Open-access VOZ NOTICIADA: UMA ANÁLISE SOBRE OS SENTIDOS DA VOZ DE MARIAH CAREY NA MÍDIA

NEWS VOICE: AN ANALYSIS OF THE MEANINGS OF MARIAH CAREY’S VOICE IN THE MEDIA

VOZ RELATADA: UN ANÁLISIS DE LOS SENTIDOS DE LA VOZ DE MARIAH CAREY EN LOS MEDIOS

Resumo

O presente artigo analisa a matéria “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”, publicada no portal R7.com, com o objetivo de compreender como os discursos midiáticos atuam na produção de subjetividades e na regulação estética da performance vocal. A análise baseia-se nos conceitos foucaultianos de subjetivação, objetivação e formação discursiva, adotando uma perspectiva que entende o discurso como prática social capaz de produzir efeitos de verdade e modos de ver e julgar o sujeito. Os resultados indicam que a matéria não apenas descreve uma falha vocal, mas transforma o episódio em espetáculo de decadência. Nesse processo, objetifica a voz da artista como atributo técnico separado de sua identidade, a subjetiva como corpo falível e a reinscreve em uma formação discursiva que associa a performance vocal à lógica binária de sucesso e fracasso.

Palavras-chave:
Análise do Discurso; Voz; Mídia; Estética

Abstract

This article analyzes the news piece “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”, published on the R7.com portal, to understand how media discourses operate in the production of subjectivities and in the aesthetic regulation of vocal performance. The analysis draws on Foucaultian concepts of subjectivation, objectivation, and discursive formation, adopting a perspective that understands discourse as a social practice capable of producing truth effects and the ways in which subjects are seen and judged. The results indicate that the report not only describes a vocal failure but also transforms the episode into a spectacle of decline. In this process, it objectifies the artist’s voice as a technical attribute separated from her identity, subjectifies her as a fallible body, and reinscribes her within a discursive formation that links vocal performance to the binary logic of success and failure.

Keywords:
Discourse Analysis; Voice; Media; Aesthetics

Resumen

El presente artículo analiza la noticia “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”, publicada en el portal R7.com, con el objetivo de comprender cómo los discursos mediáticos actúan en la producción de subjetividades y en la regulación estética de la performance vocal. El análisis se basa en los conceptos foucaultianos de subjetivación, objetivación y formación discursiva, adoptando una perspectiva que entiende el discurso como una práctica social capaz de producir efectos de verdad y modos de ver y juzgar al sujeto. Los resultados indican que la noticia no solo describe una falla vocal, sino que transforma el episodio en un espectáculo de decadencia. En este proceso, objetifica la voz de la artista como un atributo técnico separado de su identidad, la subjetiviza como un cuerpo falible y la reinscribe en una formación discursiva que asocia la performance vocal con la lógica binaria de éxito y fracaso.

Palabras clave:
Análisis del Discurso; Voz; Medios; Estética

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS1

A voz, enquanto fenômeno simultaneamente físico, simbólico e discursivo, ocupa lugar privilegiado na constituição das subjetividades midiáticas, especialmente no campo do entretenimento pop. Longe de se limitar a uma manifestação acústica, sobretudo a voz feminina, torna-se objeto de construção social, de vigilância sensorial e de capitalização simbólica nas práticas discursivas contemporâneas. No contexto da cultura midiática digital, em que a visibilidade se converte em valor de troca, e o sucesso se sustenta por performances reiteradas de excelência, a voz é constantemente inspecionada, fragmentada e resignificada, servindo como ponto de ancoragem para narrativas de ascensão e declínio. Este artigo propõe uma análise discursiva da matéria intitulada “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”, publicada em 6 de outubro de 2014 pelo Portal R7.com, a fim de investigar os sentidos mobilizados em torno da performance vocal da cantora e as estratégias enunciativas que regulam sua imagem pública.

A investigação parte de uma perspectiva foucaultiana de Análise do Discurso, que compreende os enunciados como práticas que produzem saberes e efeitos de verdade, implicando relações de poder e modos de subjetivação (Foucault, 2006). A notícia em questão não apenas descreve um acontecimento, uma suposta falha vocal durante uma apresentação da artista, mas opera como dispositivo discursivo que objetiva, subjetiva e reinscreve a cantora em uma formação discursiva que articula estéticas do sucesso, políticas da visibilidade e regimes de escuta. O uso de expressões como “falha feio”, “algo doloroso para os ouvidos” e a escolha por destacar o evento ocorrido no Japão são estratégias retóricas que desestabilizam a imagem consolidada da cantora como “diva” (sintagma extraído do texto jornalístico analisado mais adiante), despersonalizam sua voz e inscrevem-na em um regime de escândalo e decadência.

Nesse processo, a voz de Mariah Carey é simultaneamente objetivada, como entidade técnica autônoma e separável do sujeito, e subjetivada, como corpo falível, incapaz de corresponder ao ideal normativo de perfeição vocal. A formação discursiva em que se insere a notícia evidencia uma regularidade enunciativa típica do jornalismo de entretenimento, que opera sob a lógica da espetacularização do erro, da vigilância afetiva e da estetização da falha. Como argumenta Soares (2021; 2022; 2024), o sucesso midiático é menos um dado empírico do que um efeito de discurso, sustentado por performances visuais e sonoras reiteradas e reguladas, cujas rupturas são interpretadas como lapsos da identidade artística.

Ao articular os conceitos de objetivação, subjetivação e formação discursiva, este artigo busca compreender como a voz de Mariah Carey é convertida em signo de valor, ou de sua ausência, no interior das tramas discursivas da mídia digital. Mais do que descrever o conteúdo de uma matéria isolada, propõe-se examinar os dispositivos que regulam a escuta midiática contemporânea e os modos como ela opera na construção e desconstrução de figuras públicas no imaginário coletivo. A escolha do enunciado analisado justifica-se por seu alto índice de circulação, pela linguagem hiperbólica e pela centralidade atribuída à performance vocal como critério de julgamento. Embora a análise se concentre em um único texto, este se mostra exemplar de uma formação discursiva mais ampla, marcada pela espetacularização do erro vocal feminino e pela normatização estética da voz no jornalismo digital.

Essa delimitação não implica isolamento teórico nem reduzido alcance interpretativo: ao contrário, a pesquisa inscreve-se em uma constelação de estudos brasileiros que vêm investigando os modos de dizer sobre a voz em múltiplos dispositivos, como demonstram Carvalho (2019), Nascimento (2020) e Soares (2021, 2024). Esses trabalhos, ainda que distintos em foco e escopo, convergem na compreensão da voz como operador discursivo atravessado por valores sociais, afetivos, morais e políticos. Assim, os resultados podem ser compreendidos como parte de uma fileira de investigações adjacentes que, em conjunto, contribuem para o aprofundamento teórico dos processos de subjetivação e disciplinamento vocal mediados pela mídia.

2 CONSIDERAÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS

A análise empreendida neste artigo inscreve-se no campo da Análise do Discurso de orientação foucaultiana, compreendida não como um método empírico rigidamente estabelecido, mas como uma perspectiva teórico-epistemológica que interroga os modos pelos quais os discursos produzem saberes, sujeitos e verdades. Ao privilegiar os efeitos de sentido produzidos nas materialidades discursivas e sua imbricação com relações de poder, a abordagem assume que o discurso não reflete a realidade, mas a constitui; ele opera como prática social, produtora de regimes de visibilidade, normatividade e subjetividade (Foucault, 2006). Nesse horizonte, a matéria jornalística analisada é compreendida como prática discursiva que performa e reconfigura a imagem pública de Mariah Carey, mais especificamente sua voz, compreendida aqui como constructo discursivo e cultural, mais do que dado biológico ou técnico.

Para a análise, mobilizam-se três noções fundamentais do pensamento foucaultiano: subjetivação, objetivação (Foucault, 1987) e formação discursiva (Foucault, 2006). A primeira refere-se aos modos pelos quais os sujeitos são constituídos nos discursos, isto é, como se tornam inteligíveis, reconhecíveis e nomeáveis em determinadas condições de enunciação. A subjetivação implica processos de assujeitamento que não apenas impõem normas, mas também oferecem lugares de fala, de visibilidade e de reconhecimento. Assim, a figura de Mariah Carey como “diva”, por exemplo, não é apenas uma celebração estética, mas uma posição de sujeito produzida por discursos que a inscrevem em um regime de excepcionalidade vocal e comportamental, o qual, paradoxalmente, também a expõe à constante vigilância midiática.

A análise será conduzida em três etapas complementares: (a) levantamento e contextualização do enunciado midiático; (b) identificação dos recursos linguístico-discursivos de avaliação da performance vocal; (c) interpretação das operações de objetivação e subjetivação em articulação com as categorias de formação discursiva e regimes de visibilidade. A leitura minuciosa do texto jornalístico considerou expressões marcadas discriminadamente, escolhas verbais no tempo presente, metáforas e hipérboles que constituem a performance da “falha” como evento midiático.

No direcionamento dado acima, a noção de objetivação, tal como explorada por Foucault (1987) em suas investigações sobre as ciências humanas e a constituição do sujeito, permite compreender como a voz da cantora é destacada como objeto de avaliação, separada de sua agência e identidade. No discurso da matéria analisada, a voz não aparece como expressão do sujeito Mariah, mas como entidade autônoma, técnica e passível de julgamento: “falha”, “desafina”, “resulta em algo doloroso”, expressões extraídas da matéria analisada. Trata-se de uma operação de despersonalização que permite a crítica pública não à pessoa, mas a um atributo estetizado, transformado em mercadoria sensível e passível de circulação discursiva. Essa separação entre corpo e voz, sujeito e performance, reforça os mecanismos de disciplinamento estético e moral (Foucault, 1987), sobretudo no que tange às figuras femininas no entretenimento.

Por fim, a noção de formação discursiva, tal como formulada em “A Arqueologia do Saber” (Foucault, 2006), oferece os instrumentos para identificar as regularidades que tornam possíveis certos enunciados e não outros em um dado momento histórico. Uma formação discursiva não é o conjunto de tudo o que se diz sobre um objeto, mas o sistema de regras que determina o que pode ser dito, por quem, em que condições e com que efeitos (Foucault, 2006). Ao aplicar esse conceito à análise da matéria jornalística, busca-se compreender como a notícia sobre a “falha vocal” de Mariah Carey insere-se em uma rede de enunciados midiáticos que atualizam, reiteram e tensionam uma lógica sensacionalista sustentada por dicotomias afetivas - sucesso e fracasso, glória e ruína, perfeição e erro. Essa lógica não apenas estrutura o texto, mas também se articula a um regime de produção de visibilidade que explora a fragilidade como espetáculo, conforme argumenta Soares (2024), ao tratar da economia afetiva do sucesso nas mídias digitais.

A título de refinamento dessa abordagem, recorre-se ainda às contribuições de Soares (2021, 2022, 2024), cujos estudos sobre voz, estética e performance midiática fornecem subsídios para compreender a centralidade da escuta como dispositivo de reconhecimento e disciplinamento. Ao teorizar a voz como espaço discursivo onde se inscrevem afetos, normas e expectativas socioculturais, Soares amplia a noção foucaultiana de corpo disciplinado para incluir a dimensão sonora e performática dos sujeitos midiáticos. Sua formulação da “estética do sucesso” como repetição controlada e vigilância contínua permite situar a matéria jornalística não apenas como narrativa episódica, mas como peça de um regime discursivo que opera pela espetacularização da falha como desvio de um ideal normativo.

Portanto, a articulação entre Foucault e Soares fornece o aparato conceitual necessário para a leitura crítica da matéria analisada, permitindo situar seus enunciados como operadores de sentido que produzem uma determinada inteligibilidade da voz e da figura de Mariah Carey. A análise, portanto, não se limita à descrição de elementos textuais, mas busca desvendar os regimes de saber-poder que sustentam os efeitos de verdade, os modos de visibilidade e os processos de subjetivação que constituem o discurso midiático contemporâneo.

3 A VOZ QUE ECOA NAS NOTÍCIAS: MARIAH CAREY SOB A LENTE MIDIÁTICA

A matéria sob análise foi veiculada no R7.com, um dos principais veículos de notícias e entretenimento do Brasil. O site pertence ao Grupo Record, conglomerado de mídia que controla também a Record TV, emissora de televisão aberta com ampla penetração nacional. Fundado em 2009, o R7 é um portal multiplataforma que abrange diversas editorias, como política, economia, esportes, cultura pop e, especialmente, entretenimento, com forte inclinação ao jornalismo de apelo sensacionalista. Seu conteúdo é amplamente voltado para a viralização em redes sociais, priorizando o alcance e o engajamento imediato do público, majoritariamente composto por usuários brasileiros das classes média e baixa, perfil alinhado à audiência tradicional da programação da Record TV.

A linha editorial do R7 é marcada por uma estética do excesso, pautada em títulos hiperbólicos, conteúdos voltados a escândalos, controvérsias e celebridades, dentro de uma lógica conhecida como clickbait. É nesse contexto que se insere a matéria “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”, publicada na subseção Pop da seção Entretenimento. Essa subseção do site dedica-se à cobertura de artistas da música pop, especialmente ícones internacionais, e reproduz frequentemente narrativas binárias de sucesso e fracasso, com foco em transformações drásticas de imagem, como a “ascensão” e a “queda” de celebridades, elementos centrais da espetacularização midiática.

O momento da publicação também é revelador: a matéria foi divulgada em 6 de outubro de 2014, apenas um dia após o show de Mariah Carey no Japão (ocorrido em 5 de outubro), o que evidencia a lógica de agilidade típica do jornalismo digital, voltado para capturar o tráfego orgânico de buscas e a atenção efêmera do público. Esse timing estratégico também coincide com o período de aproximação do Natal, época em que a cantora retorna ao centro das atenções devido à popularidade cíclica de seu hit “All I Want for Christmas Is You”. A matéria, ao explorar um episódio de falha vocal, constrói um contraste direto com a imagem festiva e impecável que usualmente é associada à artista nesse período do ano. Abaixo encontra-se, na íntegra, a matéria.

Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão

Conhecida pelos seus agudos, a cantora pop desafinou em diversos momentos e teria, inclusive, esquecido a letra de uma das músicas

Mariah Carey, considerada uma das grandes divas da música pop, sofreu sérios problemas vocais durante um show no Japão neste sábado. Em vídeo divulgado por um fã, é possível ver a cantora batalhando para tentar alcançar seus característicos agudos, mas acaba desafinando - e muito -, resultando em algo doloroso para os ouvidos. Em um dos momentos ela parece, inclusive, esquecer a letra do sucesso We Belong Together (Portal R7, 2014, grifo no original).

Acima temos uma notícia também vinculada na subseção Pop da seção Entretenimento do portal R7.com, cuja temática é a voz de Mariah Carey. A voz, neste fato narrado, é protagonista, uma vez que sua ocorrência inusitada gera uma reação que se dá por meio de dizeres sobre a voz de sucesso que compõem o próprio texto jornalístico. Em seu título, Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão, expresso no presente do indicativo, é permitido ler o efeito de atualidade marcado no verbo falhar. Vemos, então, que um recurso textual-discursivo utilizado neste caso é o de enunciar no presente o que se irá narrar a respeito do passado.

A maneira pela qual expressamos nosso pensamento revela nossas intenções de persuadir, de modificar a realidade, de emitir certezas ou suscitar dúvidas, enfim, de agir de algum modo sobre nossos interlocutores. As formas verbais que selecionamos ao expressar-nos certamente contribuem para que essas modalidades de significação se concretizem (Vargas, 2011, p. 35).

Com isso, enfatiza-se o acontecimento ao mesmo tempo em que orienta ideologicamente a leitura do texto na produção de efeitos de sentidos (Orlandi, 2012). A própria escolha das palavras não é contingente, como no caso de falha, pois, ao invés desse emprego lexical, poderiam ser outros como deslizou, escorregou, tropeçou etc. A reportagem realça a falha da cantora de música pop, que é conhecida por seus agudos, através do caracterizador feio. Ela, considerada uma das grandes divas da música pop, acaba desafinando, mas não é qualquer desafino, pois ela é um ícone da música.

Tem-se que Mariah Carey faz sucesso pela voz, em específico, por usar de um artifício vocal: seus característicos agudos; no entanto, foi noticiada por seus sérios problemas de desafinos vocais. A virtude da voz da cantora só é mencionada para ser contraposta aos desafinos em diversos momentos, gerando o que a reportagem chamou de voz que falha feio, cujos possíveis efeitos de sentido residem na máxima intradiscursiva: “quanto maior é a altura, maior é a queda”. No limite, muito provavelmente, se Mariah Carey não tivesse tido uma falha feio como a retratada, sua voz não seria exposta da maneira que foi. Sua voz é sua matéria-prima de trabalho, errar ao manejá-la pode trazer consequências muito maiores do que a censura de um texto jornalístico.

Em virtude de o sucesso ter sido posto em jogo, a formação discursiva midiática do sucesso entra em ação e produz os necessários efeitos para tacitamente mitigar a emissão do juízo negativo. No trecho “Mariah Carey, considerada uma das grandes divas da música pop, sofreu sérios problemas vocais durante um show no Japão neste sábado”, há a presença do verbo sofrer que transforma a cantora em vítima de problemas vocais, emprego esse gerador do efeito de atenuação do fato. Somado ao segmento “é possível ver a cantora batalhando para tentar alcançar seus característicos agudos” reveste a crítica realizada na notícia com um manto abrandado de esforço, já que Mariah Carey mesmo sofrendo de sérios problemas vocais batalhou para tentar superá-los.

Por se tratar de uma celebridade construída pela mídia, ela própria toma cuidado ao lhe apontar erros, mesmo em uma forma relativamente coloquial como “falha feio”. O recurso textual-discursivo de atenuação é posto em prática pela mídia quando um de seus agentes do sucesso não supre as demandas criadas na sociedade pela própria mídia. Portanto, supõe-se que Mariah Carey devesse ter o mesmo desempenho de sempre com seus característicos agudos, sem desafinos e sem falhas feias para, assim, não ter sua fama arranhada. Apesar da suavização exposta, a diva da música pop acaba desafinando - e muito -, resultando em algo doloroso para os ouvidos e em um dos momentos ela parece, inclusive, esquecer a letra do sucesso We Belong Together. Estamos, pois, diante da faceta padronizadora do discurso do sucesso em sua intersecção com os dizeres sobre a voz.

Jean-Jacques Courtine em um artigo intitulado “Voz do povo: a fala pública, a multidão e as emoções na aurora da era das massas” (2015) chama a atenção para a “polícia dos ruídos” na relação existente no interior da organização social entre o ruído e a desordem. Em suas palavras:

Da mesma forma, o elo entre as massas, o ruído e a desordem, que tanto Le Bon quanto Zola perceberam muito bem, inscreve-se numa história de longa duração, na qual se formou a ideia de que o ruído é propriedade sonora por natureza e a condição vocal por excelência do povo da cidade (Courtine, 2015, p. 274).

O ruído pode ser entendido, então, como a modalidade sonora concernente ao povo, daí a necessidade de se policiá-lo de tal maneira que fique dentro de padrões aceitáveis da ordem pública. Muito próxima dessa concepção de policiamento da voz, está Farge ao dizer: “Quant à la voix du peuple, assignée à sa condition défavorisée, bousculée par des accents provinciaux et des fulminations grossières, elle est abîmée par le travail, déclassée et signe de danger” (2009, p. 199) . Porquanto “Las, dans ce monde merveilleux que sont la parole, la voix et l’intrusion vocale dans l’espace, il est des imperfections, des voix étouffées ou dominées, des accents qui dénotent l’infériorité” (Farge, 2009, p. 263) . Portanto, a voz do povo é ruidosa, precária, imperfeita, danificada e inferior, necessitando de vigia para não atrapalhar o bom funcionamento social e se manter em seu “lugar”. Perante essa leitura da voz do povo, a crítica feita à cantora por voz falhar feio em show ganha o efeito de justificativa.

A mídia cumpre não só o papel de produzir sujeitos do sucesso mas também de vigiá-los e puni-los, como no ocorrido com Mariah Carey em que a voz falha feio. A face perversa da mídia fica obliterada pelo intradiscurso no qual se manifesta, soando como observação de entretenimento acerca de uma personalidade famosa que cometeu erros. Além disso, revela a visão separatista da sociedade em que aqueles que conseguem alcançar característicos agudos sem desafinar têm oportunidades de atingir a fama e o sucesso. Mariah Carey, como todo sujeito do sucesso, deve servir de modelo para seus fãs e para os aspirantes ao sucesso, de maneira que suas falhas não sejam percebidas e, quando o forem, não sejam falhas feias, sobretudo, no caso da voz na música em que pode resultar em algo doloroso para os ouvidos. O sucesso tem seu preço e esse sempre é pago seja efetivamente por dinheiro, seja por meio de um título de matéria, tal como “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão”.

A análise da manchete revela mecanismos sofisticados de subjetivação, nos quais se entrelaçam saberes sobre o corpo, a performance e a celebridade. Nesse processo, a subjetivação da artista se opera em dois eixos principais: primeiro, pela sedimentação histórica de sua identidade como “diva”, um significante culturalmente carregado que associa virtuosismo vocal, controle performático e glamour; segundo, pela reconfiguração dessa identidade a partir do episódio da falha vocal, que serve como ponto de inflexão narrativa. A própria materialidade discursiva do texto (“falha feio”, “desafina”, “esquece a letra”) age como enunciado de degradação simbólica, deslocando a cantora do lugar de excelência para uma posição de vulnerabilidade espetacularizada.

Foucault (2006) discute que a constituição dos sujeitos se dá por meio de práticas discursivas e dispositivos de poder-saber que operam nos corpos e nos modos de vida. A figura da “diva” pop é resultado de um conjunto de práticas e discursos que constroem uma subjetividade idealizada, sustentada pela ideia de perfeição inatingível. Quando essa imagem é quebrada, como no caso da performance vocal em questão, a mídia não apenas noticia o fato, mas participa da produção de um novo regime de verdade sobre esse corpo. A cantora deixa de ser apenas um sujeito da enunciação artística e passa a ser um objeto do olhar midiático, que age como dispositivo disciplinar (Foucault, 1987), expondo sua falha como forma de correção simbólica e, em última instância, de moralização pública.

A menção ao vídeo do fã que descreve a apresentação como “algo doloroso para os ouvidos” insere o discurso em um contexto panóptico, em que o olhar difuso do público participa ativamente da vigilância e do julgamento. A performance não é apenas avaliada tecnicamente, mas traduzida em um discurso de decadência. Esse processo está alinhado com o que Foucault (2004) chamou de biopolítica: a gestão da vida por meio do controle dos corpos, das vozes e das imagens, em um regime em que a norma se impõe como valor regulador. O corpo de Mariah Carey, enquanto corpo feminino e midiático, torna-se, assim, terreno de disputas de sentido, onde se negociam as fronteiras entre o humano e o ideal, o aceitável e o fracassado.

Nesse contexto, a narrativa da queda da diva reforça uma lógica de gênero que exige das mulheres não apenas excelência, mas constância e infalibilidade. Trata-se de uma forma de “confissão pública”, não por parte da artista, mas da mídia e do público que a observam, que transforma o erro em espetáculo, reafirmando a norma pela exceção (Foucault, 2006). O discurso ultrapassa o relato do fato e o reestrutura como um mecanismo de controle simbólico, produzindo efeitos de verdade que ultrapassam o campo da música e incidem diretamente na constituição dos sujeitos contemporâneos.

A objetivação da voz de Mariah Carey, tal como construída na notícia, revela-se como um processo discursivo que separa a cantora de sua performance vocal, produzindo uma cisão entre sujeito e atributo. Essa cisão não é apenas retórica, mas funciona como operador de poder que transforma a voz - tradicionalmente associada à expressividade, subjetividade e identidade artística - em objeto técnico, autônomo, passível de mensuração, julgamento e descarte. A manchete já inicia esse processo ao deslocar o foco da ação para a voz como entidade independente: “Voz de Mariah Carey falha”, e não “Mariah Carey falha com a voz” ou “Mariah Carey desafina”. A formulação enunciativa atribui agência ao atributo (a voz) e retira agência do sujeito, despersonalizando a cantora.

Ao discutir os modos de objetivação do sujeito, Foucault (2006) mostra como o saber moderno organiza o mundo em objetos a serem conhecidos, classificados, corrigidos ou descartados. Essa operação se dá especialmente nos discursos científicos e midiáticos, que tendem a construir sujeitos como alvos de análise, tornando partes do corpo ou da conduta objetos de avaliação técnica. No caso da cantora, sua voz não é mais extensão de sua subjetividade, mas ferramenta autônoma que “batalha para alcançar agudos”, conforme a notícia, e que “resulta em algo doloroso para os ouvidos”, em uma hipérbole que transforma uma experiência sensível e situada em uma verdade generalizante. O sensível torna-se dado objetivo, o particular torna-se evidência de um fenômeno mais amplo: a decadência de uma estrela.

Essa objetivação vocal aproxima-se do que Foucault descreve como normalização (1987, p. 47), em que comportamentos, performances e capacidades são avaliados segundo um padrão ideal, e qualquer desvio em relação a esse ideal é marcado, nomeado e classificado como anomalia. A desafinação, o esquecimento da letra e a quebra de expectativa performática tornam-se elementos de um discurso que não apenas narra o erro, mas o transforma em “prova” de um estado de deterioração. O discurso midiático, nesse sentido, opera como um dispositivo disciplinar que avalia, julga e fixa o sujeito em uma posição: da artista em plenitude à figura em decadência. Conforme argumenta Frith (1996), os julgamentos sobre performance musical são sempre mediados por expectativas culturais e construções de autenticidade que se aplicam de modo desigual a artistas homens e mulheres. Nesse sentido, a falha vocal de uma cantora é mais facilmente transformada em evento midiático do que a de um cantor, devido às exigências estéticas e morais que recaem sobre os corpos femininos na cena pop contemporânea.

O uso do vídeo de um fã como suposta “evidência” intensifica esse processo. Aqui, o espaço íntimo do erro, o momento humano e contingente de uma falha vocal, é recodificado como espetáculo, reconfigurando o evento como um momento de verdade revelada. Esse fenômeno ecoa o que Foucault (2006) identifica como dispositivo de confissão, em que o erro, ainda que não verbalizado pela artista, é extraído e exposto pelo olhar social, que funciona como instância de julgamento. A mídia, nesse cenário, não apenas noticia: ela produz regimes de visibilidade e verdade, determinando o que pode ou deve ser visto, ouvido e avaliado.

Por fim, a objetivação da voz inscreve o corpo feminino no circuito do consumo simbólico. A artista, enquanto pessoa, é eclipsada pela avaliação técnica de seus atributos vocais. Sua performance é decomposta em elementos que são publicamente escrutinados como produtos defeituosos. A subjetividade da artista - seus afetos, suas condições, seu histórico - é obliterada pelo olhar normativo que transforma sua voz em um dado técnico a ser julgado. Trata-se de uma economia discursiva em que se espera da artista uma performance impecável e constante; qualquer desvio se torna produto para consumo midiático.

Já a análise da formação discursiva presente na notícia evidencia sua inserção em um campo de saber-poder onde se articulam dispositivos midiáticos, padrões estéticos e dinâmicas de gênero. Segundo Foucault (2006), as formações discursivas não são conjuntos aleatórios de enunciados, mas sistemas de regularidades que definem o que pode ser dito, quem pode dizer, com que autoridade e em que condições. Nesse caso, a notícia não apenas narra um episódio pontual, mas reproduz um regime de sentido que organiza as representações sobre artistas, especialmente mulheres, a partir de um esquema binário de glória e ruína, sucesso e fracasso.

A narrativa midiática recorre a estruturas sensacionalistas que maximizam o impacto emocional e provocam reações imediatas do público. Expressões como “falha feio” e “algo doloroso para os ouvidos” não apenas descrevem, mas performam juízos de valor, orientando a leitura e ancorando o discurso na lógica do escândalo. Foucault (1987) alerta que o discurso funciona como prática que produz efeitos de verdade. Assim, ao enfatizar os termos negativos e mobilizar um repertório afetivo depreciativo, a matéria jornalística contribui para fixar sentidos sobre decadência e inadequação, reforçando o imperativo de perfeição que recai, de maneira desproporcional, sobre artistas femininas.

Esse mecanismo alinha-se ao que Soares (2022) discute ao tratar do “sucesso como forma discursiva” no campo midiático. Para Soares, o sucesso de artistas, especialmente de cantoras pop, é construído como um efeito discursivo sustentado por performances reiteradas e validadas por instituições midiáticas, que organizam o visível e o dizível em torno de corpos altamente estetizados e vozes normatizadas. Nesse cenário, a voz, enquanto tecnologia de subjetivação e instrumento de reconhecimento, é capturada por regimes de regulação que produzem o sucesso como uma necessidade constante, e o fracasso como ruptura e punição. A referência ao hit “We Belong Together”, um marco do passado glorioso de Mariah Carey, opera como recurso discursivo que contrapõe o auge de sua carreira à suposta deterioração presente, fixando um tempo da queda e acentuando a leitura de decadência.

A própria escolha geográfica do evento, no Japão, não é neutra. Ao situar a falha vocal em um país frequentemente representado como detentor de públicos exigentes e minuciosos, a notícia reforça estereótipos geoculturais que associam o Oriente a padrões inflexíveis de julgamento estético. Como observa Foucault (2006), os discursos não apenas descrevem o mundo, mas o constituem, produzindo regimes de saber que implicam relações de poder, inclusive na forma como espaços culturais são hierarquizados.

A formação discursiva também está profundamente enredada na economia de atenção digital, em que a visibilidade se torna moeda e o engajamento é mobilizado por afetos extremos. O fracasso de uma celebridade não é apenas noticiado: ele é modificado, transformado em produto para o consumo massivo, num ciclo contínuo de vigilância, espetáculo e julgamento. Como afirma Soares (2022, p. 144), a voz, nesse contexto, deixa de ser apenas expressão estética ou subjetiva e passa a ser “um campo de disputa simbólica, onde se joga o reconhecimento e a validação social do sujeito midiático”.

Diante do que foi examinado, pode-se afirmar que a notícia não se limita a refletir um acontecimento isolado: ela atua como operador de uma formação discursiva que articula corpo, voz, gênero, espetáculo e capital simbólico em uma rede complexa de significação. Não se trata, portanto, de um relato neutro sobre uma falha vocal, mas da atualização de um regime de visibilidade que interdita, vigia e regula o corpo feminino em performance. A voz de Mariah Carey, tomada como objeto de escuta pública, é convertida em signo de avaliação estética e moral, reafirmando o dispositivo midiático como instância normativa.

A recorrência desse tipo de narrativa jornalística, que enfatiza deslizes, esquecimentos e desafinações de artistas mulheres, revela uma regularidade enunciativa que não apenas tematiza a falha, mas a estetiza, a mercantiliza e a inscreve em uma lógica de exposição punitiva. Essa regularidade colabora para naturalizar a vigilância sobre vozes femininas, atualizando formas históricas de controle do corpo da mulher, agora travestidas de interesse midiático ou entretenimento informativo. O que se observa é uma pedagogia discursiva do fracasso, pela qual se ensina ao público a esperar, julgar e consumir a queda como espetáculo. Trata-se de uma biopolítica da voz que, ao mesmo tempo em que valoriza a performance, exige dela uma perfeição contínua e uma transparência técnica quase inumana, sob pena de degradação pública.

A matéria utiliza uma série de operações discursivas que transformam um erro pontual em evidência de decadência. Expressões como “falha feio” e “algo doloroso para os ouvidos” funcionam como enunciados de degradação que cumprem o duplo papel de informar e performar o escândalo. O uso do verbo “sofreu” atenua a crítica, enquanto “batalhando para tentar alcançar” produz um efeito ambíguo entre esforço e fracasso. A formulação “parece, inclusive, esquecer a letra” sustenta uma retórica da dúvida que, ainda assim, sugere incompetência. Essas estratégias constroem o erro como espetáculo e promovem a voz como objeto técnico passível de avaliação pública.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise discursiva da notícia “Voz de Mariah Carey falha feio em show no Japão” evidencia a complexa tessitura de relações de saber-poder que atravessam os discursos midiáticos contemporâneos, especialmente aqueles voltados para a performance de mulheres no campo artístico. Ao mobilizar os conceitos de subjetivação, objetivação e formação discursiva, conforme propostos por Foucault (1987, 2004, 2006), e os aportes teóricos de Soares (2021, 2022, 2024), torna-se possível compreender que a notícia não se limita à função informativa, mas atua como prática discursiva que produz e legitima modos de ver, julgar e consumir o corpo e a voz da artista.

No plano da subjetivação, a figura de Mariah Carey é construída inicialmente como portadora de um legado vocal e estético que a alça ao status de diva, para em seguida ser reposicionada como símbolo de decadência. A oscilação entre esses dois polos revela o quanto o sujeito midiático é produzido discursivamente pela recorrência de significantes como “excelência”, “erro” e “fracasso”, os quais não apenas nomeiam, mas instituem regimes de verdade. Como afirma Soares (2021), o sucesso, mais do que um dado objetivo, é uma forma discursiva sustentada por performances reiteradas e validadas, cuja falha significa não apenas interrupção, mas quebra simbólica da lógica de reconhecimento.

A objetivação da voz de Mariah como entidade autônoma, separada da cantora e tratada como objeto técnico de avaliação, aponta para um processo de despersonalização do sujeito, onde a performance vocal é isolada de seu contexto e avaliada como evidência de competência ou fracasso. Tal dinâmica, conforme Soares (2022), inscreve-se na estética midiática da escuta, em que a voz deixa de ser apenas meio expressivo para tornar-se mercadoria sensível e campo de disputa simbólica. A descrição hiperbólica do episódio e o uso de um vídeo amador como “evidência” da falha vocal amplificam esse processo, convertendo o erro é transformado em espetáculo, como parte de uma lógica de vigilância constante nas mídias digitais.

Por fim, a formação discursiva da notícia inscreve-se num regime midiático que valoriza narrativas de ascensão e queda, ancoradas em afetos extremos e marcadas pela espetacularização do fracasso. A própria estrutura sensacionalista do texto e sua articulação com a economia de atenção revelam como o discurso midiático opera sob uma lógica de mercado, onde a visibilidade é moeda e o engajamento é mobilizado por estratégias de escândalo e moralização. Como argumenta Soares (2024), a estética do sucesso nas mídias digitais está diretamente ligada à capacidade de gerar afetos intensos e capturar a atenção, o que explica a recorrência de discursos que alternam glamour e ruína como mecanismos de manutenção do interesse.

Assim, ao articular os conceitos foucaultianos com os estudos contemporâneos de Soares sobre o discurso midiático, explicita-se que a cobertura sobre Mariah Carey não é neutra ou factual, mas expressão de uma rede de práticas discursivas que atuam na produção de subjetividades, na normatização estética e na espetacularização do erro. A artista, enquanto sujeito midiático, é inserida em uma matriz discursiva que exige excelência contínua e transforma qualquer desvio em narrativa de fracasso, revelando, portanto, os efeitos ideológicos e simbólicos que sustentam as dinâmicas de sucesso e visibilidade nas mídias contemporâneas.

Ainda que a análise concentre-se em um episódio específico, os achados aqui discutidos podem ser expandidos para uma investigação mais ampla sobre regimes de escuta na cultura midiática. Seria pertinente, por exemplo, comparar esse enunciado com outros sobre cantoras em situações similares de exposição vocal ou observar como as redes sociais reagem discursivamente a esses eventos, colaborando ou tensionando os sentidos hegemônicos produzidos pela mídia. Além disso, reconhece-se que o corpus reduzido impõe limites à generalização dos resultados, o que reforça a necessidade de análises complementares e comparativas. Não obstante, o estudo oferece uma contribuição teórica e metodológica relevante ao explorar as articulações entre voz, gênero, mídia e poder sob uma perspectiva discursiva.

Nesse regime discursivo, o fracasso é um acontecimento e um enunciado estratégico que organiza afetos, produz hierarquias e reforça as normas de excelência impostas às figuras femininas. A repetição de estruturas sensacionalistas e hiperbólicas sugere que não se trata de um relato objetivo, mas de uma produção sistemática de visibilidade regulada por critérios estéticos e morais. A formação discursiva em questão, portanto, tematiza o erro, o performa, atualizando e reiterando uma matriz de controle simbólico sobre os corpos sonoros que circulam na mídia.

REFERENCIAS

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  • FARGE, A. Essai pour une histoire des voi: au dix-huitième siècle. Paris: Bayard, 2009.
  • FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.
  • FOUCAULT, M. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). São Paulo: Martins Fontes, 2004.
  • FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.
  • FRITH, S. Performing rites: on the value of popular music. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1996.
  • NASCIMENTO, R. P. do. Vozes femininas na mídia: um estudo discursivo sobre performance, gênero e julgamento. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
  • ORLANDI, E. Interpretação, autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 6. ed. Campinas: Pontes Editores, 2012.
  • PORTAL R.7. Em show no japão, Mariah Carey desafina feio, esquece letras e imprensa não perdoa: “Doloroso de assistir”. R7.com, Entretenimento, 6 out. 2014. Disponível em: https://entretenimento.r7.com/pop/em-show-no-japao-mariah-carey-desafina-feio-esquece-letras-e-imprensa-nao-perdoa-doloroso-de-assistir-06102019/. Acesso em: 19 maio 2025.
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  • SOARES, T. B. As vozes midiatizadas: o sucesso como fábrica estética de produção de sentidos. Revista CBTecLE, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 073-089, 2021. Disponível em: https://revista.cbtecle.com.br/index.php/CBTecLE/article/view/245 Acesso em: 19 maio. 2025.
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  • SOARES, T. B. Percurso discursivo: heterogeneidades epistemológicas aplicadas. Campinas: Pontes Editores, 2022.
  • SOARES, T. B. Voz, mídia e sucesso: sons, sentidos e sociedade: Campinas: Pontes Editores, 2024.
  • VARGAS, M. V. Verbo e práticas discursivas. São Paulo: Contexto, 2011.
  • 1
    Artigo derivado do projeto de pesquisa intitulado “Vozes do sucesso: uma análise do sucesso midiático como ponte para o sucesso político” (CNPq /processo n° 301565/2022-8).
  • Disponibilidade de Dados:
    Os conjuntos de dados estarão disponíveis mediante solicitação ao(s) autor(es).
  • Editor de Seção:
    Fábio José Rauen

Disponibilidade de dados

Os conjuntos de dados estarão disponíveis mediante solicitação ao(s) autor(es).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Fev 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    28 Maio 2025
  • Aceito
    08 Set 2025
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