Examinam-se neste artigo, a partir de uma perspectiva foucaultiana, as práticas discursivas sobre HIV/Aids presentes nos escritos do médico Carlos da Silva Lacaz na década de 1980 no Brasil. Utilizando como corpus sua documentação no Museu Histórico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e outras publicações do período, a análise evidencia como esses discursos articularam moralidade, medicina e política, produzindo regularidades que associavam homossexualidades, sexualidade anal e risco moral à epidemia. O estudo mostra como, ao mobilizar saberes médicos, religiosos e psiquiátricos, Lacaz contribuiu para a conformação do chamado “dispositivo da Aids”, instaurando práticas de exceção e mecanismos de governo dos corpos, que vinculavam saúde, sexualidade e normatividade no contexto brasileiro pós-ditadura.
Palavras-chave:
Dispositivo da Aids; História da medicina no Brasil; Homossexualidade cis-masculina
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Fonte: Pasta Carlos da Silva Lacaz do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz.
Fonte: Pasta Carlos da Silva Lacaz do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz.
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Fonte: Pasta Carlos da Silva Lacaz do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz.