Este artigo discute os relatos pessoais e os comentários sobre os psiquiatras feitos pelo escritor Lima Barreto durante sua internação no Hospital Nacional dos Alienados, em 1919-1920, no Rio de Janeiro. Com este objetivo, são usados os textos Diário do hospício e O cemitério dos vivos, nos quais acontece uma inaudita inversão de papéis e o paciente Lima Barreto analisa criticamente a personalidade dos médicos que o atendem, alguns deles fundadores da psiquiatria no Brasil. O artigo apresenta a biografia do escritor e dos médicos citados por ele. A vida de Lima Barreto foi marcada por dificuldades pelo fato dele ser um homem negro e não possuir diploma superior. Por esta razão, o texto também discute legados sociais da escravidão na sociedade brasileira e a importância do título de bacharel, ou doutor, para produzir distinção social na Primeira República (1889-1930). Em conclusão, observa-se que a narrativa de Lima Barreto e a biografia dos psiquiatras que ele descreveu se complementam para evidenciar comportamentos e caminhos de ascensão característicos da elite de bacharéis, além de denunciar a discriminação racial na sociedade brasileira.
Palavras-chave:
Lima Barreto; O Cemitério dos Vivos; Diário do Hospício; Hospício Nacional dos Alienados; História da Psiquiatria