/conversão necessária faz do cuidado um modo específico de pertencimento à Terra, um nome que está imbuído de uma ação, de um verbo: cuidar. O verbo cuidar envolve a ação de pensar, de sentir, curar. O cuidado exige o envolvimento integral das pessoas e também da sociedade, objetivando transformações na forma de relacionamento com a criação. É necessário questionar as estruturas de poder, os modelos de produção e consumo econômicos que exploram e destroem a criação. Suess afirma (2017, p. 34):

O cuidado com a casa comum exige a consciência de viver num mundo para todos, de um projeto comum e de ações mundialmente consentidas que se referem ao uso da terra, da água, da energia, das florestas e do trabalho. A casa comum nos desafia a todos para libertar-nos da “indiferença consumista” (LS 232) e “para proteger, sanar, melhorar ou embelezar algo que é de todos” (LS 232). A consciência de viver numa casa comum fortalece a fraternidade humana, lembra a vocação escatológica que promete renovar todas as coisas (Ap 21,5; cf. LG 243) e amplia o horizonte da identidade cósmica de todos e de tudo.

O verbo cuidar na LS é o núcleo que une à espiritualidade, antropologia (ser, estar e sentir-se parte do todo) à política (agir) para transformar os modelos necropolíticos, patriarcais, capitalistas, neoliberais que destroem a vida e a criação. O cuidado necessita se tornar verbo, ação sensível aos clamores da terra e de todas as pessoas que sofrem devido o descuido e a exploração da Casa Comum. A seguir vamos refletir sobre a dimensão do cuidado na Encíclica Fratelli Tutti.

3 Fratelli Tutti: aspectos introdutórios da encíclica

A encíclica Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a Amizade Social foi publicada no dia 08 de novembro de 2020 pelo Papa Francisco, em plena pandemia de Covid 19. A escrita da carta já havia iniciado antes da Pandemia, mas foi terminado e publicado no auge da pandemia. Como na encíclica LS também a FT (Todos irmãos) é inspirada no escrito da São Francisco de Assis. A carta inicia

“FRATELLI TUTTI”: escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, “o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si”. Com poucas e simples palavras, explicou o essencial duma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita (FT, n. 1).

A carta Fratelli Tutti é dedicada à fraternidade e à Amizade Social. “São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram de sua própria carne. Semeou por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, enfim, dos últimos” (FT, n. 2). A carta apresenta uma introdução, 8 capítulos, 287 parágrafos e duas orações como conclusão. Assim como a Lautado Si’ a carta segue a metodologia pastoral: ver, julgar e agir.

A introdução (8 parágrafos) foca, a partir da experiência de Francisco de Assis, na visita ao Sultão Malik-al-Kamil a importância do encontro com o outro, no processo de aprendizagem com a diferença. Ele afirma que escrita da LS teve como fonte de inspiração Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo, que propunha o cuidado da criação. Na escrita da Fratelli Tutti o estimulo veio do encontro com o Imã Ahmad Al-Tayyeb, onde juntos assinaram um documento, que reflete que todos os seres humanos são iguais nos direitos, nos deveres, na dignidade e chamados a conviver como irmãos (FT, n. 5). A carta apresenta uma dimensão dialogal ecumênica e interreligiosa. A construção da Amizade Social/da fraternidade universal se concretiza na relação de alteridade, de respeito à outra pessoa, com sua história, sua cultura e seu território.

O I Capítulo (47 parágrafos) trata sobre as sombras de um mundo fechado, apresentando um diagnóstico da realidade. O Papa Francisco expõe as feridas da humanidade: a pandemia, o descarte de idosos, o racismo e o fim da consciência histórica. Os capítulos II, III e IV apresentam a dimensão do julgar, para discernir os contextos das sombras de um mundo fechado. O II Capítulo (31 parágrafos) intitulado “um estranho no caminho” apresenta a parábola do Bom Samaritano como proposta de amor ao próximo, ao estranho, ao abandonado, ao necessitado, apresenta o próximo sem fronteiras. O Capítulo III (42 parágrafos) – pensar e gerar um mundo aberto – é desejar um planeta que garanta terra, teto e trabalho para todos. A solidariedade e cooperação são fundamentais para a construção de uma paz duradoura, para a construção da fraternidade universal. O IV Capítulo (26 parágrafos) com o tema “um coração aberto ao mundo inteiro”, foca no acolhimento às pessoas migrantes e no processo de aprendizagem. É necessário superar o medo e a desconfiança dos outros como concorrentes ou inimigos perigosos. O amor e a dignidade humana necessitam estar acima de todas as fronteiras – sejam geográficas, étnicas, sociais, culturais, econômicas.

Os capítulos V, VI, VII e VIII centram-se no agir. Nestes capítulos são propostas ações para a transformação da realidade. O Capítulo V (43 parágrafos) aponta para a melhor política, onde o amor solidário se faz presente. O VI Capítulo (28 parágrafos) apresenta a proposta do diálogo e Amizade Social. A “‘cultura do encontro’ significa que, como povo, somos apaixonados por querer encontrar-nos, procurar pontos de contato, construir pontes, planejar algo que envolva a todos, isso tornou-se uma aspiração e um estilo de vida” (FT, n. 216). O Capítulo VII (45 parágrafos) aborda caminhos de um novo encontro, onde afirma que todas as pessoas tem o direito de recomeçar. O perdão e a reconciliação são temas de grande importante não só para o cristianismo como também para outras religiões. O capítulo coloca-se contra a pena de morte e a injustiça da guerra. A guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente (FT, n. 257). O último capítulo (17 parágrafos) foca nas religiões a serviço da fraternidade no mundo. O fundamento último é um apelo à fraternidade universal. A relação da fraternidade universal está identificada com a relação com os últimos, com as pessoas caídas à beira da estrada. A Encíclica encerra-se com a Oração ao Criador e a Oração Cristã Ecumênica.

4 Dimensões do paradigma do cuidado em Fratelli Tutti

A palavra cuidado aparece 11 vezes e o verbo cuidar é mencionado 18 vezes. O cuidado é mencionado no parágrafo 5 em referência ao cuidado da criação. O parágrafo 117 também se refere a LS:

Quando falamos em cuidar da casa comum, que é o planeta, fazemos apelo àquele mínimo de consciência universal e de preocupação pelo cuidado mútuo que ainda possa existir nas pessoas. De facto, se alguém tem água de sobra mas poupa-a pensando na humanidade, é porque atingiu um nível moral que lhe permite transcender-se a si mesmo e ao seu grupo de pertença. Isto é maravilhosamente humano! Requer-se este mesmo comportamento para reconhecer os direitos de todo o ser humano, incluindo os nascidos fora das nossas próprias fronteiras (FT, n. 117).

O cuidado e o cuidar estão relacionados com a transformação das sombras de mundo fechado (capítulo I) para pensar e gerar um mundo aberto (Capítulo III). É fundamental a constituição de um mundo aberto ao outro, ao coletivo.

Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos de nos constituirmos como um “nós” que habita a casa comum. Um tal cuidado não interessa aos poderes económicos que necessitam dum ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares. Nesta cultura que estamos a desenvolver, vazia, fixada no imediato e sem um projeto comum, “é previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações” (FT, n. 17).

A ação do cuidar é bastante ressaltada na carta, a partir da Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37). A parábola é colocada como um modelo de cuidado e também de construção de fraternidade. O cuidado é ressaltado como uma ação coletiva.

É possível começar por baixo e caso a caso, lutar pelo mais concreto e local, até ao último ângulo da pátria e do mundo, com o mesmo cuidado que o viandante da Samaria teve por cada chaga do ferido. Procuremos os outros e ocupemo-nos da realidade que nos compete, sem temer a dor nem a impotência, porque naquela está todo o bem que Deus semeou no coração do ser humano. As dificuldades que parecem enormes são a oportunidade para crescer, e não a desculpa para a tristeza inerte que favorece a sujeição. Mas não o façamos sozinhos, individualmente. O samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num “nós” mais forte do que a soma de pequenas individualidades; lembremo-nos de que “o todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas” [EG, n. 235]. Renunciemos à mesquinhez e ao ressentimento de particularismos estéreis, de contraposições sem fim. Deixemos de ocultar a dor das perdas e assumamos os nossos delitos, desmazelos e mentiras. A reconciliação reparadora ressuscitar-nos-á, fazendo perder o medo a nós mesmos e aos outros (FT, n. 78).

O cuidado com os caídos não pode ser uma atividade individual, solitária. Ela necessita ser coletiva. É necessário vencer o medo do desconhecido, do outro. Somente a reconciliação reparadora irá nos ressuscitar, fazendo com que percamos medo de nós mesmos de dos outros. Vencer o medo é fundamental para uma ação de cuidado que cura e reconcilia.

A Palavra do Evangelho aponta para o discernimento do cuidado, impulsiona para o cuidar dos que estão à beira do caminho em nossas realidades e contextos. O cuidar está em ver o outro, em escutá-lo, em abaixar-se. Na FT, o cuidado, a ação de cuidar são um imperativo ético. A ação de cuidar não permite passar de largo (parágrafos 63 a 68) das pessoas caídas na beira das estradas. O cuidado não permite um pensamento único que não reconhece as diferenças, pois tem como objetivo o bem comum.

A construção de uma nova sociedade está interligada com o cuidado não somente de si mesmo, mas das outras pessoas, especialmente, das mais fracas. A fraternidade universal, a Amizade Social é construída a partir da ação de cuidar, do cuidado colocado em ação. O cuidado e a ação de cuidar estão interrelacionados com o cuidado da criação e a construção de uma Amizade Social, que respeite e acolha a diferença.

Quando falamos em cuidar da Casa Comum, que é o planeta, fazemos apelo àquele mínimo de consciência universal e de preocupação pelo cuidado mútuo que ainda possa existir nas pessoas. De fato, se alguém tem água de sobra mas poupa-a pensando na humanidade, é porque atingiu um nível moral que lhe permite transcender-se a si mesmo e ao seu grupo de pertença. Isto é maravilhosamente humano! Requer-se este mesmo comportamento para reconhecer os direitos de todo o ser humano, incluindo os nascidos fora das nossas próprias fronteiras (FT, n. 117).

O cuidado da Casa Comum está relacionado com a solidariedade, com o acolhimento e o reconhecimento dos direitos humanos e da dignidade de todas as pessoas. O processo migratório é um direito humano. Muitas vezes as pessoas migram devido à exploração da Casa Comum, o que impossibilita a vida em seus contextos de origem.

O mundo existe para todos, porque todos nós, seres humanos, nascemos nesta terra com a mesma dignidade. As diferenças de cor, religião, capacidade, local de nascimento, lugar de residência e muitas outras não podem antepor-se nem ser usadas para justificar privilégios de alguns em detrimento dos direitos de todos. Por conseguinte, como comunidade, temos o dever de garantir que cada pessoa viva com dignidade e disponha de adequadas oportunidades para o seu desenvolvimento integral (FT, n. 118).

As fronteiras e a propriedade privada são questionadas na FT. A Amizade Social busca construir uma ação política que objetive a transformação das realidades de um mundo fechado em si mesmo para um mundo aberto às pessoas caídas à beira da estrada e ao clamor da criação. A Amizade Social necessita de relações internacionais, nacionais, locais. O cuidado está relacionado com um amor político, que “[...] procura caminhos de construção de comunidade nos diferentes níveis da vida social, a fim de reequilibrar e reordenar a globalização para evitar os seus efeitos desagregadores” (FT, n. 182). É necessário superar a cultura do descarte, pois cuidar é acolher, assumir responsabilidade, vencer o individualismo, lutar por direitos, justiça social e ambiental.

5 Para não finalizar: um olhar da Teologia Feminista da Libertação para a dimensão do cuidado nas encíclicas

As encíclicas Laudato Si’ (2015) e Fratelli Tutti (2020) foram escritas num espaço de cinco anos. A motivação para o título veio de São Francisco de Assis. O paradigma do cuidado (ação de cuidar) guia as duas cartas. O Papa Francisco estabelece na LS a urgência do cuidado com a Casa Comum e na FT o cuidado como Amizade Social. A FT dialoga em muitos parágrafos com a LS. O cuidado da Casa Comum está interligado com a Amizade Social. O grito da terra é também o grito das pessoas caídas à beira do caminho. A metodologia adotada em ambas as cartas foi: ver a realidade/realizar um diagnóstico, julgar com fundamento em diversos eixos epistemológicos e agir para transformar os contextos. Não há nenhuma dúvida sobre a urgência dos temas abordados nas duas cartas papais.

No entanto, o paradigma do cuidado é utilizado de forma generalista e universalista nas duas cartas pelo Papa Francisco. A dimensão do cuidado, historicamente, foi e continua sendo exercido pelas mulheres. Na Pandemia de Covid 19, foram as mulheres que mais exerceram a economia do cuidado (Ulrich; Ströher; La Paz, 2020, p. 565). A carta FT foi escrita no período da Pandemia de Covid 19 e nada foi dito sobre o cuidado que recaiu com muita força sobre os ombros das mulheres. O cuidar não é uma tarefa natural das mulheres e sim uma construção histórica, que beneficia o sistema patriarcal capitalista.

As encíclicas nada mencionam sobre a divisão sexual do trabalho e os trabalhos de cuidado como uma sobrecarga das mulheres. As encíclicas não tocam na ferida da dupla e até tripla jornada de trabalho que acarretam a vida de muitas mulheres. Os trabalhos de cuidado têm rosto, corpo, classe social, raça/etnia. No Brasil, a maioria dos trabalhos domésticos são exercidos por mulheres negras. Na Europa, Estados Unidos entre outros países ricos os trabalhos domésticos são exercidos, geralmente, por pessoas migrantes.

A LS não incluiu o protagonismo das mulheres (indígenas, quilombolas e camponesas) na defesa e cuidado da terra, da biodiversidade, das sementes, das águas, das florestas. Muitas lideranças mulheres, como também homens, deram a sua vida pela luta da terra. Não há ecologia integral se não houver o cuidado com os corpos femininos, que são os primeiros a sofrer com a falta de água potável, o uso de agrotóxicos e o deslocamento forçado por grandes empreendimentos capitalistas. O cuidado inclui a dimensão política do corpo das mulheres como território de luta, interligado com a terra. Faço memória da Irmã Dorothy Stang que deu a sua vida pelos pobres e pela floresta amazônica, em 2005, em Anapu, no Pará (Rocha; Ulrich, 2019, p. 37-64). A violência contra as mulheres e a criação são frutos do patriarcado, capitalista neoliberal marcados pelo lucro e poder. O martírio da Irmã Dorothy Stang soma-se a muitos outros assassinatos/mártires pela defesa e o cuidado da Casa Comum (Vicini, 2019).

NA LS somente duas mulheres são citadas e na FT nenhuma mulher é mencionada no documento. As mulheres mencionadas são “[...] Maria (a mãe de Jesus) e Santa Teresa de Lisieux, que viveram muito antes das preocupações ecológicas [...]” (Clifford, 2017, não paginado). É interessante constatar que nenhuma mulher do tempo presente é citada nas encíclicas.

A LS apresenta Maria como Rainha da Criação e José como trabalhador, um humilde protetor. A Teologia Feminista questiona o papel de Maria como rainha, mãe e protetora (Gebara, 2023, p. 89). Maria foi uma mulher histórica, ativa lutadora que cantou profeticamente o Magnificat (Lc 1,46-56), apontando para a construção de novas realidades e contextos. A dimensão de Maria somente como rainha, mãe, protetora, retratada na encíclica reforça estereótipos que colocam a mulher em posição passiva, não as reconhecendo em seu protagonismo do cuidado da Casa Comum e na construção da Amizade Social. Como se o cuidado fosse parte da essência do feminino. É necessário superar o essencialismo de gênero que naturaliza o cuidado como responsabilidade feminina, consolidando a desigualdade social e econômica. Outras visões de Maria são necessárias. Há muitas Marias que estão em movimentos e lutam contra o patriarcado, que violenta e mata as mulheres, povos originários e a natureza. O cuidado como modo-de-ser necessita se tornar uma prática ética de todas as pessoas. O cuidado necessita fazer parte dos processos educativos, nas relações intergeracionais. É necessário também afirmar que há diferentes formas de ser família, a LS, citando Maria e José acaba induzindo para a defesa do modelo tradicional de família.

Henriques também chama a atenção para a linguagem na LS, predominantemente masculina. “Esta ausência pesada das mulheres, na sua realidade existencial, por um lado, permite dizer que Laudato Si’ desenvolve uma utilização ‘fechada’ da linguagem, isto é, reiterativa da visão tradicional sobre o papel das mulheres e sobre o feminino” (Henriques, 2023, p. 5). Segundo a autora, LS [...] “cavou uma assimetria em relação à mensagem global da Encíclica que preconiza toda uma conversão no modo de viver no mundo e de o compreender, não tendo tomado em linha de conta que todas as transformações conceituais e ideológicas têm de ser acompanhadas por modificações linguísticas” (Henriques, 2023, p. 5). Pode-se afirmar o mesmo em relação à encíclica FT que também adota uma linguagem masculina na redação do texto. A linguagem utilizada também afirma uma imagem de Deus masculino, pai, criador, fortalecendo uma hierarquia patriarcal. É necessário também repensar as imagens de Deus, para que o modo-de-ser cuidado também seja de Deus e não somente das pessoas.

O Papa Francisco propõe na FT o cuidado como “Amizade Social”, enfatizando a importância da “cultura do encontro” contra “a cultura do descarte”. A Teologia Feminista questiona estes conceitos, pois algumas instituições religiosas ainda restringem o protagonismo ministerial das mulheres. As mulheres ainda estão em movimento e luta pela ordenação aos ministérios. É necessário que “a vida com sabor do Evangelho” seja plena para todas as mulheres. Elas necessitam alcançar a cidadania eclesial. As mulheres não são apenas auxiliares, mas sujeitos de direitos e com poder de fala pública. O cuidado como substantivo (modo de ser) necessita incluir o reconhecimento das condições materiais da vida das mulheres também nas instituições religiosas. O verbo cuidar exige ação, transformações estruturais. É necessário que mudanças aconteçam nas estruturas patriarcais e clericais em diferentes instituições religiosas para que a cultura do encontro e a Amizade Social não sejam apenas conceitos universalistas, mas práticas de direitos à igualdade nas diferenças.

A Teologia Feminista, com sua metodologia e epistemologia, amplia a perspectiva, a visão e o compromisso com o cuidado da Casa Comum e com a construção da Amizade Social. Ela é uma teologia profética, critica e propõe novos olhares e possibilidades. A Teologia Feminista aponta a necessidade da LS e FT incluírem a interrelação do cuidado da Casa Comum, da Amizade Social com a justiça de gênero, afirmando a dignidade e os direitos de todas as pessoas e de toda a criação. Olhares feministas e de gênero ampliam, criticamente, os horizontes do paradigma do cuidado!

Siglas
  • LS   Carta Encíclica Fratelli Tutti
  • FT   Carta Encíclica Fratelli Tutti

Disponibilidade de dados

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Referências

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  • BOFF, Leonardo. O cuidado essencial: princípio de um novo ethos. Inclusão Social, Brasília, v. 1, n. 1, p. 28-35, out./mar., 2005. Disponível em: https://revista.ibict.br/inclusao/article/view/1503 Acesso em: 10 mar. 2026.
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  • CLIFFORD, Anne. Os teólogos falam do ecofeminismo, ligando a exploração das mulheres à da Terra. Reportagem de Heidi Schlumpf, publicada por National Catholic Reporter, 11-06-2017 . Trad. Luísa Flores Somavilla. Instituto Humanitas Unisinos, 20 Junho 2017. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/568810-os-teologos-falam-do-ecofeminismo-ligando-a-exploracao-das-mulheres-a-da-terra Acesso em 30 mar. 2026.
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  • GEBARA, Ivone. Teologia Feminista: para compreender a teologia feminista. São Paulo: Recriar, 2023.
  • HENRIQUES, Fernanda da Silva. Sem contar mulheres e crianças: procurando o subtexto de género na Laudato Si’. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 32, n. 1, p. 1-11, e90603, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/mn8MjmsMknZFTbPjCyXSpjk/?format=pdf⟨=pt Acesso em: 15 mar. 2026.
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  • FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato Si’ Louvado Sejas: sobre o cuidado da Casa Comum. Documentos do Magistério. São Paulo: Paulus; Loyola, 2015.
  • FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Fratelli Tutti: sobre a fraternidade e a amizade social. Documentos do Magistério São Paulo: Paulus, 2020.
  • PROVINCIATTO, Luís Gabriel; SOUTO, Felipe de Queiroz. Os cuidados da Laudato Si’ e as múltiplas faces de seu diálogo com o paradigma do cuidado. In: VILAS BOAS, Alex et al. (Coord.). Ecologia e hermenêuticas do feminino. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2025. p. 75-100. Disponível em: https://openbooks.ucp.pt/ucp/catalog/download/241/476/3698?inline=1 Acesso em: 07 mar. 2026.
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  • ROCHA, Abdruschin Schaeffer; ULRICH, Claudete Beise. Pathos e cuidado: Dorothy Mae Stang e o cuidado como afetação. Reflexus — Revista Semestral de Teologia e Ciências das Religiões, Vitória, v. 13, n. 21, p. 37-64 2019/1. Disponível em: https://revista.fuv.edu.br/index.php/reflexus/pt_BR/article/view/981/964 Acesso em: 04 mar. 2026.
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  • SANTOS, João Vítor; MACHADO, Ricardo. Laudato Si’: interpretações e chaves de leitura. instituto Humanitas Unisinos. Edição 468. 29 jun. 2015. Disponível em: https://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/6015-guia-de-leitura-%E2%80%93-especial-enciclica Acesso em: 07 mar. 2026.
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  • ULRICH, Claudete Beise; STRÖHER, Marga Janete. DE LA PAZ, Nivia Ivette Núñez . Mulheres em tempos de pandemia: : a cotidianidade, a economia do cuidado e o grito uterino!. Estudos Teológicos, São Leopoldo, v. 60, n. 2, p. 554–572, 2021. Disponível em: https://revistas.est.edu.br/ET/article/view/56 Acesso em: 07 fev. 2026.
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  • VICINI, Andrea. Os mártires que morreram pelo meio ambiente. Trad. Luisa Rabolini. Instituto Humanitas Unisinos, 02 Agosto 2019. https://www.ihu.unisinos.br/categorias/591317-os-martires-que-morreram-pelo-meio-ambiente Acesso em: 07 fev. 2026.
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Editado por

  • Editores:
    Márcia Eloi Rodrigues e Franklin Alves Pereira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    05 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    09 Abr 2026
  • Aceito
    11 Abr 2026
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