Introdução A Residência é um período singular na formação profissional médica, caracterizado por um desequilíbrio entre a capacitação técnica e as exigências assistenciais. Evidências têm demonstrado que os índices de problemas relacionados à Saúde Mental são significativos nesta população e merecem atenção.
Métodos Neste trabalho, foram utilizados instrumentos específicos (DASS-21 e Inventário de Estratégias de Coping) para avaliar sintomas relacionados a depressão, ansiedade e estresse, bem como estratégias de coping, entre residentes matriculados em programas da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais entre 2021 e 2023.
Resultados 116 médicos residentes completaram a avaliação. A prevalência de depressão atingiu 51,3% da amostra; ansiedade 36,7%; e estresse 56,5%. A presença de sintomas depressivos, ansiosos ou de estresse foi correlacionada com a percepção de pior qualidade do sono. Os residentes com sintomas depressivos tenderam a adotar determinados estilos de coping (confronto, evitação, fuga e esquiva e reavaliação positiva) de forma diferente daqueles sem depressão, assim como os residentes com sintomas de ansiedade ou estresse apresentaram estilos de coping significativamente diferentes daqueles sem sintomas (confronto, evitação, aceitação de responsabilidade e fuga e evitação).
Conclusões Observou-se alta prevalência de sintomas psiquiátricos entre os residentes, o que se correlacionou com má qualidade do sono e estilos específicos de coping. Esses dados podem contribuir para uma melhor compreensão do fenômeno do adoecimento mental entre os residentes e para a criação de estratégias de triagem de riscos, intervenções e promoção da Saúde Mental nos programas de residência médica.
Depressão; ansiedade; estresse; coping; médicos residentes