Introdução: O processo de urbanização entre povos indígenas brasileiros vem transformando padrões culturais, alimentares e de saúde, intensificando a exposição a comportamentos de risco e doenças crônicas.
Objetivo: Descrever os comportamentos relacionados à saúde e seus determinantes sociais entre indígenas residentes em uma comunidade urbana de Campo Grande (MS), Brasil.
Métodos: Estudo transversal realizado com 61 indígenas da Comunidade Jardim Aeroporto, entre abril e junho de 2023. Aplicou-se questionário adaptado da Vigitel, abordando dados sociodemográficos, alimentação, atividade física, sono, automedicação e doenças crônicas. Os dados foram analisados no Stata 17, apresentando frequências absoluta e relativa e seus respectivos intervalos de confiança (IC 95%).
Resultados: A maioria era do sexo feminino (62,3%) e metade tinha ensino médio completo. As prevalências de hipertensão e de diabetes foram de 22,9% e 13,1%, respectivamente. Mais de um quarto dos indígenas apresentava consumo abusivo de álcool (27,9%) e baixa prática regular de atividade física (29,5%). Além disso, grande parte substituía refeições por lanches (85,2%) e 23% referiu automedicação.
Conclusão: O estudo evidencia padrões de risco associados à transição alimentar e à urbanização indígena. Políticas públicas interculturais e ações intersetoriais são urgentes para a promoção da saúde indígena urbana.
Palavras-chave:
saúde indígena; comportamentos de risco; urbanização; determinantes sociais da saúde.