A loucura é uma faceta da experiência humana que assusta e fascina, e que tem um grande potencial para a tragédia. William Shakespeare não deixou de se aproveitar dessa oportunidade. Neste artigo, discutimos as representações da loucura em três de suas tragédias: Hamlet, Macbeth e Rei Lear. Após serem apresentadas as percepções contemporâneas sobre a loucura e os antecedentes literários relevantes, debatem-se individualmente as peças em seu conteúdo relacionado à loucura. Em Hamlet são discutidos Ophelia e o protagonista; em Macbeth, o casal real e as bruxas; em Lear, Edgar e o protagonista. O tema da loucura é muito rico na obra do poeta, e relaciona-se a medicina, religião, política e cultura. Poderá ser observado que a loucura é muito associada a crises de soberania, e a mesmo tempo ao sobrenatural e às forças da natureza. O suicídio e as ideias suicidas são comuns entre personagens enlouquecidos ou melancólicos, como é o caso na vida real. A loucura na dramaturgia do período é inscrita ora no discurso, ora no corpo, e sua ligação com a possessão demoníaca estava sendo então desmistificada, inclusive pelas representações teatrais.
Palavras-chave
William Shakespeare; loucura;
Hamlet
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Macbeth
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Rei Lear