Resumo
Esta revisão sistemática analisou a produção científica sobre a utilização do Wushu como ferramenta pedagógica na educação física escolar. A busca foi realizada nas bases Scopus, Web of Science e Scielo Brasil, seguindo as diretrizes do PRISMA. Foram inicialmente identificados 129 estudos, dos quais cinco cumpriram integralmente os critérios de inclusão. A síntese revelou benefícios psicossociais, motores e cognitivos associados à prática do Wushu, destacando seu potencial formativo. Entretanto, a literatura permanece concentrada na Ásia Oriental, com predominância de estudos com amostras reduzidas, falta de controle de variáveis relevantes e uso predominante de medidas subjetivas. Conclui-se que o Wushu possui potencial pedagógico significativo, mas sua implementação demanda adaptações culturais e curriculares, bem como maior rigor metodológico em futuras investigações. A ampliação do escopo geográfico e metodológico é recomendada para consolidar evidências mais robustas e aplicáveis a contextos educacionais diversos.
Palavras-chave
Wushu; Educação Física Escola; Intervenção Pedagógica; Artes Marciais
Abstract
This systematic review analyzed the scientific literature on the use of Wushu as a pedagogical tool in school physical education. The search was conducted in the Scopus, Web of Science, and Scielo Brasil databases, following the PRISMA guidelines. Initially, 129 studies were identified, of which five fully met the inclusion criteria. The synthesis revealed psychosocial, motor, and cognitive benefits associated with the practice of Wushu, highlighting its formative potential. However, the literature remains concentrated in East Asia, with a predominance of studies with small samples, a lack of control over relevant variables, and a predominant use of subjective measures. It is concluded that Wushu has significant pedagogical potential, but its implementation requires cultural and curricular adaptations, as well as greater methodological rigor in future investigations. Expanding the geographical and methodological scope is recommended to consolidate more robust and applicable evidence in diverse educational contexts.
Keywords
Wushu; School Physical Education; Pedagogical Intervention; Martial Arts
Resumen
Esta revisión sistemática analizó la producción científica sobre el uso del Wushu como herramienta pedagógica en la educación física escolar. La búsqueda se realizó en las bases de datos Scopus, Web of Science y Scielo Brasil, siguiendo las directrices del PRISMA. Inicialmente, se identificaron 129 estudios, de los cuales cinco cumplieron íntegramente con los criterios de inclusión. La síntesis reveló beneficios psicosociales, motores y cognitivos asociados con la práctica del Wushu, destacando su potencial formativo. Sin embargo, la literatura sigue concentrada en Asia Oriental, con predominio de estudios con muestras reducidas, falta de control sobre variables relevantes y uso predominante de medidas subjetivas. Se concluye que el Wushu tiene un potencial pedagógico significativo, pero su implementación requiere adaptaciones culturales y curriculares, además de un mayor rigor metodológico en futuras investigaciones. Se recomienda ampliar el alcance geográfico y metodológico para consolidar evidencias más sólidas y aplicables en diversos contextos educativos.
Palabras clave
Wushu; Educación Física Escolar; Intervención Pedagógica; Artes Marciales
1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, as artes marciais têm sido reconhecidas globalmente como práticas pedagógicas eficazes no contexto da educação física escolar, promovendo benefícios que transcendem o condicionamento físico e abrangem dimensões psicológicas, sociais e culturais. Evidências recentes indicam efeitos positivos na saúde mental de adultos praticantes (Ciaccioni et al., 2024), no desenvolvimento de competências psicológicas como resiliência e regulação emocional, fundamentais para a prevenção de lesões e o bem-estar dos atletas (Patenteu et al., 2024), e em benefícios amplos para indivíduos de todas as idades, com melhorias associadas à saúde mental, à função cognitiva e às interações sociais, consolidando o caráter holístico dessas práticas (Sun et al., 2024).
Entre as diversas modalidades, o Wushu ocupa uma posição singular, não apenas pela sua longa tradição e riqueza cultural, mas também pelo seu potencial educativo, já tematizado em experiências pedagógicas no contexto escolar brasileiro (Pereira et al., 2023), bem como pela crescente adoção como componente curricular em sistemas educacionais, especialmente na China, onde políticas públicas e programas universitários promovem sua integração à formação escolar (Zhang et al., 2023).
Apesar desse avanço, a disseminação do Wushu em ambientes escolares permanece concentrada principalmente na Ásia Oriental, sendo ainda incipiente em outras regiões do mundo, como América Latina, Europa e África. Essa assimetria configura um cenário global caracterizado por iniciativas localizadas, mas carente de uma perspectiva sistemática sobre a aplicabilidade, os benefícios e os desafios pedagógicos dessa prática em contextos escolares diversos. Pesquisas conduzidas no Japão e na China confirmam benefícios expressivos à saúde física, mental e social de estudantes universitários (Jiang, 2024), bem como de escolares do ensino fundamental, ainda que tais investigações revelem limitações metodológicas, como a predominância de modelos tradicionais de ensino, a baixa inovação pedagógica e desafios na implementação de abordagens mais integradas e motivadoras (Song; Shapie, 2024a, 2024b). Além disso, embora investigações tenham demonstrado impactos positivos na formação de competências psicossociais e motoras, tais evidências permanecem restritas à Ásia Oriental, reforçando a necessidade de ampliação e diversificação das pesquisas nesta área (Dou; Qiong; Xiao, 2025). No Brasil, experiências pedagógicas com o Wushu são raras e pouco sistematizadas, o que revela uma lacuna importante na produção acadêmica nacional e na formação docente voltada para práticas corporais não hegemônicas (Oliveira; Magaldi Filho; Kishimoto, 2025).
Enquanto práticas como Judô, Karatê e Taekwondo contam com uma sólida base de produção científica que consolida suas contribuições à educação formal, o Wushu permanece relativamente marginalizado nos debates acadêmicos e pedagógicos. Essa marginalização pode ser compreendida à luz da teoria do currículo seletivo, que explica como determinadas práticas são legitimadas enquanto outras são excluídas, com base em critérios que refletem relações de poder, colonialidade do saber e interesses político-econômicos (Neira; Santos Júnior; Masella, 2025). Com frequência, o Wushu surge como objeto de investigações esparsas, por vezes limitadas metodologicamente e com baixa articulação entre dimensões técnicas, culturais e educativas (Chen, 2022; Liu; Nirantranon; Hongsaenyatham, 2023). Embora as diretrizes curriculares nacionais sejam claras, o Wushu permanece pouco explorado na educação física escolar. No presente estudo, denominam-se lacunas conceituais a ausência de enquadres teóricos sobre cultura corporal, interculturalidade e perspectivas de currículo crítico que orientem a seleção, a organização e o sentido pedagógico do ensino de Wushu na escola. Por lacunas institucionais, entende-se a falta de políticas e diretrizes específicas, a insuficiente formação docente voltada às lutas e a escassez de materiais didáticos padronizados e validados para o contexto escolar. Discutir o potencial pedagógico do Wushu, portanto, implica não apenas avaliar benefícios, mas também problematizar os mecanismos que limitam sua inserção, especialmente em contextos latino-americanos marcados por desigualdades educacionais e culturais.
Além dessas dimensões, identificam-se importantes fragilidades metodológicas na literatura sobre o ensino do Wushu: prevalece o uso de delineamentos com amostras reduzidas e não probabilísticas, o que compromete a representatividade e a generalização dos achados (Zhang et al., 2023). Observa-se, ademais, a ausência recorrente de controle de variáveis intervenientes fundamentais, como idade, frequência de treinamento, nível de escolarização e contexto socioeconômico, que influenciam diretamente os resultados pedagógicos e dificultam a comparabilidade entre estudos (Song; Shapie, 2024a). Soma-se à predominância de medidas subjetivas e de curto prazo, geralmente baseadas em autoavaliações, em detrimento de indicadores objetivos de desempenho ou desenvolvimento (Song; Shapie, 2024b). Por fim, a carência de pesquisas longitudinais, capazes de aferir efeitos sustentáveis da prática sistemática do Wushu ao longo do tempo, limita a possibilidade de conclusões robustas e generalizáveis sobre seu impacto pedagógico.
Diante desse panorama, torna-se relevante compreender como o Wushu vem sendo explorado e investigado no âmbito da educação física escolar, considerando a diversidade de contextos culturais, curriculares e metodológicos. O objetivo deste estudo é avaliar criticamente a produção científica sobre os impactos educacionais, motores e psicossociais de intervenções pedagógicas envolvendo o ensino do Wushu na educação física escolar, independentemente do contexto geográfico. Esta revisão busca oferecer uma síntese abrangente e qualificada do estado atual do conhecimento, contribuindo para subsidiar futuras pesquisas, práticas pedagógicas e políticas educacionais que considerem o potencial formativo desta modalidade no ensino das artes marciais.
2 MÉTODO
Este estudo corresponde a uma revisão sistemática da literatura sobre a utilização do Wushu como ferramenta pedagógica no contexto da educação física escolar. O protocolo da revisão foi elaborado conforme as diretrizes da Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e devidamente registrado no International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO), sob o número CRD420251057740.
2.1 ESTRUTURA DA PERGUNTA E CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE
A pergunta foi elaborada com base no modelo PECOS (população, exposição, comparação, desfecho e tipo de estudo), com adaptação ao contexto educacional, prática recomendada em revisões de intervenções não clínicas e compatível com orientações de síntese narrativa e de relato para revisões sem metanálise (Campbell et al., 2020; Popay et al., 2006).
Como detalhado no Quadro 1, foram considerados elegíveis estudos empíricos ou teóricos que analisaram o impacto do Wushu na formação de estudantes da educação básica ou equivalente, no contexto escolar formal, bem como relatos de intervenções pedagógicas envolvendo a prática de Wushu em aulas de educação física.
Em contrapartida, foram excluídos estudos realizados em ambientes não escolares (como academias, clubes ou ensino superior), salvo quando apresentavam implicações claras para a educação básica; trabalhos que não distinguissem claramente o ensino de Wushu de outras modalidades marciais, ou que o abordassem apenas de forma acessória; e estudos que tratassem simultaneamente de ensino presencial e remoto sem análise diferenciada desses contextos.
A definição clara desses critérios orientou todas as etapas metodológicas da revisão.
2.2 FONTES DE INFORMAÇÃO E ESTRATÉGIA DE BUSCA
As buscas foram realizadas nas bases Scopus, Web of Science e SciELO Brasil, cobrindo periódicos relevantes em educação, educação física e ciências do esporte. O período compreendeu jan/2020 a abr/2025. A estratégia combinou descritores livres e operadores booleanos, adaptados à cada base; termos principais: “Kung Fu”, “Wushu”, “Kung-Fu”, “Gongfu”, “Gong Fu”, “Chinese Martial Arts”, “Martial Arts”, “School Physical Education”, “Pedagogical Intervention” (Pérez-Gutiérrez; Gutiérrez-García; Escobar-Molina, 2011). Literatura cinzenta foi excluída para priorizar estudos publicados e rastreáveis.
2.3 SELEÇÃO, EXTRAÇÃO E SÍNTESE DOS ESTUDOS
O processo de seleção dos estudos seguiu três etapas: identificação, triagem e inclusão. Os resultados das buscas foram exportados para o software Rayyan, que auxiliou na remoção de duplicatas e na triagem dos títulos e resumos. Dois revisores atuaram de forma independente, e divergências foram resolvidas por consenso. Antes da triagem, foi realizada uma etapa de calibração com um subconjunto de estudos, garantindo uniformidade na aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Os textos completos dos estudos elegíveis foram analisados integralmente, com registro transparente das decisões.
A extração dos dados foi realizada por meio de uma planilha padronizada, previamente testada, contendo informações sobre autoria, ano, país, delineamento metodológico, características da amostra, descrição da intervenção ou abordagem pedagógica, principais resultados e limitações. Devido à heterogeneidade dos estudos incluídos, optou-se por uma síntese narrativa, conforme recomendado pelas diretrizes do PRISMA 2020 e pela literatura especializada em revisões qualitativas (Campbell et al., 2020; Popay et al., 2006; Page et al., 2021).
2.4 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA
A qualidade dos estudos incluídos foi avaliada por dois revisores, com base em instrumentos reconhecidos: Risk of Bias 2.0 (RoB 2.0) para estudos experimentais e Newcastle-Ottawa Scale (NOS) para estudos observacionais. Foram considerados elegíveis apenas os estudos com risco de viés classificado como baixo ou moderado, conforme critérios dos respectivos instrumentos. As divergências foram resolvidas por consenso, garantindo a confiabilidade da avaliação (Tabela 1).
2.5 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS
Por se tratar de uma revisão sistemática baseada exclusivamente em estudos previamente publicados, sem coleta de dados primários, este trabalho não requer aprovação por Comitê de Ética. Todas as etapas seguiram as diretrizes do PRISMA 2020 e os princípios de integridade científica.
2.6 LIMITAÇÕES
Esta revisão concentrou-se exclusivamente em estudos publicados em periódicos científicos indexados, excluindo a literatura cinzenta. Essa escolha pode ter limitado a identificação de experiências pedagógicas locais e intervenções inovadoras não disseminadas em canais formais. Além disso, a concentração geográfica dos estudos incluídos restringe a generalização dos achados para outros contextos educacionais.
3 RESULTADOS
O processo de busca e seleção identificou inicialmente 129 estudos. Após a remoção de 56 duplicatas, 73 registros permaneceram para triagem. A revisão desses estudos, com base nos critérios de elegibilidade, resultou na inclusão de cinco estudos que atenderam a todos os requisitos desta revisão sistemática (Dou; Qiong; Xiao, 2025; Liu; Nirantrano; Hongsaenyatham, 2023; Song; Shapie, 2024a; Zhang et al., 2023; Song; Shapie, 2024b).
Adicionalmente, realizou-se uma análise de citações dos cinco estudos incluídos, resultando na identificação de 37 referências adicionais. Entretanto, após a aplicação dos critérios de elegibilidade, nenhuma nova inclusão foi realizada. O fluxograma PRISMA, apresentado na Figura 1, sintetiza todas as etapas do processo de seleção.
A Tabela 1 apresenta os julgamentos por domínio metodológico aplicados aos estudos incluídos, conforme os critérios dos instrumentos RoB 2.0 e NOS.
3.1 CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUDOS INCLUÍDOS
Os cinco estudos incluídos concentraram-se em investigações conduzidas na China e no Japão, envolvendo um total de 1.504 participantes, sendo 1.145 estudantes, 336 professores e 23 especialistas em Wushu. As intervenções ocorreram em um total de 54 escolas, abrangendo tanto o ensino fundamental quanto o médio.
Nos estudos que aplicaram intervenções práticas, a duração média foi de 16 semanas, com uma frequência semanal de duas sessões.
3.2 SÍNTESE TEMÁTICA DOS ESTUDOS
A análise dos estudos permitiu organizá-los em quatro grandes categorias:
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Aspectos sociais e psicológicos: Três estudos (Dou; Qiong; Xiao, 2025; Zhang et al., 2023; Song; Shapie, 2024a) avaliaram os efeitos da prática do Wushu no desenvolvimento psicossocial dos estudantes. Os resultados indicam melhorias consistentes em autocontrole emocional, cooperação, redução de comportamentos agressivos e fortalecimento das interações sociais no ambiente escolar.
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Fatores fisiológicos e habilidades motoras: Dois estudos (Zhang et al., 2023; Song; Shapie, 2024a) enfocaram os efeitos da prática sobre aspectos fisiológicos, capacidades físicas e desenvolvimento motor. As evidências apontam para melhorias significativas em força, flexibilidade, coordenação motora e resistência física dos estudantes.
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Aspectos metodológicos do ensino: Dois estudos (Liu; Nirantrano; Hongsaenyatham, 2023; Song; Shapie, 2024b) analisaram as metodologias empregadas no ensino do Wushu em ambiente escolar, discutindo práticas pedagógicas, adequação curricular e desafios para a implementação sistemática. Entre os principais entraves destacam-se a falta de formação específica de professores e a escassez de materiais didáticos padronizados.
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Interesse dos alunos e diversidade de modelos: Um estudo (Song; Shapie, 2024b) investigou especificamente o interesse dos estudantes e a diversidade dos modelos pedagógicos aplicados, identificando que abordagens mais participativas e contextualizadas culturalmente promovem maior engajamento e adesão à prática.
3.3 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Os resultados indicam que a prática do Wushu na educação física escolar gera benefícios significativos em múltiplas dimensões, tanto no âmbito físico quanto psicossocial, além de suscitar importantes reflexões sobre as estratégias pedagógicas mais eficazes para sua implementação.
A síntese dos objetivos, métodos e resultados dos estudos que compõem o corpus de pesquisa está apresentada no Quadro 2.
4 DISCUSSÃO
Esta revisão sistemática evidenciou que o Wushu apresenta impactos pedagógicos expressivos e multifacetados na educação física escolar, abrangendo efeitos psicossociais, desenvolvimentais, metodológicos e institucionais. Os cinco estudos analisados convergem quanto ao potencial desta prática, mas também revelam fragilidades que limitam sua disseminação e eficácia pedagógica.
No campo dos impactos psicossociais, destaca-se o papel do Wushu na promoção de habilidades interpessoais e de adaptabilidade social. O estudo experimental conduzido por Dou; Qiong e Xiao (2025), com estudantes chineses do ensino médio, demonstrou que a prática regular desta arte marcial melhora significativamente as habilidades sociais, mediadas pela qualidade psicológica, fortalecendo competências essenciais para a convivência escolar. Resultados semelhantes foram observados por Zhang et al. (2023), que identificaram aprimoramento na capacidade dos estudantes chineses de estabelecer relações interpessoais, bem como no desenvolvimento de resistência emocional e física, após a inserção sistemática do Wushu na educação formal.
Tais achados se coadunam com as evidências apresentadas por Jiang (2024), que, em um estudo longitudinal com estudantes japoneses, relatou benefícios significativos da prática do Wushu sobre indicadores de saúde física, psicológica e social, demonstrando sua aplicabilidade transcultural e holística. De forma complementar, Chen (2022) confirmou que o ensino desta modalidade contribui não apenas para o desenvolvimento físico e psicológico, mas também para o aperfeiçoamento técnico dos estudantes, sobretudo quando associado a tecnologias de rastreamento de movimento.
No que tange ao desenvolvimento físico e motor, dois estudos destacam avanços relevantes. A investigação de Song e Shapie (2024b) demonstrou que modelos pedagógicos que integram moralidade, habilidades técnicas, interesse e condicionamento físico resultam em melhorias significativas nas capacidades motoras de crianças em idade escolar. Tais evidências reforçam a centralidade do Wushu como prática promotora de saúde e bem-estar integral.
Entretanto, no plano dos aspectos metodológicos do ensino, emergem desafios consideráveis. A análise de Liu, Nirantrano e Hongsaenyatham (2023) revelou que, embora haja currículos formais para o ensino de esportes marciais na China, estes apresentam lacunas substanciais, como ausência de conteúdos sobre etiqueta marcial, pouca diversidade técnica e escassez de abordagens teóricas. De maneira análoga, o estudo de Song e Shapie (2024a) expôs que, mesmo com a inserção do Wushu no currículo de diversas escolas da província de Hebei, predominam modelos de ensino tradicionais centrados em rotinas técnicas, com baixa inovação e limitada articulação entre aspectos culturais e pedagógicos.
Embora os estudos revisados apontem benefícios psicossociais, motores e cognitivos associados à prática do Wushu, é necessário avançar para uma compreensão mais crítica das condições que favorecem ou limitam sua presença nos currículos escolares. A análise dos achados revela que o potencial pedagógico do Wushu se manifesta em múltiplas dimensões, como o desenvolvimento da disciplina, da cooperação, da coordenação motora e da consciência corporal, mas sua efetivação depende de fatores institucionais e culturais específicos. A ausência de políticas públicas que reconheçam essa modalidade, a escassez de formação docente voltada para práticas corporais não hegemônicas e a predominância de modelos técnico-reprodutivos de ensino dificultam sua inserção sistemática nas escolas. Assim, o potencial do Wushu não é apenas uma questão de eficácia pedagógica, mas de viabilidade curricular e reconhecimento cultural.
Embora os benefícios psicossociais e motores do Wushu sejam recorrentes nos estudos analisados, é necessário problematizar os contextos em que tais efeitos se manifestam. A maioria das intervenções ocorre em sistemas educacionais fortemente centralizados, como o chinês, onde o Wushu é reconhecido como patrimônio cultural e respaldado por políticas públicas específicas. Em contextos periféricos, como o latino-americano, a ausência de políticas de valorização das lutas e a escassez de formação docente específica comprometem a replicabilidade desses resultados. Assim, o potencial pedagógico do Wushu não é uma qualidade intrínseca da prática, mas uma construção social e institucional que depende de condições materiais, simbólicas e curriculares para se concretizar.
Para que essa modalidade seja legitimada como prática educativa, é necessário tensionar os currículos vigentes, ampliar o debate sobre diversidade cultural na escola e promover políticas de valorização das lutas enquanto manifestações da cultura corporal. Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece as lutas como objeto de conhecimento da Educação Física, destacando-as como práticas que envolvem aspectos técnicos, éticos e culturais, o que reforça a legitimidade pedagógica do Wushu como conteúdo possível e relevante para o ensino escolar (Brasil, 2017).
Apesar da valorização simbólica de práticas corporais orientais como o Wushu, frequentemente associadas à disciplina, espiritualidade e tradição, sua inserção curricular esbarra em estruturas educacionais ocidentalizadas que privilegiam esportes modernos, performativos e eurocentrados. Essa tensão revela um paradoxo: o reconhecimento cultural não se converte automaticamente em legitimidade pedagógica. Como apontam Oliveira, Magaldi Filho e Kishimoto (2025) os discursos da modernização pedagógica e os padrões de legitimidade curricular ainda operam sob lógicas coloniais, que marginalizam saberes não alinhados à racionalidade esportiva dominante.
No contexto latino-americano, a invisibilidade do Wushu nas escolas está ligada a fatores estruturais como a ausência de políticas públicas voltadas à diversidade cultural, a centralidade do rendimento esportivo na formação docente e à escassez de financiamento para pesquisas sobre práticas corporais não hegemônicas. Superar essa lacuna exige ações concretas: fomentar programas de formação continuada que incluam lutas de matriz não ocidental, incentivar pesquisas aplicadas em contextos escolares periféricos e ampliar o reconhecimento institucional das lutas como expressões legítimas da cultura corporal. A produção de conhecimento sobre o Wushu deve ser situada dentro de uma agenda crítica que enfrente as desigualdades epistemológicas e promova a interculturalidade como princípio pedagógico.
A escassez de estudos sobre o Wushu na América Latina reflete não apenas uma lacuna empírica, mas uma condição estrutural de subalternização epistemológica. Como argumentam Neira, Santos Júnior e Masella (2025), a produção de conhecimento em educação física ainda é marcada por assimetrias entre centros e periferias, o que limita a emergência de práticas pedagógicas enraizadas em contextos locais. Superar essa desigualdade exige políticas de fomento à pesquisa, valorização de saberes corporais plurais e reconhecimento institucional das lutas como expressões legítimas da cultura corporal.
No contexto brasileiro, essa ausência se relaciona com processos históricos de seleção curricular que privilegiam práticas corporais alinhadas a racionalidades esportivas, eurocentradas e performativas, em detrimento de expressões culturais alternativas. A marginalização do Wushu pode ser interpretada como reflexo da colonialidade do saber, que ainda orienta a construção dos currículos escolares e a formação dos professores de educação física. Para que essa modalidade seja legitimada como prática educativa, é necessário tensionar os currículos vigentes, ampliar o debate sobre diversidade cultural na escola e promover políticas de valorização das lutas enquanto manifestações da cultura corporal. A articulação entre os achados internacionais e a realidade brasileira exige, portanto, uma abordagem sociopedagógica que vá além da descrição dos benefícios e enfrente os desafios epistemológicos e institucionais que moldam o ensino das artes marciais no país.
Além disso, todos os estudos revisados compartilham limitações metodológicas importantes, como pequenas amostras não probabilísticas, ausência de controle sobre variáveis intervenientes como idade, frequência de treinamento, nível socioeconômico, e forte dependência de medidas subjetivas e de curto prazo. A falta de investigações longitudinais compromete a capacidade de aferir os efeitos sustentáveis do ensino de Wushu ao longo do tempo, aspecto já identificado como lacuna por Zhang et al. (2023) e reiterado por Song e Shapie (2024b).
Do ponto de vista geográfico e institucional, nota-se uma assimetria marcante: a totalidade dos estudos concentra-se na Ásia Oriental, mais especificamente na China e no Japão. Esta concentração regional limita a generalização dos achados e evidencia a necessidade de expandir as investigações para outros contextos culturais e educacionais, como América Latina, Europa e África, onde experiências locais e práticas pedagógicas potencialmente relevantes permanecem invisibilizadas.
A predominância de estudos asiáticos sobre o ensino do Wushu, evidenciada nesta revisão, revela não apenas uma concentração geográfica da produção científica, mas também uma desigualdade epistemológica que precisa ser problematizada. No contexto latino-americano, e especialmente no Brasil, essa ausência de investigações pode ser compreendida à luz dos processos de colonialidade do saber, que historicamente relegam práticas corporais não ocidentais a posições marginais nos currículos escolares. A seleção cultural que orienta os conteúdos da educação física tende a privilegiar modalidades esportivas alinhadas a racionalidades eurocêntricas, performativas e produtivistas, em detrimento de expressões corporais que carregam significados culturais distintos, como o Wushu (Neira; Santos Júnior; Masella, 2025). Para superar essa assimetria, é necessário fomentar políticas de valorização da diversidade cultural, ampliar a formação docente voltada para práticas interculturais e promover pesquisas que articulem o ensino das lutas com os contextos sociopedagógicos latino-americanos, reconhecendo suas especificidades e potencialidades educativas.
Por fim, é importante ressaltar que, embora os estudos revisados apontem benefícios expressivos e variados, o Wushu continua sendo um potencial educativo subexplorado. Ao contrário de outras modalidades como Judô, Karatê e Taekwondo, que contam com ampla legitimação institucional e consolidada produção científica, o Wushu permanece marginalizado na educação física escolar, restrito a iniciativas isoladas e desarticuladas de políticas públicas educacionais.
Assim, os resultados desta revisão apontam para a necessidade de avançar em três frentes: (1) qualificar os modelos pedagógicos de ensino do Wushu, superando a ênfase tradicionalista e valorizando abordagens mais críticas, reflexivas e inclusivas; (2) fortalecer o rigor metodológico das pesquisas, com ampliação de amostras, controle de variáveis e realização de estudos longitudinais; e (3) fomentar políticas públicas que sistematizem a inserção do Wushu na educação física escolar, promovendo sua democratização e adequação a distintas realidades socioculturais.
Em síntese, os achados desta revisão sistemática evidenciam não apenas o potencial formativo do Wushu, mas também a necessidade de uma ruptura epistemológica e pedagógica com modelos tradicionais que ainda orientam, de forma hegemônica, o ensino das artes marciais na educação física escolar. A marginalização desta prática, mesmo diante de evidências empíricas consistentes sobre seus benefícios, revela como os currículos são moldados por processos de seleção cultural que privilegiam determinadas modalidades esportivas em detrimento de outras, frequentemente vinculadas a racionalidades produtivistas e performativas. Assim, mais do que incorporar o Wushu como uma técnica adicional, trata-se de reconhecê-lo como expressão legítima da cultura corporal, cuja inserção qualificada demanda abordagens pedagógicas críticas, interculturais e emancipatórias. A superação das lacunas metodológicas identificadas deve ser acompanhada por um deslocamento paradigmático, que valorize o Wushu não apenas como meio para desenvolvimento físico ou psicológico, mas como prática cultural complexa e situada, capaz de contribuir para a formação integral dos sujeitos e para a construção de uma educação física escolar plural, democrática e comprometida com a diversidade das manifestações corporais.
A valorização de práticas corporais orientais como o Wushu, quando descontextualizada, pode paradoxalmente reforçar a lógica de exotização e consumo cultural, sem romper com os padrões eurocêntricos que estruturam o currículo escolar. A presença marginal do Wushu nas escolas brasileiras não se deve à ausência de valor pedagógico, mas à persistência de uma matriz colonial do saber que hierarquiza as práticas corporais com base em critérios de origem, visibilidade midiática e alinhamento com modelos esportivos ocidentais. Como apontam Neira, Santos Júnior e Masella (2025), a educação física escolar ainda opera sob um currículo cultural que silencia saberes dissonantes e reproduz uma racionalidade moderna-colonial que dificulta a legitimação de práticas como o Wushu.
Em síntese, os potenciais pedagógicos do Wushu não se manifestam de forma automática ou universal, mas dependem de mecanismos específicos que articulam prática, contexto e políticas educacionais. Como prática corporal, o Wushu favorece disciplina, cooperação e consciência corporal; no entanto, para que esses efeitos se concretizem, é necessária à presença de currículos que reconhecem sua legitimidade cultural e à formação docente capaz de mobilizar metodologias críticas e inclusivas.
Os resultados positivos observados em países asiáticos decorrem de condições institucionais favoráveis: políticas públicas que valorizam o Wushu como patrimônio cultural, programas de formação docente e materiais didáticos sistematizados. Em contraste, em contextos periféricos como o latino-americano, a ausência dessas condições limita a replicabilidade dos benefícios, revelando que o potencial pedagógico é uma construção social e política, não uma característica intrínseca da prática.
Assim, o modelo explicativo que emerge desta revisão pode ser sintetizado em três dimensões interdependentes: (a) mecanismos pedagógicos (disciplina, cooperação, desenvolvimento motor e psicossocial); (b) condições institucionais e curriculares (políticas públicas, formação docente, reconhecimento cultural); e (c) resultados concretos (legitimação no currículo, engajamento estudantil e diversificação da cultura corporal escolar). A ausência ou fragilidade de qualquer dessas dimensões compromete a efetivação dos potenciais, reforçando a necessidade de abordagens críticas e contextualizadas.
5 PONTOS FORTES, LIMITAÇÕES E IMPLICAÇÕES METODOLÓGICAS
Esta revisão sistemática apresenta qualidades que reforçam sua validade científica e metodológica. A adesão estrita às diretrizes PRISMA 2020, aliada ao registro prévio no PROSPERO (CRD420251057740), assegurou transparência, padronização e rastreabilidade em todas as etapas da investigação, desde a formulação da pergunta até a síntese das evidências. Esses procedimentos fortaleceram a reprodutibilidade e a confiabilidade dos resultados, mitigando riscos associados a vieses de seleção e análise.
O delineamento criterioso dos critérios de inclusão e exclusão garantiu a pertinência dos estudos selecionados em relação ao escopo da revisão, preservando a qualidade metodológica da amostra e permitindo uma análise crítica e abrangente sobre a utilização do Wushu como prática pedagógica na educação física escolar.
Apesar dessas qualidades, algumas limitações precisam ser consideradas. A opção por restringir a busca à literatura publicada em periódicos indexados pode ter limitado a identificação de intervenções pedagógicas locais, especialmente aquelas pouco difundidas fora do eixo asiático e ausentes das bases tradicionais de dados. Essa delimitação metodológica pode ter comprometido a completude da síntese, reduzindo a diversidade das experiências analisadas e restringindo a generalização dos achados.
A avaliação dos estudos selecionados também revelou fragilidades metodológicas recorrentes. A predominância de delineamentos com amostras pequenas, a ausência de grupos de comparação robustos e a forte dependência de medidas subjetivas indicam um risco de viés agregado, com potencial superestimação dos efeitos positivos atribuídos ao ensino de Wushu no ambiente escolar. Essas limitações exigem cautela na interpretação e aplicação dos resultados em contextos educacionais diversos.
Observa-se ainda uma concentração geográfica significativa, com os estudos incluídos realizados majoritariamente em países do Leste Asiático, como a China e o Japão. Tal predominância cultural e curricular impõe desafios à extrapolação dos resultados para outras realidades educacionais, que podem demandar adaptações específicas na implementação do Wushu como prática pedagógica.
Em relação às implicações metodológicas, embora a revisão tenha seguido rigorosamente as recomendações do PRISMA 2020, algumas possibilidades de aprimoramento podem ser exploradas em investigações futuras. A realização de uma avaliação formal do viés de publicação, por meio de gráficos de funil ou testes estatísticos apropriados, pode agregar valor às análises sempre que a quantidade e a homogeneidade dos estudos primários assim o permitirem. No presente estudo, essa avaliação não foi realizada devido à heterogeneidade metodológica e ao predomínio de investigações qualitativas e mistas; contudo, tal abordagem pode ser pertinente em revisões posteriores.
A ampliação das fontes de busca, incluindo a literatura cinzenta como relatórios técnicos, dissertações e documentos institucionais, constitui outro caminho relevante para aprofundar a abrangência da síntese e captar intervenções pedagógicas inovadoras, frequentemente ausentes das publicações tradicionais.
Por fim, recomenda-se a aplicação sistemática de instrumentos para avaliação da qualidade metodológica e do risco de viés dos estudos primários, como o Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT). Esse procedimento pode fortalecer a consistência analítica, a comparabilidade entre os estudos e a robustez das inferências derivadas, ampliando a confiabilidade dos resultados e contribuindo para a consolidação de evidências mais sólidas no campo do ensino das artes marciais na educação física escolar.
6 CONCLUSÃO
Esta revisão sistemática sintetizou criticamente a produção científica sobre a utilização do Wushu como ferramenta pedagógica no contexto da educação física escolar. Os resultados evidenciam que, embora a prática seja amplamente reconhecida por seu potencial na promoção de competências psicossociais, motoras e cognitivas, sua presença nos currículos escolares permanece concentrada em países do Leste Asiático, com destaque para a China e o Japão.
Os estudos analisados demonstram benefícios significativos associados à prática do Wushu, mas também revelam fragilidades metodológicas importantes, como o predomínio de delineamentos com amostras reduzidas e a forte dependência de medidas subjetivas. Tais fragilidades referem-se tanto ao conjunto da literatura quanto aos cinco estudos incluídos nesta revisão, os quais, embora classificados como de qualidade “adequada” (baixo a moderado risco de viés), apresentam limitações que exigem leitura cautelosa e discussão crítica. Esses aspectos limitam a generalização dos achados e indicam a necessidade de investigações futuras que adotem metodologias mais robustas, incluindo desenhos experimentais e avaliações longitudinais.
O Wushu possui potencial pedagógico relevante para a educação física escolar, com impactos psicossociais, motores e culturais. No entanto, sua efetivação depende de condições políticas, curriculares e epistemológicas específicas. A concentração de estudos na Ásia Oriental revela não apenas uma lacuna geográfica, mas uma desigualdade estrutural na produção e circulação de saberes. A ausência de pesquisas em contextos como América Latina, Europa e África não se limita à escassez empírica, mas reflete os efeitos da colonialidade do saber e da seletividade curricular, que privilegiam práticas corporais alinhadas a racionalidades eurocêntricas e esportivizadas.
No Brasil, embora a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconheça as lutas como objeto de conhecimento da educação física, práticas como o Wushu permanecem marginalizadas, exigindo políticas públicas que valorizem sua inserção, formação docente específica e abordagens pedagógicas interculturais. O desafio não é apenas incluir o Wushu no currículo, mas transformar o próprio currículo para que ele reconheça e acolha a diversidade das práticas corporais existentes. Superar essa invisibilidade exige pesquisas comprometidas com a crítica cultural, o enfrentamento das assimetrias epistemológicas e a construção de propostas pedagógicas que articulem cultura, poder e emancipação no ensino das lutas.
Para avançar na consolidação do Wushu como prática pedagógica na educação física escolar, recomenda-se: (1) qualificar os modelos de ensino, superando abordagens técnico-reprodutivas e incorporando metodologias críticas, interculturais e participativas; (2) fortalecer o rigor metodológico das pesquisas, ampliando amostras, controlando variáveis intervenientes e desenvolvendo estudos longitudinais que permitam avaliar efeitos sustentáveis; e (3) implementar políticas públicas específicas, que promovam formação docente voltada às lutas, produção de materiais didáticos contextualizados e inserção sistemática do Wushu nos currículos escolares.
Essas recomendações operacionais apontam para um caminho de transformação curricular e institucional que não apenas reconheça o Wushu como conteúdo legítimo, mas também contribua para uma educação física plural, democrática e comprometida com a diversidade cultural das práticas corporais.
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FINANCIAMENTO
O presente trabalho foi realizado sem o apoio de fontes financiadoras.
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COMO REFERENCIAR
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DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA
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RESPONSABILIDADE EDITORIAL
Alex Branco Fraga*, Elisandro Schultz Wittizorecki*, Mauro Myskiw*, Raquel da Silveira** Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Porto Alegre, RS, Brasil.


Fonte: Elaboração própria.