| Excerto |
Tipo de engajamento ou relação entre L1/E1 e E2 |
Excerto 1 (1) E isso foi uma coisa boa, tanto que uma das características mais valorizadas no trigo é a chamada “força de glúten”, que ajuda muito na produção de pães. (2) “É ela que deixa o pão fofo, alto e bonito [...]” explica o pesquisador Eduardo Caeirão, que trabalha com melhoramento genético na Embrapa Trigo. |
Envolvimento de L1/E1 com o que E2 afirma - E1 inicia o parágrafo afirmando que a “força de glúten” é positiva. O discurso direto do segmento 2 é empregado para sustentar essa visão (PdV1). L1/E1 adere ao PdV1. |
Excerto 2 (1) Mas, para alguns médicos, esse processo de desenvolvimento do trigo pode ter ido longe demais, e estar causando efeitos ruins. (2) “O trigo foi esticado, costurado e cortado e recosturado, [...]”, diz o cardiologista americano William Davis, cujo livro Barriga de Trigo ficou 50 semanas entre os mais vendidos nos EUA. |
E1 manifesta suspeita, desconfiança, em relação ao PdV2, dos médicos (“alguns médicos”) e, em especial, do cardiologista William Davis. Primeiro, há o discurso indireto mediado (segmento 1). Depois, o discurso direto (segmento 2). E1 não assume o PdV2; não se posiciona em relação ao seu valor de verdade. |
Excerto 3 (1) Essa teoria, de que o melhoramento genético do trigo possa ter criado um monstro, é apenas uma teoria - e bastante questionada pelos pesquisadores da área. (2) Isso porque os cruzamentos genéticos ocorrem há milênios [...]. (3) Não há comprovação científica de que esse processo tenha modificado a forma como o trigo é digerido. (4) “Não há um só sistema no organismo que não seja afetado pelo trigo”, ataca Davis. (5) “Da fadiga à artrite, do desconforto gastrointestinal ao ganho de peso, todos [esses males] têm como origem o alimento, de aparência inocente, que cada um de nós come todas as manhãs”, acredita. (6) Por essa tese, o trigo pode estar nos fazendo mal - e ser o grande responsável pela epidemia de obesidade no mundo. |
Primeiramente, no segmento 1, emprega-se um discurso indireto, no qual se diz que a tese de William Davis (PdV2) é uma teoria bastante questionada. L1/E1 não se responsabiliza pelo PdV2, apesar dos recursos de atenuação da fiabilidade desse ponto de vista nos segmentos 2 e 3. |
| No segmento 4, emprega-se um discurso direto. L1/E1 não se engaja no PdV2. Atribui a responsabilidade a E2. |
| No segmento 5, acontece o mesmo que no segmento 4 (descrito acima). |
| E1 adota, no segmento 6, o discurso indireto mediado (mediativo), uma vez que não se engaja em relação ao conteúdo predicado em tal segmento. L1/E1 comenta, com suas palavras, a plausibilidade (pode ser verdade) da tese defendida pelos médicos (PdV2). |