Partindo das contribuições de Foucault, Deleuze e Guattari, este ensaio teórico explora a deficiência como uma construção social atravessada por dinâmicas de poder no capitalismo, problematizando hierarquias binárias que estruturam as relações sociais, como a oposição entre normalidade e anormalidade. Ao questionar a patologização das diferenças corporais e o capacitismo, sustentamos a necessidade de valorização da diferença enquanto categoria relacional e social. Para tanto, examinamos os principais modelos teóricos de deficiência (biomédico, biopsicossocial, diversidade funcional, social e Teoria Crip), evidenciando como permanecem atrelados a estruturas de poder que buscam normatizar e controlar corpos. A partir do conceito de rizoma de Deleuze e Guattari, propomos compreender a deficiência como fenômeno múltiplo, fluido e interconectado, em constante processo de invenção e reinvenção. O ensaio contribui ao campo dos estudos organizacionais ao articular crítica pós-estruturalista e estudos da deficiência, mapeando cartograficamente como discursos e práticas organizacionais produzem e regulam a diferença, e indicando possibilidades de resistência e novas formas de convivência.
Palavras-chave
diferença; normalidade; deficiência; modelos de deficiência; estudos organizacionais