Este artigo expõe uma reflexão em torno dos vivos e mortos, enfocando os aspectos sensoriais da relação entre ambos. Apesar da morte ser um tema antigo na antropologia, a maioria dos estudos da disciplina centram-se ou nas representações coletivas do post-mortem ou nos rituais fúnebres, deixando em segundo plano a condição material do morto, expressa pela presença de seu cadáver. Mais do que mero objeto de reflexão e/ou intervenção, o cadáver sensibiliza quem o toca, olha e cheira. Tais relações não ocorrem fora do escopo da cultura: atualmente, a morte tornou-se um assunto da medicina, e a manipulação dos cadáveres passou a ser executada por indivíduos qualificados. A tanatopraxia é um dos muitos serviços criados para se lidar com o corpo morto. A fim de aprofundar o entendimento das relações entre vivos e mortos, é defendido, aqui, uma antropologia dos sentidos da morte, isto é, uma investigação de como os vivos sentem os mortos, tendo a tanatopraxia como um caso prolífero de estudo.
Palavras-chave
morte; vivos/mortos; cadáver; antropologia dos sentidos; tanatopraxia