Open-access Tradução (d)e terminologia: O diálogo transdisciplinar nos estudos sobre intermidialidade*

Traducción de/y Terminología: un diálogo transdisciplinario de la Intermedialidad

RESUMO

A tarefa da tradução, ainda que enriquecida por suas diferentes experiências, muitas vezes pode levar a escolhas conflitantes, que dificultam o diálogo entre acadêmicos que advêm de diferentes campos de pesquisa, fazendo surgir razões para divergências. Neste artigo, apresentaremos alguns elementos da experiência de tradução da terminologia proposta por Lars Elleström, por exemplo, de conceitos relacionados à transferência de características da mídia entre mídias diferentes, comparando-os e contrastando-os com outras terminologias familiares, como as noções de “transmidialidade”, de Irina Rajewsky, “narrativa transmídia”, de Henry Jenkins, e “remediação”, por Jay David Bolter e Richard Grusin. Nosso objetivo é apresentar algumas das possibilidades de encontrar um terreno comum para a terminologia sobre a Intermidialidade em língua portuguesa, possibilitando uma interdisciplinaridade mais produtiva.

Palavras-chave
Terminologia; Intermidialidade; Transmidialidade; Tradução; Lars Elleström

ABSTRACT

The task of translation, although enriched by different experiences, can often lead to conflicting choices, which hinder communication between academics who come from different fields of research, giving rise to reasons for divergences. In this paper, we will present some elements from the experience of translating the terminology proposed by Lars Elleström, for example, of concepts related to the transfer of media characteristics between different media, comparing and contrasting them with other familiar terminologies, such as the notions of “transmediality”, by Irina Rajewsky, “transmedia storytelling”, by Henry Jenkins, and “remediation”, by Jay David Bolter and Richard Grusin. Our objective is to present some of the possibilities of finding common ground for the terminology on Intermediality in Portuguese, enabling a more productive interdisciplinarity.

Keywords
Terminology; Intermediality; Transmediality; Translation; Lars Elleström

RESUMEN

La tarea de la traducción, aunque enriquecida por sus diferentes experiencias, a menudo puede conducir al surgimiento de opciones conflictivas, que dificultan el diálogo entre académicos que provienen de diferentes campos de investigación, dando lugar a y crea motivos para los desacuerdos. En este artículo, presentaremos algunos elementos de la experiencia de traducir la terminología propuesta por Lars Elleström de la Linnaeus University, por ejemplo, conceptos relacionados con la transferencia de características mediáticas entre diferentes medios, comparándolos y contrastándolos con otras terminologías familiares, como las nociones de “transmedialidad”, de Irina Rajewsky, “narrativa transmedia”, de Henry Jenkins, y “remediación”, de Jay David Bolter y Richard Grusin. Nuestro objetivo es presentar algunas de las posibilidades de encontrar puntos comunes para la terminología sobre Intermedialidad en portugués, permitiendo una interdisciplinariedad más productiva.

Palabras clave
Terminología; Intermedialidad; Transmedialidad; Traducción; Lars Elleström

Combinando teoria e tradução

Este artigo é parte de um encontro entre pesquisadores com interesses em comum, que tem sua gênese na criação do Grupo de Pesquisa Intermídia: estudos sobre a intermidialidade1, fundado em 2005 pela Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários (Poslit/Fale) da Universidade Federal de Minas Gerais, Thaïs Flores Nogueira Diniz, e pelo professor emérito Claus Clüver (Universidade de Indiana, Estados Unidos), hoje consolidado no CNPq. Alguns integrantes desse grupo, advindos de diferentes áreas de Letras, Cinema, Artes, Música, entre outros, também fazem parte do Grupo de Trabalho da Anpoll Intermidialidade: Literatura, Artes e Mídias2, que iniciou suas atividades em 2014.

O Grupo Intermídia é composto por mais de 60 membros entre docentes, pesquisadores e alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado de diversas regiões e universidades do país, bem como colaboradores estrangeiros. Conforme informações do site, o grupo se dedica ao estudo de “obras contemporâneas constituídas de textos em diferentes mídias, incluindo espetáculos teatrais, filmes considerados ‘adaptações’, histórias em quadrinhos, écfrases, instalações, canções e outras”. A análise desses objetos e processos culturais parte do conceito central de intermidialidade, brevemente definido como “(1) um fenômeno que ocorre entre as mídias e como (2) uma categoria de análise crítica.” (Grupo, s/d.). Dessa forma, intermidialidade é tanto o fenômeno entre mídias quanto o estudo dessas interações. Por se dedicar aos mais diversos meios e formas de comunicação e de significação, o grupo congrega pesquisadores de várias áreas do conhecimento como, por exemplo, Letras (Linguística e Literatura), Belas Artes, Música e Comunicação.

Dentre as várias ações do Grupo Intermídia está a de divulgar o campo dos Estudos sobre a Intermidialidade no Brasil,3 compilando, organizando e publicando textos teóricos seminais traduzidos para o português brasileiro e, desse modo, torná-los acessíveis a um maior público de estudantes e pesquisadores. Dentre esses títulos, destacamos Poéticas do visível: ensaios sobre a escrita e a imagem (2006), Intermidialidade e estudos interartes: desafios da arte contemporânea (2012), Intermidialidade e estudos interartes: desafios da arte contemporânea 2 (2012), A intermidialidade e os estudos interartes na arte contemporânea (2020), Intermidialidade: cinema e adaptação – palavra e imagem – transmidia(lidade) (2024) e Entre textos, entre artes, entre mídias: ensaios de Claus Clüver (2024).

Outra das autoras deste artigo, Ana Cláudia Munari Domingos, organizou a compilação de sete ensaios do pesquisador Lars Elleström (1960-2021) no volume intitulado Midialidades: ensaios sobre Comunicação, Semiótica, Intermidialidade, publicado em 2017 pela editora EDIPUCRS. E, juntamente com Camila Figueiredo e Elaine Indrusiak, esta, professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS, organizou a tradução da versão atualizada de um dos principais modelos de Elleström, publicado pela Palgrave Macmillan em 2020, As modalidades das mídias II (EDIPUCRS, 2021).

Essa tarefa de tradução promovida pelo grupo, constante e integrada, é dividida entre vários tradutores residentes em diferentes partes do país. Assim, ainda que enriquecida por diferentes experiências, muitas vezes surgem escolhas conflitantes, que dificultam o diálogo entre acadêmicos que advêm de diferentes campos de pesquisa, o que, por si só, já se torna razão de divergências. O objetivo deste artigo, assim, é apresentar algumas possibilidades de construção de um espaço comum para o discurso sobre a intermidialidade em língua portuguesa. Primeiro, contextualizamos as questões que originaram a discussão que resulta neste artigo; em seguida, apresentamos alguns elementos dos problemas da tradução em intermidialidade, como o uso dos prefixos e sufixos na terminologia, por exemplo, o -inter e o -ático ou -al, em intermidiático e intermidial; por fim, trazemos algumas soluções encontradas para, podemos dizer, tornar transdisciplinar o uso da linguagem ou do discurso sobre as mídias.

Intermidialidade: modelo, explicação e discurso

Apresentamos aqui, de forma breve, nosso entendimento acerca da Intermidialidade como campo de pesquisa. O termo surgiu no interior das discussões dos estudos interartes, área com maior tradição nos países falantes de língua inglesa e na Alemanha. O problema se estabelecia, ali, pela presença de teorias e metodologias que advinham não apenas de diferentes disciplinas, mas de diferentes áreas e mesmo campos de saber, que muitas vezes colocavam no eixo dos trabalhos desenvolvidos o estabelecimento de “lugares de fala”, em detrimento da própria pesquisa. Adentrando o campo da Literatura Comparada, também um espaço interdisciplinar, os estudos de Intermidialidade se desenvolveram a partir das relações com os estudos de cinema, sobretudo a partir da ideia de adaptação, do teatro, a partir dos espetáculos, e assim com a música, os jogos digitais e outras formas culturais que exigiam olhares teórico-metodológicas que os estudos literários não davam conta. A partir da Literatura Comparada, expande-se o conceito de intertextualidade e, mais tarde, de multimodalidade, evocando-se as perspectivas do termo “mídia”, suas modalidades e modos, como alternativa para o termo “texto”, bastante arraigado, mesmo dentro dos estudos literários, não apenas dos linguísticos, à concepção verbal escrita.

O termo “intermidialidade”, cunhado na virada dos séculos XX e XXI. O termo “intermedium” foi emprestado da Química e usado pela primeira vez pelo poeta inglês Samuel Coleridge (1772-1834) para tratar de figuras retóricas e fenômenos literários. Já o termo intermídia, utilizado no sentido aqui proposto por Dick Higgins nos anos 1960 e publicado em 1984, diz respeito àquilo que produz um efeito intermediário e sugere transformação, processo e recepção (Glaser, 2009, p. 13-14). Intermidialidade é, segundo Claus Clüver, “um termo relativamente recente para um fenômeno que pode ser encontrado em todas as culturas e épocas, tanto na vida cotidiana como nas atividades culturais que chamamos de ‘arte’” (Clüver, 2008, p. 9). Solange Oliveira (2012, p. 16), por sua vez, estabelece que a relação entre as artes comporta sempre questões intermidiáticas, mesmo que não sejam assim explicitadas, pois toda arte inclui a “midialidade”, embora a recíproca não seja necessariamente verdadeira: a interação entre as mídias pode se articular sem que as artes estejam aí implicadas. De forma ampla, a intermidialidade é hoje entendida como o estudo interdisciplinar e comparativo das inter-relações e interações entre diferentes formas de comunicação, o que significa que, de certa perspectiva, o campo se amplia para além das Artes e da Literatura Comparada, deixando de ser, assim, uma área ou subárea ou mesmo um componente daquelas disciplinas. A natureza dos estudos de Intermidialidade é, em si, servir como um modelo de pesquisa e explicação interdisciplinar e comparativa com base na evolução e em experiências humanas socioculturais e, assim, mostra-se como um discurso de e sobre as mídias, permitindo o diálogo entre seus pesquisadores.

Ao final de 2019, os integrantes do grupo perceberam a necessidade de esclarecer e unificar a terminologia empregada e, assim, decidiram pela elaboração de um glossário teórico. Na primeira fase da construção desse glossário, foi mapeado um conjunto de termos considerados como aqueles mais relevantes, entre eles também aqueles que causam maior divergência de entendimento entre pesquisadores de diferentes áreas. A intenção é disponibilizar este glossário online e de forma gratuita de modo que outros pesquisadores brasileiros também possam se beneficiar. O projeto consiste na pesquisa desses verbetes pré-selecionados pelo grupo a partir de parâmetros comuns: por exemplo, os Termos Equivalentes em outras línguas; a Definição; o Histórico; as Principais Abordagens e os Conceitos Relacionados. Os resultados têm sido apresentados em reuniões mensais para discussão. Depois de cada apresentação nas reuniões do grupo, enquanto os responsáveis trabalham na redação do verbete, uma equipe de produção foi formada para o trabalho de criação das vídeo-cápsulas – que são vídeos curtos sintetizando o verbete e que servirão de “teaser”. Até o momento, dos trinta termos mapeados, vinte e oito deles foram apresentados. Podemos dizer que esse projeto, que já ganhou uma identidade, fomenta diversas e producentes discussões teóricas, pois definir um conceito significa sempre encontrar uma zona de razoável equilíbrio, que exige comparações e ponderações.

Conforme já explicitado, a intenção deste artigo é apresentar uma síntese da faceta do Grupo Intermídia que visa à divulgação e à disponibilização em livre acesso dos preceitos da Intermidialidade para falantes de português brasileiro. Responsáveis pelos verbetes da terminologia proposta pelo teórico sueco Lars Elleström, dentro do projeto do glossário, vamos apresentar alguns elementos de nossa experiência na leitura e organização da tradução da terminologia por ele proposta. Esses verbetes tratam de conceitos relacionados à transferência de características da mídia entre mídias diferentes, que comparamos e contrastamos com outras terminologias familiares, como as noções de “transmidialidade”, de Rajewsky, “narrativa transmídia”, de Jenkins, e “remediação”, por Bolter & Grusin.

Construindo e adaptando palavras

Uma das questões da pesquisa em Intermidialidade, como já citamos, diz respeito ao seu caráter interdisciplinar, que envolve trazer conceitos de outras áreas que enxergam os fenômenos sob diferentes perspectivas. É o caso do prefixo inter, que tanto em português quanto em inglês significa “entre”. Ainda diante das singularidades da tradução, os problemas aparecem quando outros prefixos são colocados em relação, como “multi”, “trans” e “mix”, e, ainda, “cross”, que, nesse caso, é diferente em português: “cross” equivale a “cruz”, como na cruz cristã, mas não existe como prefixo além do verbo cruzar e seus derivados. Então, em vez de “cruzmídia”, usamos “crossmídia”. Além disso, há o prefixo “pluri”, que, em português, tem um significado aproximado, para não dizer o mesmo, de “multi”.

“Multi”, “pluri”, “inter” e “trans” foram classificados do menos ao mais complexo por estudos no campo das relações entre as disciplinas. “Multi” seria uma combinação de disciplinas sem integração; e “trans”, um cruzamento entre disciplinas em que não há mais centro nem separabilidade entre elas. Entre elas, estaria a pluridisciplinaridade como aquela em que um mesmo objeto é visto sob diferentes perspectivas, e a interdisciplinaridade, que é baseada no intercâmbio de conhecimentos. Então surge a primeira pergunta. Nos estudos de intermidialidade, o conceito de Intermidialidade engloba todos os outros, ou seja, a própria noção de “inter” em “intermídia”, então em sentido estrito, em paralelo a “multimídia”, “mixmídia” e “transmídia” (como sugere Clüver em sua divisão dos tipos de combinação entre mídias) pertence ao conceito de “inter” em sentido amplo. Isso chama a atenção ao se pensar nas derivações do termo “inter” para o adjetivo, por exemplo, intermidial e intermidiático.

Entre os primeiros textos traduzidos pelo grupo está “Intermidialidade, intertextualidade e ‘remediação’: uma perspectiva literária sobre intermidialidade”, de Irina O. Rajewsky (2005), traduzido do inglês para o português por Thaïs Flores Nogueira Diniz e Eliana Lourenço de Lima Reis, e publicado na coletânea Intermidialidade e estudos interartes em 2013. Nesta tradução, uma das categorias sugeridas por Rajewsky, intermedial reference, foi traduzida para o português como “referência intermidiática”. Intermidiática, traduzida de intermedial, funciona como adjetivo e poderia corresponder a intermidiático, como em pragmático e esquemático. Embora possamos entender que a tradução de intermedial, em intermedial reference, deveria ter sido intermidial, o termo, conforme sugerido por Rajewsky, adquiriu um viés fechado, ultrapassando a ideia de adjetivo, tornando-se um substantivo, uma parte do nome que ela dá ao conceito. Assim, nas traduções dos textos de Elleström, sempre que o termo medial e seus derivados, intermedial, ou transmedia e multimedia são adjetivos, eles foram traduzidos como intermidial, transmidial e multimidial, bem como multimodal – vejamos que a opção multimodático também não existe, assim como intertextuático, ambas derivações que nos parecem equivocadas. Também é importante pontuar que optamos pela utilização de “i”, em vez de “e”, para os derivados de media, ao contrário da tradução portuguesa feita em Portugal, que utiliza o termo media e seus derivados com “e”. No português brasileiro, o plural de mídia é mídias; em Portugal, usando o termo original em latim, o plural é media, então os portugueses usam “os media”, masculino plural, enquanto nós, brasileiros, dizemos “as mídias”, no feminino plural.

Termos (se) importam

Para trazer mais um exemplo de alguns dos problemas de tradução de termos no campo interdisciplinar da Intermidialidade, sem, no entanto, esgotar o anterior, temos o conceito de cognitive import, de Elleström (2017, 2021). Neste caso, é uma questão de escolha semântica. Quanto ao adjetivo cognitive, em português ele é traduzido como cognitivo, observando que os adjetivos variam em gênero e número, ou seja, existem as terminações para o feminino e o plural, cognitiva, cognitivas, cognitivos. O termo import, no entanto, é bastante problemático. Import é um termo latino que une in - dentro, e port - passagem. Em português, door é porta, gate é portão e port ou harbor é porto, todos derivados do termo latino. Então, import, importar em português, é trazer, passar pela porta, e assim import é, em inglês e adotado em vários idiomas, como o russo, um termo muito utilizado no campo do comércio exterior, com a oposição export, exportar, do latim ex, para fora. Em inglês, o conceito de Elleström, cognitive import, significa uma “entrada” cognitiva, algo que está em potência tanto na mente dos produtores quanto dos perceptores e que se realiza por meio do produto de mídia. Ainda que evoque uma ideia de movimento, porque se concretiza entre duas mentes através da mídia – que então funciona como um veículo – este cognitive import não é nem a mensagem nem o que “saiu” da mente do perceptor, porque é influenciado pela própria mídia, pelo contexto da comunicação, pelo repertório do receptor e pela interpretação sobre aquilo que estava, antes, na mente do perceptor.

Notemos que Elleström não usou “entrada”, pois seria um termo muito condicionante, sugerindo que é algo que (sai e) entra e fica lá (dentro da mente). Como o termo tem o sentido de algo “virtual” – potência de sentido –, que não só depende dos elementos já colocados como também é fluido, mudando no decorrer da comunicação, optamos pela palavra “valor” (que seria, em inglês, value): valor cognitivo significa o que é transferido entre as mentes do produtor e do perceptor através de um produto de mídia. Valor dimensiona tanto o aspecto de haver “algo” que habitava uma mente e que pode ser percebido por outra, como a ideia de virtualidade. Estamos satisfeitas com esta escolha; no entanto, sabemos que não é perfeita, pois o valor é algo que normalmente pode ser calculado, em termos objetivos, enquanto o valor cognitivo é subjetivo e não pode ser medido com precisão.

Em seu modelo, Elleström, também construiu algumas categorizações. Uma delas estabelece os diferentes tipos do fenômeno que ele chamou de media representation (2010, 2020), traduzido como representação de mídia (2017, 2021):

Sugiro três termos para denotar os processos de representação icônica, indicial e simbólica. Embora esses termos sejam amplamente usados para fins diferentes em diversos contextos, eles se encaixam nos pressupostos deste estudo. Assim, proponho chamar a representação icônica de ilustração, referir a representação indicial como indicação e usar descrição para denotar o processo de representação simbólica.

(Elleström, 2021, p. 84)4

Na tradução dos três termos que definem os tipos de representação de mídia com base na tricotomia peirceana do signo – depiction, deiction e description – foi necessário levar em conta tanto o aspecto semiótico denotado pela definição dos conceitos a eles associados, quanto o sentido dos termos em inglês. Para depiction, não poderíamos escolher a palavra em português que mais diretamente a traduz, representação, porque conflitaria com os outros dois, que também são tipos de representação. O termo escolhido, ilustração, está dentro do campo semântico em que depiction é mais utilizado, o das artes, sobretudo das artes gráficas. O sentido de ilustrar traz esse aspecto de representar “por semelhança”, que tem correspondência na iconicidade. Já para o termo deiction a decisão recaiu diretamente sobre o aspecto da base peirceana: indicação, que se adapta bem ao contexto de índice. Por fim, o termo description foi traduzido para o equivalente sonoro e semântico em português, descrição. O que se perde nessas escolhas foi o detalhe de que, em inglês, todos os termos começam com a letra D, compondo uma interessante tríade. É importante destacar que embora Elleström não falasse português, ele tinha conhecimentos de espanhol e francês, e participou ativamente das discussões, concordando com todas elas. Essas trocas para promover acordos aconteceram por email e em reunião presencial ou via videoconferências online.

Atravessando mídias

Embora não tenha sido criado por ele, o termo “narrativa transmídia” foi popularizado por Henry Jenkins, especialmente a partir de seu livro Convergence Culture: Where Old and New Media Collide, publicado em 2006 e traduzido para o português brasileiro por Susana Alexandria e publicado em 2009 com o título Cultura da convergência. O termo transmedia storytelling foi então traduzido como “narrativa transmídia”, transmídia servindo como adjetivo para narrativa, como no inglês. Por causa da popularidade do livro, a palavra “transmídia” acabou se tornando um adjetivo comum em português para expressões relacionadas como, por exemplo, franquia transmídia (transmedia franchise); projeto transmídia (transmedia project); educação transmídia (transmedia education). Mais tarde, porém, tanto em seu blog quanto em outros livros (2009, 2011, 2013), Jenkins expande a noção, examinando a transmídia para além da narrativa. Ele então passa a se referir ao fenômeno simplesmente como “transmídia”. Nesse caso, a palavra se torna um substantivo. Em português, a palavra também é usada da mesma maneira.

Em ambas as línguas, isso cria uma situação interessante, já que a mesma palavra está em alguns casos sendo usada como um adjetivo e, em outros, como um substantivo. Um uso muito mais natural da palavra como adjetivo em português talvez seria “transmidial” (em paralelo com midial, intermidial, modal, multimodal), o que resultaria em “narrativa transmidial”, “franquias transmidiais”, etc. Além disso, em português, ambos os sufixos -al e -ático são comumente usados em outros termos relacionados na área: por exemplo, midiático e intermidiático, por um lado; modal e multimodal, por outro. Assim, uma solução mais adequada para o termo de Jenkins seria, em vez de “narrativa transmídia”, “narrativa transmedial” (mais natural para o português de Portugal) ou “narrativa transmidiática” (mais natural talvez para os brasileiros).

Outra escolha a ser examinada se deve ao fato de que o termo storytelling não teria, a rigor, uma única palavra equivalente em português: o significado mais próximo do literal talvez seja “contar histórias” ou ainda “contação de histórias”, o que resultaria em uma expressão bastante estranha para o termo composto e adjetivado de Jenkins. É interessante o uso da palavra “narrativa” como correspondente para storytelling em português, especialmente porque no inglês existe o termo narrative, de uso bastante comum. Nesse sentido, poderíamos questionar se o termo “narrativa” abordaria adequadamente a concepção de Jenkins, já que o autor preferiu storytelling a narrative.5

Considerando que o termo storytelling designa a ação de alguém contar uma história, nos parece importante que a ideia de um agente também esteja presente na tradução do termo, o que colocaria o termo “narração” como uma alternativa viável, já que ela enfatiza o agente que narra. Como tradução do termo de Jenkins, teríamos, assim, “narração transmídia” ou “narração transmidial” ou “narração transmidiática”. Sob essa perspectiva, uma história ou narrativa pode não ser necessariamente caracterizada como transmídia ou transmidial, mas se configurará como uma se for narrada em diferentes plataformas. Voltando ao texto-base de Jenkins, encontramos respaldo nesse argumento quando o autor fala sobre a maneira como a história de Matrix deveria ser contada: “Os Wachowskis queriam espalhar a história de Matrix por todas essas mídias e juntar tudo num todo atraente.” (2009, p. 144)

Observa-se ainda que, em português, storytelling tem sido usado na forma estrangeira como substantivo, especialmente na área de marketing, para designar a arte ou técnica de se contar uma boa história, que cative a atenção do público. Acreditamos que isso se deve, em grande medida, à aplicabilidade do conceito de Jenkins a esse campo de estudos e práticas. A partir desse uso já disseminado no Brasil, uma outra possibilidade de terminologia poderia ser explorada, a storytelling transmídia ou transmidial ou transmidiática.

Embora não seja tão extenso quanto o campo de pesquisa que trata da narrativa transmídia e das franquias transmídia, os estudos do fenômeno transmídia sob o ponto de vista da intermidialidade enfatizam principalmente a presença de certas características em várias mídias. Transmediality, conforme utilizado por Irina O. Rajewsky (2002) e, em sentido bem semelhante, por Werner Wolf (2005), designa a presença de um determinado motivo, estética ou discurso através das mídias. Em português, a palavra foi traduzida como “transmidialidade”, com o sufixo -dade como a tradução usual para palavras inglesas terminadas em -ty.

Um termo que às vezes é confundido com transmidialidade é transmidiação (transmediation). Segundo Kathy A. Mills (2011), o termo em inglês foi usado pela primeira vez por Charles Suhor em 1984, denotando a tradução de conteúdo de um sistema de signos para outro. Embora ainda muito utilizado nos estudos de semiótica, multimodalidade e letramento, o termo foi gradativamente sendo substituído por “transdução”, à medida que o trabalho de Kress e van Leeuwen (1996) foi se tornando popular.

Nos estudos de intermidialidade, transmediation é utilizada por alguns pesquisadores, com destaque para Lars Elleström, que menciona o termo pela primeira vez em 2013. Para o autor, o termo designa um processo de transformação em que “o conteúdo de uma mídia é midiado uma segunda vez (ou terceira ou quarta) por outro meio técnico” (Elleström, 2017, p. 182)6, ou seja, trata-se da mediação de um conteúdo já midiado. Em 2017, o termo transmediation foi traduzido como “transmidiação”, depois de ser discutido entre os tradutores e com o consentimento do autor. Essa escolha segue a tendência de se usar a letra “i” para a versão brasileira de palavras como mídia, intermídia, multimídia, transmídia; enquanto mantém o sufixo mais usual para -ation, que é -ação.

Porém, com uma busca rápida na internet, em português, o termo transmidiação curiosamente tem sido mais utilizado no sentido de narrativa transmídia de Jenkins do que em inglês. Em inglês, encontra-se muito mais o termo de Rajewsky e Wolf, “transmediality”, relacionado a transmedia storytelling, do que transmediation. Isso, portanto, reforça a premissa de que o debate sobre a terminologia está longe de terminar, mesmo entre pesquisadores da mesma área, e às vezes até entre aqueles que falam a mesma língua.

Travessia transitória

Nesse artigo apresentamos algumas soluções terminológicas encontradas por integrantes do Grupo Intermídia para a tradução da obra do teórico sueco Lars Elleström. Atenção especial foi dada a soluções para (a) o emprego de prefixos e sufixos, (b) a tradução do complexo termo “cognitive import” e da categorização de “media representation”, e (c) evitar confusões entre termos cujo emprego difere bastante de acordo com cada uma das propostas cunhadas por diferentes autores, i.e.: “transmídia” (Jenkins), “transmidialidade” (Rajewsky, Wolf) e “transmidiação” (Elleström). A sistematização do léxico teórico utilizado pelos Estudos da Intermidialidade, linha de pesquisa de caráter interdisciplinar, demonstra a importância do caráter polissêmico de estudos científicos sobre Terminologia, também em sua relação com os de Tradução.

A tradução de terminologia, sobretudo quando bastante alinhada com construções conceituais que se tornam basilares para determinados campos, exige, certamente, muitos conhecimentos das línguas base e fonte; no entanto, nosso artigo aponta principalmente para a problemática semântica: torna-se importante conhecer a teoria que se pretende traduzir. Não apenas isso, é necessário prever conflitos com outras terminologias e resguardar o sentido das palavras em direção ao seu uso pragmático. Se a ideia é promover um discurso interdisciplinar – talvez um discurso intermidial, para associar ao campo – não é possível contradizer escolhas de outras disciplinas, áreas e campos de saber, ao contrário, é interessante que as escolhas façam ver as intenções que as subjazem. Assim sendo, na busca de um terreno comum sobre a terminologia em língua portuguesa, vislumbramos aqui apenas indícios dessa tarefa tão necessária para a pesquisa de intermidialidade em nosso país.

  • *
    A elaboração deste artigo foi apoiada pelo CNPq — Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (números de processo: 309678/2021-8 e 304566/2021-7).
  • 1
  • 2
  • 3
    Para saber sobre outros grupos ou estudos em intermidialidade no Brasil, sugerimos a leitura do artigo “Intermediality in Brasil:a Diachronic Survey ”, publicado no The Palgrave Handbook of Intermediality (2023), que faz um apanhado geral da pesquisa em nosso país. Em 2021, no II International Meeting of Researchers in Intermediality, grupos de diferentes partes do mundo reuniram-se para apresentar suas pesquisas no campo, e alguns desses vídeos podem ser assistidos no canal do PPGL Unisc no YouTube: www.https://www.youtube.com/channel/UCMKVGB96ZXzXzunbtsf0e_g.
  • 4
    Na versão original: “I suggest three terms to denote the processes of iconic, indexical and symbolic representation. Although these terms are widely used for different purposes in diverse contexts, they fit the rationale of this study. Hence, I propose calling iconic representation depiction, referring to indexical representation as deiction, and denoting the process of symbolic representation with the term description.” (Elleström, 2020, p. 51)
  • 5
    Cabe também mencionar a divergência da terminologia de Jenkins com a área da narratologia. Como explica Marie-Laure Ryan (2016), a narratologia transmídia (transmedia narratology) vai além da noção de narrativa transmídia (transmedia storytelling), que se dedica ao discurso da indústria do entretenimento.
  • 6
    No original: “(...) media content is mediated for a second (or third or fourth) time by another technical medium” (2013, p. 119)

Referências

  • 1 ARBEX, M. (Org.). Poéticas do visível: ensaios sobre a escrita e a imagem. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2006. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/Po%C3%A9ticas%20do%20vis%C3%ADvel%20-%20ensaios%20sobre%20a%20escrita%20e%20a%20imagem.pdf
    » http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/Po%C3%A9ticas%20do%20vis%C3%ADvel%20-%20ensaios%20sobre%20a%20escrita%20e%20a%20imagem.pdf
  • 2 BOLTER, J. D.; GRUSIN, R. Remediation: Understanding New Media. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.
  • 3 BRUHN, J.; AZCÁRATE, A. L.-V.; VIEIRA, M. de P. (Org.). The Palgrave Handbook of Intermediality. Cham: Palgrave Macmillan, 2023.
  • 4 DINIZ, T. F. N.; VIEIRA, A. S. (Org.). Intermidialidade e estudos interartes: desafios da arte contemporânea. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2012. v. 2. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/Intermidialidade%20e%20Estudos%20Interartes%20-%20Desafios%20da%20Arte%20Contempor%C3%A2nea%202.pdf
    » http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/Intermidialidade%20e%20Estudos%20Interartes%20-%20Desafios%20da%20Arte%20Contempor%C3%A2nea%202.pdf
  • 5 DINIZ, T. F. N. (Org.). Intermidialidade e estudos interartes: desafios da arte contemporânea. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.
  • 6 DINIZ, T. F. N.; OLIVEIRA, S. R. de; FIGUEIREDO, C. A. P. de (Org.). Entre textos, entre artes, entre mídias: ensaios de Claus Clüver. Jundiaí: Paco Editorial, 2024.
  • 7 DINIZ, T. F. N.; GHIRARDI, A. L. R.; FIGUEIREDO, C. A. P. de (Org.). Intermidialidade: cinema e adaptação – palavra e imagem – transmidia(lidade). Montes Claros: Unimontes, 2024.
  • 8 ELLESTRÖM, L. Midialidade: ensaios sobre comunicação, semiótica e intermidialidade Org. Ana Cláudia Munari Domingos, Ana Klauck e Glória Mello. Porto Alegre: Edipucrs, 2017. Disponível em: http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/livro/midialidade/
    » http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/livro/midialidade/
  • 9 ELLESTRÖM, L. As modalidades das mídias II: um modelo expandido para compreender as relações intermidiais. Coord. Elaine Indrusiak. Rev. Técn. Ana Cláudia Munari e Camila A. P. de Figueiredo. Porto Alegre: Edipucrs, 2021.
  • 10 ELLESTRÖM, L. Adaptation within the Field of Media Transformations. In: BRUHN, J.; GJELSVIK, A.; HANSSEN, E. F. (Ed.). Adaptation Studies: New Challenges, New Directions. London: Bloomsbury Academic, 2013. p. 113-132.
  • 11 ELLESTRÖM, L. (Ed.). Beyond Media Borders: Intermedial Relations among Multimodal Media, v. 1. Palgrave Macmillan, 2021.
  • 12 ELLESTRÖM, L. (Ed.). Media Borders, Multimodality and Intermediality Palgrave Macmillan, 2010.
  • 13 ELLESTRÖM, L.; SALMOSE, N. (Ed.). Transmediations: Media across Media Borders. New York; London: Routledge, 2020.
  • 14 FIGUEIREDO, C. A. P. de, OLIVEIRA, S. R. de; DINIZ, T. F. N. (Org.) A intermidialidade e os estudos interartes na arte contemporânea Santa Maria: Editora UFSM, 2020.
  • 15 FIGUEIREDO, C. A. P. de; PAIVA VIEIRA, M. de; MUNARI DOMINGOS, A. C.; VIEIRA, É. V. C. Intermediality in Brazil: A Diachronic Survey. In: BRUHN, J., LÓPEZ-VARELA, A., PAIVA VIEIRA, M. de (Org.). The Palgrave Handbook of Intermediality Cham: Palgrave Macmillan, 2023. https://doi.org/10.1007/978-3-030-91263-5_8-1.
    » https://doi.org/10.1007/978-3-030-91263-5_8-1
  • 16 GRUPO de Pesquisa Intermídia: Estudos sobre a Intermidialidade (n.d.). Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/padrao_cms/?web=intermidia⟨=1&page=2655&menu=1683&tipo=1
    » http://www.letras.ufmg.br/padrao_cms/?web=intermidia⟨=1&page=2655&menu=1683&tipo=1
  • 17 JENKINS, H. Convergence Culture: Where Old and New Media Collide. New York: NYU Press, 2006.
  • 18 JENKINS, H. Cultura da convergência Trad. Susana Alexandrina. Aleph, 2009.
  • 19 JENKINS, H. Confessions of an Aca-Fan: The Official Weblog of Henry Jenkins, s/d. Disponível em: http://henryjenkins.org/
    » http://henryjenkins.org/
  • 20 JENKINS, H. The Revenge of the Origami Unicorn: Seven Principles of Transmedia Storytelling (Well, Two Actually. Five More on Friday). 15 dez. 2009. Confessions of an Aca-Fan: The Official Weblog of Henry Jenkins. Disponível em: http://henryjenkins.org/2009/12/the_revenge_of_the_origami_uni.html
    » http://henryjenkins.org/2009/12/the_revenge_of_the_origami_uni.html
  • 21 JENKINS, H. Transmedia 202: Further Reflections. 01 ago. 2011. Confessions of an Aca-Fan: The Official Weblog of Henry Jenkins. Disponível em: http://henryjenkins.org/2011/08/defining_transmedia_further_re.html
    » http://henryjenkins.org/2011/08/defining_transmedia_further_re.html
  • 22 JENKINS, H. Spreadable Media: Creating Value and Meaning in a Networked Culture. New York: NYU Press, 2013.
  • 23 KRESS, G.; van LEEUWEN, T. Reading Images: The Grammar of Visual Design. New York; London: Routledge, 1996.
  • 24 MILLS, K. A. “I’m making it different to the book”: Transmediation in Young Children’s Multimodal and Digital Texts, 2011. Disponível em: https://eprints.qut.edu.au/43365/1/AJECResubmission-1.pdf2011.
    » https://eprints.qut.edu.au/43365/1/AJECResubmission-1.pdf
  • 25 RAJEWSKY, I. O. Intermedialität Tübingen: Francke/UTB, 2002.
  • 26 RAJEWSKY, I. O. Intermidialidade, intertextualidade e “remediação”: uma perspectiva literária sobre intermidialidade. In: DINIZ, T. F. N. (Org.). Intermidialidade e estudos inter-artes: desafios da arte contemporânea. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012. p. 15-45.
  • 27 RAJEWSKY, I. O. Intermediality, intertextuality, and remediation: A literary perspective on intermediality. Intermédialités: histoire et théorie des arts, des lettres et des techniques/Intermediality: History and Theory of the Arts, Literature and Technologies, v. 6, p. 43-64, 2005.
  • 28 RYAN, M.-L. Transmedia Narratology and Transmedia Storytelling. Artnodes, v. 18, p. 1-10, 2016. Número especial “Transmedia Narratives” organizado por D. Sánchezmesa, J. Alberich-Pascual e Rosendo.
  • 29 SUHOR, C. Towards a Semiotic-Based Curriculum. Journal of Curriculum Studies, v. 16, n. 3, p. 247-257, 1984.
  • 30 WOLF, W. Intermediality. In: HERMAN, D.; MANFRED, J.; RYAN, M.-L. (Ed.). Routledge Encyclopedia of Narrative Theory New York; London: Routledge, 2005. p. 252-256.

Editado por

  • Editoras Responsáveis:
    Marialva Barbosa e Sonia Virgínia Moreira

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jun 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    10 Mar 2024
  • Aceito
    12 Nov 2024
location_on
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM) AV. BRIG. LUÍS ANTÔNIO, 2.050 - CONJ. 36- BELA VISTA, Zip code: 01318-912 , Phone and WhatsApp: (+55 11) 9.4178-8528 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revistaintercom@intercom.org.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro