Enquanto muitos rejeitam o rótulo de “ciência mole”, frequentemente usado de forma pejorativa para caracterizar a pesquisa qualitativa nas ciências da saúde, propomos que devemos adotar e redefinir esse rótulo, afirmando sua potência metodológica para entender a saúde e o sistema de saúde e ainda como uma expansão do campo científico. Neste artigo, refletimos sobre as estratégias que desenvolvemos ao longo dos últimos 25 anos, enquanto trabalhávamos juntas como professoras de pesquisa qualitativa em nível de pós-graduação nas ciências da saúde. O principal resultado de nossa colaboração foi o estabelecimento e desenvolvimento do Centre for Critical Qualitative Health Research da Universidade de Toronto. Como ex-diretoras, refletimos sobre como praticar e ensinar em um mundo com limitado letramento em pesquisa qualitativa; como criar um espaço institucional para a pesquisa qualitativa crítica nas ciências da saúde; como entender a pesquisa qualitativa crítica como uma forma potente de “ciência mole”; e como nos posicionamos em uma localização científica marginal, nas bordas do sistema acadêmico, enquanto celebramos nossas metodologias e métodos “moles” e potentes.
Palavras-chave
Domínios da ciência; Ciências da saúde; Pesquisa qualitativa; Ensino; Ciência mole; Ciência dura