Este artigo tem como objetivo apresentar elementos que possibilitem reflexões e inquietações acerca do manejo da interseccionalidade como ferramenta analítica e prática no campo da Psicologia brasileira. Propõe-se uma discussão crítica que articule marcadores sociais como gênero, raça, classe, sexualidade e território na análise das desigualdades que atravessam os sujeitos e seus contextos. Além disso, destaca-se a concepção de saúde mental enquanto política pública e projeto societário, fundamentada nos princípios da reforma psiquiátrica brasileira e da luta antimanicomial, que defendem o cuidado em liberdade, a desinstitucionalização e a ampliação do acesso aos direitos. O artigo busca ainda retratar experiências concretas que adotam a interseccionalidade como componente do processo formativo, da atuação clínico-política e da gestão dos serviços, demonstrando a possibilidade da transformação social no cuidado em saúde mental, na perspectiva da produção de modos de cuidado plurais e implicados com os territórios. Assim, reafirma-se o compromisso ético-político da Psicologia na defesa de práticas profissionais alinhadas aos direitos sociais e à justiça social.
Palavras-chave:
Saúde Mental; Interseccionalidade; Psicologia; Atenção Psicossocial; Cuidado