Open-access CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO SOCIAL DE FUTEBOL INTER CAMPUS NO CONTEXTO DA VIOLÊNCIA EM CRIANÇAS COM VULNERABILIDADE SOCIAL NO MUNICÍPIO DE VICÊNCIA-PE

CONTRIBUTIONS OF THE INTER CAMPUS SOCIAL FOOTBALL PROJECT IN THE CONTEXT OF VIOLENCE AND SOCIAL VULNERABILITY AMONG CHILDREN IN THE MUNICIPALITY OF VICÊNCIA-PE

APORTES DEL PROYECTO DE FÚTBOL SOCIAL INTER CAMPUS EN EL CONTEXTO DE VIOLENCIA CONTRA NIÑOS EN VULNERABILIDAD SOCIAL EN EL MUNICIPIO DE VICÊNCIA-PE

Resumo

O objetivo foi analisar as contribuições do Projeto Social Inter Campus para crianças que vivem em contexto de violência e vulnerabilidade social no município de Vicência-PE. O estudo qualitativo do tipo estudo de caso, o público foram crianças de 6 a 12 anos. A coleta dos dados foi por meio de questionários e entrevistas, a análise foi através da análise de conteúdo. Os resultados apontaram violência inscrita na raiz sociocultural relacionados ao trabalho infantil, familiares viciados em drogas e cumprindo pena de reclusão, agressão familiar, exposição à marginalidade e o bullying nas relações. Em relação à percepção das crianças sobre o projeto, observaram-se respostas relacionadas à felicidade, oportunidade de aprendizado, afinidade com o professor, o gosto pelo treinamento e esperança do sonho em ser um jogador de futebol. A realidade das crianças investigadas é complexa e cercada de estímulos estressores, neste caso a vulnerabilidade social foi caracterizada como violência contextualizada.

Palavras-chave
Projeto Social; Futebol; Violência; Vulnerabilidade social; Crianças

Abstract

The objective was to analyze the contributions of the Inter Campus Social Project to children living in contexts of violence and social vulnerability in the municipality of Vicência, Pernambuco. This was a qualitative case study, with a focus on children aged 6 to 12 years old. Data collection was conducted through questionnaires and interviews, and content analysis was used. The results revealed sociocultural violence related to child labor, family members addicted to drugs and serving prison sentences, domestic violence, exposure to marginalization, and bullying in interpersonal relationships. Regarding the children’s perceptions of the project, responses included happiness, learning opportunities, affinity with the teacher, enjoyment of training, and hope of becoming a football player. The reality of the children studied is complex and surrounded by stress-inducing stimuli; in this case, social vulnerability was characterized as contextualized violence.

Keywords
Football; Violence; Social vulnerability; Children

Resumen

El objetivo fue analizar las contribuciones del Proyecto Social Inter Campus a niños que viven en un contexto de violencia y vulnerabilidad social en el municipio de Vicência, Pernambuco. Se trató de un estudio de caso cualitativo, con niños de 6 a 12 años. La recolección de datos se realizó mediante cuestionarios y entrevistas, y se utilizó el análisis de contenido. Los resultados revelaron violencia sociocultural vinculada al trabajo infantil, familiares adictos a drogas y que cumplen condenas de prisión, violencia doméstica, exposición a la marginación y acoso en las relaciones. En cuanto a las percepciones de los niños sobre el proyecto, las respuestas se relacionaron con la felicidad, las oportunidades de aprendizaje, la afinidad con el profesor, el gusto por el entrenamiento y la esperanza de convertirse en futbolista. La realidad de los niños estudiados es compleja y está rodeada de estímulos estresantes; en este caso, la vulnerabilidad social se caracterizó como una violencia contextualizada.

Palabras clave
Fútbol; Violencia; Vulnerabilidad social; Niños

1 INTRODUÇÃO

O conceito de violência abrange um universo de segmentos, que vai do abandono até a utilização da força, incluindo o assédio moral e sexual (Minayo, 2001; WHO; 2002). Martins (2010), destaca que a agressão, maus-tratos ou abuso de forma intencional é caracterizado como violência "stricto sensu”. Esse tipo de prática é identificado quando o agressor tem total consciência de que está praticando a violência e que esta acarreta consequências negativas para a vítima. Além disso, podemos destacar a violência como parte do meio social e com o ambiente cercado por culturas violentas como: tráfico de drogas, abuso sexual, consumo de substância ilícita, agressão em relação à desigualdade (social, econômica, física, política, gênero e sexo). A síntese parte da compreensão da violência como desenhada nas estruturas sociais e culturais da realidade contemporânea (Vilhena; Maia, 2002).

A vulnerabilidade afeta indivíduos que sofreram em decorrência de uma estrutura política social fragilizada, como também de escolhas pessoais. O vulnerável é considerado aquele mais fraco, que vive em plena condição de desigualdade social, onde a falta de políticas públicas compromete ainda mais essa população (Scott et al., 2018). Como relatam Carneiro, (2019) e Veiga (2019), os indivíduos em vulnerabilidade estão expostos a diversos riscos ou males sociais e à baixa capacidade de recursos, apresentando dificuldade para enfrentar os desafios que surgem no decorrer da vida.

Em contrapartida a esta problemática, é fundamental o aumento de estratégias que possam auxiliar a população, principalmente crianças e adolescentes, destacando: políticas de assistência social, suporte alimentar, promoção da saúde e projetos sociais (Fernandes et al., 2006; Silva, Veríssimo, Mazza, 2015). Os projetos sociais com ênfase na educação por meio do esporte vêm sendo desenvolvidos no Brasil (Batista; Andrade, 2010). Dentre os projetos sociais existentes, podemos destacar aqueles que oferecem atividades esportivas, por meio de vivências: a partir do futebol, basquete, vôlei, handebol, atletismo, lutas, xadrez, etc. Esses projetos, se bem executados, podem gerar mudanças e impactos positivos na vida das crianças e na sociedade ao seu redor (Cortes Neto; Dantas; Maia 2015).

Murad (2012) considera as práticas esportivas como experiências bem-sucedidas capazes de promover a inclusão social. Segundo Schulrnkorf e Sugden 2011, projetos sociais esportivos podem ser utilizados como instrumento estratégico capaz de solucionar conflitos, unir os povos, promover o desenvolvimento e a paz. A pesquisa de Ardila-Patiño (2021) analisou o papel do esporte, pós conflito da guerra envolvendo o governo, grupos paramilitares, sindicatos do crime e grupos guerrilheiros na Colômbia. Foram analisadas 25 famílias que precisaram deixar suas casas para fugir de confrontos armados e foi identificada a importância do “esporte/lazer” no resgate à autoestima, ao convívio social e torná-los resilientes para enfrentamento da vida (Taboada; Legal, Machado, 2006).

Outro projeto que podemos destacar é o projeto social Inter Campus (2025), que tem como finalidade desenvolver a resiliência por meio do futebol em crianças que apresentam vulnerabilidades sociais. O projeto iniciou como uma forma de resgatar os valores éticos e o espírito de fraternidade e ao longo dos 25 anos de existência, o Inter Campus leva treinos de futebol com a sua metodologia própria como forma de oportunidade para crianças em situações de vulnerabilidade em 30 países diferentes.

Sendo assim, o presente estudo teve como finalidade identificar as contribuições do Projeto Social Inter Campus no contexto da violência em crianças. Neste sentido temos como problema de pesquisa: o Projeto Social de Futebol Inter Campus pode contribuir no contexto da violência em crianças com vulnerabilidade social?

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo refere-se a uma investigação qualitativa do tipo estudo de caso (Gil, 2007; Minayo, 2010). Trata-se de examinar as situações empíricas referentes ao fenômeno Projeto Social Inter Campus, o referido projeto opera as suas atividades em realidades complexas (University of Padova, 2021).

A presente pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética da Universidade de Pernambuco, Número do Parecer: 6.203.825. Todos os participantes e responsáveis que manifestaram interesse em participar da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE), em conformidade com as diretrizes éticas estabelecidas pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, que dispõe sobre as normas aplicáveis às pesquisas envolvendo seres humanos.

Os participantes da pesquisa foram 20 crianças com faixa etária entre 06 a 12 anos, escolhidas por conveniência, que participam de forma ativa do projeto. As escolhas das crianças foram realizadas com base nos relatórios históricos já coletados pelo projeto social, elaborados pela psicóloga e pela assistente social. Além disso, também participou um responsável legal por criança, totalizando 20 responsáveis.

As crianças foram convidadas a colaborar mediante a sua participação no projeto a partir da autorização do seu responsável. Desta forma, foram incluídas crianças de ambos os sexos, matriculadas na Rede Municipal de Ensino do município de Vicência-PE e que se enquadraram no perfil de situação de vulnerabilidade social identificados por meio do questionário sociodemográfico.

A coleta dos dados foi por meio de questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada (Gil, 2008). O questionário continha perguntas referentes à temática de objetivo do estudo. Foi realizado com os Pais/responsáveis no formato presencial, para mapeamento das características gerais. Concomitantemente, foram consultados o assistente social e a psicóloga vinculados ao projeto Inter Campus para confirmar esses dados.

A entrevista semiestruturada realizada com as crianças teve como finalidade obter informações específicas referente ao objeto de pesquisa em formato de diálogo assimétrico (Gil, 2008).

Os dados do questionário sóciodemográfico foram tabulados e agrupados. Para analisar as entrevistas foi adotada a análise de conteúdo com a utilização do software Godiagram Express versão 2.6.2 (Santos, 2012; Minayo, 2010).

O tipo da análise de conteúdo foi a categorização por temática. A categorização através da codificação permite velocidade na análise, visto que a ideia é simplificar ou até mesmo enxugar o enunciado deixando apenas trechos relevantes que justifiquem o objeto do estudo (Santos, 2012).

Para se aproximar das exigências técnicas da análise de conteúdo, criamos quadros indicativos de características com intuito de nortear o estudo. Assim como o quadro dos indicadores em seguida, o quadro referente a análises dos dados com as categorias empíricas e unidade de registro (Santos, 2012).

Quadro 1
Explicativo das categorias empíricas de análise

Definimos como categorias analíticas: O contexto da violência e a educação pelo Inter Campus. Estas tiveram como objetivo direcionar nossas reflexões referente ao contexto de violência e o impacto do Projeto Inter Campus na percepção dos participantes. Desta forma, com a perspectiva de otimizar as análises, criamos o primeiro quadro contendo as características das categorias empíricas, assim como as unidades de contexto e registros (Souza Júnior et al., 2010).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os critérios que foram levados em consideração se deram pelo contexto no qual a família da criança estava inserida. A partir disso, selecionamos 20 crianças para participarem da entrevista e da pesquisa. O critério de seleção das crianças se deram a partir dos atendimentos realizados pelo assistente social e psicóloga vinculados ao Projeto Social Inter Campus, em que já havia relatórios e histórico de intervenção por parte do projeto.

Nesse sentido, iniciamos a análise de nossos indicadores com os aspectos relacionados à localidade e escola referente aos alunos. Há duas comunidades principais em que moram a maioria dos alunos, 10 alunos estudam na escola da Comunidade Cristã. Outros 8 alunos estudam na Escola Luiz Maranhão e 2 na Escola Juvenato Padre Guedes.

Entre os alunos selecionados há o descritor importante de raça, pois este dado nos ajuda a relacionar conceitos importantes de nossa análise referentes na vida dos alunos. Destacamos que 14 alunos se consideram negros, 4 são pardos e 2 são brancos.

Entre as famílias dos alunos selecionados, foi perguntado se as famílias recebiam algum benefício social ofertados pelas políticas públicas brasileiras, como Benefício de Prestação Continuada, Bolsa Família, algum auxílio financeiro ou aposentadoria. Entre as famílias, 19 afirmaram receber algum benefício, e, entre os benefícios, se sobressai o Bolsa Família; e uma não recebia, pois estava enfrentando burocracias no recebimento do Bolsa Família que estava bloqueado.

Foi perguntado se as famílias presenciavam em suas comunidades algumas situações de violência, como batida policial, tiroteio, tráfico de drogas, brigas de rua ou bares e violência familiar envolvendo vizinhos. Das respostas recolhidas, 10 relataram presenciarem muitas vezes as situações de violência destacadas; 8 algumas vezes, e 2 nenhuma vez.

Acerca do acesso a direitos básicos pelas famílias, 7 famílias relataram encontrar dificuldades no acesso aos direitos; 10 relataram estar em situação de vulnerabilidade, com destaque para dificuldade em conseguir a alimentação diária; 3 relataram não ter nenhuma dificuldade.

Sobre os tipos de comportamento dos alunos, entre as respostas 6 pais responderam que os filhos são tranquilos, 2 que são obedientes, e a maioria das respostas caracterizaram os alunos agressivos, 12 alunos. Também foi perguntado se já houve algum problema de comportamento na escola envolvendo o aluno, como briga, falta de disciplina escolar. 14 entrevistados disseram que sim, já houve situações envolvendo os alunos; e 6 responderam que nunca houve nenhum problema na escola.

Acerca do Projeto Social Inter Campus, foi perguntado se os pais acreditavam que as atividades do projeto beneficiavam os alunos em sua rotina diária, e todos receberam que sim.

3.1 REALIDADE FAMILIAR E SOCIAL DAS CRIANÇAS

As crianças que convivem em situação de vulnerabilidade social apresentam uma rotina diária sem muitas variações e com grandes dificuldades de aprendizagem em seu processo de formação (Silva; Veríssimo; Mazza, 2015). Sua aprendizagem é comprometida diante dos grandes problemas inscritos em todas as estruturas sociais (Silva; Rapoport, 2013).

As crianças trouxeram em suas falas pontos cruciais para expressar um pouco da realidade que vivem. Ao relatarem que deixam de participar dos treinos para auxiliar a mãe ou o pai em atividades domésticas ou laborais, nove crianças evidenciaram uma realidade que remete à compreensão do trabalho infantil, ainda que sob uma perspectiva subjetiva. Tal situação reflete um fenômeno recorrente em famílias de baixa renda, nas quais a necessidade de contribuição das crianças às dinâmicas familiares acaba interferindo em suas vivências lúdicas e esportivas (Moreira; Custódio, 2018). O trabalho infantil é caracterizado por qualquer atividade remunerada ou não que atrapalhe o desenvolvimento integral da criança (Aguiar Júnior; Vasconcellos, 2017). Por sua vez é importante diferenciar atividade familiar educativa, trabalho doméstico infantil e trabalho infantil em ambientes de trabalho adulto. A atividade familiar educativa refere-se à participação da criança em pequenas tarefas domésticas adequadas à sua idade, com o objetivo de desenvolver autonomia, responsabilidade e cooperação. Essas ações têm caráter formativo e não interferem nos estudos nem no lazer, sendo consideradas parte do processo educativo familiar. Já o trabalho doméstico infantil ocorre quando a criança ou o adolescente assume responsabilidades excessivas dentro de casa ou na residência de terceiros, realizando tarefas de forma contínua e pesada, o que compromete a escolarização, o descanso e o desenvolvimento físico e emocional. Por fim, o trabalho infantil em ambientes adultos envolve a inserção de menores em atividades produtivas e econômicas, geralmente em espaços externos como fábricas, lavouras ou comércios, expondo-os a riscos e exigências próprias de adultos (Campos, 2021).

O que significa o trabalho infantil na vida dos alunos? A criança deixa de ir ao treino, onde ele se sente feliz, para ir trabalhar. Temos um ponto interessante que é: a criança deixa de ter acesso ao lazer e educação, devido a sua vulnerabilidade social. Dentro desse contexto, o Projeto Social Inter Campus, quando atua e garante que a criança tenha acesso às atividades, indo ao encontro de sua realidade, temos pontos positivos em relação a ação do projeto no combate à violência e violações de direitos na vida dessas crianças.

Podemos entender melhor essas realidades a partir das falas das crianças quando o intuito foi compreender um pouco da dinâmica de vida de alguns dos participantes. Como podemos observar a seguir:

[...] Mainha manda eu ajudar ela[...] (005)

[...] arrumo a casa e ajudo a minha mãe a cuidar do meu irmão. (C007)

[...] ajudo minha mãe cuidando do menino dela. (C012)

[...] varro a casa depois quando minha mãe manda eu ir para algum canto eu vou. (C013)

Analisamos também que quando as crianças não estão “trabalhando” passam a maior parte do tempo na rua como foi relatado por 06 crianças participantes do estudo. Pensando em aprofundar esta especificidade, o questionário tratou de direcionar algumas particularidades relacionados à realidade social das referidas comunidades.

Os dados nos permitem olhar para a comunidade com atenção porque sabemos da influência que o meio proporciona ao indivíduo, os aspectos marginalizados socioculturais das mais diversas particularidades podem impulsionar as crianças para o caminho errado (Moreira et al., 2009). O lado negativo da rua/comunidade parte da reflexão e do questionamento da criança na situação de pobreza sem oportunidades, onde ela representa uma camada da população expostas a diversos males sociais como grupos de facções, tráfico de drogas, violência institucional e vários outros.

O brincar na rua também pode ser utilizado para diversas finalidades como os benefícios psíquico, afetivo, cognitivo e social (Paixão, 2018). Observamos também que das seis crianças que falaram que ficam na rua brincando de bola todas elas referem-se a brincadeiras relacionadas ao futebol. Na sociedade Brasileira é cultural a prática de brincadeiras voltadas para o futebol, principalmente dentro das periferias e comunidades (Freire, 2021). E observado também nas falas das crianças:

[...] fico brincando no campo de bola [...] (C001)

[...] eu fico brincando de bola na minha rua [...] (C008)

[...] Fico na rua jogando bola [...] (C010)

Dentre esses aspectos entendemos a importância de um ambiente saudável para uma boa construção da identidade das crianças. Definir um ambiente saudável é bem complexo, pelo motivo de envolver vários setores, mas aqui seguimos a diretriz associada à justiça social onde todos tenham igualdade em seu direito, para assim garantir o bem-estar gerido e administrado pelas políticas públicas (Zeifert; Cenci; Manchini, 2020).

Prosseguindo para próxima etapa da investigação a problematização partiu do pressuposto em desvendar o que a criança sente pelos seus familiares e os laços afetivos existentes entre eles. Geralmente as famílias que passam por estímulos estressores podem ser destruídas, mas a sua maioria tende a construir laços mais firmes que supere e fortaleça os vínculos afetivos (Torres et al., 2020).

Foi nessa direção que a maioria dos participantes relatou em suas falas, o pertencimento de um certo sentimento de amor pelos seus responsáveis e que aparentemente se sentem confortável com a família, como apresentado nessas três falas a seguir:

[...] eu amo muito a minha família [...] Sempre quero entender o que eles falam e também obedecer a eles do jeito que eu obedeço. (C07)

[...] De amor né? Eu gosto muito [...] (011)

[...] O sentimento é muito grande [...] É isso, o amor que eu sinto pelo meu pai, minha mãe, meu irmão. (C012)

Como podemos observar os problemas serviram para fortalecer ainda mais os laços familiares. Mais uma vez corroboramos com a especificidade na resiliência familiar, os desafios, as lutas, os problemas, as trocas afetivas, momentos de felicidades e muitos outros devem ser levados em consideração, pois colaboram para o despertar do sentimento afetivo por parte das crianças (Torres et al., 2020).

A compreensão deste trabalho contextualizou a violência como inscrita no meio sociocultural dos participantes do estudo. A figura abaixo apresenta de forma representativa os tipos de violências identificadas como realidades culturais do público investigado. Vale ressaltar que a figura é direcionada para ilustrar a realidade de famílias que convivem em situação de vulnerabilidade social. Devemos levar em consideração que são representações específicas de grupos familiares residentes de comunidades carentes na Zona da Mata Pernambucana.

Figura 1
Violência inscrita na cultura do público investigado

Os problemas familiares expostos na figura acima nos direcionam para os aspectos socioeconômico e cultural vivenciados por determinadas famílias. Muitas das famílias dos participantes convivem em situação plena de desigualdades em oportunidades, sendo este um agravante explícito no direito ao desenvolvimento dos indivíduos (Costa; Aguiar, Souto, 2017). Essa desigualdade ao acesso pode ser um dos fatores que levam os familiares a tomarem decisões que vão de encontro a um comportamento antissocial. Posto isto, no relato dos participantes observamos que três entrevistados expressaram que em seu ciclo familiar tem um membro da família cumprindo pena de reclusão. Como podemos observar nas falas das crianças:

[...] eu amo a minha família..só que meu pai está preso [...] (C02)

[...] gosto muito da minha família. gosto de ser da minha família, minha mãe está presa [...] (C010)

[...] eu gosto de todos eles... meus sobrinhos, minha mãe e a minha irmã que está presa [...] (C017)

Além do fator de reclusão, observamos também um direcionamento de membro da família viciado em álcool. Como podemos observar na fala do participante:

[...] minha família é só eu e minha mãe. é um pouco complicado porque ela bebe todos os dias [...] (004)

O álcool por ser considerado uma droga lícita, muitos indivíduos são usuários, mas isso não quer dizer que ela não traga prejuízos sérios para a saúde do usuário e para todos que estão em volta (Costa; Aguiar; Souto, 2017). Para se ter ideia todos os participantes informaram conhecer a diferença entre álcool e droga. Quanto ao conhecimento entre drogas lícitas e ilícitas, 16 crianças participantes deste estudo afirmaram saber o que é droga e já presenciaram alguém usando droga ilícita e 04 delas nunca presenciaram. Quando a entrevista direcionou para o conhecimento sobre o álcool todos os participantes expressaram que sabem o que é, foi perceptível observar que já sabem o seu efeito e ao relatá-lo durante as entrevistas as crianças se sentiram mais à vontade para falar sobre o uso de álcool. Como observado na fala das crianças:

[...] só bebendo [...] usando drogas não [...] (C01)

[...] fumando não, mas bebendo já [...] (C02)

[...] Já vi gente bebendo bebida alcoólica, mas droga não [...] (C06)

A partir do estudo de Neves e colaboradores (2021), foi identificado o aumento de escolares que consomem álcool. Esse dado é alarmante, tornando necessária uma atenção especial dos familiares, uma relação familiar harmonizada pode contribuir para a diminuição do consumo desta substância. O autor aborda também que otimizar a supervisão familiar pode ser uma estratégia importante na prevenção

A percepção da criança nos direciona para um panorama de violência não só relacionados com os fatores ligados à família como citado anteriormente, mas principalmente nos ciclos de amizades que as crianças fazem parte. Nas falas dos participantes onze deles relataram a presença no campo da violência linguística, mas conhecido como bullying no processo de interação entre as crianças. Como observado na fala das crianças:

[...] sim. Me chamam de macaco.. Fico muita com raiva [...] (C01)

[...] muitos abusam a pessoa chamando de veado (C03)

[...] sim.. chama de baleia, gorda. (C04)

[...] sim. me chamam de cabelo duro, eu fico triste e vou pra casa (C12).

Independentemente do tipo, a violência é um fenômeno que prejudica e acarreta problemas para o indivíduo, tornando-o uma questão de saúde pública (Mello, 2018). O ponto central do bullying é na troca das relações entre os sujeitos, um indivíduo coloca o outro para baixo, abusa, massacra, ofende simplesmente pelo fato das suas características particulares (Hahn, 2023). Essas práticas são culturais do Brasil e vem crescendo cada vez mais e o agravante é que geralmente elas ocorrem em período de formação do indivíduo (Hahn, 2023).

São vários os contextos de violência que cercam a vida das crianças investigadas. É um problema estrutural diagnosticado como socioeconômico e cultural como citado anteriormente.

Para finalizar este bloco, apresentamos a discussão sobre a problemática referente à agressão física. Os responsáveis pelas crianças carregam, em sua dinâmica histórica e cultural, essa prática. O relacionamento entre adultos e criança, ou entre pai e filho, vem passando por um processo de desconstrução histórica, especialmente quando se fala nas “velhas palmadas” (Zagury, 2022). A autora propõe um olhar mais humano e, até mesmo, mais civilizado nas relações educacionais entre os envolvidos. No entanto, para a realidade do nosso público, residente em bairros carentes localizados na Zona da Mata pernambucana, essa desconstrução parece ainda não ter ocorrido. A maioria dos participantes desta pesquisa relatou que apanhava dos pais, como pode ser observado nas falas das crianças apresentadas a seguir:

[...] Bate e bate mesmo (C004)

[...] Sim. Tem vez que bate devagar e tem vez que é forte (C011)

[...] Sim. Mete o pau mesmo (C012)

Essa prática é carregada de aspectos negativos que interferem no desenvolvimento da criança, levando problemas sérios para outras fases do crescimento. Uma vez crianças que convivem com a agressão física em seu ambiente, futuramente serão adolescentes e adultos comprometidos e que consequentemente teremos uma sociedade comprometida (Patias; Siqueira; Dias, 2012).

O Projeto Social Inter Campus atua como o instrumento de suporte às crianças vítimas de agressão ou violação do direito. São tomadas as medidas cabíveis que vão desde o auxílio da equipe de profissionais multidisciplinares e em casos graves denúncia às autoridades competentes como o conselho tutelar ou até mesmo a delegacia civil do município.

Não podemos deixar de expressar toda a nossa compreensão sobre os limites e possibilidades do projeto social Inter Campus. É perceptível que o referido projeto não apresenta contribuição quanto aos aspectos relacionados à diminuição da pobreza, diminuição dos indicadores de risco alimentar, garantia à assistência aos responsáveis pela criança e entre outros.

3.2 PERCEPÇÃO DAS CRIANÇAS SOBRE A IMPORTÂNCIA DO PROJETO SOCIAL INTER CAMPUS

O segundo bloco, referente às categorias empíricas, teve como princípio investigar a importância do Projeto Social Inter Campus na ótica das crianças. Inicialmente elucidamos sobre os objetivos e características do projeto. Como eixo principal da discussão, procuramos problematizar a partir da compreensão das falas dos entrevistados especificando a dinâmica deles nos dias de Projeto Social Inter Campus.

Isto posto, o Inter Campus é um projeto de cunho social do F.C. Internazionale de Milano que existe desde 1997. Atualmente encontra-se presente em 30 países ao redor do mundo e conta com o apoio de 200 colaboradores locais. Utiliza o futebol como ferramenta educacional para dez mil meninos e meninas espalhados pelo mundo (Castelli, 2020).

O intuito dos projetos sociais esportivos, dentre eles o Inter Campus é proporcionar um tempo de qualidade dentro da rotina das crianças contribuindo para sua formação (Castelli, 2020). O mais importante para o projeto, é retirar os alunos de casa, levar para um ambiente seguro, suficientemente bom, fazer dinâmicas lúdicas esportivas e acima de tudo interagindo com outras crianças para desenvolver habilidades para a vida (Ciampolini et al., 2020). Essas ações realizadas podem impactar não só nas habilidades para a vida, pode contribuir para melhorar o contexto social das crianças, inclusive na diminuição da violência. Segundo Eiras (2011), em um estudo denominado, Significado de um projeto social esportivo: no caso do projeto esporte em ação – Núcleo Vila Torres, observou-se a importância no sentido de proteger a criança dos males sociais e a violência é uma delas, evitando más companhias, caminho errado como o envolvimento com drogas e uma atenção para o afastamento do trabalho infantil.

Nesse sentido, as avaliações positivas referentes ao projeto Segundo Tempo do governo federal são para nós o modelo de política pública esportiva que se aproxima da ideia de democratização do direito ao acesso à educação pelo esporte. Democratizar o esporte, trata-se de uma batalha incansável no qual todos devem despertar para essa causa, mas é obrigação das políticas públicas levar desporto nas suas mais variadas dimensões sociais para a sociedade (Taffarel; Santos Júnior, 2019; Ciampolini et al., 2020). Para Taffarel e Santos Júnior (2019), torna-se visível a consequência social afetada com o desmonte de políticas públicas esportivas.

Independente de política pública ou privada, o esporte educacional ou participação deve chegar a todos que desejam e querem gozar do seu direito, mas a legislação brasileira é falha quando se trata de garantir o direito ao esporte. Pois é observado falta de investimentos, diminuição de políticas esportivas ao longo do tempo e cobrança da sociedade pelos seus direitos relacionados ao esporte (Canan; Rojo; Starepravo, 2019).

O esporte educacional e participativo pode desenvolver o sentimento da felicidade nos seus participantes (Peres et al., 2019). O público deste estudo convive numa realidade desfavorável por se tratar de duas comunidades localizadas no interior de Pernambuco, famílias que convivem com a pobreza, desigualdades educacionais, indicadores de risco alimentar, entre outros. Características estas que estão presentes com maior frequência nas regiões Norte e Nordeste (Bergamo; Silva, 2020).

Todos os participantes do estudo expressaram o sentimento de felicidade quando tratamos de investigar quais os sentimentos nos dias de Projeto Social Inter Campus e ao chegar no local de treino também. Como podemos observar a seguir:

[...] felicidade porque aqui a gente faz várias brincadeiras [...] (C02)

[...] animado, doido para jogar, né? É assim, eu me acordo logo cedo [...] (C06)

[...] eu acordo feliz porque é muito bom jogar [...] (C011)

[...] feliz... por conta dos professores e amigos que são muito legais comigo [...] (C014)

Esse feedback permite refletir as contribuições do Projeto Social Inter Campus sobre pontos extremamente pontuais, como por exemplo: Quebra de rotina proporcionando mudanças temporárias da realidade, amenizador dos impactos psicossociais definidos como eventos estressores e no desenvolvimento da resiliência.

Ainda analisando a unidade de contexto voltada para os aspectos sentimentais, quando a discussão partiu para identificar qual a motivação dos participantes em continuar treinando, 09 relataram que gostam dos treinos porque é bom, 07 expressaram gostar do professor, relação professor/aluno (interação social), 03 trouxeram aspectos relacionados a sair de casa porque em casa não tem nada para fazer e as outras apontaram que sonha se tornar jogador de futebol. Como observado na fala dos participantes:

[...] porque é bom treinar, ficar treinando. Muito bom jogar de bola também [...] (C01)

[...] que o jogo é muito bom... que eu gosto muito de jogar bola [...] (C018)

[...] os professores e os alunos [...] (C014)

[...] porque quando eu crescer eu quero ser um jogador, ou então eu posso ser um treinador de educação física [...] (C010)

[...] porque não tem nada para fazer em casa [...] (C005)

A maioria apontou para o motivacional voltado para a relação professor/aluno. Essas comunicações positivas entre professor/aluno estão relacionadas a diversos aspectos, dentre eles o metodológico do Projeto Social Inter Campus, vale salientar que o referido projeto apresenta uma metodologia própria. Sendo esta, dividida em quatro etapas: Fase inicial, fase analítica, situacional e o jogo final. Todas as estruturas de treinamento buscam desenvolver as quatro áreas da personalidade: Cognitivo, emocional, social e física. Todas as estruturas de treino devem buscar a ludicidade, com menos ênfase no gestual técnico e focalizando a interação social e a construção de um ambiente satisfatório (Inter Campus, 2024).

O gostar do professor é uma fala pragmática, carrega em sua essência vários valores incubados que são pertinentes e digno de um educador, como por exemplo o respeito, a empatia, a confiança e o amor nas relações entre educador e educando (Freire, 2022). Para a pedagogia do oprimido, o processo de educação é sinônimo de diversas exigências. Por isso, compreendemos que professor de um projeto social esportivo precisa ter acima de tudo sensibilidade pela causa, além de todo o trato pedagógico para fazer o ambiente construtivo para todos os envolvidos no processo. (Freire, 2017).

De certa forma o futebol é o esporte presente na cultura da massa e talvez isto justifique a soberania nos veículos de imprensa. O futebol brasileiro passou a ser visto com outros olhos depois das conquistas dos mundiais. O futebol com drible e arte encantou o mundo e todas as mídias voltaram-se para o futebol brasileiro. Em consequência disso temos a ascensão do futebol e de atletas, que se profissionalizaram e conseguiram mudar a sua vida e a dos seus familiares (Oliveira, 2021).

Para Caldas (1994), na raiz da discussão há uma dualidade quanto à relação do futebol com a sociedade brasileira. Para aprofundarmos, vale ressaltar que de um lado o futebol é abordado como um produto de manipulação da massa que tira o foco de alguns problemas prioritários. E por outro lado, analisa o futebol como fenômeno sociocultural livre de qualquer interesse dominante implícito. O futebol e a política caminham juntos, sobretudo para garantir o estado democrático de direito (Souza Júnior, 2020). O futebol com o verdadeiro intuito social e educacional é livre de qualquer conexão que atrele à privação de construção de uma sociedade justa dos valores e com a evolução individual e social.

Essa discussão é pertinente porque 02 dos entrevistados falaram que o que os motiva a continuarem treinando no Projeto Social Inter Campus, segue também pela perspectiva de realização do sonho de se tornar jogador de futebol.

Segundo Oliveira (2021), tornar-se jogador de futebol é o desejo de muitas crianças no Brasil, porém a realidade é complexa e praticamente impossível. Isso ocorre principalmente por conta da estrutura arquitetada e também por muitas das crianças não terem a oportunidade de crescer e se desenvolver com uma iniciação esportiva partilhando do pensamento na desigualdade ao acesso a práticas esportivas (Spaaij, 2015). Inserir as crianças vulneráveis ou desfavorecidas em projetos sociais esportivos podem ser sim um suporte inicial na formação de atletas, geralmente é o primeiro contato das crianças com práticas esportivas.

Para encerrar, o entendimento frente à unidade de contexto voltada para a motivação, a entrevista buscou investigar se, na concepção dos participantes, o Projeto Social Inter Campus é importante e pode ajudar no seu dia a dia. De forma clara e objetiva todos os participantes apontaram que sim, o destaque foi que 10 dos participantes justificaram o motivo de aprender coisas novas, 07 delas apontaram que se sentem felizes e 3 citaram mais uma vez que o projeto pode ajudar a ser jogador. Como observado na fala dos participantes:

[...] sim... porque aqui a gente aprende várias coisas... quando a pessoa está com raiva relaxa [...] (C002)

[...] sim... ajuda a aprender, a não chamar palavrão [...] (C012)

[...] sim. Porque aqui eu aprendo algumas coisas novas como não abusar o colega [...](C004)

[...] sim. Porque quando a pessoa joga a pessoa fica mais feliz mais animada [...](C011)

[...] ajuda. Porque quando eu crescer eu posso ser um jogador de futebol [...](C010)

A nossa diretriz passa pelo pressuposto de que educação não se faz só dentro da escola, qualquer lugar ou grupos de pessoas com bons princípios e civilização fará do ambiente um espaço construtivo e acima de tudo educativo (Souza Júnior, 2020). Para Bergamo e Silva (2020), os participantes do projeto social Esporte Cidadão de Indaiatuba-SP, numa perspectiva de esporte lazer, atribuíram a satisfação dos entrevistados na aprendizagem, no desenvolvimento de relacionamento com o pressuposto de socializar, de dialogar, procurar fazer amigos novos e trabalhar coletivamente.

A figura a seguir demonstra de forma representativa, conforme o modelo que adotamos, relatos acerca da percepção das crianças sobre o Projeto Social Inter Campus.

Figura 2
Percepção das crianças sobre o projeto social Inter Campus

A figura acima ilustra a percepção dos participantes sobre o objeto investigado. Neste caso, a árvore foi representada por particularidades mediante o objetivo do estudo do processo sociológico entre o Projeto Social Inter Campus e crianças em situações de vulnerabilidades localizados no município de Vicência-PE.

A figura representa a categoria empírica do caso investigado. Esta apresenta como o Projeto Social Inter Campus interage com os seus participantes pela perspectiva principal da afetividade conectando emoções e sentimentos dentro do contexto do projeto. Independente do ambiente educacional o afeto é um elemento fundamental para o processo de ensino e aprendizagem (Silva, 2002).

A outra unidade de contexto aborda aspectos que garantem a permanência do participante no Projeto Social Inter Campus. Os resultados seguiram a estrutura da unidade de registro subdividida em blocos: Gostar do professor e do treinamento ajuda a aprender e à realização pessoal de um sonho como mostra a figura. A relação professor/aluno quando bem desenvolvida contribui em diversos fatores como desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança sendo um facilitador no processo de ensino/aprendizagem (Tassoni, 2000).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O referido estudo teve como propósito a problematização referente à contribuição do projeto social Inter Campus para crianças que convivem com a vulnerabilidade social e violência no município de Vicência-PE. Com relação à vulnerabilidade social e violência observaram-se diversas realidades complexas que desfavorecem o desenvolvimento da personalidade. Aspectos relacionados como trabalho infantil, membros familiares cumprindo pena de reclusão por comportamento antissocial, familiares viciados em drogas licitas e ilícitas, a presença do bullying nas relações, agressão física por parte dos responsáveis como método de educar e os riscos comunitários devido à marginalidade e as negligências na educação foram identificadas na vida das crianças. Observamos na integra que a própria vulnerabilidade social é considerada como o contexto de violência.

Estudar essas interações permitiu-nos uma aproximação de realidades de vidas que na maioria das vezes são esquecidas ou ofuscadas. É como se essas famílias fizessem parte de uma estrutura da sociedade às quais são isentas dos direitos básicos, fazendo com que a vida seja uma constante luta pela sobrevivência. E em consequência disso as crianças são obrigadas a se tornarem adultos reduzidos para dar conta da complexidade do viver nessas condições.

É importante ressaltar que as contribuições do estudo realizado sobre o projeto foram positivas ao dar clareza e entendimento para as questões sociais que têm influência na vida das crianças. As contribuições do Projeto Social Inter Campus foram as seguintes: I- Garantia do direito à educação pelo esporte, II- Otimização do tempo livre III- Quebra de rotina, IV- afasta as crianças dos locais marginalizados, V- retira as crianças de suas casas, evitando mais um dia de trabalho e VI- desenvolve a resiliência. Porém quando o assunto é voltado para problemas mais complexos como: diminuição da pobreza, acesso à educação de qualidade, suporte alimentar, assistência nos aspectos relacionados a saúde e entre outros o projeto não consegue suprir as necessidades das crianças.

O estudo direcionou para os fatores voltados para interação da violência contextualizada das crianças e como o projeto pode contribuir. Porém, em futuros estudos, diversas outras diretrizes relacionadas ao Projeto Social Inter Campus podem e devem ser exploradas como: descrever a dinâmica do projeto, as contribuições do projeto para o ambiente escolar, contribuições do projeto para o ambiente familiar, interesses sociais, econômico e político, dentre outras.

  • FINANCIAMENTO
    O presente trabalho foi realizado sem o apoio de fontes financiadoras.
  • ÉTICA DE PESQUISA
    A pesquisa seguiu os protocolos vigentes nas Resoluções 466/12 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil e foi aprovada pelo Comitê de Ética de Pesquisa (CEP) da Fundação Universidade de Pernambuco, n. protocolo 6.203.825.
  • COMO REFERENCIAR
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DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    26 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    16 Jul 2025
  • Aceito
    16 Out 2025
  • Publicado
    23 Dez 2025
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