Sumário
Nova Economia, Volume: 34, Número: spe1, Publicado: 2024Nova Economia, Volume: 34, Número: spe1, Publicado: 2024
| Documents |
|---|
|
EDITORIAL Incerteza: economia política e seus encontros com a mecânica quântica no período entreguerras Cunha, Alexandre Mendes Curi, Luiz Felipe Bruzzi |
|
Original article Frank Knight e o paradoxo da incerteza Bee, Michele Lazega, Rafaël Resumo em Português: Resumo Frank Knight vê um paradoxo na tentativa de resolver a incerteza. Tentamos reduzi-la racionalmente, mas ao mesmo tempo não gostaríamos de viver sem ela, caso contrário, perderíamos interesse na vida. Nessa perspectiva, mostramos que a crítica de Knight à concorrência teórica e real não tem necessariamente o objetivo de negar a competição tout court, como afirmam alguns, nem de aceitar o laissez-faire como o melhor sistema apesar de seus problemas, como afirmam outros. Pelo contrário, argumentamos que, como alternativa à concorrência perfeita teórica com incerteza zero e ao laissez-faire real com sua incerteza desequilibrada, Knight imagina a possibilidade de um jogo competitivo no qual a incerteza é melhor distribuída entre os participantes. Esse jogo permite que todos lidem com a incerteza de uma forma que lhes agrade. Nele, a competição não é mais uma ferroada para a maioria das pessoas, mas uma isca para todos e não apenas para alguns.Resumo em Inglês: Abstract Frank Knight sees a paradox in the attempt to resolve uncertainty. People try to reduce it rationally, but at the same time they do not want life without it, otherwise life would lose its interest. From this perspective, we show that Knight’s critique of theoretical and real competition is not necessarily aimed at denying competition tout court, as some claim, nor at accepting laissez-faire as the best system despite its problems, as others claim. On the contrary, we argue that as an alternative to theoretical perfect competition with zero uncertainty and real laissez-faire with its unbalanced uncertainty, Knight imagines the possibility of a different competitive game in which uncertainty is better distributed among the players. This game allows all its players to deal with uncertainty in a way they enjoy. In it, competition is no longer a goad for most people, but a lure for all, not just a few. |
|
Original article A ciência econômica e a interdisciplinaridade das ciências sociais em tempos de incerteza: perfis e perspectivas dos representantes da AEA no SSRC, 1923-1938 Cruz-e-Silva, Victor Resumo em Português: Resumo O Social Science Research Council (SSRC) foi criado em 1923 para promover a colaboração entre as ciências sociais e incentivar o conhecimento interdisciplinar. Para alcançar esse objetivo, o Conselho reuniu representantes de diversas sociedades acadêmicas, desde a sociologia até a estatística. Economistas, através da American Economic Association (AEA), não foram exceção. Este artigo busca identificar os economistas que representaram a AEA no SSRC durante as décadas de 1920 e 1930 e fornecer uma visão geral de suas perspectivas econômicas. Além disso, o artigo pretende traçar um perfil dos economistas que praticavam a interdisciplinaridade nas ciências sociais no período entre guerras, com base em características comuns em seus pensamentos e atuações profissionais.Resumo em Inglês: Abstract The Social Science Research Council (SSRC) was created in 1923 to foster collaboration across social sciences and promote interdisciplinary knowledge. To achieve this, the Council brought together representatives from various learned societies, ranging from sociology to statistics. Economists, through the American Economic Association (AEA), were no exception. This paper seeks to identify the economists representing the AEA at the SSRC during the 1920s and 1930s and provide a broad overview of their economic perspectives. Additionally, the paper aims to outline a profile for the economists practicing social science interdisciplinarity in the interwar years, based on common features in their thoughts and professional engagements. |
|
Original article From Germany to North and South America: Carl Landauer and the strategies to deal with uncertainty in the 1930s and 1940s Curi, Luiz Felipe Bruzzi Resumo em Português: Resumo Carl Landauer lidou com as incertezas das décadas de 1930 e 1940 por meio de estratégias que articulavam teoria e política. Em sua perspectiva, planejamento econômico era uma estratégia para superar as incertezas da economia de mercado: uma economia planejada alcançaria um uso ótimo dos recursos e evitaria monopólios. Emigrou em 1933 como parte do processo de transferência de conhecimento da Europa para os EUA, devido à ascensão do fascismo. Na América, associou a defesa do planejamento com a democracia. Nesse ponto, a grande incerteza era a transição para uma economia pós-guerra. Landauer engajou-se em um debate crítico com o Keynesianismo e apresentou o planejamento como um instrumento capaz de garantir estabilidade econômica e pleno emprego após a guerra. Sua produção intelectual americana eventualmente chegou ao Brasil, onde o industrial Roberto Simonsen assimilou suas ideias para legitimar o planejamento econômico como instrumento para promover a industrialização e superar o atraso.Resumo em Inglês: Abstract Carl Landauer dealt with the uncertainties of the 1930s and 1940s through strategies articulating theory and policy. For him, economic planning was a strategy to overcome the uncertainties of the market economy: a planned economy would reach an optimal use of resources and avoid monopolies. In 1933, he emigrated to the United States as part of a process of transference of knowledge from Europe to North America, due to the rise of fascism. In America, he conflated the defense of planning with democracy. At this point, the great uncertainty was the transition to a postwar economy. Landauer engaged in a critical debate with Keynesianism and presented planning as a device capable of ensuring economic stability and full employment after the war. His American intellectual production eventually reached Brazil, where the industrialist Roberto Simonsen assimilated Landauer’s ideas to legitimize economic planning as an instrument to promote industrialization and overcome economic backwardness. |
|
Original article A queda da certeza: a crise da racionalidade e da ciência nos escritos de Henri Lefebvre, uma primeira abordagem. Melo, Marcos Gustavo Pires de Resumo em Português: Resumo Esse artigo se apresenta como uma primeira aproximação aos escritos do filósofo marxista francês Henri Lefebvre acerca do problema da racionalidade e da ciência. Busca-se, em um primeiro momento, estabelecer o contexto histórico no qual tais reflexões se inserem e os dilemas filosóficos e sociais que procuram responder, a saber a crise da racionalidade e sua relação com a crise geral da civilização europeia no período do entreguerras. Na sequência apresenta-se a crítica à filosofia tradicional desenvolvida por Lefebvre ao longo da década de 1920 como a forma filosófica da problemática da racionalidade moderna que é, logo em seguida, superada por uma formulação propriamente marxista a partir do arcabouço do desenvolvimento do materialismo dialético dentro do marxismo francês. Por fim, explora-se as repercussões gerais dessa démarche para a compreensão de Lefebvre da necessidade de crítica e revitalização da racionalidade moderna a partir das investigações sobre a Lógica e a Metodologia.Resumo em Inglês: Abstract This article provides an initial exploration of the writings of the French Marxist philosopher Henri Lefebvre concerning the problem of rationality and science. It begins by establishing the historical context in which these reflections emerged as well as the philosophical and social dilemmas they sought to address, notably the crisis of rationality as part of the broader crisis of European civilization in the interwar period. Lefebvre's critique of traditional philosophy, developed in the 1920s, is presented as a philosophical response to the problems of modern rationality, later superseded by a distinctly Marxist formulation rooted in the framework of dialectical materialism being developed within French Marxism. Lastly, the article explores the broader implications of Lefebvre's approach for understanding the need to critique and revitalize modern rationality through his investigations into Logic and Methodology. |
|
Original article Incerteza e Planejamento: Reflexões sobre o Planejamento Indicativo Francês Caldari, Katia Resumo em Português: Resumo A incerteza sempre resulta em um problema de conhecimento escasso. A falta de informação e o conhecimento imperfeito impedem que os indivíduos ajam de forma totalmente racional. Isso é válido tanto no nível micro quanto no nível macro. No nível macro, a impossibilidade de um cálculo econômico perfeitamente racional foi a base do debate sobre o socialismo e da crítica ao planejamento central levantada pela Escola Austríaca. Dada a incerteza, o planejamento era considerado inviável e ineficiente; ao contrário, os defensores do planejamento argumentavam que era precisamente a incerteza que tornava o planejamento necessário. Esta última opinião também era compartilhada pelos planejadores franceses que, após a Segunda Guerra Mundial, promoveram, na França, um tipo de planejamento que poderia ser compatível com a economia de mercado. Este trabalho aborda o caso francês e enfoca as tentativas de Massé de tornar o planejamento tanto “indicativo” quanto “ativo”.Resumo em Inglês: Abstract Uncertainty always results into a problem of scarce knowledge. Lack of information and imperfect knowledge prevent individuals from behaving fully rationally This is true at a micro level as well as at a macro level. At a macro level the impossibility of a perfect rational economic calculation was the ground for the debate on socialism and the critique of central planning raised by the Austrian School. Given uncertainty, planning was considered unworkable and inefficient; on the contrary, supporters of planning argued that it was precisely uncertainty that made planning necessary. This latter opinion also belongs to the French planners who, after World War II, promoted, in France, a kind of planning that could be compatible with the market economy. This work deals with the French case and focuses on Massé’s attempts to make planning both “indicative” and “active”. |
|
Original article The political economy of the uncertainty of capital flows: A historical reappraisal from Prebisch to Neo-Dependentists Lampa, Roberto Sember, Florencia Resumo em Português: Resumo A transformação das economias em desenvolvimento, particularmente as sul-americanas, desencadeada pela reversão dos fluxos internacionais de capital após 2008 e pela subsequente expansão de seus setores financeiros, implicou um ressurgimento da popularidade do que poderíamos chamar de uma abordagem neodependente, focada no conceito de subordinação financeira. Embora essa abordagem seja convincente nos planos teórico e analítico, ela revela algumas implicações controversas. Ao enfatizar o papel das restrições externas nas economias em desenvolvimento, o papel central da subordinação financeira limita implicitamente o espaço para possíveis reformas em níveis regional, sub-regional e nacional que possam mitigar os efeitos da incerteza associada aos fluxos de capital internacional. Com base na história do pensamento econômico, consideramos as numerosas analogias entre a abordagem da subordinação financeira e o Estruturalismo Latino-Americano, particularmente em relação à economia política de Raul Prebisch. Uma reavaliação cuidadosa do último livro (autocrítico) de Prebisch pode fornecer insights interessantes sobre os problemas atuais.Resumo em Inglês: Abstract The transformation of developing economies, particularly South American, triggered by the post-2008 reversal of international capital flows and the subsequent expansion of their financial sectors has implied a resurgence in the popularity of what we might call a neo-dependentist approach, focusing on the concept of financial subordination. This approach, while convincing on the theoretical and analytical planes, has revealed some controversial implications. By emphasising the role of external constraints on developing economies, the pivotal role of financial subordination implicitly limits the space for possible reforms at regional, subregional, and national levels to mitigate the effects of the uncertainty associated with international capital flows. Drawing from the history of economic thought, we consider the numerous analogies between the financial subordination approach and Latin American Structuralism and Raul Prebisch, particularly in the field of political economy. A careful reappraisal of Prebisch’s (self-critical) last book can provide interesting insights into the current problems. |
|
Original article The simple rules of crises and uncertainty in Latin America and what to do about them Lehmann, Kai Enno Resumo em Português: Resumo Português A América Latina está presa em um estado de ‘crise permanente’, seja ela social, política ou econômica. A sua propensão para crises representa um obstáculo sério ao crescimento econômico e à qualidade de vida de centenas de milhões de pessoas. Utilizando o arcabouço conceitual de Complexidade e de ‘Human Systems Dynamics’ - e o Brasil como estudo de caso - este artigo tem como pergunta quais são os fatores-chaves que mantenham os padrões de condições que levam à, e sustentam, crises, apesar dos consideráveis esforços políticos e financeiros para mudá-las por parte dos governos nacionais e da comunidade internacional. Também pergunta o que essa incerteza permanente significa para o desenvolvimento da região e o quê, em termos práticos e políticos, pode ser feito à respeito.Resumo em Inglês: Abstract English Latin America is trapped in a state of permanent crisis, whether it be social, political or economic. Its propensity to crises is a serious drag on economic growth and the overall quality of life for hundreds of millions of people. Using the conceptual framework of complexity and Human Systems Dynamics - and Brazil as a case study- this paper asks what the key factors are which keep patterns of conditions which lead to, and sustain, crises in place despite considerable political and financial efforts to change them by national governments and the international community. It asks what does the permanent uncertainty this brings mean for the development of region and what, in practical political terms, can be done about it. |
|
Original article Governança econômica europeia e incerteza constitucional Masini, Fabio Resumo em Português: Resumo Se excluirmos algumas teorias de governança policêntrica, os economistas geralmente discutem a combinação ideal de políticas em uma determinada estrutura constitucional, caracterizada por instituições e regras estáveis. Esse não é o caso da União Europeia, pelo menos desde o surgimento do euro: uma arquitetura caracterizada por uma instituição monetária supranacional, mas com taxas de juros específicas para cada país e instituições fiscais descentralizadas cujas relações entrelaçadas e estrutura de governança evoluem com o tempo. Longe de proporcionar um grau mais elevado de estabilidade, conforme sugerido pelos defensores inspirados em Hayek, essa estrutura tecnocraticamente tendenciosa está causando incertezas generalizadas de governança e instabilidade macroeconômica, que resultaram repetidamente no atraso da Europa em relação a outros grandes atores globais no enfrentamento de crises. Este artigo analisa os problemas levantados pela necessidade de conduzir a economia em meio a crises endógenas e exógenas em uma infraestrutura de política econômica instável, em profunda evolução, ainda não totalmente definida e com várias camadas na UE.Resumo em Inglês: Abstract If we exclude some theories of polycentric governance, economists usually discuss the optimal policy mix within a given constitutional framework, characterized by stable institutions and rules. This is not the case with the European Union, at least since the birth of the euro: an architecture characterized by a supranational monetary institution but country specific interest rates and decentralized fiscal institutions whose intertwined relationships and governing structure evolve in time. Far from providing a higher degree of stability, as suggested by Hayek-inspired supporters, such technocratically biased framework is causing widespread governance uncertainties and macroeconomic instability, that have repeatedly resulted in Europe lagging behind other major global actors in facing crises. This paper reviews the problems raised by the need to steer the economy through endogenous and exogenous crises in an unstable, deeply evolving, not yet fully defined nor multi-layered economic policy infrastructure in the EU. |
Leia a Declaração de Acesso Aberto
