O texto propõe uma interpretação do quiasma em Rilke em confronto com a leitura de Paul de Man, primeiro estudioso a analisar o quiasma como figura determinante da poesia rilkeana. Partindo de uma retomada da leitura do crítico belga, saliento, num primeiro momento, sua precisão em descrever a construção poética de Rilke, para, num segundo momento, questionar a argumentação pela qual ele defende que a figura do quiasma situa a poesia de Rilke explicitamente na perspectiva da mentira. Com isso, de Man não apenas nega à poesia rilkeana a reivindicação messiânica tantas vezes salientada por seus leitores e estudiosos, como também a esvazia de inquietações existenciais mais consistentes e que ultrapassam o mero jogo linguístico. Defendo, por outro caminho, que a inversão poética de Rilke, de fato operada frequentemente na forma do quiasma, configura um esforço poético-existencial limítrofe de valorização da finitude, esforço que, no presente texto, procuro clarificar sobretudo pelo ângulo de uma “poética da singeleza”, que se volta para o pequeno, o frágil e o fugaz.
Palavras-chave
Rilke; inversão; finitude; poesia; singeleza