RESUMO
Melastomataceae inclui aproximadamente 173 gêneros e 5.858 espécies. No Brasil, a família está representada por 70 gêneros e 1.501 espécies distribuídas em todos os domínios fitogeográficos. A Serra da Jiboia é uma área prioritária para conservação da biodiversidade no Estado da Bahia, localizada numa região de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga. A face oriental da serra é coberta por fragmentos de floresta ombrófila densa, enquanto a vertente ocidental é ocupada por floresta estacional semidecidual. O estudo taxonômico de Melastomataceae nessa região incluiu expedições de coleta, análise de materiais depositados em herbário e consulta a herbários virtuais. A família está representada por 28 espécies pertencentes a sete gêneros ocorrentes, principalmente, em afloramentos rochosos e floresta ombrófila densa. Das espécies encontradas na área de estudo, 14 são consideradas endêmicas do Brasil, com quatro destas ocorrendo exclusivamente no Estado da Bahia. A forma dos ramos, tipo de inflorescência, morfologia dos estames e tipo de tricomas são características mais informativas para distinguir as espécies de Melastomataceae na Serra da Jiboia.
Palavras-chave:
florística; Mata Atlântica; Miconia; Pleroma; Taxonomia
ABSTRACT
Melastomataceae comprises about 173 genera and 5,858 species. In Brazil, the family is represented by 70 genera and 1,501 species, widely distributed in all phytogeographic domains. Serra da Jiboia is a priority area for biodiversity conservation in the state of Bahia, located in a transition area between the Atlantic Forest and Caatinga. The oriental face of the range is covered by fragments of dense ombrophilous forest, while the vertical, occidental slope is occupied by semideciduous seasonal forest. The taxonomic study of Melastomataceae in this region involved fieldwork, analysis of herbarium collections and searches in virtual herbaria. The family is represented by 28 species distributed in seven genera, mainly found in rock outcrops and in the surrounding forests. Of these, 14 are considered endemic to Brazil, with four occurring exclusively in the state of Bahia. The branch shape, inflorescence types, stamen morphology and trichome types are the most informative traits for distinguishing the Melastomataceae species in the Serra da Jiboia.
Keywords:
Atlantic Forest; floristics; Miconia; Pleroma; Taxonomy
Introdução
Melastomataceae Juss. é uma família monofilética, destacando-se como uma das mais ricas em número de espécies dentro da ordem Myrtales (APG IV 2016). Inclui atualmente 173 gêneros e cerca de 5.858 espécies, distribuídas principalmente na região neotropical (Braumgratz et al. 2007, Goldenberg et al. 2015, Michelangeli et al. 2020a, Michelangeli et al. 2020a, Ulloa et al. 2022).
Estudos moleculares recentes resultaram em mudanças na circunscrição de diversas tribos de Melastomataceae e, consequentemente, em ajustes taxonômicos em vários gêneros (Michelangeli et al. 2020a, 2020b). Atualmente, a família está organizada em três subfamílias e 21 tribos (Clausing & Renner 2001, Goldenberg et al. 2012, Bacci et al. 2019, Bochorny et al. 2019, Michelangeli et al. 2020a, Penneys et al. 2022, Ulloa et al. 2022).
Apresentando uma ampla variedade de hábitos (Clausing & Renner 2001), as espécies de Melastomataceae podem ser arbóreas, arbustivas ou herbáceas, raramente trepadeiras, ocupando diferentes ambientes (Romero & Martins 2002). Podem ser reconhecidas pelas folhas simples, opostas, sem estípulas, nervação acródroma, pétalas de coloração variada, estames geralmente falciformes e anteras poricidas, ovário adnato ou não ao hipanto, fruto cápsula ou baga, com numerosas sementes diminutas e indumento diverso presente na maioria das estruturas (Clausing & Renner 2001, Romero & Martins 2002, Judd et al. 2022).
No Brasil, as Melastomataceae apresentam 70 gêneros e 1.517 espécies, sendo 1007 (66%) endêmicas (Goldenberg et al. 2025a). A maior riqueza de espécies ocorre em vegetação de campo rupestre tanto no domínio fitogeográfico do Cerrado como da Caatinga, porém gêneros do sub-bosque ocorrem em todos os domínios fitogeográficos, especialmente na Floresta Amazônia e na Floresta Atlântica (Goldenberg et al. 2012, 2025a). No Estado da Bahia, estão registradas atualmente 41 gêneros e 348 espécies (Goldenberg et al. 2025a).
Muitos remanescentes florestais no Estado da Bahia ainda não tiveram sua flora documentada, como é o caso da Serra da Jiboia, localizada em um ecótono de Floresta
Atlântica e Caatinga (Veloso et al. 1991). Portanto, o objetivo do presente trabalho é elaborar o tratamento taxonômico para as espécies de Melastomataceae na Serra da Jiboia. Para tanto, serão fornecidas descrições detalhadas e notas taxonômicas das espécies, chave de identificação, dados de distribuição geográfica e fenologia. A carência de informações sobre as espécies de Melastomataceae que ocorrem na Serra da Jiboia evidencia a necessidade de estudos taxonômicos que subsidiem uma melhor compreensão da flora local e da distribuição das espécies da família na área de estudo.
Material e métodos
Área de estudo - A Serra da Jiboia está localizada na porção sul do Recôncavo do Estado da Bahia (12°46’46.8”S; 39°30’31.8”W e 12°57’46.7”S; 39°27’01.3”W), abrangendo partes dos municípios de Castro Alves, Elísio Medrado, Santa Teresinha, São Miguel das Matas e Varzedo (figura 1) (Queiroz et al. 1996, Blengini et al. 2015). Este maciço serrano possui uma extensão de 8.611 hectares, dos quais 5.616 são um remanescente florestal contínuo de Floresta Atlântica (Blengini et al. 2015). Segundo a classificação de Köppen, o clima da região varia de tropical semiárido a semiúmido (Köppen & Geiger 1928), com temperatura média anual de 23 °C, e precipitação anual média variando em torno de 1.066 mm (SEI 2022). Inserida numa área de transição entre os domínios da Floresta Atlântica e Caatinga, a Serra da Jiboia apresenta fitofisionomias diversas, incluindo floresta ombrófila densa a leste, floresta estacional semidecidual (agreste) a oeste, assim como caatinga ao oeste e norte, nas áreas de baixio e afloramentos rochosos graníticos (inselbergues) no topo das serras (figura 2) (Veloso et al. 1991, Blengini et al. 2015, Juncá & Borges 2002).
Localização da Serra da Jiboia no Estado da Bahia, Brasil.
Figure 1
Figure 1. Location of Serra da Jiboia in the State of Bahia, Brazil.
Fitofisionomias da Serra da Jiboia, Estado da Bahia, Brasil. a. Floresta ombrófila densa. b. Afloramento rochoso no topo das serras. c. Caatinga. d. Floresta estacional semidecidual. (Fotos: a, b, d: Aona, L.Y.S.; c: Souza, L.D.).
Figure 2
Vegetation types of the Serra da Jiboia in the State of Bahia, Brazil. a. Dense rainforest. b. Rock outcrop at the top of the mountains. c. Caatinga. d. Semideciduous seasonal forest. (Photos: a, b, d: Aona, L.Y.S.; c: Souza, L.D.).
Coleta de dados e tratamento taxonômico - Para o tratamento taxonômico, foram utilizados espécimes depositados no Herbário do Recôncavo da Bahia (HURB), provenientes de coletas esporádicas realizadas de 2012 a 2021 nos diferentes municípios que compõem a Serra da Jiboia. Além disso, foram estudadas presencialmente as coleções de Melastomataceae procedentes da Serra da Jiboia depositadas no herbário CEPEC. As coleções dos herbários ALCB, HCF, HUEFS, HUFU, K, LAG, MBM, NY, US foram analisadas através de imagens disponíveis nas bases de dados speciesLink (2025, atualizado continuamente) e Herbário Virtual REFLORA (2025, atualizado continuamente).
A identificação taxonômica foi realizada por meio da literatura especializada, incluindo os trabalhos de Baumgratz (2004), Goldenberg et al. (2012, 2013, 2022), Goldenberg & Caddah (2013), Michelangeli et al. (2013, 2020a), Fagundes & Santos (2016), Freitas et al. (2016), Bacci et al. (2016), Bacci et al. (2017) e Bochorny et al. (2019). Para a descrição do indumento, foi utilizado Hickey & King (2004). As descrições de família, gênero e espécies foram baseadas na variação morfológica dos representantes que ocorrem na área de estudo. Uma descrição mais detalhada para o Brasil encontra-se no site da Flora e Funga do Brasil (2025).
Hábito, dados de floração e frutificação foram definidos com base em informações disponíveis nas etiquetas das exsicatas, em estudos bibliográficos e bases de dados virtuais citadas acima. Os dados de distribuição geográfica e domínio fitogeográfico seguiram Flora e Funga do Brasil (2025) e as fitofisionomias apresentadas estão de acordo com Blengini et al. (2015): floresta ombrófila densa, vegetação sobre afloramento rochoso, floresta estacional semidecidual e caatinga.
Resultados
Um total de 28 espécies de Melastomataceae foi registrado na Serra da Jiboia, distribuídas em sete gêneros. Miconia Ruiz & Pav. foi o gênero com maior número de espécies (13 spp.), seguido de Pleroma D.Don (sete spp.), Huberia DC. (duas spp.), Pterolepis (DC.) Miq. (duas spp.), Bertolonia Raddi (duas spp.), enquanto Henriettea DC. e Marcetia DC. possuem uma espécie cada. Das espécies registradas na área de estudo, 14 são endêmicas do Brasil (52%), enquanto Pleroma caatingae (J.G.Freitas) P.J.F.Guim. & Michelang., P. lithophilum (Wurdack) P.J.F.Guim. & Michelang., P. pereirae (Brade & Markgr.) P.J.F.Guim. & Michelang. e P. tomentulosum (Wurdack) P.J.F.Guim. & Michelang. são endêmicas do Estado da Bahia.
Quanto à distribuição por fitofisionomia, 13 spp. (48%) ocorrem exclusivamente no sub-bosque da floresta ombrófila densa. Miconia crenata (Vahl) Michelang. é a única espécie que ocorre exclusivamente nos afloramentos rochosos. Outras 11 spp. (38%) ocorrem em duas fitofisionomias diferentes e 3 spp. (10%) estão presentes em três fitofisionomias, e nenhuma espécie ocorrem em todas as fitofisionomias aqui consideradas. Pleroma heteromallum (D.Don) D.Don, segundo os dados etiqueta, é uma espécie cultivada na Serra da Jiboia (tabela 1).
Lista de espécies encontradas na Serra da Jiboia, Estado da Bahia, Brasil. Domínio fitogeográfico.AM:Amazônia. CA: Caatinga. CE: Cerrado. FA: Floresta Atlântica. PA: Pampa. PT: Pantanal. Endemismo no Brasil e Bahia, conforme Flora e Funga do Brasil (2025). Fitofisionomias da Serra da Jiboia, conforme Veloso et al. (1991) e Blengini et al. (2015). FOD: Floresta ombrófila densa.AFR: Vegetação sobre afloramento rochoso. FES: Floresta estacional semidecidual. CA: caatinga.
Table 1
List of species found in the Serra da Jiboia, Bahia State, Brazil. Phytogeographic domain. AM: Amazon. CA: Caatinga. CE: Cerrado. MA: Atlantic Forest. PA: Pampa. PT: Pantanal. Endemism in Brazil and Bahia, following Flora e Funga do Brasil (2025). Vegetation types of the Serra da Jiboia following. Veloso et al. (1991) and Blengini et al. (2015). FOD: Floresta ombrófila densa. AFR: Vegetação sobre afloramento rochoso. FES: Floresta estacional semidecidual. CA: caatinga.
Melastomataceae Juss.
Ervas, subarbustos, arbustos ou árvores. Ramos glabros ou com indumento variado; cilíndricos ou quadrangulares. Folhas simples, opostas, pecioladas ou sésseis, lâmina foliar concolor ou discolor, coriácea, cartácea ou membranácea, margens inteiras, repandas, crenadas, denticuladas, glabras ou ciliadas, (1-)3-7(-9) nervuras acródomas basais ou suprabasais, domácias presentes ou não; estípulas ausentes. Flores actinomorfas, tetrâmeras a hexâmeras, sésseis ou pediceladas, solitárias ou em inflorescências axilares ou terminais, brácteas e bractéolas persistentes ou não; hipanto oblongo, campanulado, urceolado, tubuloso ou infundibuliforme; emergências estrelado-peniciladas presentes ou não, lobos do cálice persistentes ou decíduos; pétalas livres, alvas, alvo-translúcidas, róseas, arroxeadas, androceu diplostêmone, dispostos em dois ciclos, isomorfos a dimorfos, anteras uniporadas, deiscência poricida, conectivo prologando abaixo das tecas ou não, pedoconectivo presente ou não, apêndice dorsal e/ou ventral presente ou não; ovário súpero a ínfero, placentação axilar, lóculos pluriovulados, estigma capitado, truncado, punctiforme ou ocasionalmente clavado. Fruto baga ou cápsula. Sementes numerosas.
Chave de identificação para as espécies de Melastomataceae da Serra da Jiboia, BA, Brasil
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1. Frutos carnosos (bagas).
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2. Inflorescência ramiflora, exclusivamente disposta na região áfila dos ramos .................2.1 Henriettea succosa
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2. Inflorescência não ramiflora, terminal ou axilar.
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3. Folhas com pelo menos um par de nervuras suprabasais.
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4. Folhas com base decorrente ....................................................................................5.13. Miconia prasina
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4. Folhas com base não decorrente.
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5. Inflorescência com ramos muito curtos, raque até 5 mm compr.; dando a impressão de flores sésseis, flores tetrâmeras, 8 estames ........................................................................................5.6. Miconia debilis
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5. Inflorescência com ramos desenvolvidos, raque acima de 1,5 cm compr.; flores pentâmeras ou hexâmeras, 5-12 estames.
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6. Presença de domácia na face abaxial da folha ............................................5.12. Miconia paniculata
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6. Ausência de domácia.
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7. Ramos com indumento estrelado; flor hexâmera, anteras roxas ..............5.8. Miconia holosericea
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7. Ramos com indumento setoso; flor pentâmera, anteras cremes ou amarelas
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8. Inflorescência terminal; lobos do cálice com dentes externos triangulares; anteras amarelas ....................................................................................................................5.9. Miconia ionopogon
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8. Inflorescência axilar; lobos do cálice com dentes externos lineares; anteras cremes ..................................................................................................................................5.7. Miconia dentata
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3. Folhas somente com nervuras basais.
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9. Inflorescências axilares (no mesmo nó que as folhas).
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10. Hipanto com indumento estrelado; lobos do cálice com dentes externo triangulares ....................................................................................................................................................5.3. Miconia cabraliensis
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10'. Hipanto com indumento hirsuto; lobos do cálice com dentes externo lineares ........5.5. Miconia cren
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9. Inflorescências terminais.
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11. Inflorescência com flores em ramos escorpioides.
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12. Folhas com margem ciliada; hipanto glabro; baga imatura verde-claro, madura roxa ............................................................................................................................................5.4. Miconia ciliata
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12. Folhas com margem não ciliada; hipanto tomentoso; baga imatura rosada a lilás, madura verde-azulada ..............................................................................................................5.1. Miconia albicans
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11. Inflorescência com flores em ramos dicasiais ou glomerular-espiciformes.
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13. Folhas com face adaxial e abaxial com indumento estrelado-furfuráceo a glabrescente .................................................................................................................................5.11. Miconia nordestina
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13. Folhas com face adaxial glabra, face abaxial com indumento estrelado-dendrítico.
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14. Inflorescência com flores em ramos dicasiais; estames com anteras amarelas, passando à avermelhadas, conectivo bilobado ventralmente ..............................................5.10. Miconia mirabilis
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14. Inflorescência com flores em ramos glomerular-espiciformes; estames com anteras cremes e conectivo inapendiculado ............................................................................5.2. Miconia amoena
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1. Frutos secos (cápsulas).
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15. Hábito herbáceo; cápsula obtriqueta.
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16. Antera com poro terminal, conectivo inapendiculado ......................................1.1 Bertolonia maculata
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16. Antera com um poro ventral, conectivo apendiculado ...................................1.2 Bertolonia marmorata
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15. Subarbustos, arbustos, arvoretas ou árvores; cápsula globosa.
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17. Flores tetrâmeras.
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18. Hipanto com emergências estrelado-peniciladas; estames com apêndice ventral.
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19. Lâminas foliares estrigosas na face adaxial, setosas na face abaxial, eglandulares; hipanto campanulado; estames dimorfos, ciclo antessépalo com anteras púrpuras, ciclo antepétalo com anteras amarelas ...................................................................................................................................7.1 Pterolepis glomerata
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19. Lâminas foliares vilosas em ambas as faces, indumento glandular esparsos na face abaxial; hipanto oblongo; estames isomorfos, anteras amarelas ......................................7.2 Pterolepis polygonoides
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18. Hipanto sem emergências peniceladas; estames sem apêndice ventral.
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20. Hipanto hirsuto-glanduloso; anteras lisas, conectivo espessado dorsalmente, apêndice dorsal ausente ........................................................................................................4.1 Marcetia taxifolia
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20'. Hipanto glabro; anteras corrugadas, conectivo não espessado, apêndice dorsal filiforme.
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21. Lâminas foliares com base cuneada a aguda; lobos do cálice decíduo no fruto ..........................................................................................................................................3.1 Huberia consimilis
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21. Lâminas foliares com base obtusa; lobos do cálice persistente no fruto ....3.2 Huberia ovalifolia
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17. Flores pentâmeras.
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22. Árvores; ramos com nós circundados por uma coroa de tricomas; lâmina foliar com par externo de nervuras confluente aos internos ........................................................................6.2 Pleroma fissinervium
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22. Subarbustos ou arbustos; ramos com nós não circundados por uma coroa de tricoma; lâmina foliar sem nervuras confluentes.
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23. Lâmina foliar com face adaxial glabra .................................................6.7 Pleroma tomentulosum
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23. Lâmina foliar com face adaxial revestida por indumento.
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24. Lobos do cálice lanceolados; estames dimorfos .............................6.3 Pleroma heteromallum
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24. Lobos do cálice triangulares; estames subisomorfos
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25. Lâmina foliar com face adaxial estigosa ou escabra.
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26. Face adaxial estigosa; ovário 4-locular ....................................6.1 Pleroma caatingae
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26. Face adaxial escabra; ovário 5-locular .................................6.5 Pleroma lithophilum
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25. Lâmina foliar com face adaxial sericea.
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27. Ramos das inflorescências com tricomas glandulares (glândulas pedunculadas) ..........................................................................................................6.6 Pleroma pereirae
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27. Ramos das inflorescências com tricomas simples, tricomas glandulares ausentes ..................................................................................................6.4 Pleroma lhotskyanum
Tratamento taxonômico
1. Bertolonia Raddi
Ervas; ramos cobertos por indumento viloso e glândulas curto-pedunculadas, cilíndricos e levemente costados. Folhas pecioladas, pecíolo glanduloso-viloso; lâminas elípticas a ovais, membranáceas, discolores, ambas as faces cobertas por indumento glanduloso-viloso, glândulas curto-pedunculadas, 5-7 nervuras. Inflorescência tirsoide-escorpioide. Flores pentâmeras, pediceladas; hipanto urceolado, indumento presente; sépalas ovais, pétalas róseas, elípticas a ovais, margem ciliada no ápice; estames 10, isomorfos, filetes glabros, anteras ca. 2 mm compr., cremes, onduladas, poro apical ou ventral, introrso, levemente convoluto, margens espessadas, conectivo prolongado ca. 1 mm compr., inapendiculado ou não; ovário súpero, 3-locular, glabro, estilete ca. 4 mm compr., reto ou recurvado no ápice, estigma truncado. Fruto cápsula, obtriquetra.
Bertolonia é um gênero neotropical, constituído por 35 espécies endêmicas da Floresta Atlântica, Brasil (Bisewski et al. 2022). No Brasil, as 35 espécies estão distribuídas nos estados do AL, BA, PA, PE, RN e SC (Baumgratz 2025a; Bacci et al. 2018). Na Região Nordeste ocorrem 16 espécies, das quais 15 estão registradas para a Bahia (Baumgratz 2025a). Na Serra da Jiboia, foram encontradas duas espécies pertencentes a este gênero.
1.1. Bertolonia maculata DC. Prodr. 3: 114. 1828.
Ervas, 11-15 cm alt.; ramos densamente cobertos por glândulas curto-pedunculadas. Folha com pecíolo 1,5-5 cm compr.; lâminas 3-6,6 × 2,5-5 cm, ápice agudo, base cordada a arredondada, margem levemente repanda, ciliada, face adaxial verde (in vivo), face abaxial levemente vinácea (in vivo), nervuras levemente proeminentes na face abaxial. Inflorescência com raque 7,5-12 cm compr. Flores com pedicelo 5-11 mm compr.; hipanto 2,5-3 × 3-4 mm, indumento glanduloso-viloso, lobos do cálice persistentes, ca. 2 × 3 mm, cobertos por indumento glanduloso-viloso; pétalas 7-12 × 4-6 mm, ápice agudo a apiculado, base levemente atenuada; filetes ca. 3 mm compr., anteras com poro terminal, pedoconectivo inapendiculado. Cápsula 4-7 × 7-10 mm, imatura verde, madura castanha. Sementes ca. 3 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, trilha em área florestada passando as torres de transmissão, 12°33’33”S, 39°47’58”W, 9-X-2018 (fr.), L.C. Marinho et al. 1440 (HUEFS, ALCB); Castro Alves, 12°56’46”S, 39°42’53”W, 10-XII-2018 (fl.), M.R. Sampaio et al. 12 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, Trilha e mata dentro de fazenda particular D. Cota, 12°56’46”S, 39°42’53”W, 10-XII-2018 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 4872a (HURB).
Bertolonia maculata caracteriza-se pelas lâminas foliares densamente cobertas por glândulas curto-pedunculadas com a face adaxial verde, face abaxial levemente vinácea, margem levemente repanda, ciliada, hipanto glanduloso-viloso, flores com pétalas de coloração rosada, margem ciliada no ápice e antera com superfície ondulada, apresentando poro terminal com margens espessadas. Esta espécie possui distribuição nos estados da BA e ES (Baumgratz 1990, 2025a, Bacci et al. 2020). Na Serra da Jiboia, foi encontrada no interior da mata, em floresta ombrófila densa e em vegetação perturbada. Coletada com flores apenas em dezembro e com frutos em outubro e dezembro.
1.2. Bertolonia marmorata (Naudin) Naudin. 15: 318. 1851.
Figura 3 a
Ervas, 11-20 cm alt.; ramos esparsamente cobertos por glândulas curto-pedunculadas. Folha com pecíolo 1,2-3,5 cm compr.; lâminas 2,6-5,8 × 1,7-4,8 cm, ápice arredondado, base cordada, margem levemente crenada, face adaxial verde escura (in vivo), face abaxial vinácea (in vivo), nervuras proeminentes na face abaxial. Inflorescência com raque 4,5-10 cm compr. Flores com pedicelo 4-7 mm compr.; hipanto 3-4 × 3-5 mm, indumento semelhante ao das lâminas foliares, lobos do cálice persistentes, ca. 2 × 3 mm, indumento semelhante ao do hipanto; pétalas 2-5 × 1-2 mm, ápice apiculado, base levemente cuneada; filetes ca. 2 mm compr., anteras com poro ventral, pedoconectivo apendiculado. Cápsula 5-9 × 6-10 mm, imatura verde, madura castanha. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Elísio Medrado, Serra da Jiboia, trecho antropizado, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 19-X-2013 (fl.), M.L. Guedes et al. 21075b, (ALCB, HUFU); Varzedo, Serra da Jiboia, Cachoeira do Everaldo, 12°55’4”S, 39°26’32”W, 03-IX-2021 (fl., fr.), L.Y.S. Aona et al. 6179 (HURB).
Bertolonia marmorata caracteriza-se pelas lâminas foliares cobertas esparsamente por glândulas curto-pedunculadas, margem levemente crenada e anteras com um poro ventral e margens espessadas. Apresenta distribuição apenas na Região Nordeste, com ocorrência para os estados de AL, BA e PE (Baumgratz 2025a, Bacci et al. 2018, 2020, Bisewski et al. 2022). Na Serra da Jiboia, foi encontrada ocorrendo em floresta ombrófila densa, às margens de rio. Coletada com flores e frutos em setembro.
2.Henriettea DC.
Henriettea é um gênero constituído por 70 espécies, das quais 19 ocorrem no Brasil (Brito 2025). As espécies estão distribuídas nos estados do AC, AL, AM, AP, BA, ES, MA, PA, PB, PE, PR, RJ, RN, RO, RR, SC, SE, SP e TO (Brito 2025). Na Região Nordeste são encontradas oito espécies, das quais duas são registradas para a Bahia (Brito 2025).
2.1.Henriettea succosa (Aubl.) DC. Prodr. 3: 178. 1828.
Árvores, 5-5,5 m alt.; ramos cobertos por indumento estrigoso, esparso. Folhas pecioladas, pecíolo 0,7-2 cm compr.; lâminas largamente elípticas, 7,1-17 × 3,5-8,5 cm, coriáceas, discolores, ápice agudo, base aguda a arredondada, margem inteira a levemente repanda, ciliada, face adaxial levemente escabra, face abaxial levemente estrigosa, indumento estrelado, esparso, 5 nervuras, par marginal basal, par interno suprabasal, ambas as faces com indumento estrigoso. Inflorescência fasciculada, ramiflora, exclusivamente disposta na região áfila dos ramos. Flores pentâmeras, pedicelo 1-1,5 mm compr.; hipanto 7-9 × 6-8 mm, largamente campanulado, indumento estrigoso, lobos do cálice persistentes no fruto, 4 × 3,5 mm, ovais, ápice agudo, base arredondada; pétalas 4-6 × 3-2 mm, alvo-rosadas, ápice agudo; filetes ca. 1,5 mm compr., glabros, anteras ca. 2 mm compr., lilases, ápice subulado, conectivo não prolongado, apêndice dorsal bilobado; ovário ínfero, 5-locular, glabro, estilete ca. 3 mm compr., glabro, reto, estigma capitado. Baga 5-6 × 4,5-5 mm, imatura verde, madura vinácea. Sementes numerosas, ca. 1,5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Varzedo, Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr. Getúlio, 12°18’59”S, 39°59’33”W, 14-II-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26690); l.c., Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr. Getúlio, 12°18’59”S, 39°59’33”W, 14-II-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26691).
Material adicional examinado: BRASIL. Bahia: Wenceslau Guimarães, Estação Ecológica, 13°60’44”S, 39°60’11”W, 27-XI-2013 (fr.), L.Y.S. Aona et al. 2667 (HURB); Ilhéus, 14°60’36”S, 39°04’58”W, 23-II-2019 (fl., fr.), L.Y.S. Aona et al. 5102 (HURB).
Henriettea succosa é a única espécie do gênero encontrada na Serra da Jiboia. Caracteriza-se por suas inflorescências ramifloras, flores com hipanto largamente campanulado, anteras lilases, ápice subulado, conectivo não prolongado, apêndice dorsal bilobado e estigma capitado. Ocorre nos estados de AL, AP, BA, ES, MA, PA, PB, PE, RN e RR, nos domínios da Floresta Amazônica, Caatinga e Floresta Atlântica (Brito 2025). Na Serra da Jiboia, foi coletada em beira das trilhas na floresta ombrófila densa. Coletada com flores em fevereiro e com frutos de fevereiro a novembro.
3. Huberia DC.
Árvores; ramos glabros ou ocasionalmente com indumento glanduloso. Folhas pecioladas; lâminas estreito-elípticas, ovais ou obovais, discolores, margem inteira, ambas as faces glabrescentes, 3 nervuras basais, proeminentes na face abaxial. Inflorescências terminais, corimbosas. Flores tetrâmeras, pediceladas; hipanto glabro, tubuloso, lobos do cálice persistentes, triangulares ou ovais, persistentes ou decíduos no fruto; pétalas alvas, oblongas ou obovais, margem inteira; estames 8, subisomorfos, filetes glabros, anteras amarelas, corrugadas, poro ventral, pedoconectivo prolongado, apendiculado dorsalmente, filiforme; ovário súpero, 4-locular, glabro, estilete curvo, glabro, estigma punctiforme. Fruto cápsula, urceolado. Sementes numerosas.
Gênero neotropical com distribuição confirmada na costa brasileira e algumas espécies no sul do Equador e noroeste do Peru (Baumgratz 2004). Huberia teve sua circunscrição revisada recentemente e atualmente apresenta 37 espécies (Bochorny et al. 2019), sendo 33 encontradas no Brasil, nos estados da BA, ES, MG, PE, PR, RJ, RS, SC e SP. Destas, apenas quatro são encontradas na Região Nordeste (Baumgratz et al. 2020). Na área de estudo, foram encontradas duas espécies.
3.1. Huberia consimilis Baumgratz. Brittonia 52(1): 29. 2000.
Árvores, 4-9 m alt.; ramos com indumento glandular-furfuráceo. Folha com pecíolo 0,5-1,5 cm compr.; lâminas estreito-elípticas a obovais, 1,5-5,5 × 0,7-2,5 cm, cartáceas, aspecto lustroso, ápice obtuso a arredondado, base cuneada a aguda, margem às vezes levemente denteada na base. Inflorescência com raque 3-7 cm compr. Flores com pedicelo 12-15 mm compr.; hipanto 7-9 × 3-3,5 mm, lobos do cálice ca. 2 × 2,5 mm, oblongos, decíduos no fruto; pétalas 8-12 × 6-8 mm, obovais, ápice agudo, base cuneada; filetes 4-6 mm compr., amarelos quando jovens, vináceos quando maduros, anteras 6-8 mm compr., curvas, apêndice dorsal 2-3 mm compr.; estilete ca. 10 mm compr. Cápsula 8-12 × 6-8 mm, imatura verde, madura castanha. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Recôncavo Sul, Serra da Pioneira, 12°50’59”S, 39°53’33”W, 6-VI-1984 (fl.), L.R. Noblick et al. 3350 (ALCB); l.c., Serra da Jiboia, Pedra Branca, 12°15’11”S, 39°28’31”W, 16-VI-2000 (fl.), L.P. Queiroz 6279 (HUEFS, UEC); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 2-XII-2004 (fl.), J.G. Jardim et al. 4285 (HUEFS); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 8-II-2011 (fr.), M.L. Guedes et al. 17944 (ALCB); Santa Terezinha, Recôncavo Sul, ao redor da torre, 12°52’59”S, 39°51’59”W, 17-VIII-2013 (fl., fr.), M.L. Guedes et al. 201714 (ALCB); l.c., Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, estrada para da Pioneira, 12°59’07”S, 39°31’49”W, 15-XII-2014 (fl.), S.M. Silva 143 (ALCB, UPCB); l.c., Povoado de Pedra Branca, Trilha em direção à Serra da Pioneira, 12°59’02”S, 39°52’08”W, 12-XII-2016 (fl., fr.), T.N. Alves et al. 52 (HURB).
Huberia consimilis é semelhante a H. ovalifolia, mas pode ser distinguida pela base foliar cuneada a aguda, pétalas com ápice agudo (vs. base foliar obtusa e ápice das pétalas arredondado a agudo em H. ovalifolia). Trata-se de uma espécie endêmica do Brasil, com ocorrência nos estados da BA, PE e RJ (Baumgratz et al. 2025). Na Serra da Jiboia, foi registrada no interior e na beira da mata, em floresta ombrófila densa. Coletada com flores de junho a agosto e dezembro e com frutos de dezembro a fevereiro.
3.2. Huberia ovalifolia DC. Prodr. 3: 167. 1828.
Árvores, 3-7 m alt.; ramos com indumento glandular-furfuráceo. Folha com pecíolo 0,5-1 cm compr.; lâminas elípticas, 2,9-7,7 × 1,9-3,6 cm, coriáceas, ápice arredondado a agudo, base obtusa, margem às vezes levemente repanda. Inflorescência com raque 4-8 cm compr. Flores com pedicelo ca. 8 mm compr.; hipanto 6-12 × 3-4 mm, lobos do cálice ca. 4 × 3,8 mm, ovais, persistentes no fruto; pétalas 10-18 × 9-12 mm, oblongas, ápice arredondado a agudo, base atenuada; filetes 6-8 mm compr., amarelos quando jovens, vermelhos quando maduros, anteras 7-9 mm compr., levemente curvas, apêndice dorsal 3-4 mm compr.; estilete ca. 9 mm compr. Cápsula 10-13 × 6-8 mm, imatura verde, madura castanho-claro. Sementes ca. 5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Serra da Pioneira, 12°11’33”S, 39°46’59”W, 22-XII-1992 (fl.), L.P. Queiroz et al. 2989 (HUEFS, NY); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, Fazenda Jequitibá, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 13-XII-1998, (fl.), E.P.F. Moraes et al. 3 (ALCB); Santa Terezinha, próximo às Torres de transmissão, 12°59’44”S, 39°47’33”W, 11-II-2011 (fr.), E. Melo et al. 9038 (HUEFS); Varzedo, Serra da Jiboia, RPPN Guarirú, 12°50’26”S, 39°27’56”W, 15-II-2016, A.N. Caiafa et al. (HURB 26689).
Huberia ovalifolia é caracterizada pelos lobos do cálice ovais, persistentes no fruto. Endêmica do Brasil, com ocorrência nos estados da BA, ES, RJ e SP, estando restrita à Floresta Atlântica (Baumgratz 2004, Fagundes & Santos 2016, Baumgratz et al. 2025). Na Serra da Jiboia, foi coletada em floresta ombrófila densa, em beira da mata. Coletada com flores em dezembro e com frutos em fevereiro.
4. Marcetia DC. Prodr. 3: 124. 1828.
Marcetia é um gênero constituído por 37 espécies em que todas ocorrem no Brasil, distribuídas nos estados do AC, AL, BA, CE, ES, GO, MG, MT, PB, PE, PR, RJ, RR, SE e SP e no DF (Santos 2025). Na Região Nordeste, são encontradas 34 espécies, todas registradas para a Bahia, sendo 28 endêmicas do estado (Santos 2025).
4.1. Marcetia taxifolia (A.St.-Hil.) DC. Prodr. 3: 124. 1828.
Arbustos, 1-2 m alt.; ramos cobertos por indumento híspido-glanduloso. Folhas sésseis ou pecíolo até 0,4 cm compr.; lâminas ovais a cordiformes, 0,6-0,8 × 0,2-0,3 cm, cartáceas, ápice atenuado, base cordada, margem revoluta, ambas as faces cobertas por indumento glanduloso, esparso a glabrescente, 1-3 nervuras basais. Flores solitárias, axilares e apicais, distalmente dispostas, tetrâmeras, pedicelo ca. 1 mm compr.; hipanto 1,5-3,1 × 3-4 mm, hirsuto-glanduloso, lobos do cálice persistentes, ca. 1,8 × 2 mm, lineares a triangulares, glandulares; pétalas 3-6 × 2-4 mm, alvas ou rosadas, ovais, ápice agudo, base aguda; estames 10, subisomorfos, filetes 3-6 mm compr., glabros, anteras 2-4 mm compr., amarelas, lisas, levemente recurvadas, conectivo espessado dorsalmente, apêndice ventral ausente; ovário súpero, 4-locular, glabro, estilete ca. 9 mm compr., glabro, levemente curvado, estigma punctiforme. Cápsula 3-4 mm compr., imatura vermelha, passando a castanha. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Pioneira, 12°59’S, 39°53’33”W, 8-VII-1983 (fl.), L.R. Noblick 3324 (CEPEC, HUEFS, US); l.c., Serra da Pioneira, 12°59’S, 39°46’59”W, 14-XI-1986 (fl.), L.P. Queiroz 1088 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°59’02”S, 39°52’01”W, 10-VII-1996 (fl.), T.S.N. Sena et al. 17 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, 12°59’25”S, 39°47’11”W, 24-VIII-1996 (fl.), L. Lara et al. 1 (ALCB); l.c., 12°59’25”S, 39°47’11”W, 24-VIII-1996 (fl.), A. Costa et al. 6 (HUEFS); l.c., 12°59’02”S, 39°52’08”W, 18-X-2008 (fl.), M.L.M. Martins s.n. (HURB 982).
Material examinado adicional: BRASIL. Bahia: Piatã, Chapada Diamantina, 13°07’52”S, 41°49’57”W, 19-IX-2004, (fl., fr.), M.L. Guedes et al. 11237 (ALCB).
Marcetia taxifolia é a única espécie do gênero na Serra da Jiboia. É caracterizada pelas lâminas foliares diminutas (0,6-0,8 × 0,2-0,3 cm), sésseis ou curtamente pecioladas (ca. 0,4 mm compr.), recobertas por indumento glanduloso, com até 3 nervuras basais, flores tetrâmeras, com coloração variada (alvas ou rosadas), estames inapendiculados dorsal e ventralmente e frutos imaturos vermelhos. Marcetia taxifolia é a única espécie do gênero com ampla distribuição, sendo encontrada em todas as Regiões do Brasil (Martins 2000, 2009). Na Serra da Jiboia, foi coletada em beira de trilhas em floresta ombrófila densa e sobre afloramentos rochosos no topo das serras. Coletada com flores de julho a outubro e com fruto em setembro.
5. Miconia Ruiz & Pav. Fl. Peruv. Prodr. 60. 1794.
Arbustos ou árvores; ramos cilíndricos ou quadrangulares, angulosos, glabros ou com indumento variado. Folhas pecioladas; lâminas elípticas, lanceoladas, obovais ou ovais, cartáceas ou coriáceas, concolores ou discolores, margem inteira a crenulada; 3-5 nervuras, suprabasais ou basais, domácias presentes ou não. Inflorescência terminal ou axilar, com ramos dicasiais escorpioides, glomerular-regulares ou espiciformes ou não; bractéolas presentes. Flores tetrâmeras a hexâmeras, sésseis ou pediceladas; hipanto campanulado, urceolado, globoso ou infundibuliforme, lobos do cálice persistentes ou decíduos; pétalas alvas a ocasionalmente rosadas, oblongas, obovais, ovais ou elípticas; estames (8-)10(-12), isomorfos a dimorfos, anteras curvas ou retas, uniporadas, conectivo prolongado ou não abaixo das tecas, apêndice presente ou não, dorsal e/ou ventral, pedoconectivo ausente; ovário ínfero, 3-4(-5)-locular, estilete glabro ou piloso, curvo ou reto, estigma capitado, truncado, cilíndrico, clavado ou filiforme. Fruto baga, globosa, urceolada ou obovoide.
Miconia é o maior gênero de Melastomataceae com aproximadamente 1900 táxons (Michelangeli et al. 2016, 2020a), assim como o maior gênero de angiospermas estritamente neotropical (Goldenberg et al. 2008, 2013). No Brasil, o gênero possui 272 espécies, sendo 106 delas são endêmicas (Goldenberg & Caddah 2015, Goldenberg et al. 2025b). Estão amplamente distribuídas em todas as Regiões brasileiras, com grande riqueza e diversidade na Amazônia e Floresta Atlântica, seguidas pelo Cerrado e Caatinga, sendo menos expressivas no Pampa (Goldenberg et al. 2025b). Com 13 espécies, o gênero apresentou a maior riqueza na Serra da Jiboia.
5.1. Miconia albicans (Sw.) Steud. Trans. Linn. Soc. London 28(1): 116. 1871.
Arbustos ou árvores, 1,5-7 m alt.; ramos cilíndricos, levemente achatados, indumento tomentoso, ferrugíneo. Folhas com pecíolo 0,4-0,6 cm compr., densamente coberto por indumento tomentoso; lâminas elípticas a ovais, 2,5-15 × 0,7-6,2 cm, coriáceas, discolores, ápice agudo a obtuso, base subcordada, não decorrente, margem inteira a crenulada, face adaxial lanosa, glabrescente, lustrosa, verde-nigrescente, face abaxial com indumento tomentoso, ferrugínea (in vivo), 3-5 nervuras, basais, proeminentes na face abaxial, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos escorpioides, raque 4-10 cm compr., indumento tomentoso, Flores pentâmeras, sésseis; hipanto 2,5-3 × 1,5-2,5 mm, campanulado, indumento tomentoso esparso, lobos do cálice persistentes, ca. 1 × 1 mm, dentes internos e externos triangulares; pétalas 2-3,5 × 2,5-3,5 mm, alvas, obovais, ápice arredondado; estames 10, subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 2 mm compr., glabros, anteras ca. 3 mm compr., alvas, retas, conectivo prolongado, apêndice dorsal 1-lobado, apêndice ventral bilobado, estames antepétalos com filetes ca. 2,5 mm compr., glabros, anteras ca. 4 mm compr., alvas, retas, conectivo prolongado, apêndice dorsal 1-lobado, apêndice ventral bilobado; ovário 3-locular, ápice papiloso, estilete ca. 5 mm compr., glabro, distalmente arqueado, estigma capitado. Baga 1-3 × 1-3 mm, globosa, imatura rosada a lilás, madura verde-azulada. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°84’S, 39°48’44”W, 3-IV-1999 (fr.), L.R. Senna et al. 13 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, trilha beirando o rio, 12°59’02”S, 39°52’08”W, 16-I-2009 (fr.), M.L.M. Martins et al. 1395 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, Pedra Branca, 12°59’18”S, 39°48’59”W, 23-VIII-2017 (fl.), G.V. Fonseca et al. 41 (HURB).
Esta espécie distingue-se por apresentar lâminas foliares discolores, lustrosas e com indumento lanoso a glabrescente (nas folhas mais velhas) na face adaxial, indumento tomentoso na face abaxial, com coloração ferrugínea, inflorescência com ramos escorpioides, estames com anteras alvas, estigma capitado e frutos róseos a lilases passando verde-azulados na maturidade. Miconia albicans apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo na maioria dos estados brasileiros, exceto SC e RS (Martins et al. 1996, Goldenberg 2004, Goldenberg et al. 2013, 2025b). Na Serra da Jiboia, foi encontrada em borda de mata ou próximo às bordas das trilhas na floresta ombrófila densa. Coletada com flores em agosto e com frutos de janeiro e maio.
5.2. Miconia amoena Triana. Trans. Linn. Soc. London 28(1): 115. 1871.
Arbustos, 1-4,5 m alt.; ramos quadrangulares, compressos, indumento estrelado. Folhas com pecíolo 0,9-2,6 cm; lâminas obovais a elípticas, 11,5-14,4 × 7-9 cm, coriáceas, discolores, ápice obtuso a agudo, base aguda, não decorrente, margem inteira, face adaxial glabra, verde, face abaxial coberta por indumento estrelado-dendrítico, ferrugíneas, 3-5 nervuras basais, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos glomerular-espiciformes, raque 4-16 cm compr., indumento estrelado. Flores pentâmeras, sésseis; hipanto 2,5-3 × 1,5-2 mm, campanulado, indumento estrelado, lobos do cálice persistentes, 1-1,5 mm compr., dentes internos e externos triangulares; pétalas 4-6 × 2-3 mm, alvas, oblongas, ápice arredondado, base cuneada; estames 10, subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 4 mm compr., glabros, anteras ca. 3 mm compr., cremes, curvas, conectivo prolongado, inapendiculados, estames antepétalos com filetes ca. 3,5 mm compr., glabros, anteras ca. 2,5 mm compr., cremes, curvas, conectivo prolongado, apêndice dorsal ausente, apêndice ventral bilobado; ovário 3-4-locular, ápice papiloso, estilete ca. 7 mm compr., piloso a glabro, distalmente arqueado, estigma capitado. Baga 5-6 × 5,5-6,5 mm, urceolada, imatura verde, madura atropurpúrea. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Serra da Pioneira, 12°18’33”S, 39°46’59”W, 22-XII-1992 (fl.), L.P. Queiroz et al. 2992 (CEPEC, US, MBM); l.c., Serra da Jiboia, topo de morro, 12°58’44”S, 39°42’53”W, I-1997 (fl.), M. Sobral 8419 (HUEFS); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Fazenda Jequitibá, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 13-XII-1998 (fl.), E.P.F. Moraes et al. 8 (CEPEC); l.c., Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, 12°52’10”S, 39°28’18”W, 8-II-2011 (fr.), M.L. Guedes et al. 17945 (ALCB); Santa Terezinha, Trilha depois do Riacho do Caranguejo, 12°52’07”S, 39°28’27”W, 15-XII-2014 (fl., fr.), S.M. Silva 137 (ALCB).
Miconia amoena é caracterizada pelo indumento estrelado dos ramos, face abaxial das lâminas foliares, inflorescências e hipanto, conferindo aspecto ferrugíneo a estas estruturas, nervuras primárias e secundárias protuberantes e inflorescências com ramos glomerular-espiciformes. Esta espécie é endêmica da Floresta Atlântica, com distribuição restrita aos estados do AL, BA, ES, PA, PE e SE (Goldenberg et al. 2025b). Na Serra da Jiboia, foi registrada em área de floresta ombrófila densa e nas bordas de afloramento rochoso e na floresta estacional semidecidual. Coletada com flores em dezembro e janeiro e com frutos de dezembro a fevereiro.
5.3.Miconia cabraliensis (Wurdack) R.Goldenb. Brittonia 71(1): 89. 2019.
Arbustos, 1,5-3 m alt.; ramos cilíndricos, esparsamente setulosos, ramos proximais recobertos por indumento estrelado. Folhas com pecíolo 0,5-1,4 cm compr.; lâminas elípticas a lanceoladas, 2,3-10 × 0,9-3,2 cm, cartáceas, concolores, ápice acuminado a apiculado, base arredondada, não decorrente, margem inteira, indumento estrigoso, esparso, ambas as faces glabrescentes, 3-5 nervuras basais, as três principais proeminentes na base abaxial, domácia ausente. Inflorescências axilares, ramos dicasiais ou não, raque ca. 1 cm, indumento setuloso e estrelado. Flores pentâmeras, pedicelo ca. 2 mm compr.; hipanto ca. 2 × 1,8 mm, campanulado, indumento estrelado, lobos do cálice persistentes, dentes externos triangulares, internos ápice apiculado; pétalas ca. 3,8 × 2,4 mm, alvas, reflexas após antese, ovais a elípticas, ápice agudo; estames 10, isomorfos, filetes ca. 2 mm compr., glabros, anteras ca. 2 mm compr., amarelas, retas, conectivo não prolongado, apêndice 1-lobado; ovário 3-locular, indumento setuloso e estrelado esparso no ápice, estilete ca. 6 mm compr., glabro, reto, estigma capitado. Baga ca. 6 mm compr., obovoide, imatura castanho, madura roxa. Sementes ca. 0,9 mm compr.
Material examinado: BRASIL. BAHIA: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 4-III-2001 (fl.), 12°52’5”S, 39°28’47”W, L.P. Queiroz et al. 6502 (HUEFS).
Material adicional: BRASIL. Bahia: Amargosa, Serra do Timbó, 13°00’0”S, 39°9’0”W, 12-V-2007 (fr.), J.L. Paixão et al. 1272 (HUEFS); Ubaíra, Alto da lagoinha, 12° 59’22”S, 39°09’56”W, 19-V-2016 (fl.), G. Costa et al. 1834 (HURB).
Miconia cabraliensis é caracterizada por apresentar folhas glabrescentes em ambas as faces, margem foliar inteira, com indumento estrigoso, esparso, 3 nervuras primárias proeminentes na face abaxial da lâmina foliar, e principalmente pelas inflorescências axilares, pareadas no mesmo nó folhoso ao longo de todo o comprimento do ramo, com indumento setuloso e estrelado nos eixos. É endêmica do Brasil, ocorrendo apenas nos estados da BA e ES, restrita ao domínio de Floresta Atlântica (Silva-Gonçalves & Baumgratz 2025). Na Serra da Jiboia, foi encontrada em áreas de floresta ombrófila densa. Coletada com flores em março.
5.4. Miconia ciliata (Rich.) DC. Prodr. 3: 179. 1828.
Figura 3 c
Arbustos, 1,5-2,5 m alt.; ramos cilíndricos, cobertos de tricomas hirsutos. Folhas com pecíolo 0,2-1,2 cm compr., indumento hirsuto esparso; lâminas elípticas a ovais, 3,2-10,4 × 1,8-3,7 cm, cartáceas, concolores, ápice atenuado a acuminado, base arredondada a obtusa, não decorrente, margem ciliada, ambas as faces glabras ou com indumento hirsuto esparso, 5-7 nervuras basais, indumento hirsuto esparso, proeminentes em ambas as faces, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos escorpioides, raque 0,5-2 cm compr., indumento esparso hirsuto. Flores pentâmeras, sésseis; hipanto 2-2,5 mm compr., glabro, urceolado, lobos do cálice persistentes, 3 mm compr., dentes internos e externo arredondados, glabros; pétalas 2,5-3 × 1-1,5 mm, róseas, oblongas, ápice arredondado, base obtusa, glabras; estames 10, subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 1,7 mm compr., glabros, anteras ca. 2 mm compr., lilases, retas, conectivo não prolongado, apêndices dorsal e ventral ausentes, estames antepétalos com filetes ca. 1,5 mm compr., glabros, anteras ca. 1,5 mm compr., lilases, conectivo não prolongado, apêndices dorsal e ventral ausentes; ovário 3-4-locular, ápice com indumento glanduloso, estilete ca. 2 mm compr., glabro, distalmente arqueado, estigma capitado. Baga 4-5 × 3,5-4 mm, globosa, imatura verde-claro, roxa na maturação. Sementes ca. 0,5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Serra da Pioneira, 12°30’56”S, 39°47’44”W, 22-XII-1992 (fl.), L.P. Queiroz et al. 2981 (HUEFS, NY); Santa Terezinha, Serra da Pioneira, 3 km de Pedra Branca, 12°59’S, 39°53’33”W, 8-VII-1995 (fl., fr.), L.R. Noblick 3330 (CEPEC); l.c., Serra da Jiboia, 12°19’02”S, 39°52’08”W, 18-X-2008 (fl.), M.L.M. Martins et al. s.n. (HURB 980); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Fazenda Jequitibá, 12°52’5”S, 39°28’47”W, 3-III-2001 (fr.), L.P. Queiroz 6482 (HUEFS); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°52’15”S, 39°28’33”W, 12-II-2011 (fr.), E. Melo 9136 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 16-V-2011 (fr.), E. Melo 9566 (HUEFS); Varzedo, Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr. Getúlio, 12°18’59”S, 39°59’33”W, 22-XII-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26695); l.c., Pedra Branca, 12°17’02”S, 39°53’08”W, 12-XII-2016 (fr.), T.N. Alves et al. 29 (HURB); l.c., Morro da Pioneira, 12°51’S, 39°28’W, 24-V-2019 (fl., fr.), N.X.M. Sousa et al. 658 (HURB); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Monte Cruzeiro, ONG Gambá, 12°52’14”S, 39°28’33”W, 02-IX-2021 (fl., fr.), L.Y.S. Aona et al. 6149 (HURB).
As características diagnósticas de M. ciliata são a presença de ramos e pecíolos com indumento hirsuto esparsamente distribuído, folhas com margens ciliadas, inflorescência com ramos escorpioides, flores com pétalas róseas, levemente alvas no ápice e estames lilases. No Brasil, Miconia ciliata ocorre nos estados do AC, AL, AP, BA, CE, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PB, PE, PI, RN, RO, RR, SE e TO, habitando diversos tipos vegetacionais (Goldenberg et al. 2013, 2025b). Na Serra da Jiboia, foi coletada sobre afloramento rochoso granítico em topo de morros, beira de cursos d’água, ocorrendo tanto em áreas preservadas de floresta ombrófila densa como em áreas perturbadas. Coletada com flor em maio, setembro, outubro e dezembro e com frutos de fevereiro, março, junho, setembro e dezembro.
5.5. Miconia crenata ( Vahl) Michelang., Pl.-Book (ed. 4) 1102. 2017.
Figura 3 d
Arbustos, 0,5-1,3 m alt.; ramos cilíndricos, esparsamente cobertos por indumento hirsuto e glandular. Folhas com pecíolo 0,6-1,6 cm compr., indumento hirsuto e glandular; lâminas ovais a elípticas, 2,3-10 × 0,9-5,8 cm, membranáceas, discolores, ápice atenuado, base subcordada a arredondada, não decorrente, margem crenada, ciliada, ambas as faces com indumento hirsuto eglandular, 5-7 nervuras basais, proeminentes na face abaxial, domácia ausente. Inflorescência axilar, ramos dicasiais ou não, raque 1,5-4 cm compr., indumento hirsuto e glandular. Flores pentâmeras, pedicelo ca. 3 mm compr.; hipanto 3,5-4 × 3-3,5 mm, indumento hirsuto, urceolado, lobos do cálice persistentes, dentes externos lineares, internos obtusos; pétalas 5-7 × 2,5-3,5 mm, alvas, obovais, ápice arredondado; estames 10, isomorfos, filetes ca. 2 mm compr., glabros, anteras ca. 3 mm compr., alvas, retas, corrugadas, conectivo levemente prolongado, apêndice dorsal levemente bilobado, apêndice ventral ausente; ovário 5-locular, glabro, estilete ca. 7 mm compr., glabro, reto, estigma truncado. Baga 5-6 × 3-4 mm, globosa, imatura verde, madura atropurpúrea. Sementes ca. 0,4 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 16-V-2011 (fl.), E. Melo 9552 (HUEFS); l.c., próximo a Barragem Casa Forte, 12°47’22”S, 39°59’33”W, 11-X-2016 (fl., fr.), L.Y.S. Aona et al. 4452 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, 12°17’02”S, 39°52’08”W, 16-V-2019 (fl., fr.), A.C.M. Campos et al. 50 (HURB).
Miconia crenata é caracterizada por apresentar indumento hirsuto evidente com indumento glanduloso esparso nos ramos e nas superfícies foliares, flores com pétalas e estames de coloração da antera alva e frutos tornando-se roxo-nigrescentes quando atingem o período da maturação. No Brasil, exceto pelo Rio Grande no Norte, a espécie ocorre em todos os estados, nos domínios da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica, Pampa e Pantanal (Martins 2009, Jardim 2010, Judd et al. 2018, Michelangeli 2025). Na Serra da Jiboia, foi encontrada nas bordas de afloramentos rochosos próximo às matas. Coletada com flores e frutos em maio e outubro.
5.6.Miconia debilis (Crueg.) Michelang. Brittonia 71(1): 93. 2019.
Figura 3 e-f
Arbustos, 0,8-2,5 m alt.; ramos cilíndricos, indumento setoso. Folhas com 1,8-2,3 cm compr.; lâminas ovais a elípticas, 3,8-12 × 1,1-5,5 cm, membranáceas, discolores, ápice agudo, base arredondada, não decorrente, margem inteira a crenada, ciliada, ambas as faces com indumento setoso, 5-7 nervuras, par externo basal, pares internos suprabasais, proeminentes na face abaxial, domácia ausente. Inflorescência axilar, ramos curtos, dando a impressão de flores sésseis, raque até 5 mm compr., indumento setoso. Flores tetrâmeras, sésseis; hipanto 4-4,5 × 3,8-4 mm, globoso, indumento setoso, lobos do cálice persistentes, dentes externos lineares, internos deltoides; pétalas 2-2,5 × 1-1,5 mm, alvo-translúcidas, oblongas, ápice obtuso, pilosas; estames 8, isomorfos, filetes ca. 4 mm compr., glabros, anteras ca. 5 mm compr., róseo-vináceas, levemente curvadas, conectivo levemente prolongado, apêndices ausentes; ovário 4-locular, esparsamente piloso no ápice, estilete ca. 4 mm compr., glabro, reto, estigma capitado. Baga 5-7 mm compr., globosa, imatura vinácea, madura arroxeada. Sementes ca. 0,7 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 15-IV-2011 (fl., fr.), E. Melo 9498 (HUEFS); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, trilha partindo da sede do Projeto Gambá, 12°52’13”S, 39°28’3”W, 6-XI-2013 (fl.), L. C. Marinho et al. 540 (HUEFS); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°52’5”S, 39°28’47”W, 16-VIII-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26696); l.c., Serra da Jiboia, Pedra branca, 12°44’12”S, 39°48’59”W, 23-VIII-2017 (fr.), G.V. Fonseca et al. 60 (HURB); Castro Alves, Serra da Jiboia, Trilha para a Serra das Flores, 12°49’46”S, 39°28’47”W, 31-VIII-2021 (fr.), L.Y.S. Aona et al. 6084 (HURB).
Miconia debilis pode ser reconhecida pelo indumento setoso nos ramos, pecíolos, margem foliar e hipanto, inflorescência axilar com eixo pouco desenvolvido (até 5 mm compr.), dando a impressão de flores sésseis, flores tetrâmeras com pétalas alvo-translúcidas e estames com anteras róseo-vináceas. É uma espécie com registros nos estados AL, AM, BA, CE, ES, MG, RJ e PE, nos domínios da Amazônia, Caatinga e Floresta Atlântica (Michelangeli 2025). Na Serra da Jiboia, apresentou ocorrência na floresta ombrófila densa e nos afloramentos rochosos. Coletada com flores de abril e novembro e com frutos em abril e agosto.
5.7.Miconia dentata (D.Don) Michelang. Brittonia 71(1): 93. 2019.
Figura 3 g-h
Espécies de Melastomataceae ocorrentes na Serra da Jiboia, Estado da Bahia, Brasil. a. Bertolonia marmorata: hábito e inflorescência. b. Miconia nordestina: Inflorescência. c. Miconia ciliata: inflorescência. d. Miconia crenata: hábito e frutos. e-f Miconia debilis: e. ramo florífero, f. ramos frutífero. g-h. Miconia dentata: g. ramo florífero, h. flores. i. Miconia mirabilis: ramo florífero. j. Miconia prasina: ramo frutífero. k-l. Pleroma caatingae: k. ramo florífero, l. flores. m. Pleroma lhotskyanum: flores. n. Pleroma pereirae: ramo vegetativo. o-p. Pterolepis glomerata: o. hábito, p. ramo florífero. (Fotos: a-j, o-p: Aona, L.Y.S.; k-n: Freitas, J.G.).
Figure 3
Species of Melastomataceae occurring in the Serra da Jiboia, State of Bahia, Brazil. a. Bertolonia marmorata: habit and inflorescence. b. Miconia nordestina: inflorescence. c. Miconia ciliata: inflorescence. d. Miconia crenata: habit and fruits. e-f Miconia debilis: e. floral branch. f. branch with fruits. g-h. Miconia dentata: g. floral branch. h. flowers. i. Miconia mirabilis: floral branch. j. Miconia prasina: fruit brach. k-l. Pleroma caatingae: k. floral branch. l. flowers. m. Pleroma lhotskyanum: flowers. n. Pleroma pereirae: vegetative branch. o-p. Pterolepis glomerata: o. habit, p. floral branch. (Photos: a-j, o-p: Aona, L.Y.S.; k-n: Freitas, J.G.).
Arbustos, 1-1,5 m alt.; ramos cilíndricos, indumento setoso e estrelado. Folhas com pecíolo 0,6-1,7 cm compr., esparsamente setoso; lâminas estreito-elípticas a elípticas, 5-14,2 × 1,9-4,4 cm, membranáceas, concolores a levemente discolores, ápice atenuado, base cuneada, não decorrente, margem inteira, levemente repanda, esparsamente ciliada, face adaxial e abaxial glabras ou com indumento setoso e estrelado apenas nas nervuras, 5 nervuras, pares internos suprabasais, proeminentes na face abaxial domácia ausente. Inflorescência axilares, ramos dicasiais, raque 1,5-4 cm compr., indumento setoso. Flores pentâmeras, pedicelo ca. 5 mm compr.; hipanto 5-6 × 3,5-4 mm, campanulado, com indumento setoso e estrelado, às vezes glandular, lobos do cálice persistentes, dentes externos lineares, internos reduzidos a um anel membranáceo; pétalas 8-10 × 4-5 mm, alvas, elípticas, ápice arredondado; estames 10, isomorfos, filetes ca. 2,5 mm compr., glabros, anteras ca. 3,5 mm compr., cremes, levemente recurvadas, corrugadas, ápice subulado, conectivo levemente prolongado, apêndice dorsal 1-lobado, apêndice ventral ausente; ovário 5-locular, hirsuto no terço apical, estilete ca. 6 mm compr., glabro, reto, estigma truncado. Baga ca. 5 × 3 mm, urceolada, esverdeada. Sementes ca. 0,6 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Varzedo, Serra da Jiboia, Cachoeira do Everaldo, 12°55’4”S, 39°26’32”W, 03-IX-2021 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 6174 (HURB).
Material adicional: BRASIL. Bahia: Ilhéus, 14°03’53”S, 39°04’58”W, 5-II-2003 (fr.), J.L. Hage 499 (CEPEC); Almadina, Serra do Corcovado, 14°53’57”S, 39°59’55”W, 04-III-2011 (fr.), J.L. Paixão et al. 1764 (HUEFS).
Miconia dentata caracteriza-se pela face adaxial e abaxial glabras ou indumento setoso e estrelado apenas nas nervuras de ambas as faces, inflorescências axilares, flores com pétalas e estames alvos, anteras corrugadas. Possui distribuição desde o sul do México, América Central, até o Brasil (Baumgratz et al. 2006), com ocorrência nos estados AC, AM, AL, AP, BA, CE, MA, MT, PA, PE, RJ, RO, RR e SP, sendo restrita aos domínios Floresta Atlântica e Amazônia (Michelangeli 2025). Até o presente estudo, nenhuma coleta de M. dentata tinha sido feita para a Serra da Jiboia, onde foi encontrada em floresta ombrófila densa, próxima às margens de rio. Coletada com flores em setembro.
5.8. Miconia holosericea (L.) DC. Prodr. 3: 181. 1828.
Arbustos ou árvores, 2,5-8 m alt.; ramos quadrangulares, cobertos por indumento estrelado. Folhas com pecíolo 1,6-3 cm compr.; lâminas elípticas, 8-20 × 3,2-8,5 cm, cartáceas, discolores, ápice atenuado a acuminado, base arredondada a atenuada, não decorrente, margem inteira a levemente ondulada, face adaxial furfuráceo-estrelada, glabrescente, face abaxial totalmente coberta por indumento lanoso, tricoma aracnoide, levemente ferrugínea, 5-7 nervuras, par interno suprabasal, pares externos basais, proeminentes na face abaxial, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos dicasiais, raque 4,5-8 cm compr., indumento estrelado. Flores hexâmeras, sésseis; hipanto 5-7 × 4,5-6 mm, infundibuliforme, coberto por indumento estrelado, lobos do cálice decíduos, 3-5 mm compr., dentes externos e internos triangulares; pétalas 5-7 × 3-4 mm, alvas, cuneadas, glabras; estames 12, isomorfos, filetes ca. 6 mm compr., glabros, anteras ca. 4 mm compr., roxas, onduladas, curvas, conectivo levemente prolongado, espessado dorsalmente, apêndice ventral bilobado; ovário 4-locular, esparsamente glanduloso no ápice, estilete ca. 9 mm compr., distalmente curvo, glanduloso na base, estigma cilíndrico. Baga 8-11 × 5,5-7 mm, globosa, imatura verde-claro, purpúrea na maturidade. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Varzedo, Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr. Getúlio, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 13-III-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26674); l.c., Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr Getúlio, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 14-III-2015 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26676); l.c., Fazenda Pancada, 12°21’59”S, 39°59’33”W, 01-VIII-2015 (fl.), A.N. Caiafa et al. (HURB 26675); l.c., Fazenda Sr. Getúlio, Recôncavo Sul, 12°59’33”S, 39°44’38”W, 7-II-2015 (fr.), M.L. Guedes et al. 23292 (HURB); l.c., Fazenda Sr. Getúlio, Recôncavo Sul, 12°16’59”S, 39°59’33”W, 27-III-2016 (fr.), M.L. Guedes et al. 24629 (HURB); l.c., Fazenda Sr. Getúlio, Recôncavo Sul, 12°16’59”S, 39°39’51”W, 07-XII-2017 (fr.), M.L. Guedes et al. 30100 (HURB).
Miconia holosericea é similar a M. mirabilis, diferindo devido à presença de hipanto infundibuliforme e estames com anteras roxas (vs. hipanto campanulado, anteras amarelas ou vermelhas em M. mirabilis). É reconhecida pelo hábito arbustivo e arbóreo, com indivíduos até 8 m de altura, folhas discolores, e face abaxial das lâminas foliares com indumento lanoso de coloração ferrugínea e face adaxial furfuráceo-estrelada a glabrescente. Miconia holosericea ocorre desde o México até a Bolívia e Sudeste do Brasil, é amplamente distribuída nos estados AC, AM, AP, PA, RO, RR, TO, AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, SE, DF, GO, ES, NG, RJ e SP (Martins et al. 1996, Martins 2009, Goldenberg et al. 2013, 2025b). Na Serra da Jiboia, apresentou ocorrência em beira de curso d’água em floresta ombrófila densa, na borda ou próximo das bordas das trilhas e em e floresta estacional semidecidual. Coletada com flores de agosto e com frutos de março e dezembro.
5.9. Miconia ionopogon (Mart.) R.Goldenb. Brittonia 71(1): 98. 2019.
Arbustos, 1,5-2,5 m alt.; ramos cilíndricos, indumento densamente setoso, avermelhado. Folhas com pecíolo 1-4,6 cm compr.; lâminas ovais a elípticas, 8,5-17 × 3,5-8 cm, cartáceas, discolores, ápice acuminado, base obtusa a cuneada, não decorrente, margem inteira a denticulada, ciliada, face adaxial estrigosa, face abaxial esparsamente estrigosa, 3-5 nervuras, par externo basal, pares internos suprabasais. Inflorescência terminal, ramos dicasiais, raque 4-11 cm compr. Flores pentâmeras, pedicelo ca. 2 m compr.; hipanto 3-4 × 2,5-3 mm, campanulado, indumento hirsuto a estrelado, avermelhado, lobos do cálice persistentes, dentes externos triangulares, internos triangulares; pétalas ca. 4-4,3 × 4 mm, róseas a alvas, ápice agudo, base arredondada; estames 10, isomorfos, filetes 2,8-3 mm compr., glabros, anteras 2,5 mm compr., amarelas, retas, conectivo não prolongado, apêndices dorsal e ventral ausentes; ovário 3-locular, ápice piloso, estilete ca. 3 mm compr., glabro, reto, estigma capitado. Cápsula 5-6 × 4-5 mm, globosa, imatura verde, com lobos vermelhos, maduras não vistas. Sementes ca. 0,7 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Serra da Pioneira, 12°51’11”S, 39°28’19”W, 07-V-1993 (fl., fr.), L.P. Queiroz et al. 3148 (HUEFS, US); Santa Terezinha, Torre da Embratel, 12°53’11”S, 39°47’33”W, 24-II-2000, J.G. Jardim et al. 2837 (CEPEC); l.c., estrada da Serra da Pioneira, 12°50’S, 39°28’W, 14-II-2001 (fl., fr.), A.A. Ribeiro Filho 198 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°52’5”S, 39°28’47”W, 4-III-2001 (fl., fr.), L.P. Queiroz 6501 (HUEFS, UPCB).
Miconia ionopogon pode ser reconhecida pelos ramos, inflorescência e hipanto densamente cobertos por indumento avermelhado, 5 nervuras proeminentes na face abaxial, sendo 2 basais e 3 suprabasais, além dos longos dentes externos no cálice e estames amarelos. É encontrada apenas nos estados da BA, ES, MG, PR, RJ, SC e SP, com ocorrência no Cerrado e Floresta Atlântica (Jardim 2010, Baumgratz 2025b). Na Serra da Jiboia, foi encontrada entre a floresta ombrófila densa e nas bordas dos afloramentos rochosos. Coletada com flores e frutos de fevereiro a maio.
5.10. Miconia mirabilis (Aubl.) L.O.Williams., Fieldiana, Bot. 29(10): 574. 1963.
Figura 3 i
Arbustos ou árvores, 4-10 m alt.; ramos cilíndricos, cobertos por indumento estrelado-dendrítico. Folhas com pecíolo 1,9-3 cm compr.; lâminas elípticas a obovais, 5-13 × 2,1-5,5 cm, cartáceas, discolores, ápice acuminado, base aguda a arredondada, não decorrente, margem inteira a levemente ondulada, face adaxial glabra, face abaxial coberta por indumento estrelado-dendrítico, 5-7 nervuras, basais, proeminentes na face abaxial, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos dicasiais, raque 5-13 cm compr., indumento estrelado-dendrítico. Flores pentâmeras, raro hexâmeras, pediceladas, pedicelo ca. 4 mm compr.; hipanto 4-5 × 3-4 mm, campanulado, indumento estrelado, lobos do cálice persistentes 1,5-2 × 2-2,2 mm; pétalas 5-9 × 2-4 mm, alvas com base rosada, oblanceoladas, glabras; estames 10(-12), subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 5 mm compr., vermelhos, glabros, anteras ca. 6 mm compr., amarelas, passando à avermelhadas, curvas, conectivos prolongados, apêndice dorsal ausente, apêndice ventral bilobado, estames antepétalos com filetes ca. 3 mm compr., vermelhos, glabros, anteras ca. 4 mm compr., amarelas, conectivo prolongado, apêndice dorsal ausente, apêndice ventral bilobado; ovário 4-5-locular, ápice coberto por indumento dendrítico, estilete ca. 7 mm compr., distalmente arqueado, estrelado, estigma capitado. Baga ca. 6 × 7 mm, urceolada, imatura verde, madura atropurpúrea. Sementes ca. 1,5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, 03 km de Pedra branca, Serra da Pioneira, 12°59’S, 39°53’33”W, 21-V-1985 (fl.), L.R. Noblick et al. 3747 (CEPEC); Castro Alves, Serra da Pioneira, 12°59’56”S, 39°47’44”W, 22-XII-1992 (fl.), L.P. Queiroz et al. 2988 (CEPEC, US); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°17’02”S, 39°52’08”W, 24-VIII-1996 (fr.), E. Melo 1644 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°59’02”S, 39°52’08”W, 24-IX-1996 (fl., fr.), R.M. Harley 28409 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°51’10”S, 39°28’32”W, 27-IX-2000 (fl., fr.), L.P. Queiroz 6390 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°59’44”S, 39°47’59”W, 21-VII-2004 (fr.), M.L.C. Neves et al. 486 (CEPEC); l.c., Serra da Jiboia, 12°52’10”S, 39°28’28”W, 22-VII-2004 (fr.), M.L.C. Neves 134 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, Recôncavo Sul, 12°59’11”S, 39°47’56”W, 24-X-2010, M.L. Guedes et al. 17760 (ALCB, HCF); l.c., Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 15-IV-2011 (fl.), E. Melo 9497 (HUEFS); l.c., ápice da Serra da Jiboia, 12°15’13”S, 39°28’33”W, 18-VI-2016 (fl., fr.), E. Melo 13235 (HUEFS); Elisio Medrado, Serra da Jiboia, Loc. Pelada, Sítio Baixa Grande, 12°50’59”S, 39°46’59”W, 10-IX-2017 (fl., fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26705); Varzedo, Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da areia, Sr. Getúlio, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 12-IX-2017 (fl., fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26706); Castro Alves, Serra da Jiboia, Pioneira, Morro das antenas, 12°51’14”S, 39°28’34”W, 31-VIII-2021 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 2021 (HURB); Varzedo, Serra da Jiboia, RPPN Guariru, Trilha para o Morro da Hermenegilda, 12°51’26”S, 39°27’56”W, 1-IX-2021 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 6126 (HURB).
Miconia mirabilis é reconhecida pelos ramos recobertos por indumento estrelado-dendrítico, conferindo à planta um aspecto ferrugíneo, lâminas foliares discolores com a face adaxial glabra e face abaxial coberta por indumento semelhantes aos dos ramos, pétalas alvas com base rosada e estames amarelos, filetes avermelhados em flores mais velhas. No Brasil, apresenta ocorrência nos estados do AP, PA, RR, AL, BA, CE, PE, ES e RJ (Goldenberg et al. 2013, 2025b). Na área de estudo, foi encontrada no sub-bosque da floresta estacional semidecidual, floresta ombrófila densa e em afloramentos rochosos. Coletada com flores de maio a setembro e dezembro e com frutos de julho a setembro.
5.11. Miconia nordestina R.Goldenb. & E.C.O.Chagas, Syst. Bot. 39(1): 253. 2014.
Figura 3 b
Arbustos ou árvores, 2,5-10 m alt.; ramos cilíndricos, indumento estrelado-furfuráceo. Folhas com pecíolo 1,8-2,3 cm compr.; lâminas elípticas a ovais, 3,8-10,2 × 1,3-3,3 cm, cartáceas, discolores, ápice acuminado, cuspidado ou caudato, base obtusa a arredondada, não decorrente, margem inteira a repanda, face adaxial indumento estrelado-furfuráceo a glabrescente, lustrosa, face abaxial indumento estrelado-furfuráceo, levemente ferrugíneo, 3-5 nervuras basais, domácia ausente. Inflorescência terminal, ramos dicasiais, raque 6-16 cm, compr., indumento estrelado. Flores pentâmeras, pedicelo ca. 1 mm compr.; hipanto 2-2,5 × 2-3 mm, campanulado, coberto por indumento estrelado-furfuráceo, lobos do cálice decíduos, ca. 1 × 0,8 mm, dentes internos e externos triangulares; pétalas 2,5-3 × 1,5-2 mm, oblanceoladas, margem inteira; estames 10, dimorfos, estames antessépalos com filetes ca. 2,3 mm compr., glabros, anteras ca. 2,5 mm compr., cremes, retas, conectivo levemente prolongado, apêndice dorsal 1-lobado, apêndice ventral ausente, estames antepétalos com filetes ca. 2 mm compr., glabros, anteras ca. 1,5 mm compr., cremes, apêndice dorsal 3-lobado, apêndice ventral ausente; ovário 3-locular, ápice papiloso, estilete ca. 5 mm compr., reto, glabro, estigma truncado. Baga 4-5 × 6-7 mm, globosa, imatura verde, madura roxo-nigrescente. Sementes ca. 1,5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Fazenda Jequitibá, 12°59’59”S, 39°46’59”W, 13-XII-1998 (fr.), E.P.F. Moraes et al. 542 (ALCB); Santa Terezinha, 12°51’11”S, 39°28’21”W, 14-XI-1986 (fl., fr.), L.P. Queiroz 1053 (HUEFS); ca. de 16 km da cidade de Castro Alves, 12°58’9”S, 39°28’34”W, 12-IX-1996 (fl.), C.F. Andrade 6 (HUEFS, UPCB); ca. de 16 km da cidade de Castro Alves, 12°58’9”S, 39°28’34”W, 25-VIII-1996 (fl.), V.B. Dias 4 (HUEFS, UPCB); estrada para o Morro da antena, 12°59’44”S, 39°48’44”W, 2-IX-2015 (fl.), G. Costa et al. 1465 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, Pedra Branca, 12°59’18”S, 39°48’59”W, 23-VIII-2017 (fl.), G.V. Fonseca et al. 54 (HURB); Castro Alves, Serra da Jiboia, Trilha para a Serra das Flores, 12°49’46”S, 39°28’47”W, 31-VIII-2021 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 6088 (HURB, LAG).
Esta espécie pode ser reconhecida pelas lâminas foliares elípticas a ovais, com ápice acuminado, apiculado ou caudato, discolores, apresentando aspecto lustroso na face adaxial e aspecto levemente ferrugíneo na abaxial, indumento estrelado-furfuráceo nos ramos, na face abaxial das lâminas foliares e no hipanto, além do conectivo prolongado e espessado no dorso, com apêndice dorsal 1-lobado nos estames do ciclo antessépalo e 3-lobado no antepétalo. Miconia nordestina é endêmica da região Nordeste, com distribuição nos estados de AL, BA, CE e PE, em domínios de Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica (Goldenberg & Chagas 2014, Goldenberg et al. 2013, 2018, 2025b). Na Serra da Jiboia, foi registrada na transição entre a floresta ombrófila densa e a borda do afloramento rochoso, crescendo em próximo a borda de mata. Coletada com flores de agosto a setembro e novembro e com frutos em outubro e novembro.
5.12. Miconia paniculata (Mart. & Schrank ex DC.) Naudin. Ann. Sci. Nat., Bot., sér. 3, 16: 245. 1850.
Arbustos ou árvores, 2-5 m alt.; ramos cilíndricos, ramos distalmente recobertos por indumento estrelado-furfuráceo, ramos velhos glabros. Folhas com pecíolo 0,4-0,8 cm compr.; lâminas elípticas a lanceoladas, 4,6-13,5 × 2,1-4,7 cm, cartáceas, discolores, ápice acuminado, base cuneada, não decorrente, margem inteira a repanda, face adaxial glabra, raro com indumento estrelado sobre as nervuras, face abaxial com indumento estrelado esparso, 5 nervuras, par interno suprabasal unido por membrana, proeminentes na face abaxial, domácia presente. Inflorescência com ramos dicasiais, raque 2,5-5 cm compr., indumento estrelado. Flores pentâmeras ou hexâmeras, pediceladas, pedicelo ca. 3 mm compr.; hipanto 2-2,5 × 1,8-2 mm, campanulado, indumento estrelado-furfuráceo a glabrescente, lobos do cálice decíduos, ca. 3 × 3 mm, dentes internos e externo subulados; pétalas 1,7-2 × 1,8-2,5 mm, alvas, obovais, ápice obtuso; estames 10-12, isomorfos, estames com filetes ca. 2 mm compr., glabros, anteras ca. 1,5 mm compr., cremes, conectivos prolongados, apêndice dorsal arredondado, apêndice ventral ausente; ovário 2-3-locular, glabro, reto, estilete ca. 2 mm compr., glabro, estigma filiforme. Baga ca. 4 × 3-4 mm, globosa, nigrescente. Sementes ca. 2,5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Pedra branca, subida da Serra da Jiboia, 12°58’33”S, 39°33’33”W, 27-V-1987, L.P. Queiroz et al. 1568 (CEPEC, K, MBM); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, próximo a Pedra Branca, 12°15’S, 39°28’W, 27-VII-2000, J.G. Carvalho-Sobrinho 1 (HUEFS, UEC); l.c., mata nos arredores da torre, 12°33’33”S, 39°46’59”W, 25-II-2003, P. Fiaschi 1375 (CEPEC); Varzedo, Fazenda Sr. Getúlio, 12°59’08”S, 39°44’59”W, 27-III-2016, M.L. Guedes et al. 24676 (ALCB); l.c., Serra da Jiboia, RPPN - Guarirú, 12°50’26”S, 39°27’56”W, 20-VI-2016, A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26694).
Material adicional: BRASIL, Bahia: Una, Ribeirão das Palmeiras, Serra Javi, ramal com entrada no km 11 da rodovia São José/Uma, lado S a 9 km até cima da Serra, 9 km por SSE São José, 15°09.5’S, 38°18’W, 06-III-1986 (fr.), T.S. dos Santos et al. 4174 (MBM). SÃO PAULO: São Paulo, Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Curucutu, Rio Mambu, floresta ribeirinha ao longo do Rio Mambu, 23°59’20.7”S, 46°46’31,5”W, 13-IV-2001 (fr.), F.T. Farah et al. 2234 (UPCB)
Miconia paniculata é facilmente reconhecida pelas faces abaxiais de suas lâminas foliares com um par de nervuras suprabasais interno, unido à nervura central por membranas, formando domácias. Espécie endêmica do Brasil, presente em SC e no PR, em toda a Região Sudeste, atingindo o estado da BA, ocorrendo nos domínios do Cerrado e Floresta Atlântica (Meyer et al. 2012, Goldenberg & Caddah 2013, Goldenberg et al. 2013, 2025b,). Na Serra da Jiboia, ocorre na floresta ombrófila densa. Coletada com flores em junho e agosto.
5.13.Miconia prasina (Sw.) DC. Prodr. 3: 188. 1828.
Figura 3 j
Arbustos ou árvores, 2,8-9 m alt.; ramos cilíndricos, ramos jovens esparsamente com indumento estrelado-puberulento, ramos velhos glabrescentes. Folhas com pecíolo 0,9-2 cm compr., alado; lâminas elípticas a lanceoladas, 6-20 × 2,6-6,7 cm, cartáceas, discolores, ápice agudo a aristado, base atenuada, decorrente, margem denticulada próximo da base em folhas mais velhas, nas folhas jovens ciliada-glandular, ambas as faces glabras, 3-5 nervuras par interno suprabasal, proeminentes na face abaxial, indumento estrelado, domácia ausentes. Inflorescência terminal, ramos dicasiais, raque 6,5-15 cm compr., indumento estrelado-puberulento. Flores pentâmeras, pediceladas, pedicelo ca. 1 mm compr.; hipanto 3-4 × 2,5-3,1 mm, urceolado, indumento estrelado, esparso, lobos do cálice persistentes, ca. 2 × 1,5 mm, dentes internos e externos triangulares; pétalas 1,5-3 × 1-2 mm, alvas, oblongas; estames 10, isomorfos, estames com filetes ca. 3,5 mm compr., glabros, anteras ca. 3 mm compr., alvas, curvas, conectivo prolongado e espessado no dorso, apêndice dorsal ausente, apêndice ventral bilobado; ovário 4-locular, ápice papiloso, com tricomas glandulares, reto, estilete ca. 2 mm compr., glabro, distalmente arqueado, ápice levemente espessado, estigma truncado. Baga 4-6 × 3,8-5,5 mm, globosa, imatura verde, madura roxo-azulada. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Fazenda Jequitibá, 12°52’5”S, 39°28’47”W, 3-III-2001 (fr.), L.P. Queiroz 6468 (HUEFS); Varzedo, Fazenda Sr. Getúlio, Recôncavo Sul, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 7-II-2015, M.L. Guedes et al. 23247 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da Areia, Sr. Getúlio, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 3-III-2016 (fl.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26700); l.c., Serra da Jiboia, Fazenda Baixa da Areia, Sr. Getúlio, 12°08’33”S, 39°44’38”W, 3-IV-2017, (fr.), A.N. Caiafa et al. (HURB 26701); l.c., Fazenda Pancada, 12°21’59”S, 39°59’33”W, 5-IV-2017 (fr.), A.N. Caiafa et al. (HURB 26702); Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Loc. de pelada, Sítio Baixa Grande, 12°50’59”S, 39°46’59”W, 6-IV-2017 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26703); l.c., Serra da Jiboia, Loc. de pelada, Sítio Baixa Grande, 12°50’59”S, 39°46’59”W, 6-IV-2017 (fr.), A.N. Caiafa et al. s.n. (HURB 26704); Varzedo, Serra da Jiboia, Cachoeira do Everaldo, 12°55’4”S, 39°26’32”W, 3-IX-2021 (fr.), L.Y.S. Aona et al. 6176 (HURB).
Esta espécie distingue-se pela presença de lâminas foliares com ápice agudo a aristado, glabras em ambas as faces, base atenuada e decorrente com o pecíolo, margem denticulada próxima à base, nas folhas mais velhas, um par interno de nervuras suprabasais, além de estames com conectivo espessado no dorso e apêndice ventral bilobado e pontuações glandulares no ápice do ovário. Miconia prasina ocorre desde a América Central até o Sul do Brasil, distribuída em todas as Regiões e na maioria dos domínios fitogeográficos (Amazônia, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica) (Martins 2009, Goldenberg et al. 2013, 2025b). Na área de estudo, foi encontrada em floresta ombrófila densa próxima ao rio e em floresta estacional semidecidual na encosta com os afloramentos rochosos. Coletada com flores em março e com frutos de março a abril e setembro.
6. Pleroma D.Don Mem. Wern. Nat. Hist. Soc. 4: 283, 293. 1823.
Arbustos ou árvores; ramos cobertos por indumento variado; cilíndricos, subcilíndricos, quadrangulares ou ocasionalmente subquadrangulares; nós circundados por uma coroa de tricomas ou não. Folhas pecioladas; lâminas ovais, lanceoladas ou elípticas a cordadas, coriáceas, 3-5 nervuras, par externo confluente aos internos ou não. Inflorescência terminal, tirso com muitas ou poucas flores. Flores pentâmeras, pediceladas; hipanto oblongo, campanulado ou urceolado, cálices persistentes ou decíduos; pétalas lilases, púrpuras ou roxas, obovais; estames 10, subisomorfos ou dimorfos, anteras frequentemente curvas, onduladas ou corrugadas, lilases, pedoconectivo prolongado, apêndice dorsal ou ventral, bilobado ou bifurcado; ovário súpero, 3-5-locular, hirsuto no ápice, estilete reto ou não, estigma punctiforme. Fruto cápsula, ovoide ou globosa. Sementes numerosas.
Pleroma é um gênero neotropical, pertencente à tribo Melastomateae. É constituído por 161 espécies, das quais a maioria ocorre no Brasil (Veranso-Libalah et al. 2022). No Brasil, o gênero é registrado em todos estados da federação, com exceção do AM, AC e RR. Possui maior riqueza nos estados do BA, MG e RS (Guimarães 2025). Suas espécies são encontradas nos domínios de Floresta Atlântica, Cerrado e Caatinga (Guimarães 2025). Ocorrem preferencialmente em florestas, margens de rios, afloramentos rochosos e outros tipos de vegetação (Michelangeli et al. 2013, 2020a, Oliveira et al. 2014, Meyer et al. 2016, Guimarães 2025). Na Serra da Jiboia, este gênero está representado por sete espécies.
6.1. Pleroma caatingae (J.G.Freitas) P.J.F.Guim. & Michelang. Phytotaxa 480(1): 95. 2021.
Figura 3 k-l
Arbustos, 1-1,5 m alt.; ramos quadrangulares, proximais subcilíndricos, apresentando indumento estrigoso esparso, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,5-0,9 cm compr.; lâminas elípticas a ovais, 1,5-7 × 0,7-3,1 cm, ápice acuminado a atenuado, base obtusa a subcordada, margem inteira, não ciliada, face adaxial estrigosa, face abaxial serícea, 3-5 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 4-7,5 cm compr., tricomas simples, bractéolas 3-8 × 2-6 mm, elípticas. Flores com pedicelo ca. 3 mm compr.; hipanto 10-14 × 5-6 mm, oblongo, seríceo, lobos do cálice decíduos no fruto, ca. 6 × 2 mm, triangulares, ápice agudo, margem ciliada; pétalas 10-14 × 8-10 mm, purpúreas, ápice truncado, margem apresentando indumento glanduloso; estames subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 11 mm compr., com glândulas pedunculadas, anteras ca. 10 mm compr., lilases, curvas, corrugadas, conectivo prolongado, apêndices ventrais bilobados, glabros, estames antepétalos com filetes ca. 9 mm compr., glândulas pedunculadas, anteras ca. 9 mm compr., curvas, corrugadas, conectivo curtamente prolongado, apêndices ventrais bilobados, glabros; ovário 4-locular, hirsuto no terço apical, estilete ca. 18 mm compr., ápice levemente curvo, glabro, às vezes com glândulas pedunculadas na base. Cápsula 11-12 × 3-5 mm, ovoide, imatura verde, castanho na maturação. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Pedra Branca, 12°19’02”S, 39°52’08”W, 12-XII-2016 (fl.), T.N. Alves et al. 20 (HURB); Castro Alves, Serra da Jiboia, Trilha para a Serra das flores, 12°49’46”S, 39°28’47”W, 31-VIII-2021 (fl.), L.Y.S. Aona et al. 6076 (HURB).
Material adicional: BRASIL. Bahia: Maracás, Fazenda Canabrava, encosta da Serra, 13°21’5”S, 40°25’38”W, 19-VII-2012 (fl., fr.), E. Melo et al. 11257 (HUEFS).
As características diagnósticas de P. catingae são a presença das lâminas foliares de formato elíptico a oval, com face adaxial estrigosa e abaxial serícea, hipanto oblongo, pétalas purpúreas, filetes com glândulas pedunculadas em ambos os ciclos, além de apêndices estaminais prolongados em ambos os ciclos. Pleroma caatingae foi descrita como sendo endêmica do sudoeste do Estado da Bahia, até então, restrita à Caatinga, sendo encontrada em solos arenosos rasos ou rochosos (Freitas et al. 2013). Entretanto, Portela et al. (2024) registraram a ocorrência dessa espécie no Ceará. Na Serra da Jiboia, foi encontrada sobre afloramento de gnaisse, na base das serras, em área de Floresta estacional semidecidual, transição para caatinga localizada na extremo sua das encostas da Serra da Jiboia. Coletada com flores em julho e agosto e com fruto apenas em julho.
6.2.Pleroma fissinervium (Schrank et Mart. ex DC.) Gardner. London J. Bot. 2: 352. 1843.
Árvores, 6-15 m alt.; ramos distais quadrangulares, subcilíndricos proximamente, estrigosos, tricomas dendríticos, nós circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolos 0,7-1,5 cm compr.; lâminas elípticas, 5-10 × 1,5-3,5 cm, ápice agudo, base cuneada, margem inteira, face adaxial adpresso-estrigosa, face abaxial seríceo-dendrítica, 5 nervuras, par externo confluente. Inflorescência com raque 10-13 cm compr., bractéolas 8-9 × 3-4 mm, elípticas, raque e bractéolas com tricomas dendríticos. Flores com pedicelo ca. 15 mm compr.; hipanto 6-8 × 4-6 mm, urceolado, estrigoso, lobos do cálice decíduos no fruto, 4 × 5 mm, triangulares, ápice agudo, indumento estrigoso; pétalas 25-30 × 13-18 mm, lilases, alvas na senescência, ápice arredondado, base cuneada, margem inteira; estames dimorfos, estames antessépalos com filetes ca. 12 mm compr., roxos, com tricomas simples, anteras ca. 12 mm compr., róseas, curvas, conectivos prolongados, apêndices ventrais bilobados, glabros, estames antepétalos com filetes ca. 8 mm compr., com tricomas simples, anteras ca. 6 mm compr., apêndices ventrais bilobados, glabros; ovário 5-locular, estilete ca. 25 mm compr., reto, com glândulas pedunculadas no terço basal. Cápsula 8-10 × 7-9 mm, globosa, madura castanha. Sementes ca. 5 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, topo da Serra da Jiboia, 12°30’56”S, 39°47’44”W, 27-V-1987, L.P. Queiroz 1577 (CEPEC); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, à margem da estrada da Serra da Pioneira, 12°50’S, 39°28’W, 14-II-2001,(fl.), A.A. Ribeiro Filho 177 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°52’5”S, 39°28’47”W, 4-III-2001 (fl., fr.), L.P. Queiroz 6494 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°51’15”S, 39°28’33”W, 11-II-2011 (fl., fr.), E. Melo 9034 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°51’16”S, 39°28’33”W, 12-II-2011 (fl.), E. Melo 9113 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 16-V-2011 (fr.), E. Melo 9582 (HUEFS).
Plemora fissinervium apresenta ramos quadrangulares, estrigosos, com tricomas dendríticos, lâmina foliar com face adaxial esparsamente adpresso-estrigosa e abaxial seríceo-dendrítica flores com pétalas lilases, passando a alvas quando senescentes, além dos filetes eglandulares, com tricomas simples, densos, em ambos os ciclos, e estilete com tricomas glandulares no terço basal. Pleroma fissinervium pode ser confundida com P. granulosum (Desr.) D.Don., a qual possui distribuição no estado do RJ (Guimarães 2025), pelo hábito e morfologia das folhas. Entretanto, distingue-se pelos filetes com tricomas simples, densos e estilete com tricomas glandulares (vs. filetes e estilete densamente seríceos e eglandulares em P. granulosum). Pleroma fissinervium é endêmica do Brasil, ocorrendo apenas nos estados da BA, ES, MG e RJ, distribuída na Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica (Freitas 2011, Freitas et al. 2016, Guimarães 2025). Na Serra da Jiboia, foi registrada em vegetação de afloramento rochoso, borda de floresta ombrófila densa, nas bordas e interior da mata adjacente aos afloramentos rochosos de gnaisse. Coletada com flores em fevereiro e março e com frutos de fevereiro a março e em junho.
6.3.Pleroma heteromallum (D.Don) D.Don. Mem. Wern. Nat. Hist. Soc., 4: 295. 1823.
Arbustos, 1,5-2 m alt.; ramos quadrangulares, subcilíndricos proximalmente, seríceos, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,5-2 cm compr.; lâminas ovais, 1,7-12 × 0,9-5,7 cm, ápice agudo a obtuso, base arredondada, margem inteira, face adaxial estigoso-serícea, face abaxial tomentosa, 3-5 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 4-15 cm compr., tricomas simples, bractéolas 4-6 × 2-4 mm, elípticas, tricomas simples. Flores com pedicelo ca. 5 mm compr.; hipanto 4-5 × 2-4 mm, oblongo, esparsamente seríceo, lobos do cálice decíduos no fruto, ca. 4 × 3 mm, lanceolados, ápice acuminado, seríceo; pétalas 13-20 × 12-15 mm, lilases com base alva, tornando-se avermelhadas após a antese, ápice retuso, base cuneada, margem ciliada; estames dimorfos, estames antessépalos com filetes ca. 9 mm compr., glândulas pedunculadas na base, anteras ca. 8 mm compr., lilases ou alvas, curvas, conectivos prolongados, apêndices ventrais bilobados, com glândulas pedunculadas, estames antepétalos com filetes ca. 7 mm compr., glabros, anteras ca. 6 mm compr., conectivos curtamente prolongados, apêndices ventrais bilobados, com glândulas pedunculadas; ovário 5-locular, estilete ca. 7 mm compr., reto, glandular na metade basal. Cápsula 4-7 × 3-5 mm, globosa, imatura verde, castanho na maturação. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, Reserva Jequitibá, 12°52’17”S, 39°28’48”W, 16-V-2011 (fl.), E. Melo 9581 (HUEFS)
Material adicional: BRASIL. Bahia: Ubaitaba, próximo ao posto, 14°7’59”S, 39°21’59”W, 2-VIII-2009 (fl., fr.), J.G. Freitas et al. 550 (HUEFS).
Pleroma heteromallum se difere das demais espécies do gênero por apresentar lâminas foliares com face adaxial estrigoso-serícea e face abaxial tomentosa, flores com pétalas de coloração lilás com base alvas, alternando-se para vermelha após a antese, além dos estames dimorfos, com glândulas nos filetes apenas no ciclo antessépalo, e glândulas pedunculadas nos apêndices ventrais de ambos os ciclos. Pleroma heteromallum também é uma espécie endêmica do Brasil, com ocorrência confirmada nos estados AL, BA, CE, ES, GO, MG, RJ, RN, SP, PA e PE, sendo distribuída no Cerrado e Floresta Atlântica (Freitas 2011, Freitas et al. 2016, Guimarães 2025). Segundo informações disponíveis na etiqueta de identificação, esta é uma espécie cultivada na Serra da Jiboia. Coletada com flores em maio.
6.4. Pleroma lhotskyanum (C. Presl) Triana. Trans. Linn. Soc. London 28(1): 43. 1872.
Figura 3 m
Arbustos, 1,2-2 m alt.; ramos jovens cilíndricos ou subcilíndricos, densamente seríceo, ramos adultos cilíndricos, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,6-0,9 cm compr.; lâminas elípticas, 4-7 × 0,9-2 cm, ápice acuminado, base obtusa, margem inteira, ambas as faces seríceas, 5 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 4-12 cm compr., tricomas simples, bractéolas 6-9 × 2-4 mm, elíptico-lanceoladas, tricomas simples. Flores com pedicelo ca. 4 mm compr.; hipanto 5-8 × 3-4 mm, oblongo, seríceo, lobos do cálice decíduos no fruto, ca. 2 × 3 mm, triangulares, ápice agudo; pétalas 15-20 × 13-15 mm, lilases a púrpuras, ápice truncado, base cuneada, margem ciliada; estames subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 7 mm compr., glabros ou às vezes com glândulas pedunculadas, anteras ca. 9 mm compr., róseas ou lilases, curvas, conectivos prolongados, apêndices ventrais glabros, estames antepétalos filetes ca. 6 mm compr., glabros ou às vezes com glândulas pedunculadas, anteras ca. 7 mm compr., curvas, conectivos curtamente prolongados, apêndices ventrais glabros; ovário 5-locular, estilete ca. 9 mm compr., glabro, ápice curvo. Cápsula 8-10 × 3-4,5 mm, ovoide, madura castanho-clara. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°19’02”S, 39°52’08”W, 18-X-2008 (fl.), M.L.M. Martins et al. (HURB 981); Santa Terezinha, próximo à torre, 12°51’33”S, 39°28’25”W, 6-XI-2013 (fl.), L.C. Marinho 552 (CEPEC); Varzedo, Fazenda Sr. Getúlio, Recôncavo Sul, 12°59’33”S, 39°44’38”W, 7-II-2015 (fr.), M.L. Guedes et al. 23258 (HURB); Santa Terezinha, 12°51’16”S, 39°28’32”W, 2-IX-2015 (fl.), G. Costa et al. 1485 (HURB).
Pleroma lhotskyanum é facilmente reconhecida por apresentar indumento seríceo nos ramos, em ambas as faces lâminas foliares e hipanto. Endêmica do Brasil, P. lhotskyanum ocorre nos estados da BA, ES, SE, PA e PE, sendo restrita à Floresta Atlântica (Guimarães 1997, Freitas 2011, Freitas et al. 2016, Guimarães 2025). Na Serra da Jiboia, foi encontrada na área de floresta ombrófila densa, na parte de sub-bosque próximo às trilhas e sobre afloramento rochoso. Coletada com flores de outubro e novembro e fruto em fevereiro.
6.5.Pleroma lithophilum (Wurdack) P.J.F.Guim. & Michelang. Taxon 68(5): 983. 2019.
Arbustos, 1,5-2 m alt.; ramos subcilíndricos, proximais cilíndricos, indumento esparsamente estrigoso, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,3-1,2 cm compr.; lâminas ovais a lanceoladas, 1,2-4,1 × 0,4-1,5 cm, ápice agudo, base obtusa, margem inteira, face adaxial escabra com tricomas bulados na base, face abaxial estrigosa, 3-5 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 4-10 cm compr., tricomas simples, bractéolas ca. 4 × 2 mm, elípticas, ápice agudo, tricomas simples. Flores com pedicelo ca. 4 mm compr.; hipanto 3-4,5 × 3,5-4 mm compr., campanulado, coberto por indumento estrigoso, lobos do cálice decíduos, ca. 3 × 3,5 mm, triangulares, ápice agudo, estrigoso, margem ciliada; pétalas 15-18 × 10-17 mm, purpúreas, ápice truncado, base cuneada, margem inteira; estames dimorfos, estames antessépalos filetes ca. 6 mm compr., glândulas pedunculadas na base, anteras ca. 4 mm compr., lilases, retas, levemente corrugadas, conectivo curtamente prolongado, apêndices ventrais bilobados com glândulas pedunculadas, estames antepétalos com filetes ca. 4 mm compr., glândulas pedunculadas na base, anteras ca. 2 mm compr., curvas, corrugadas, conectivo prolongado, apêndices ventrais bilobados, glabros; ovário 5-locular, estilete ca. 5 mm compr., ápice curvo, seríceo, glândulas pedunculadas na metade apical. Cápsula 5-6 × 4-5 mm compr., globosa, imatura verde, vermelho na maturação. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Morro do Cruzeiro, 12°5’S, 39°53’33”W, 29-X-1995 (fl.), E. Melo 1355 (HUEFS); l.c., 12°59’56”S, 39°56’27”W, 07-VII-2017 (fl.), G. Costa et al. 2601 (HURB); l.c., 12°59’S, 39°56’22”W, 15-II-2018 (fl.), G. Costa et al. 3284 (HURB); l.c., 12°59’56”S, 39°59’38”W, 28-V-I2018 (fl., fr.), G. Costa et al. 3446 (HURB).
Pleroma lithophilum é facilmente reconhecida por apresentar folhas 1,2-4,1 × 0,4-1,5 cm, menores do que as de outras espécies ocorrentes na área de estudo, com face adaxial escabra e abaxial estrigosa, hipanto campanulado, recoberto por indumento estrigoso e estames dimorfos com glândulas pedunculadas nos filetes de ambos os ciclos e circundando os apêndices estaminais apenas do ciclo antessépalo. Endêmica do Estado da Bahia, é encontrada em áreas de transição entre o Cerrado e a Caatinga (Guimarães 1997, 2025, Freitas 2011, Freitas et al. 2013). Na Serra da Jiboia, ocorre em floresta estacional semidecidual, na transição para caatinga, localizada no extremo sul das encostas da Serra da Jiboia, crescendo sobre afloramento rochoso com um adensamento de vegetação na base, lagoa temporária sobre afloramento rochoso. Coletada com flores de fevereiro, junho, julho e outubro e com frutos apenas em junho.
6.6.Pleroma pereirae (Brade & Markgr.) P.J.F.Guim. & Michelang. Taxon 68(5): 986. 2019.
Figura 3 n
Arbustos, 1,2-2 m alt.; ramos quadrangulares, subcilíndricos proximalmente, estrigosos, glândulas pedunculadas, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,3-0,5 cm compr.; lâminas elípticas a ovais, 2,7-5 × 1-3,2 cm, ápice agudo a acuminado, base subcordada, margem inteira a repanda, ambas as faces seríceas, apresentam glândulas curto pediceladas esparsas na face adaxial, 5-7 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 4-13 cm compr., com glândulas pedunculadas, bractéolas 5-9 × 3-8 mm, lanceoladas, indumento glanduloso. Flores com pedicelo 2-3 mm compr.; hipanto 5-13 × 3-6 mm, urceolado, estrigoso, às vezes glândulas pedunculadas, lobos do cálice persistentes no fruto, ca. 2 × 3 mm, triangulares, ápice apiculado, estrigoso; pétalas 12-20 × 8-10 mm, lilases, ápice truncado, base cuneada, margem inteira, às vezes glandular; estames subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 10 mm compr., glândulas pedunculadas, anteras ca. 10 mm compr., lilases, ápice subulado, conectivos prolongados, apêndices ventrais bilobados, glabros, estames antepétalos com filetes ca. 8 mm compr., glândulas pedunculadas, conectivos curtamente prolongados, anteras ca. 6 mm compr., apêndices ventrais bilobados, glabros; ovário 5-locular, estilete ca. 10 mm compr., reto ou curvo no ápice, glabro ou com glândulas pedunculadas na metade basal. Cápsula 8-13 × 3-7 mm, ovoide, verde imatura, avermelhada na maturidade. Sementes ca. 3 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Elísio Medrado, Serra da Jiboia, Serra da Jiboia, trilha partindo da sede do Projeto Gambá, 12°59’27”S, 39°46’59”W, 9-I-1988, L.C. Marinho 536 (CEPEC, HUEFS); Santa Terezinha, próximo a Barragem Casa Forte, 12°59’22”S, 39°59’33”W, 11-X-2016 (fl., fr.), L.Y.S. Aona et al. 4440 (HURB); l.c., próximo a Barragem Casa Forte, 12°17’02”S, 39°52’08”W, 18-V-20 (fl.), G. Costa et al. 2469 (HURB); l.c., Serra da Jiboia, 12°19’02”S, 39°52’08”W, 16-V-2019, A.C.M. Campos 60 (HURB).
Pleroma pereirae pode ser reconhecida pelo conjunto das seguintes características: ambas as faces das lâminas foliares seríceas, presença de glândulas curto pediceladas na face adaxial, além do indumento glanduloso (glândulas pedunculadas) nos ramos apicais, nas inflorescências, no hipanto, filetes e estilete. É uma espécie endêmica do Estado da Bahia, ocorrendo no domínio fitogeográfico da Caatinga, especificamente nos campos rupestres da Chapada Diamantina (Freitas 2011, 2017, Freitas et al. 2016, Guimarães 2025). Porém, no presente trabalho foi registrada sobre afloramentos rochosos de gnaisse e na vegetação de caatinga na base da Serra da Jiboia. Coletada com flores de maio e outubro e frutos em outubro.
6.7.Pleroma tomentulosum (Wurdack) P.J.F.Guim. & Michelang. Taxon 68(5): 990. 2019.
Arbustos, 1,5-1,8 m alt.; ramos quadrangulares, proximais subcilíndricos, indumento estrigoso esparso, glândulas pedunculadas, nós não circundados por uma coroa de tricomas. Folhas com pecíolo 0,7-1 cm compr.; lâminas elípticas a cordadas, 2,6-5,7 × 1,6-3,8 cm, ápice agudo, base obtusa a subcordada, margem inteira, não ciliada, face adaxial glabra, face abaxial com indumento tomentoso, 7 nervuras basais, par externo não confluente. Inflorescência com raque 7-12 cm compr., tricomas simples, bractéolas 2-2,5 × 1-1,5 cm, elípticas, tricomas simples. Flores com pedicelo ca. 5 mm compr.; hipanto 8-11 × 3-4 mm, oblongo, seríceo, glândulas pedunculadas, lobos do cálice decíduos, ca. 5 × 3,5 mm, triangulares, ápice agudo, margem inteira, ciliada, glandulares; pétalas 15-20 × 10-15 mm, lilases, ápice arredondado, base cuneada, margem inteira, ciliadas e glandulares distalmente, nervuras evidentes; estames subisomorfos, estames antessépalos com filetes ca. 9 mm compr., glabros, anteras ca. 9 mm compr., lilases, corrugadas, retas, conectivo prolongado, apêndices ventrais bilobado, estames antepétalos com filetes ca. 7 mm compr., glabros, anteras ca. 7 mm compr., curvas, corrugadas, conectivo levemente prolongado, apêndices ventrais bitobados, glabros; ovário 5-locular, hirsuto no terço apical, estilete ca. 12 mm compr., reto, glândulas pedunculadas na metade basal. Cápsula 7-10 × 5-6 mm, ovoide, imatura verde, castanho na maturação. Sementes ca. 1 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Castro Alves, Serra da Jiboia, 12°51’11”S, 39°28’19”W, 8-XII-1992 (fl., fr.), L.P. Queiroz 2955 (HUEFS, NY); l.c., Serra da Jiboia, 12°51’11”S, 39°28’19”W, 26-XII-1992 (fl.), L.P. Queiroz 2976 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, próximo a Pedra Branca, 12°51’11”S, 39°28’19”W, 7-V-1993 (fl.), L.P. Queiroz 3132 (HUEFS,MBM); Santa Terezinha, 12°51’11”S, 39°28’21”W, 1-VI-1996 (fl., fr.), S.S. Geraldes 7 (HUEFS); l.c., 12°51’9”S, 39°28’34”W, 24-VIII-1996 (fl., fr.), L. Lara 2 (HUEFS); Castro Alves, Serra da Jiboia, 12°51’11”S, 39°28’19”W, 15-V-1999 (fl., fr.), H.C.de Oliveira et al. (HUEFS 45319); Santa Terezinha, Serra da Jiboia, Pedra Branca, 12°51’13”S, 39°28’33”W, 24-II-2000 (fl.), J.G. Jardim 2816 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, 12°51’16”S, 39°28’33”W, 12-II-2011 (fl., fr.), E. Melo 9074 (HUEFS); l.c., Serra da Jiboia, Morro da Pioneira, 12°51’S, 39°28’W, 24-V-2019 (fl., fr.), N.X.M. Sousa et al. 659 (HURB).
Pleroma tomentulosum é distinta das demais espécies pelas lâminas foliares com face adaxial glabra, face abaxial tomentosa e nervuras escurecidas e proeminentes em ambas as faces, estames com filetes glabros, apêndices estaminais bifurcados em ambos os ciclos, além da presença de glândulas pedunculadas no hipanto, nos lobos do cálice e na metade basal do estilete. É endêmica do Estado da Bahia, restrita à Serra da Jiboia, ocorrendo apenas em afloramentos graníticos e solos rochosos rasos (Wurdack 1995, Queiroz et al. 1996, Freitas 2011, Freitas et al. 2016, Guimarães et al. 2019, Guimarães 2025). Na Serra da Jiboia, foi encontrada em afloramentos rochosos, crescendo em áreas de borda floresta ombrófila densa. Coletada com flores e frutos em fevereiro e de junho a dezembro.
7. Pterolepis (DC.) Miq. Comm. Phytogr. 2: 72. 1840.
Subarbustos; ramos com indumento estrigoso. Folhas pecioladas; lâminas lanceoladas, ápice agudo, margem inteira a repanda, ciliada, cartáceas, concolores, 3 nervuras. Inflorescência axilar e terminal, em cimeira. Flores tetrâmeras, subsésseis, hipanto oblongo, presença de emergências estrelado-peniciladas, lobos do cálice triangulares, persistentes no fruto; pétalas lilases, obovais, ápice agudo, arredondando a apiculado; estames 8, isomorfos a dimorfos, anteras com ápice subulado, pedoconectivo presente, apêndice ventral bilobado; ovário súpero, 4-locular, ápice setoso-glandular; estilete glabro. Fruto cápsula, globosa, marrom. Sementes numerosas.
Pterolepis é um gênero constituído por 16 espécies distribuídas desde o Sul do México até a Bolívia e o Paraguai (Renner, 1994). Ocorre em todos os estados do Brasil, com a maioria das espécies encontradas no leste do país. No Estado da Bahia são registradas 10 espécies (Goldenberg et al. 2025c). Este gênero é formado por espécies com preferência pelo Cerrado e ocorrendo também em locais perturbados por ações antrópicas, mas também foi registrado em outros tipos de vegetação (Renner 1994, Romero & Martins 2002, Michelangeli et al. 2020a, Goldenberg et al. 2025c). Na Serra da Jiboia, está representado por duas espécies.
7.1.Pterolepis glomerata (Rottb.) Miq. Comm. Phytogr. 2: 78. 1840.
Figura 3 o-p
Subarbustos, 30-80 cm alt. Folhas com pecíolo 0,1-0,2 cm compr.; lâminas 1,1-3 × 0,6-1 cm, face adaxial estrigosa, face abaxial setosa, 3 nervuras basais, levemente proeminentes na face abaxial, eglandulares, base arredondada. Inflorescência axilar ou terminal, glomeruliforme; brácteas e bractéolas 4-9 mm compr., foliáceas. Flores com pedicelo ca. 1 mm compr.; hipanto 3-4 × 2-3 mm, campanulado, lobos do cálice 3-6 × 1-2 mm; pétalas 7-10 × 4-6 mm, ápice agudo a apiculado; estames dimorfos, antessépalos com filetes ca. 5 mm compr., anteras ca. 4 mm compr., púrpuras, estames antepétalos com filetes, ca. 3 mm compr., anteras ca. 3 mm compr., amarelas; estilete ca. 6 mm compr., estigma truncado. Cápsula, ca. 3-5 mm compr. Sementes até 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Serra da Jiboia, 12°50’51”S, 39°29’2”W, 18-X-2010 (fl.), N.R.S. Cruz et al. 2000 (HUEFS); l.c., Recôncavo Sul, caminho para Torre, 12°59’59”S, 39°51’59”W, 17-VIII-2013 (fl.), M.L. Guedes et al. 20701 (ALCB); Castro Alves, Serra da Jiboia, Pioneira, Morro das antenas, 12°51’14”S, 39°28’34”W, 31-VIII-2021 (fl., fr. ), L.Y.S. Aona et al. 6102 (HURB, UPCB).
Pterolepis glomerata caracteriza-se por apresentar inflorescências glomeruliformes no ápice dos ramos, flores tetrâmeras, estames dimorfos, anteras de coloração amarela com ápice púrpura apenas no ciclo antessépalo. Esta espécie possui distribuição nas Américas Central e do Sul, sendo encontrada em todas as Regiões do Brasil, ocorrendo nos domínios da Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica (Renner 1994. Goldenberg et al. 2025c). Na Serra da Jiboia, foi coletada na floresta ombrófila densa, nas bordas da mata. Coletada com flores de agosto e outubro e frutos em agosto.
7.2.Pterolepis polygonoides Triana. Trans. Linn. Soc. London 28(1): 39. 1871.
Subarbustos, 1-1,2 m alt. Folhas com pecíolo ca. 0,1 cm compr.; lâminas 1-1,9 × 0,4-0,6 cm, ambas as faces cobertas por indumento viloso e glandular esparsos na face abaxial, 3 nervuras basais proeminentes na face abaxial, base aguda. Inflorescência axilar, uniflora. Flores com pedicelo ca. 2 mm compr.; hipanto 3-4 × 3-3,5 mm, oblongo, lobos do cálice 2 × 2,5 mm; pétalas 3-7 × 3-6 mm, ápice arredondado a apiculado, margem ciliada, glandular; estames isomorfos, antessépalos com filetes ca. 1,5 mm compr., anteras ca. 2 mm compr., amarelas, retas; estilete ca. 4 mm compr., estigma capitado. Cápsula ca. 7 mm compr. Sementes ca. 2 mm compr.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Santa Terezinha, Represa da Cidade, 12°59’16”S, 39°52’59”W, 3-VII-2016, G. Costa et al. 1980 (HURB); l.c., próximo à Barragem Casa Forte, 12°59’22”S, 39°59’33”W, 4-XII-2016 (fl.), G. Costa et al. 2221 (HURB); l.c., próximo ao Hotel Fazenda Casa Forte, 12°59’17”S, 39°52’08”W, 29-X-2019 (fl.), G. Perdigão et al. 9 (HURB).
Pterolepis polygonoides é distinta das demais espécies do gênero por apresentar lâminas foliares vilosas em ambas as faces, hipanto, inflorescências axilares, uniflora estames com anteras amarelas. Endêmica do Brasil, esta espécie ocorre nos estados BA, CE, MA, MG, PI, PE e TO (Renner 1994, Goldenberg et al. 2025c), na Caatinga e Cerrado (Renner 1994, Araújo & Barbosa 2015, Goldenberg et al. 2025c). É importante destacar que este estudo registra sua ocorrência para o domínio da Floresta Atlântica. Na área de estudo, P. polygonoides cresce sobre afloramentos rochosos e na vegetação de caatinga na base da Serra da Jiboia. Coletada com flores em outubro e dezembro e com frutos em setembro.
Discussão
O estudo taxonômico das Melastomataceae ocorrentes na Serra da Jiboia resultou em um total de sete gêneros e 28 espécies. Dentre as espécies registradas, 14 são endêmicas do Brasil e quatro delas são endêmicas para a Bahia. Miconia e Pleroma foram os gêneros mais diversos, com 13 e sete espécies, respectivamente. As espécies mais amplamente distribuídas na área de estudo foram Miconia ciliata, M. mirabilis, M. prasina e Pleroma tomentulosum. Miconia dentata e Pleroma polygonoides foram registradas pela primeira vez para a Serra da Jiboia. Cabe salientar que Pleroma heteromallum (D.Don) D.Don, representa um registro de planta cultivada na Serra da Jiboia, segundo informações de herbário (Melo 9581).
As espécies de Melastomataceae da Serra da Jiboia apresentam uma ampla variedade de hábitos com maior diversidade nas áreas de floresta ombrófila densa (13 spp.), pertencente ao domínio da Mata Atlântica. Por outro lado, a família é sabidamente resiliente em áreas perturbadas (Furtado et al. 2024), o que também pode justificar o alto número de espécies de Miconia registradas. O número de espécies registradas em vegetação sobre afloramento rochoso aumentou para 15, quando comparado ao estudo de Queiroz et al. (1996) que listaram cinco espécies para o local. Nas áreas de floresta ombrófila densa, foram registradas 21 espécies, um aumento significativo quando comparado ao estudo de Carvalho-Sobrinho et al. (2005), que registraram 12 espécies de Melastomataceae para um fragmento de Mata Atlântica na Serra da Jiboia.
Estudos florísticos são fundamentais para catalogação e conhecimento da diversidade vegetal de uma determinada região contribuindo para sua conservação. Comparada a outras áreas estudadas, a Serra da Jiboia compartilha maior número de espécies com o litoral norte do Estado da Bahia (Costa 2024) do que com a Área de Proteção Ambiental Bacia do Rio de Janeiro, no oeste do estado (Scheidegger & Rando, 2024), com Rio de Contas (Santos & Silva 2005) e com o Pico das Almas (Baumgratz et al. 1994), ambos na Chapada Diamantina.
Essa semelhança está relacionada aos tipos de formações vegetacionais presentes em cada uma dessas áreas. Tanto o litoral norte quanto a Serra da Jiboia estão inseridos no domínio fitogeográfico da Floresta Atlântica, enquanto as demais regiões fazem parte do Cerrado (oeste do Estado da Bahia) e Caatinga (campos rupestres da Chapada Diamantina), cada qual com formações fitofisionômicas distintas (ver Baumgratz et al. 1994; Santos & Silva 2005; Scheidegger & Rando 2024).
Diante do exposto, é fundamental reforçar a importância de estudo florísticos na Serra da Jiboia, uma região de elevada diversidade e inserida no bioma mais devastado do país, a Mata Atlântica (Rezende et al. 2018). Torna-se urgente subsidiar ações de conservação que assegurem a proteção e a manutenção de sua biodiversidade.
Agradecimentos
Este artigo faz parte da Dissertação de Mestrado de Larissa Dias de Souza e foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil - Código Financeiro 001. Os autores agradecem aos Curadores dos Herbários citados no texto; à Dra. J.G. Freitas pelas fotos de Pleroma; ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, pelo apoio do Plano de Ação Territorial Chapada Diamantina-Serra da Jiboia. Lidyanne Yuriko Saleme Aona, Daniela Cristina Zappi e Ana Flávia Alves Versiane agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelas Bolsas PQ 2 (314502/2023-8; 305428/2024-1, respectivamente) e DTI-B (383895/2023-5).
Declaração de disponibilidade de dados
O conjunto de dados deste artigo está disponível no SciELO Dataverse de Hoehnea, no link: https://doi.org/10.1590/2236-8906e2025-0039.
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Parte da Dissertação de Mestrado da primeira Autora
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Como citar:
Souza, L. D. et al. 2026. Melastomataceae na Serra da Jiboia, Estado da Bahia, Brasil. Hoehnea 53: e392025, 2026. https://doi.org/10.1590/2236-8906e392025.
Lista de exsicatas examinadas
Andrade, C.F. 6 (5.11); Alves, T.N. 52 (3.1); 29 (5.4); 20 (6.1); Aona, L.Y.S. 4872a (1.1); 6113 (5.10); 6179 (1.2); 2667 (2.1); 5102 (2.1); 6088 (5.11); 6149 (5.4); 4452 (5.5); 6084 (5.6); 6174 (5.7); 2021, 6126 (5.10); 6176 (5.13); 6076 (6.1); 4440 (6.6); 6102 (7.1); 6930 (1.1); Caiafa, A.N. (2.1, HURB 26691); (2.1, HURB 26690); (3.2, HURB 26689); (5.4, HURB 26695); (5.6, HURB 26696); (5.8, HURB 26674); (5.8, HURB 26676); (5.8, HURB 26675); (5.10, HURB 26705); (5.10, HURB 26706); (5.13, HURB 26694); (5.12, HURB 26700); (5.13, HURB 26701); (5.13, HURB 26702); (5.13, HURB 26703); (5.13, HURB 26704); (6.8, HURB 26680); (6.8, HURB 26688); (6.8, HURB 26685); (6.8, HURB 26686); (6.8, HURB 26687); (5.13 HURB 26710); (6.7 HURB 8756); (5.8 HURB 26675); Campos, A.C.M. 50 (5.5); 60 (6.6); Costa, A. 6 (4.2); Costa, G. 1834 (5.3); 1465 (5.11); 1485 (6.4); 2601 (6.5); 3284 (6.5); 3446 (6.5); 2469 (6.6); 1980 (7.2); 2221 (7.2); Cruz, N.R.S. 2000 (7.1); Dias,, V.B, 4 (5.11); Fiaschi, P. 1375 (5.12); França, F. 1076 (4.1); Freitas, I. 2 (6.7); Freitas, J.G. 550 (6.3); Fonseca, G.V. 41 (5.1); 54 (5.11); 60 (5.6); Geraldes, S.S. 7 (6.7); Guedes, M.L. 21075b (1.2), 17944 (3.1); 201714 (3.1); 11237 (4.2); 17945 (5.2); 23243 (5.8) 23258 (6.4); 23292, 30100 (5.8); 17760 (5.10); 24676 (5.12); 12152 (5.13); 23247 (5.13); (6.4); 20701 (7.1); Hage, J.L. 499 (5.7); Harley, R.M. 28409 (5.10); Jardim, J.G. 4285 (3.1); 2837 (5.9); 2816 (6.7), Lacerda, M. s.n. (5.4 HURB 980); (4.2, HURB 982); (6.4, HURB 981, UFG 70852); Lara, L. 1 (4.2); 2 (6.7); Marinho, L.C. 1440 (1.1); 540 (5.6); 552 (6.4); 536 (6.6); Martins, M.L.M. 1395 (5.1); Melo, E. 9038 (3.2); 9136 (5.4); 9566, 9593 (5.4); 9047 (5.9); 9552 (5.5); 9498 (5.6); 1644 (5.10); 9497, 13235 (5.10); 11257 (6.1); 9034 (6.2); 9113 (6.2); 9582 (6.2); 9581 (6.3); 1355 (6.5); 9074 (6.7); E.P.F. Moraes 03 (3.2); 8 (5.2); 4 (5.11); Nascimento, F.H. 27 (5.4); Neves, M.L.C. 486, 134 (5.10); Noblick, L R. 3350 (3.1); 3324 (4.2); 33309 (5.4); 3747 (5.10); Oliveira, H.C. (6.7, HUEFS 45319); Paixão, J.L. 1272 (5.3); 1764 (5.7); Perdigão, G. 9 (7.2); Queiroz, L.P. 6279 (3.1); 2989 (3.2); 1088 (4.2); 1581, 2981, 6482 (5.4); 1589 (6.7); 1053(5.11); 2992 (5.2); 6502 (5.3); 3148, 6501, 2988 (5.8); 6390 (5.9); 1568, 6281 (5.12); 6468 (5.13); 1577 (6.2); 6494 (6.2); 2955 (6.7); 2976 (6.7); 3132 (6.7); Ribeiro Filho, A.A. 198 (5.9); 177 (6.2); M.R. Sampaio 12 (1.1); Santos, J.S. 147 (5.13); Senna, L.R. 13 (5.1); T.S.N. Sena 17 (4.2); S.M. Silva 143 (3.1); 137 (5.2); Sobral, M. 8419 (5.2); Sobrinho, J.G.C. 1 (5.12); Sousa, A. 11 (6.7); Sousa, N.X.M. 658 (5.4); 659 (6.7).






