Resumo
Jovens com deficiência apresentam baixos níveis de atividade física e poucas oportunidades de prática esportiva, cruciais para o desenvolvimento integral e a inclusão social. Neste contexto, este estudo analisou o recrutamento, seleção e orientação para iniciação esportiva e participação competitiva de jovens com deficiência em um projeto de extensão universitária, em colaboração com o Comitê Paralímpico Brasileiro. O objetivo foi descrever e avaliar uma estratégia para o fomento à iniciação esportiva paralímpica em idade escolar. Esse estudo se trata de um relato de caso de natureza documental retrospectiva com abordagem descritiva analítica, fundamentada em relatórios do projeto e boletins oficiais de competições (Jogos Escolares de Minas Gerais e Paralimpíadas Escolares – PE) de 2022 a 2024. Para análise, empregou-se estatística descritiva e análise comparativa. Os resultados demonstraram que os festivais paralímpicos foram eficazes na divulgação do esporte paralímpico, contribuindo na captação de novos interessados. Os participantes do projeto contribuíram substancialmente nas PEs, conquistando 33% das medalhas totais de Minas Gerais na competição, impulsionando a representatividade estadual ao nível nacional. No contexto estudado, as estratégias revelaram-se eficazes para fomentar o esporte paralímpico escolar, oferecendo um modelo promissor para a iniciação esportiva. Contudo, sua validação e aplicabilidade em outros contextos demandam experimentação e análises adicionais.
Palavras-chave
Diversidade; Equidade; Inclusão; Esportes para pessoas com deficiência; Atletas com deficiência; Iniciação esportiva paralímpica
Abstract
Youth with disabilities exhibit low levels of physical activity and limited sports opportunities, although these are crucial for holistic development and social inclusion. In this context, this study analyzed the recruitment, selection, and guidance for sports initiation and competitive participation of young people with disabilities within a university extension project, in collaboration with the Brazilian Paralympic Committee. The objective was to evaluate a strategy for fostering Paralympic sports initiation at school age. This study is a retrospective documentary case study with a descriptive-analytical approach, based on project reports and official competition bulletins (Minas Gerais School Games and School Paralympics – SP) from 2022 to 2024. For analysis, descriptive statistics and comparative analysis were employed. Paralympic festivals proved effective in promoting Paralympic sports and attracting new participants. Project participants contributed substantially to the SP, winning 33% of Minas Gerais' total medals and boosting state representation at the national level. Within the studied context, the strategies proved effective in fostering school Paralympic sports, offering a promising model for sports initiation. However, their validation and applicability in other contexts demand further experimentation and analysis.
Keywords
Diversity; Equity; Inclusion; Sports for persons with disabilities; Athletes with disabilities; Paralympic sports initiation
Resumen
Los jóvenes con discapacidad presentan bajos niveles de actividad física y pocas oportunidades deportivas, aunque estas son cruciales para el desarrollo integral y la inclusión social. En este contexto, este estudio analizó el reclutamiento, selección y orientación para la iniciación deportiva y la participación competitiva de jóvenes con discapacidad en un proyecto de extensión universitaria, en colaboración con el Comité Paralímpico Brasileño. El objetivo fue evaluar la eficacia de las estrategias en el fomento de la iniciación deportiva paralímpica en edad escolar. Este es un relato de caso documental retrospectivo con un enfoque descriptivo-analítico, fundamentado en informes del proyecto y boletines oficiales de competiciones (Juegos Escolares de Minas Gerais y Juegos Paralímpicos Escolares – PE) de 2022 a 2024. Para el análisis, se emplearon estadísticas descriptivas y análisis comparativos. Los festivales paralímpicos fueron eficaces en la difusión del deporte paralímpico y en la captación de nuevos interesados. Los participantes del proyecto contribuyeron sustancialmente en los PE, obteniendo el 33% del total de medallas de Minas Gerais e impulsando la representación estatal a nivel nacional. En el contexto estudiado, las estrategias demostraron ser eficaces para fomentar el deporte paralímpico escolar, ofreciendo un modelo prometedor para la iniciación deportiva. Sin embargo, su validación y aplicabilidad en otros contextos demandan experimentación y análisis adicionales.
Palabras clave
Diversidad; Equidad; Inclusión; Deportes para personas con discapacidad; Atletas con discapacidad; Iniciación deportiva paralímpica
1 INTRODUÇÃO
A prática da atividade física é fundamental para a promoção da saúde e bem-estar das pessoas com deficiência (PCDs) (Ginis et al., 2021). Contudo, crianças com deficiência apresentam uma probabilidade significativamente menor de atingir as recomendações de atividade física, o que as coloca em maior risco de problemas de saúde associados à inatividade em comparação com crianças sem deficiência (Ross et al., 2020). Essa disparidade é particularmente evidente em atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, características dos treinamentos voltados para a competição (Jung et al., 2018).
Embora a importância da atividade física seja amplamente reconhecida, observa-se um número limitado de municípios brasileiros que oferecem práticas esportivas inclusivas para PCDs, com a maior concentração absoluta de serviços disponíveis nas regiões Sul e Sudeste do país (Lima-Trigo et al., 2023). Para enfrentar esse desafio, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) implementou uma série de iniciativas relevantes visando descentralizar e expandir o acesso de crianças com deficiência às atividades esportivas. Entre essas iniciativas, destacam-se a criação dos Centros de Referência Paralímpica (CRPs), que visam facilitar o acesso às atividades esportivas paralímpicas em todo o território nacional (CPB, 2021). Além disso, o CPB instituiu os Festivais Paralímpicos como uma estratégia para divulgar e ampliar o conhecimento sobre o movimento paralímpico no Brasil, promovendo a inclusão e a conscientização social (CPB, 2025a).
Considerando que a maioria dos atletas paralímpicos está concentrada nas regiões Sul e Sudeste (Silva et al., 2019) outra ação importante do CPB foi a introdução dos Meetings Paralímpicos, realizados a partir de 2024 em todas as capitais do país. Nos Meetings, são oferecidas diferentes competições como o Intercentros (para crianças de 7 a 10 anos), a Seletiva Escolar (de 10 a 17 anos), os Jogos Universitários (a partir de 17 anos) e o Meeting Adulto (CPB, 2025c).
Esse modelo é interessante, pois a iniciação esportiva para PCDs pode variar conforme a etiologia da deficiência, distinguindo-se entre aquelas de origem congênita ou adquirida (Ribeiro Neto; Winckler; Costa, 2024). No contexto paralímpico, foi demonstrado que em determinadas modalidades como atletismo, atletas com deficiência congênita têm maior probabilidade de conquistar medalhas internacionais (Severin; Kinderen; Baumgart, 2025), reforçando a importância da iniciação esportiva desde jovens. No entanto, para garantir um desenvolvimento eficaz de atletas, é essencial adotar uma abordagem de longo prazo (Balyi; Way; Higgs, 2013) especialmente considerando que, globalmente, somente cerca de 0,003% da população atinge o nível de elite esportiva (McKay et al., 2022).
Além disso, a participação em competições desempenha um papel fundamental na promoção do bem-estar físico, psicológico e social de jovens com deficiência (MacDougall et al., 2016), contribuindo para a construção da autoidentidade (Allan et al., 2018), melhora da autoestima e adesão a comportamentos saudáveis, em decorrência da progressão nas habilidades motoras e da autoconfiança (Hernández-Martínez; Sánchez-Matas; Fernández, 2022). A participação em competições paralímpicas também possibilita a obtenção da classificação esportiva, um parâmetro crucial para avaliar as potencialidades e limitações de cada atleta, visto que, no esporte paralímpico, o tipo de deficiência e classificação esportiva são centrais para a identificação e desenvolvimento de talentos (Dehghansai; Pinder; Baker, 2021).
Tem sido observado aumento na participação de crianças e jovens com deficiências nas Paralimpíadas Escolares (PE), iniciada em 2009 e o maior evento competitivo escolar paralímpico do mundo que tem o atletismo como modalidade predominante 50,2% dos 2.566 estudantes (CPB, 2024b). No entanto, nos Meetings, estados como Acre, Alagoas, Bahia, Roraima e Sergipe não conseguiram registrar sequer 20 alunos nas seletivas escolares de atletismo, e mais da metade dos estados não alcançou a marca de 40 alunos inscritos na modalidade. Esse quadro reflete os achados de Castro, Figueiredo e Campbell (2020), que identificaram que os professores de educação física não se sentem preparados para trabalhar com alunos com deficiência em suas aulas. Além disso, eles destacam a necessidade de formação continuada, o que reforça a importância da extensão universitária na capacitação de profissionais que se sintam aptos e confiantes para incluir jovens com deficiência nas atividades esportivas escolares (Castro; Figieiredo; Campbell, 2020).
Este artigo tem como objetivo avaliar, de forma crítica, as estratégias de captação, iniciação esportiva e participação competitiva empregadas por um projeto de extensão universitária em parceria com o CPB, discutindo seus efeitos na ampliação do acesso ao esporte paralímpico e na representatividade estadual em competições escolares. Este estudo oferece uma contribuição significativa ao apresentar dados sobre como instituições, estados e projetos sociais podem expandir o acesso à iniciação esportiva paralímpica.
2 MÉTODOS
2.1 DELINEAMENTO
Considerando os objetivos propostos, este estudo adotou uma abordagem descritiva, configurando-se como um relato de caso (Omair, 2015) de natureza documental retrospectiva. Focou-se na descrição das estratégias para a oferta da iniciação esportiva paralímpica, analisando especificamente os processos de captação, iniciação esportiva com orientação para as modalidades e a inscrição e escolha de provas em competições para os participantes de um projeto de extensão universitária específico. A justificativa metodológica reside na necessidade de compreender e detalhar as práticas implementadas e seus impactos, por meio da análise de dados documentais existentes, sem a manipulação de variáveis.
2.2 CONTEXTO DO PROJETO E PARTICIPANTES DA PESQUISA
O projeto de extensão universitária, foco deste estudo, é uma parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o CPB, operando como um Centro de Referência Paralímpica. Ele oferece iniciação esportiva a crianças e jovens com deficiência (a partir de 8 anos de idade) em modalidades como Atletismo e Natação para pessoas com deficiência física (DF), visual (DV) e intelectual (DI), e Halterofilismo e Taekwondo exclusivamente para DF. Os festivais paralímpicos foram eventos realizados pelo projeto, abertos à comunidade, com o propósito de apresentar as modalidades oferecidas e identificar potenciais participantes para o recrutamento ao projeto. Os resultados relativos aos festivais, portanto, englobam tanto os inscritos nestes eventos quanto os alunos a partir de 8 anos que foram posteriormente convidados a integrar o projeto. Por outro lado, a análise da participação competitiva foca nos alunos do projeto que, entre 2022 e 2024, tinham entre 11 e 17 anos e competiram em eventos escolares.
2.3 FONTES DE DADOS
Os dados analisados provêm dos registros de inscrição nos festivais paralímpicos organizados pelo projeto de extensão. Além disso, foram coletados e registrados o desempenho dos jovens com deficiência, participantes do projeto, nos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) e nas PE entre 2022 e 2024, a partir de fontes do projeto e públicas: a) Relatórios internos do festival paralímpico e informações do projeto de extensão universitária; b) Boletins oficiais e resultados detalhados de competições oficiais (Seletiva Escolar Meeting/JEMG1 e PE2).
2.4 ANÁLISE DE DADOS
A análise dos dados empregou métodos quantitativos e qualitativos. Para a análise quantitativa, utilizou-se estatística descritiva (frequências absolutas e relativas, porcentagens e médias) para caracterizar a população, o envolvimento em competições e o desempenho esportivo dos atletas com deficiência, com ênfase no número de medalhas conquistadas. Adicionalmente, foi conduzida uma análise comparativa do desempenho dos atletas do projeto com os resultados gerais do estado de Minas Gerais nas PEs, avaliando a representatividade do projeto para o estado. A abordagem qualitativa envolveu a interpretação dos resultados obtidos no contexto das estratégias de captação, encaminhamento e participação competitiva, visando identificar a eficácia das ações do projeto na promoção do esporte paralímpico, e no impacto na representatividade estadual nas PEs.
2.5 ASPECTOS ÉTICOS
Como projeto de extensão universitária, todos os participantes assinam o termo de assentimento, bem como seus responsáveis assinam o termo de consentimento livre e esclarecido, disponibilizando dados para a divulgação científica. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética da UFMG com o número de parecer 6.589.931. Além disso, destacamos que os resultados apresentados no estudo são baseados em informações públicas, disponibilizadas em boletins oficiais das competições organizadas pelo CPB.
3 RESULTADOS
3.1 PROCESSO DE CAPTAÇÃO DOS PARTICIPANTES DO PROJETO
O processo de captação e convite para participação no projeto se deu a partir de Festivais Paralímpicos. Os Festivais têm como premissa a promoção da experimentação esportiva, de maneira lúdica, recreativa e adaptada. Diferente das competições, os Festivais não necessitam de classificação funcional ou premiação por não haver disputas.
O processo de captação começa através do cadastro e inscrição das crianças para o Festival. Nesse cadastro, todos devem fornecer um telefone e e-mail para contato, bem como nome completo das crianças e de pelo menos um responsável adulto. No processo de inscrição, cada participante recebe um número e no dia do Festival passa por um cadastramento recebendo uma fita colocada no braço. A fita contém o número de inscrição e uma coloração de acordo com a idade: 07 a 10 anos (verde), 11 a 14 (amarelo) e 15 a 18 (vermelho). Durante os festivais, é essencial a participação de profissionais com conhecimentos básicos das deficiências elegíveis para as modalidades paralímpicas de interesse. Caso seja observada uma criança com o perfil desejado, a numeração é registrada e em um segundo momento, a família é contactada e convidada a participar do projeto de iniciação esportiva.
Ao longo dos anos de 2021, 2022 e 2023, foram realizadas quatro edições de Festival Paralímpico em Belo Horizonte onde foram atendidos jovens com e sem deficiência com média de idade de 12,1 ± 4,2 anos, com diferentes deficiências (Tabela 1).
No total, 13 participantes estiveram nas quatro edições do Festival, 44 estiveram presentes em três edições e 129 estiveram presentes em duas edições, de modo que foram observadas 578 diferentes crianças nos Festivais. Se desconsiderarmos os 177 participantes com Transtorno do Espectro Autista e os 141 sem deficiência que não são elegíveis ao esporte paralímpico, sobram 260 crianças com possibilidades de integrar o projeto. Desse montante, ainda havia crianças de outros municípios, além de alguns que já estavam participando de outros projetos esportivos no município de Belo Horizonte e região metropolitana.
Ao longo de três anos de realização do Festival, 67 crianças foram convidadas a integrar o projeto de iniciação esportiva do Centro de Referência Paralímpica da UFMG, das quais três apresentavam DV, cinco DI e 59 DF, possibilitando a formação da equipe de iniciação. A priorização da DF na seleção das crianças justifica-se pelo elevado número de classes paralímpicas associadas a essa categoria. Dado o grande espectro de classificações (por exemplo, 10 na natação e mais de 50 no atletismo, incluindo provas de pista e campo), é frequente que as competições de DF registrem um número reduzido de competidores (muitas vezes, menos de três). Essa particularidade eleva significativamente as chances de sucesso competitivo e a garantia de medalhas para todos os inscritos.
3.2 ENCAMINHAMENTO PARA AS MODALIDADES
Ao contactar as famílias, os jovens são convidados a conhecer o Centro de Treinamento Esportivo onde os treinamentos para as quatro modalidades são oferecidos. Na primeira visita eles recebem informações acerca dos processos de treinamento e o objetivo do projeto em desenvolver atletas. Esse contato já direciona que as práticas não são voltadas ao lazer ou reabilitação, mas sim para a prática competitiva. Após o contato inicial, havendo interesse da família e do jovem além da disponibilidade de participar dos treinamentos nos horários oferecidos, é iniciado um período de experimentação e vivência do treinamento na modalidade de maior interesse escolhida pela família. Essa etapa inicial visa a retenção do jovem e o desenvolvimento do interesse pela prática esportiva. As sessões de treinamentos duram aproximadamente 90 minutos oferecidas inicialmente duas vezes por semana. O aumento gradual das sessões de treinamento depende de avaliações específicas do treinador, considerando o desenvolvimento na modalidade, a disponibilidade da família e o controle de sobrecarga por outros compromissos escolares, terapêuticos ou sociais da criança.
Um aluno de 11 anos foi inicialmente selecionado para o halterofilismo, cuja competição inicia-se a partir dos 14 anos. Para garantir-lhe experiência competitiva, ele foi inscrito em eventos de atletismo, treinando três vezes por semana: duas sessões de halterofilismo e uma de atletismo. O aluno rapidamente se adaptou ao atletismo, estabelecendo recordes no lançamento da pelota e no arremesso do peso por dois anos consecutivos, dedicando-se atualmente exclusivamente a essa modalidade. Além disso, dois outros alunos seguiram a sugestão do treinador e começaram a praticar atletismo, por ser vista como maior potencial. No entanto, após algum tempo, optaram por migrar para a natação, esporte de sua escolha inicial, onde conquistaram medalhas, ainda que não de ouro. Por outro lado, dois alunos que participavam de natação, por escolha inicial, após um período decidiram experimentar o halterofilismo devido ao reconhecimento de maior potencial para essa modalidade. Na nova modalidade, conseguiram integrar a seleção nacional e conquistar medalhas em competições internacionais como o Parapan americano de jovens em 2023. Por fim, dois praticantes de taekwondo, esporte não presente nos jogos escolares até 2024, precisaram mudar de modalidade para vivenciar a experiência competitiva e escolheram a natação.
3.3 INSCRIÇÃO EM COMPETIÇÕES E ESCOLHA DAS PROVAS A SEREM DISPUTADAS
Após um período de no mínimo 60 dias de treinamento os jovens são inscritos em competições de entrada que têm como objetivo uma experimentação competitiva e principalmente a obtenção de sua classificação esportiva paralímpica. Em geral as inscrições para a competição se encerram entre 60 a 90 dias antes da competição. Considerando o apresentado, as crianças e jovens tinham um período mínimo de aproximadamente 4 meses de treinos até a primeira competição. Como a classificação esportiva paralímpica é um balizador para entender o potencial esportivo do jovem iniciante é recomendado que a participação em competição aconteça o quanto antes. As competições iniciais no presente estudo foram os Jogos Escolares do Estado de Minas Gerais, ou a Seletiva Estadual para a PE no Meeting Paralímpico. No contexto das competições paralímpicas, todos os participantes do projeto foram incentivados e vivenciaram a experiência competitiva.
As disputas em idade escolar são divididas em categorias de idade A (10 a 12 anos), B (13 a 15 anos) e C (16 e 17 anos) além da classe esportiva paralímpica. Na primeira experiência competitiva, os alunos foram registrados em provas que correspondiam às suas habilidades e nas quais se sentiam mais confiantes. Na primeira competição como o objetivo principal é a obtenção da classificação esportiva e a vivência em competição são escolhidas as provas mais confortáveis aos atletas. Como exemplo, destacamos que os atletas do halterofilismo e taekwondo paralímpicos oferecidos no projeto competem em apenas uma prova, entretanto no atletismo é possível competir em até três provas e na natação em até cinco provas, sendo necessário escolher dentre muitas possibilidades de provas (Tabela 2).
Após a primeira competição oficial os participantes obtinham a classe esportiva paralímpica. Assim a equipe técnica passa a ter a oportunidade de monitorar os resultados dos demais competidores da mesma categoria e classe esportiva através dos resultados publicados pelo CPB em boletins oficiais. Isso permitiu uma comparação mais acurada entre suas marcas obtidas em testes realizados nos treinamentos e os resultados dos potenciais adversários, possibilitando uma escolha mais estratégica das provas em que teriam maiores chances de alcançar uma colocação entre os três primeiros.
Além disso nas competições seguintes foi orientado também a participação em uma prova de maior complexidade técnica ou exigência física, como o lançamento do disco ou corridas de 800 metros no atletismo, ou o nado peito ou borboleta na natação. Esta estratégia se baseou na análise de boletins oficiais, que mostraram que essas provas apresentavam uma menor concentração de atletas, resultando em maiores chances de conquista de medalhas.
Nesta etapa, as famílias são informadas sobre o potencial de conquista de medalhas nas competições escolares, considerando a modalidade atual da criança. Simultaneamente, se for o caso, são oferecidas oportunidades de experimentação em outras modalidades com maior potencial competitivo. A decisão de manter a modalidade inicial, explorar uma nova ou praticar ambas concomitantemente é então facultada à família e ao atleta.
3.4 DESEMPENHO COMPETITIVO
Durante os processos de iniciação e formação esportiva, todos os participantes tiveram a oportunidade de experimentar treinamentos e participar de competições nas modalidades elegíveis. O número de atletas do Projeto Paralímpico inscritos nos Jogos Escolares de Minas Gerais e que avançaram para as PEs está descrito na Tabela 3 em valores absolutos e relativos à quantidade de atletas de Minas Gerais na competição.
A análise dos dados revelou uma variação nos critérios para avançar da competição estadual (JEMG ou Seletiva) para a etapa nacional (PE) ao longo dos anos. Em 2022, os 19 atletas do projeto inscritos no JEMG obtiveram sucesso em suas provas, garantindo a qualificação de todos para as PEs através da conquista de uma medalha no JEMG. Já em 2023, apesar de todos os 31 atletas do projeto que participaram do JEMG terem conquistado medalhas, 6 não progrediram para as PEs. Tal fato deveu-se à política da delegação de Minas Gerais, que convocou exclusivamente os vencedores de cada prova. Para 2024, houve uma mudança nos critérios de seleção, que passaram a priorizar índices técnicos em detrimento da mera obtenção da medalha de ouro, uma vez que em várias provas havia apenas um participante garantindo a medalha de ouro. Como resultado, dos 42 atletas do projeto inscritos no JEMG, mesmo todos conquistando medalhas, apenas 28 alcançaram a qualificação por índices para as PEs.
Número de atletas mineiros e do Projeto Paralímpico, participantes do JEMG e das Paralímpiadas escolares, por ano.
A relevância do projeto para o desempenho do estado de Minas Gerais nas PEs é evidenciada pela expressiva contribuição no quadro de medalhas (Gráfico 1). Em 2022, os atletas do projeto foram responsáveis por 47 medalhas, o que representou 38% das 125 medalhas totais conquistadas pelo estado. Em 2023, essa contribuição alcançou 52 medalhas (32% do total estadual), e em 2024, chegou a 67 medalhas (33% do total estadual). Ao longo do período de três anos avaliado (2022-2024), os atletas do projeto conquistaram um total de 166 medalhas, correspondendo a 34,0% das 488 medalhas gerais de Minas Gerais nas PEs. Destaca-se ainda que 71 dessas foram medalhas de ouro, representando 34,6% das 205 medalhas de ouro obtidas pelo estado no mesmo período, sublinhando a substancial proporcionalidade e impacto dessas conquistas.
Em termos de classificação geral, Minas Gerais posicionou-se em 5º lugar nas PEs de 2022, avançando para a 3ª posição nos anos de 2023 e 2024. Adicionalmente, a atuação dos participantes do projeto foi crucial para a conquista do primeiro lugar geral na modalidade de halterofilismo em 2023 e para o inédito terceiro lugar na modalidade de atletismo em 2024.
Número de medalhas conquistadas pela delegação do Estado de Minas Gerais nas PEs e contribuição do Projeto Paralímpico no número de medalhas conquistadas pelo estado de Minas Gerais nos anos de 2022, 2023 e 2024.
4 DISCUSSÃO
Este estudo descreveu os processos de captação, iniciação esportiva, direcionamento para modalidades paralímpicas, inscrição e escolha de provas para jovens com deficiência em competições escolares. O objetivo foi apresentar caminhos para fomentar a prática esportiva nessa população, dada sua baixa atividade física (Jung et al., 2018; Ross et al., 2020) e a reduzida participação nas Seletivas Estaduais dos Meetings Paralímpicos e nas PEs (CPB, 2024b) evidenciando uma lacuna a ser explorada.
Conforme a Tabela 2, os Festivais Paralímpicos demonstram ser uma estratégia promissora para apresentar o esporte paralímpico e, por meio da experimentação, identificar potenciais praticantes com perfil adequado. A dimensão nacional do evento corrobora essa eficácia: em 2025, a primeira edição do ano realizada em 124 cidades brasileiras, envolveu 25.910 crianças e jovens de até 23 anos (CPB, 2025b).
Neste estudo, a participação em competições escolares na população paralímpica foi reconhecida como um catalisador positivo, pois é capaz de promover o bem-estar, a autoestima e a adesão a comportamentos saudáveis (Hernández-Martínez; Sánchez-Matas; Fernández, 2022; MacDougall et al., 2016), além de ser relevante para a obtenção da classificação esportiva (Dehghansai; Pinder; Baker, 2021). No entanto, a natureza seletiva do esporte competitivo tradicional pode, por vezes, marginalizar estudantes com menor aptidão, sublinhando a relevância de competições pedagógicas e festivais para a democratização da prática (Scaglia; Medeiros; Sadi, 2006). Assim, reconhecemos ser fundamental que a formação por meio das práticas corporais transcenda o contexto esportivo competitivo, alinhando-se à uma perspectiva de desenvolvimento de longo prazo (Balyi; Way; Higgs, 2013).
Embora essa lógica seletiva seja evidente no esporte olímpico, ela difere significativamente no esporte escolar paralímpico. O regulamento da Seletiva Escolar nos Meetings de 2025 exemplifica essa diferença, ao permitir a participação de alunos de ambos os sexos, com DF, DI ou DV, distribuídos em três categorias de idade (A, B e C) (CPB, 2025c). No atletismo, por exemplo, a categoria A (10 a 12 anos) oferece oito provas (60m, 100m, 200m, 800m, Lançamento de Pelota, Arremesso de Peso, Salto em Distância, Lançamento de Club). A prova de 60m, especificamente, permite a competição entre atletas de 23 classes para DF, três para DV e duas para DI, com potencial para distribuir 28 medalhas de ouro por sexo, totalizando 168 medalhas somente para essa prova. O caráter pedagógico dessa competição fica evidente dado que todos os alunos do presente estudo que participaram dessa competição conquistaram ao menos uma medalha (tabela 3).
Em contraste com o esporte olímpico, onde a prática precoce pode não gerar vantagem física para o sucesso atlético (Soares et al., 2022), no esporte paralímpico considerando o baixo nível de atividade física dos jovens com deficiência (Ross et al., 2020), a participação competitiva precoce associa-se a maior bem-estar hedônico entre os praticantes em comparação com os não praticantes (Puce et al., 2023), podendo impulsionar a motivação e a adesão às atividades esportivas. Adicionalmente, o sucesso competitivo serviu como um forte fator motivador para as famílias, que passaram a perceber a capacidade de seus filhos após a vitória em competições. Esse engajamento familiar é crucial, pois o desenvolvimento de atletas com deficiência exige a superação de múltiplas barreiras, tornando o apoio da família e dos treinadores determinante para o suporte diário e a superação dos desafios (Rodriguez Macias; Gimenez Fuentes-Guerra; Abad Robles, 2022). Assim, a participação competitiva precoce pode se configurar como um fator distintivo de vantagem no esporte paralímpico.
É fundamental reconhecer que sentimentos e experiências individuais atuam como forças motrizes no desenvolvimento esportivo positivo (Lerner et al., 2016). Uma limitação deste estudo foi a ausência de registro da percepção das experiências e dos sentimentos vivenciados pelos jovens. Essa lacuna é relevante, pois experiências negativas podem estar associadas a fatores socioestruturais e ao papel dos treinadores (Reverdito et al., 2020). Tal constatação evidencia a necessidade de futuras pesquisas explorarem a influência do treinador e da família na adesão às atividades esportivas no contexto paralímpico.
Dada a relevância social e formativa dos treinadores em projetos sociais para o desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens (Simarelli et al., 2022), a atuação deste projeto de extensão universitária ganha particular importância na formação eficaz de futuros profissionais para o esporte paralímpico (Simarelli; Milistetd; Paes, 2023). A qualificação da equipe técnica do presente estudo reflete esse compromisso: dos quatro treinadores das modalidades, um possui doutorado, dois são mestres e um é especialista em ciências do esporte, e três deles contam ainda com a formação de treinador Nível 3 do CPB. Contudo, esse elevado padrão de qualificação pode limitar a generalização dos achados para outros projetos sociais, nos quais um cenário similar nem sempre é replicável.
Os resultados competitivos do presente estudo demonstram um impacto expressivo em níveis nacional e regional (Gráfico 1). Apesar de representar aproximadamente 18% da delegação de Minas Gerais nas PEs, os participantes do projeto foram responsáveis por mais de 30% das medalhas totais e de ouro do estado. Essa contribuição foi significativa para que Minas Gerais figurasse entre os três primeiros colocados nos últimos dois anos das PEs. Tal desempenho é notável, especialmente considerando que a PE, o maior evento competitivo escolar para jovens com deficiência, embora ainda apresente considerável discrepância na representatividade entre os 26 estados participantes (CPB, 2024b).
O modelo de captação e desenvolvimento do projeto, observado ao longo dos três anos, revelou-se eficaz. Em 2024, o projeto enviou 28 alunos para as PEs, um número superior ao de quatro outros estados brasileiros (CPB, 2024c). No atletismo, as 35 medalhas (sendo 19 de ouro) conquistadas pelos alunos do projeto superaram as conquistas de 15 estados participantes da PE (CPB, 2024a), indicando o potencial ainda inexplorado em muitos estados na iniciação esportiva paralímpica. O CPB, ao reconhecer a importância de expandir as oportunidades de iniciação esportiva, tem criado os CRPs, que aumentaram de 5 para mais de 70 unidades desde 2019. Os processos aqui descritos podem, assim, fortalecer o desenvolvimento desses CRPbs, ampliando o alcance de captação, encorajando a participação esportiva e competitiva, impulsionando a representatividade estadual nas PEs, além de fomentar a inclusão e o crescimento do esporte paralímpico no país.
A concentração de oportunidades em projetos esportivos e de atletas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil (Lima-Trigo et al., 2023; Silva et al., 2019) reflete-se, similarmente, na pesquisa científica em pedagogia do esporte. Esta última exibe uma predominância de estudos sobre modalidades olímpicas e notáveis lacunas em práticas corporais não olímpicas (Brasil; Paes, 2024). Tal cenário dificulta comparações dos achados no presente estudo com outros projetos sociais paralímpicos e evidencia desafios para a descentralização e pluralização da pesquisa nesse tema, demandando incentivos para fomentar a produção de conhecimento sobre as diversas práticas corporais em múltiplos contextos
Em reconhecimento à importância da articulação entre ensino, pesquisa e extensão para o desenvolvimento de estudos e de políticas públicas, o governo federal instituiu o Programa Paradesporto Brasil em Rede. Este programa visa criar e manter núcleos de paradesporto em Instituições Federais de Educação Superior, com a participação de acadêmicos e docentes de Educação Física, operando em rede. Seu objetivo é expandir o alcance e a equidade do acesso ao paradesporto, prioritariamente nas regiões Norte e Nordeste, estimulando a produção de conhecimento e a replicabilidade de ações. O público-alvo abrange pessoas com deficiência de todas as naturezas (física/motora, sensorial, intelectual, múltiplas, síndromes e transtornos como o TEA), sem limite de idade (Brasil, 2024).
De modo geral destacamos que formação esportiva de PCDs é um processo multidimensional influenciado por diversos fatores, incluindo a percepção de desafios e a crença no potencial de sucesso (Dehghansai; Pinder; Baker, 2021). Em competições a grande quantidade de provas disponíveis nas Seletivas escolares dos Meetings, aliada ao baixo número de participantes em relação às vagas, permite que a maioria dos atletas conquiste medalhas em suas primeiras competições. Essa experiência precoce de sucesso, ao promover autoconfiança, motivação e interesse, é crucial para a adesão e o desenvolvimento esportivo, alinhando-se aos princípios da Teoria da Autodeterminação (Pensgaard; Roberts, 2000; Ryan; Deci, 2000). Para sustentar o engajamento e garantir a transição da iniciação para o treinamento competitivo adulto, é essencial que os treinadores gerenciem o processo de forma a proporcionar uma experiência positiva e agradável, evitando a especialização precoce e o burnout esportivo (Myer et al., 2015).
5 CONCLUSÃO
Este relato de caso descreveu os processos de captação, iniciação, orientação e participação competitiva de jovens com deficiência em um projeto de extensão universitária. Os achados demonstram a eficácia das estratégias empregadas na promoção do esporte paralímpico escolar. Os festivais paralímpicos mostraram-se eficientes na divulgação e na experimentação do esporte, culminando na formação de equipes e na participação em competições estaduais (JEMG) e nacionais (PE) com resultados expressivos. Destaca-se, em particular, o sucesso esportivo e pedagógico do atletismo. Considerado um esporte-base, ele permite a integração de crianças com os três tipos de deficiência (DF, DV e DI) e dispõe de mais de 50 classes paralímpicas para acomodar os diversos níveis de comprometimento dos participantes. O sucesso pedagógico das competições escolares foi igualmente notável, evidenciado pela conquista de ao menos uma medalha por todos os participantes do projeto na Seletiva Escolar dos Meetings/JEMG.
O modelo adotado pelo projeto no contexto da extensão universitária em parceria com o CPB oferece uma proposta para a expansão do acesso à iniciação esportiva paralímpica, servindo como referência para outros projetos sociais e para os CRPbs em todo o país. A expertise acadêmica integrada à prática permitiu otimizar o processo de captação e desenvolvimento de atletas, fortalecendo a inclusão, a representatividade estadual e o crescimento do movimento paralímpico brasileiro. Além disso, a reconhecida qualidade da equipe de treinadores do projeto, com alto nível acadêmico e formação especializada, demonstra a importância da universidade na formação qualificada de futuros profissionais do esporte paralímpico.
Apesar das contribuições, este estudo possui limitações. A ausência de registros sobre as percepções e sentimentos vivenciados pelos jovens atletas e suas famílias impede uma compreensão aprofundada das experiências subjetivas. Adicionalmente, o elevado padrão de qualificação da equipe técnica do projeto, embora seja uma força, pode limitar a generalização dos achados para outros contextos sociais com recursos humanos distintos.
Para futuros estudos, sugere-se a incorporação de metodologias qualitativas para explorar a experiência subjetiva dos atletas e de suas famílias, bem como a investigação aprofundada do papel do treinador e do apoio familiar no engajamento e sucesso esportivo paralímpico. Recomenda-se também a avaliação da adaptabilidade e eficácia deste modelo em diferentes contextos socioculturais brasileiros como outros CRPs, visando maximizar o alcance e a sustentabilidade das iniciativas de iniciação esportiva paralímpica.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa - Universidade Federal de Minas Gerais, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (N. 444769/2023-4 e N. 405140/2021-5), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Protocolo bolsa PAIS - 88887.974627/2024-00), Ministério do Esporte (Governo Federal, Brasil - N° 58000.008978/2018-37 e N° 71000.056251/2020-49), Comitê Paralímpico Brasileiro, Centro de Treinamento Esportivo da UFMG, Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão, Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício.
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FINANCIAMENTO
O presente trabalho foi realizado com os seguintes apoios:• Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.• Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Bolsa de Produtividade em Pesquisa.• Ministério do Esporte
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ÉTICA DE PESQUISA
A pesquisa seguiu os protocolos vigentes nas Resoluções 466/12 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil e foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Minas Gerais. Número do Parecer: 6.589.931.
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COMO REFERENCIAR
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DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA
Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.
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RESPONSABILIDADE EDITORIAL
Alex Branco Fraga*, Elisandro Schultz Wittizorecki*, Mauro Myskiw*, Raquel da Silveira** Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança, Porto Alegre, RS, Brasil.


Legenda: O gráfico de barras representa o número total de medalhas conquistadas pelo estado de Minas Gerais ao longo dos anos. A parte vermelha representa as medalhas conquistadas pelos atletas do estado, mas não do Projeto paralímpico. A parte amarela representa as medalhas conquistadas pelos atletas do projeto paralímpico da Universidade Federal de Minas Gerais. O gráfico de linhas representa a quantidade de atletas na delegação de Minas Gerais ao longo dos anos. Fonte: Elaboração própria