O artigo investiga os entendimentos sobre aliança, gênero e pessoa entre os ciganos calon, com base em pesquisa etnográfica em acampamentos em Minas Gerais. Argumenta-se que a aliança matrimonial é central nesta socialidade, funcionando como um agenciador na formação das relações e das identidades de gênero. Desde o nascimento, homens e mulheres são preparados para assumir os papéis de marido e esposa, mas o matrimônio em si não é um contrato fixo e as separações são comuns. O essencial é estar casado, pois a aliança garante a inserção na vida adulta, a manutenção da vergonha e a constante atualização do coletivo. A reflexão final examina a tentativa de determinadas abordagens feministas ocidentais de interpretar as dinâmicas de gênero ciganas sem considerar os próprios construtos ciganos a respeito do tema, cujo risco é incorrer em um viés salvacionista e universalizante. Partindo de uma perspectiva centrada na mulher cigana, objetiva-se aqui a construção de um conhecimento em presença, que leve a sério o que essas mulheres têm a dizer sobre suas próprias práticas e relações.
Palavras-chave:
Ciganos; Mulheres ciganas; Aliança; Casamento; Gênero