O presente artigo problematiza os diferentes significados da comida étnica de refugiados empreendedores na cidade de São Paulo sob a perspectiva do acolhimento, e tem por objeto de estudo a venda da denominada comida étnica/tradicional em pequenos empreendimentos. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas in loco com refugiados empreendedores provenientes da Síria, Palestina, Turquia, Uganda e Venezuela, com o propósito de averiguar o contexto de refúgio, a origem étnica, as motivações para empreender na área de gastronomia e os significados da sua comida de origem. Após a análise de conteúdo dos elementos dialógicos das entrevistas, realizou-se a triangulação com dimensões inerentes à teoria em hospitalidade. Os resultados apontam que os refugiados entrevistados têm histórias de acolhimento em sua chegada ao Brasil. Além do sustento, a comida étnica proporciona visibilidade à cultura, aos costumes e às realidades diferentes daquelas veiculadas pela mídia, caracterizadas por conflitos, guerras e miséria, como também, por meia desta, estabelecem-se novas relações sociais.
Palavras-chave:
hospitalidade; acolhimento; comida étnica; refugiado; São Paulo