Sumário
Physis: Revista de Saúde Coletiva, Volume: 36, Número: 2, Publicado: 2026Physis: Revista de Saúde Coletiva, Volume: 36, Número: 2, Publicado: 2026
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DEBATE Transformações nas campanhas preventivas do HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia Mora, Claudia Resumo em Português: Resumo O início de mais uma década de uma epidemia ainda distante de controle no cenário global decorre de uma progressiva normalização de seus discursos e representações midiáticas. A proposta de discussão em torno das campanhas preventivas na década mais recente no Brasil pretende estimular reflexões de índole social, política e programática. Observamos uma série de deslocamentos das linguagens, bem como apagamentos de distintas ordens, as quais têm como pano de fundo a implementação de políticas internacionais pautadas na dispensação de medicamentos antirretrovirais, quais sejam: testar e tratar, Tratamento como Prevenção e Prevenção Combinada (especialmente as profilaxias pré- e pós-exposição [PrEP e PEP] e o controle das ISTs). O silenciamento de corpos e identidades não heteronormativos, e o predomínio de uma linguagem abstrata e esquemática nas mensagens oficiais de prevenção, entre 2010 e 2020, cristalizaram a dessexualização da resposta à epidemia. Esses apagamentos também dizem respeito à censura de campanhas nas quais prostitutas e jovens gays protagonizavam as cenas de peças comunicacionais produzidas pelo governo federal. Em suma, o debate pretende contribuir para a compreensão das reconfigurações da agenda político-acadêmica da Aids no Brasil nas quais se articulam a neoliberalização, remedicalização e acirramento dos conservadorismos.Resumo em Inglês: Abstract The beginning of another decade of an epidemic still far from being controlled on a global scale stem from a progressive normalization of its discourses and media representations. This discussion of preventive campaigns in Brazil over the most recent decade aims to stimulate social, political, and programmatic reflections. We observe a series of shifts in language, as well as erasures of various kinds, all underpinned by the implementation of international policies focused on the dispensing of antiretroviral drugs: test and treat, Treatment as Prevention, and Combined Prevention (especially pre- and post-exposure prophylaxis [PrEP and PEP] and the control of STIs). The silencing of non-heteronormative bodies and identities, and the predominance of abstract and schematic language in official prevention messages between 2010 and 2020, crystallized the desexualization of the response to the epidemic. These erasures also relate to the censorship of campaigns in which prostitutes and young gay men were featured in scenes from communication pieces produced by the federal government. In short, the debate aims to contribute to the understanding of the reconfigurations of the political-academic agenda on AIDS in Brazil, in which neoliberalization, remedicalization, and the intensification of conservatism are articulated. |
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DEBATE Normalizar a comunicação sobre o HIV/Aids para biomedicalizar a prevenção: “Vamos combinar”? Santos, Adriana Kelly Resumo em Português: Resumo Em diálogo com ensaio Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia, de Claudia Mora, o artigo analisa a comunicação governamental sobre a prevenção do HIV/Aids no Brasil. Com base na teoria analítica de Michel Foucault e na análise do discurso de Eliseo Verón, a comunicação é compreendida como um dispositivo de poder-saber produtor de efeitos de verdade, subjetividades e modos de governar a vida. Nessa perspectiva, convergindo com a autora, que concebe a comunicação estatal como um “campo minado”, atravessado por tensões, disputas e ambivalências, o texto problematiza o processo de normalização da comunicação sobre a prevenção ao HIV/Aids. Observa-se que as campanhas publicitárias tendem a reduzir a prevenção a um conjunto de prescrições biomédicas individualizadas naturalizando os discursos sobre a prevenção combinada, propostos nas diretrizes programáticas. Essa normalização, expressa um deslocamento do discurso da excepcionalidade da Aids para sua naturalização, redefine o sujeito da prevenção como gestor de riscos, invisibiliza desigualdades, determinações sociais e as trajetórias de participação social historicamente constitutivas da resposta brasileira à epidemia. Conclui-se pela necessidade de rearticular o dispositivo comunicacional, de modo a fortalecer sua dimensão política e participativa e reinscrever sujeitos e experiências nos processos de prevenção e cuidado.Resumo em Inglês: Abstract In dialogue with the essay Transformations in HIV/AIDS Prevention Campaigns in Brazil in the Fourth Decade of the Epidemic by Claudia Mora, this article analyzes government communication on HIV/AIDS prevention in Brazil. Drawing on Michel Foucault’s analytical framework and Eliseo Verón’s discourse analysis, communication is understood as a power-knowledge dispositif that produces effects of truth, subjectivities, and modes of governing life. From this perspective, and in convergence with Mora’s view of state communication as a “minefield” marked by tensions, disputes, and ambivalences, the article problematizes the process of normalization of communication on HIV/Aids prevention. The analysis shows that advertising campaigns tend to reduce prevention to a set of individualized biomedical prescriptions, thereby naturalizing discourses on combination prevention as proposed in programmatic guidelines. This normalization reflects a shift from the discourse of Aids exceptionalism toward its naturalization, redefining the subject of prevention as a risk manager and rendering invisible social inequalities, social determinants, and trajectories of social participation that have historically shaped the Brazilian response to the epidemic. The article concludes by emphasizing the need to rearticulate the communicational dispositif to strengthen its political and participatory dimension and to reinscribe subjects and lived experiences in processes of prevention and care. |
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DEBATE Debatendo “Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia”, de Claudia Mora Valle, Carlos Guilherme Octaviano do Resumo em Português: Resumo Este texto debate o artigo “Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia”, escrito por Claudia Mora, a fim de mostrar a complementaridade teórica entre as áreas da Saúde Coletiva e a das Ciências Sociais, em especial a Antropologia. Recupero os principais pontos e argumentos do artigo a partir de sua teorização e a apresentação de dados empíricos, especificando de modo claro o que é minha reflexão e o que foi examinado pela autora. Essa especificação será desenvolvida por meio de algumas ponderações e sugestões críticas.Resumo em Inglês: Abstract This text discusses the article “Transformations in HIV/AIDS prevention campaigns in Brazil in the fourth decade of the epidemic,” written by Claudia Mora, to demonstrate the theoretical complementarity between the fields of Public Health and Social Sciences, especially Anthropology. I revisit the main points and arguments of the article based on its theorization and the presentation of empirical data, clearly specifying what is my reflection and what was examined by the author. This specification will be developed through some critical considerations and suggestions. |
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DEBATE Réplica ao artigo “Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia” Edmundo, Katia Resumo em Português: Resumo Este debate dialoga com o artigo sobre as transformações nas campanhas preventivas de HIV/Aids no Brasil, acrescentando a perspectiva analítica e vivencial do movimento social e ativista. O texto ressalta a ausência histórica de corpos vulnerabilizados, como populações não heteronormativas e pessoas com deficiências, nas estratégias de comunicação e defende que os direitos sexuais devem ocupar o centro dessas campanhas. Argumenta-se que o direito à prevenção está intimamente ligado ao direito à participação da sociedade civil. A análise aborda como o avanço da agenda neoliberal e o desfinanciamento das organizações não governamentais (ONGs) fragilizaram a mobilização política comunitária ao longo das décadas. Diante do acirramento do conservadorismo e do fim da "excepcionalidade" da Aids, o artigo aponta para a necessidade de respostas focadas na vulnerabilidade estrutural e na determinação social das doenças sob uma perspectiva sindêmica. Por fim, destaca-se a importância das abordagens de "prevenção combinada", das campanhas autorais comunitárias e do "artivismo" para a retomada de ações dialógicas centradas nos territórios, no cuidado e na promoção da equidade.Resumo em Inglês: Abstract This debate engages with the article on the transformations of HIV/Aids preventive campaigns in Brazil, adding the analytical and experiential perspective of the social and activist movement. The text highlights the historical absence of vulnerable bodies, such as non-heteronormative populations and people with disabilities, in communication strategies, and argues that sexual rights should be at the center of these campaigns. It is argued that the right to prevention is closely linked to the right to civil society participation. The analysis addresses how the advance of the neoliberal agenda and the defunding of non-governmental organizations (NGOs) have weakened community political mobilization over the decades. Faced with the rise of conservatism and the end of Aids "exceptionalism", the author points to the need for responses focused on structural vulnerability and the social determination of diseases under a syndemic perspective. Finally, it emphasizes the importance of "combined prevention" approaches, community-authored campaigns, and "artivism" in resuming dialogical actions centered on territories, care, and the promotion of equity. |
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DEBATE Direito à comunicação e direitos sexuais: possíveis convergências para pensar uma ressexualização e repolitização da resposta à Aids Mora, Claudia |
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