Caro Editor,
Muito interessante e instigante o artigo “Isquemia arterial aguda de membros superiores em pacientes diagnosticados com COVID-19: série de casos”1 . Percebemos que essa doença tem um forte componente vascular, o qual afeta diretamente a área de atuação do angiologista e do cirurgião vascular. A apresentação em membros superiores é menos comum, mas não menos importante. Entretanto, o título chamou a atenção por usar um termo que seria provavelmente redundante. Na prática, observamos que toda isquemia é arterial, a menos que haja flegmasia cerúlea dolens. Nesse caso, se avaliarmos a fundo, também observaremos que a isquemia foi causada pela diminuição abrupta da perfusão sanguínea pelas arteríolas em decorrência de uma estase venosa grave nas vênulas. Na sexta edição do Rutherford’s Vascular Surgery and Endovascular Therapy2 , no capítulo 100, observamos o termo acute limb ischemia. Da mesma forma, nos livros Vascular Diseases for the Non-Specialyst3 , do professor Navarro, e Doenças Vasculares Periféricas, do professor Maffei4 , observamos os termos “isquemia aguda de membros” e “oclusões arteriais agudas”. Em nenhum deles há o termo “isquemia arterial aguda”. É necessário diferenciar o termo “oclusão arterial aguda” de “isquemia aguda de membros”. Quando usamos o termo oclusão, este pode ser usado tanto para o sistema venoso como o arterial, daí a necessidade de explicitar o local da oclusão. O termo “isquemia aguda de membros” já carrega em si, implicitamente, que a isquemia é arterial. Esse termo tem sido cada vez mais usado na literatura internacional quando comparado ao termo oclusão arterial aguda. Trata-se somente de uma questão de semântica, um detalhe que de forma alguma desmerece o trabalho dos brilhantes colegas de São Paulo.
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Como citar: Castro-Santos G. A semântica da isquemia aguda de membros. J Vasc Bras. 2023;22:e20210145. https://doi.org/10.1590/1677-5449.202101451
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Fonte de financiamento: Nenhuma.
Referências
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1 Rosa FD, Burihan MC, Simões EA, Abdala JPS, Barros OC, Nasser F. Acute upper limb arterial ischemia in patients diagnosed with COVID-19: case series. J Vasc Bras. 2021;20:e20200234. http://dx.doi.org/10.1590/1677-5449.200234 PMid:34211540.
» http://dx.doi.org/10.1590/1677-5449.200234 - 2 Earnshaw JJ. Acute Limb Ischemia: evaluation and decision making. In: Sidawy AN, Perle BA, editors. Rutherford’s Vascular Surgery and Endovascular Therapy. Amsterdam: Elsevier; 2019. p. 1316-1325
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3 Vergara RM, Silva MCSP, Procópio RJP, Mourão MSF. Acute Limb Ischemia. In: Navarro T, Dardik A, Junqueira D, Cisneiros L, editors. Vascular Diseases for the Non-Specialist: Springer, Cham; 2017. p. 79-88. http://dx.doi.org/10.1007/978-3-319-46059-8_6
» http://dx.doi.org/10.1007/978-3-319-46059-8_6 - 4 Maffei FHA, Bertanha M, Lastória S. Oclusões arteriais agudas. In: FHA Maffei, editor. Doenças vasculares periféricas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. p. 1184-1206
RESPOSTA
AutoriaSCIMAGO INSTITUTIONS RANKINGSPrezado Editor,
Após revisão da literatura consolidada, especialmente das edições mais recentes dos livros citados, concluímos que o termo “isquemia arterial” é, de fato, uma redundância. Talvez pelo uso corriqueiro na prática clínica, e no ímpeto de enfatizar que a isquemia era de origem arterial, tenha nos passado despercebido (tanto aos autores quanto aos revisores) o vício de linguagem muito bem apontado pelo colega.
