Open-access Taxonomia das Clusiaceae Lindl. nativas da Ilha de São Luís, Estado do Maranhão, Brasil1

Taxonomy of the native Clusiaceae Lindl. on the São Luís Island, Maranhão State, Brazil

RESUMO

Clusiaceae possuem 15 gêneros e aproximadamente 800 espécies. No Brasil são reconhecidos 11 gêneros e 150 espécies, e no Estado do Maranhão, ocorrem seis gêneros e 14 espécies. Como parte do projeto “Flora da Ilha de São Luís, Maranhão” apresentamos o tratamento taxonômico das Clusiaceae nativas da ilha. Para tanto, fizemos expedições a campo, visitas aos herbários BMA, CCAA, HF, MAR e SLUI, além de consultas a coleções virtuais. Nós registramos cinco gêneros e sete espécies: Clusia panapanari, Garcinia gardneriana, G. madruno, Platonia insignis, Symphonia globulifera, Tovomita fructipendula e T. guianensis. Apenas P. insignis, S. globulifera e T. fructipendula foram recoletadas; P. insignis, o bacuri, está distribuído ao longo de toda a ilha, ao passo que S. globulifera e T. fructipendula estão restritas às áreas mais úmidas e com dossel mais alto na ilha; G. madruno e T. guianensis não possuem espécimes da área de estudo depositados nos herbários do Brasil - apenas no herbário NY; ademais, pouquíssimos registros da família foram feitos nos últimos vinte anos, exceto para P. insignis.

Palavras-chave:
bacuri; Clusia ; Symphonia ; Tovomita ; tratamento taxonômico

ABSTRACT

Clusiaceae have 15 genera and approximately 800 species. In Brazil, 11 genera and 150 species are recorded, and in the State of Maranhão occurs six genera and 14 species. As part of the “Flora da Ilha de São Luís, Maranhão” project, we present the taxonomic treatment of the native Clusiaceae. To achieve this goal, we conducted field expeditions and consultation of the BMA, CCAA, HF, MAR and SLUI herbaria, in addition to virtual collections. We recorded five genera and seven species: Clusia panapanari, Garcinia gardneriana, G. madruno, Platonia insignis, Symphonia globulifera, Tovomita fructipendula and T. guianensis. Only P. insignis, S. globulifera and T. fructipendula were recollected; P. insignis, the bacuri, is distributed throughout the island, while S. globulifera and T. fructipendula are restricted to the flooded areas with high canopy; G. madruno and T. guianensis do not have specimens deposited in Brazil - only in NY herbarium; furthermore, very few records of the family have been made in the last twenty years, except for P. insignis.

Keywords:
bacuri; Clusia ; Symphonia ; taxonomic treatment; Tovomita

Introdução

Clusiaceae Lindl. incluem 15 gêneros e cerca de 800 espécies, distribuídas, sobretudo, nas regiões tropicais do globo (Stevens 2001 em diante; Marinho et al. 2019). No Brasil, há 11 gêneros e 149 espécies, e, no Estado do Maranhão, há seis gêneros e 14 espécies. São árvores, arbustos ou, mais raramente, hemiepífitas, caracterizadas pela presença de exsudato viscoso, folhas opostas, inteiras, lustrosas e glabras; flores normalmente vistosas com uma ampla variedade de arranjos dos estames (Flora e Funga do Brasil 2024). Os frutos são do tipo baga ou cápsulas carnosas, alguns deles com grande relevância para a indústria alimentícia e farmacológica em tratamentos de infecções e inflamações (Diel et al. 2022).

Alguns gêneros, como Clusia L. e Garcinia L. apresentam características mais fáceis de serem reconhecidas em campo (Diel et al. 2022). As espécies do gênero Clusia podem ser identificadas pelas folhas subcoriáceas a coriáceas, pelos frutos que são cápsulas carnosas, pelas sementes envolvidas por arilos alaranjados a vermelhos e pelas flores usualmente grandes, vistosas e algumas vezes resinosas (Bittrich 1997; Marinho et al. 2020). Por outro lado, espécies de Garcinia apresentam canais de exsudato bem evidentes na lâmina foliar, flores alvas a esverdeadas e frutos do tipo baga, que geralmente são comestíveis (Alencar & Marinho 2017). Tanto Clusia quanto Garcinia possuem relevância econômica no Brasil, sendo cultivadas como ornamentais (e.g. o abaneiro, C. fluminensis Planch. & Triana) ou para alimentação (e.g. o bacupari, Garcinia spp.).

As espécies da tribo Symphonieae, em sua maioria, possuem flores grandes e vistosas, com estames normalmente arranjados em fascículos ou formando um tubo estaminal (Stevens 2007). Neste grupo, os frutos também são comestíveis, alguns deles muito apreciados no Norte e Nordeste do Brasil, como o bacuri - Platonia insignis Mart. - (Diel et al. 2022). No Estado do Maranhão, o bacuri constitui-se como um dos produtos mais importantes, sendo consumido na produção de sucos, geleias, sorvetes e licores (Ribeiro et al. 2021). Embora P. insignis seja amplamente apreciada na ilha, a diversidade dos demais gêneros de Clusiaceae ainda é pouco clara na Ilha de São Luís.

Apesar de já haver trabalhos científicos, especialmente listas florísticas (e.g.Akinnifesi et al. 2010, Almeida Jr. et al. 2021, Silva et al. 2022, Correa et al. 2023), na região da Ilha de São Luís, ainda há muito a ser realizado, principalmente a respeito das espécies de Clusiaceae, que é pouco amostrada devido ao seu hábito normalmente arbóreo e localização de difícil acesso, uma vez que ocupam áreas mais preservadas e úmidas. Dessa forma, o objetivo desse artigo é ampliar o conhecimento das Clusiaceae nativas da Ilha de São Luís, através do tratamento taxonômico com descrições, imagens em campo, comentários taxonômicos e ecológicos, além de uma chave de identificação para as espécies.

Material e métodos

A Ilha de São Luís (figura 1), formalmente Ilha Upaon-Açu, está situada na região Nordeste do Brasil e no Norte do Estado do Maranhão (02°35’11”S, 44°13’32”W). Possui cerca de 831,7 km2 e engloba quatro dos municípios da Região Metropolitana de São Luís: Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luís - que é a capital do Estado do Maranhão. A ilha está inserida no arquipélago do Golfão Maranhense (Bandeira 2017) e apresenta vegetação pouco convencional, com forte influência de elementos amazônicos e do Cerrado, além dos ambientes costeiros como restingas, manguezais e sistemas de dunas (Caldas et al. 2023; Ewerton-Silva et al. 2023; Garcia et al. 2023).

Figura 1
Mapa da Ilha de São Luís, Estado do Maranhão, Brasil. As linhas tracejadas indicam locais onde foram realizadas expedições de campo. O ícone da câmera indica locais onde as espécies foram visualizadas pelos autores, mas não coletadas. Clusia panapanari (Aubl.) Choisy (triangulo preto). Garcinia gardneriana (Panch. & Triana) Zappi (quadrado verde claro). Garcinia madruno (Kunth) Hammel (quadrado verde escuro). Platonia insignis Mart. (círculo rosa), embora seja cultivada em quase toda a ilha. Symphonia globulifera L.f. (círculo vermelho). Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess. (estrela branca). Tovomita guianensis Aubl. não foi representada no mapa pois não há certeza sobre a localização (R.L. Fróes 24230). Fonte: OpenStreetMap 2023.
Figure 1
São Luís Island Map, Maranhão State, Brazil. Dashed lines indicate field expeditions localities. The camera icon indicates localities where species were viewed by authors but not collected. Clusia panapanari (Aubl.) Choisy (black triangle). Garcinia gardneriana (Panch. & Triana) Zappi (light green square). Garcinia madruno (Kunth) Hammel (dark green square). Platonia insignis Mart. (pink circle), although it is cultivated along the island. Symphonia globulifera L.f. (red circle). Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess. (white star). Tovomita guianensis Aubl. was not represented on the map as there is no certainty about the locality (R.L. Fróes 24230). Source: OpenStreetMap 2023.

Este trabalho inclui expedições de campo em várias áreas da Ilha de São Luís (figura 1), entre janeiro de 2020 e dezembro de 2023, com especial foco nas áreas úmidas (i.e., Sítio do Físico, o qual faz parte do Parque Estadual do Bacanga, e Área de Proteção Ambiental do Itapiracó) e regiões próximas à costa. Os exemplares férteis foram fotografados com câmera digital e coletados seguindo as orientações de Mori et al. (1989) e depositados no Herbário MAR, da Universidade Federal do Maranhão. A distribuição geográfica das espécies de Clusiaceae no Brasil foi baseada nas informações disponíveis na Flora e Funga do Brasil (2024).

Ainda, foram realizadas consultas às coleções dos herbários BMA, CCAA, HF, MAR e SLUI (siglas de acordo com Thiers 2024), com o intuito de levantar os espécimes da família Clusiaceae coletados na ilha de São Luís, identificar, comparar e obter dados de medidas das partes florais e vegetativas. Também foram consultadas as coleções disponíveis online no speciesLink (https://specieslink.net/search/) e JABOT (https://jabot.jbrj.gov.br/). As identificações foram feitas a partir da análise comparativa com materiais disponíveis nas coleções e consultas a outros tratamentos taxonômicos realizados em Estados próximos (i.e.Oliveira et al. 2015; Alencar & Marinho 2017; Cabral et al. 2017; Farias et al. 2023). A terminologia das descrições seguiu Gonçalves & Lorenzi (2011). A descrição da família e chave taxonômica são baseadas apenas em espécimes nativos da ilha e a descrição das espécies contém informações de material adicional do Maranhão e/ou bibliografia (i.e., Alencar & Marinho 2017; Farias et al. 2023).

Resultados e Discussão

Clusiaceae está representada por cinco gêneros e sete espécies na Ilha de São Luís, Estado do Maranhão: Clusia panapanari (Aubl.) Choisy, Garcinia gardneriana (Panch. & Triana) Zappi, G. madruno (Kunth) Hammel, Platonia insignis, Symphonia globulifera L.f., Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess. e T. guianensis Aubl. Embora Clusia grandiflora Splitg. seja amplamente distribuída no Estado do Maranhão, com registros em áreas costeiras e arenosas de municípios próximos, como Alcântara e Icatu (figura 1), a espécie não foi encontrada na ilha.

Espécies não-nativas da ilha não foram incluídas no tratamento. Clusia fluminensis é amplamente cultivada na ilha e, embora nativa no Brasil, o limite norte da sua distribuição natural é o Estado da Bahia (Flora e Funga do Brasil 2024). A espécie é abundante em jardins, mas raramente apresenta floração e, até então, nenhum fruto foi visto. Algumas espécies de Garcinia também são cultivadas na ilha em áreas de pomar e jardins, como Garcinia mangostana L., o mangostão (Akinnifesi et al. 2010).

Platonia insignis, S. globulifera e T. fructipendula foram recoletadas neste estudo. O bacuri, P. insignis, apresenta distribuição ampla em toda a ilha, o que facilitou sua coleta, enquanto S. globulifera e T. fructipendula estão restritas às regiões alagadas e com dossel mais alto, cujo acesso é mais exaustivo, possivelmente justificando a baixa amostragem nas coleções. Garcinia madruno e T. guianensis apresentam apenas um espécime cada depositados somente no herbário NY. As demais espécies, foram consultadas nos herbários MAR e SLUI em São Luís, e em coleções online.

    Chave de identificação das espécies de Clusiaceae da Ilha de São Luís, Estado do Maranhão
  • 1. Flores bissexuadas, vistosas, pétalas vermelhas ou róseas

    • 2. Raízes escoras presentes; pétalas vermelhas; estames 5 unidos formando um tubo estaminal ........................... .......................................................................................................................................... Symphonia globulifera

    • 2. Raízes escoras ausentes; pétalas róseas; estames dispostos em 5 fascículos, > 100 estames por fascículo .... ................................................................................................................................................. Platonia insignis

  • 1. Flores unissexuadas, pouco vistosas, pétalas alvo-esverdeadas a creme

    • 3. Flores axilares, dispostas em fascículos, raramente solitárias; fruto baga; sementes exariladas

      • 4. Frutos lisos ............................................................................................................. Garcinia gardneriana

      • 4. Frutos ornamentados ................................................................................................. Garcinia madruno

    • 3. Flores terminais, solitárias ou dispostas em dicásios; fruto cápsula; sementes ariladas

      • 5. Plantas hemiepífitas; raízes escoras ausentes, raízes adventícias presentes; folhas coriáceas .................. ........................................................................................................................................ Clusia panapanari

      • 5. Plantas arbóreas; raízes escoras presentes, raízes adventícias ausentes; folhas cartáceas

        • 6. Botões florais oblongos; ca. 48 estames, teretes ........................................... Tovomita fructipendula

        • 6. Botões florais esferoides; ca. 15 estames, subclavados ....................................... Tovomita guianensis

Clusiaceae Lindl.

Árvores, raramente hemiepífitas (Clusia panapanari), com exsudato de coloração branca a amarelada, glabras. Folhas opostas, simples, glabras, margem inteira, lisa ou levemente ondulada, pecioladas, sem estípulas, consistência da lâmina subcoriácea, coriácea ou cartácea, os canais de exsudato visíveis na lâmina foliar ou inconspícuos. Inflorescência terminal ou axilar (raramente ocorrem flores solitárias) com tipos variados: cimeiras, umbelas, fascículos ou dicásios. Flores unissexuadas ou bissexuadas (Symphonia e Platonia), vistosas ou pouco vistosas, actinomorfas, cálice (2-)4(-5)-mero; corola (4-)5-8(-9)-mera; estames livres (5-48), reunidos em fascículos (> 100 por fascículo em Platonia) ou unidos formando um tubo estaminal (Symphonia); anteras diminutas, estaminódios às vezes presentes; ovário súpero, (2-)3-4(-5)-carpelar, estilete muito curto (exceto em P. insignis) ou ausente, com estigma em formato triangular, estrelado, cônico, disciforme ou caliptriforme. Frutos do tipo baga ou cápsula carnosa, lisos ou equinados, quando baga, ricos em polpa de coloração esbranquiçada. Sementes ariladas ou não, sendo o arilo geralmente laranja e mais raramente vermelho.

1. Clusia panapanari (Aubl.) Choisy, Prodr. 1: 559. 1824.

Figura 2 a-c

Figura 2
a-c. Clusia panapanari (Aubl.) Choisy. a. detalhe da flor pistilada em vista frontal. b. flor em vista lateral. c. fruto fechado. d. fruto maduro de Garcinia gardneriana (Panch. & Triana) Zappi. e. fruto maduro de Garcinia madruno (Kunth) Hammel. f-i. Platonia insignis Mart. f. árvore florida. g. ramo com flor. h. detalhe da flor com pétalas róseas com nuances amareladas. i. detalhe dos numerosos estames dispostos em fascículos e do gineceu esverdeado. Fotos: a-b. Alessandro Ferreira. c. Karena Pimenta. d. André Brandão. e. Lucas Marinho. f. Aluísio Fernandes. g-i. Maria Fernanda Gomes.
Figure 2
a-c. Clusia panapanari (Aubl.) Choisy. a. detail of the pistillate flower in frontal view. b. flower in side view. c. closed fruit. d. mature fruit of Garcinia gardneriana (Panch. & Triana) Zappi. e. mature fruit of Garcinia madruno (Kunth) Hammel f-i. Platonia insignis Mart. f. flowering tree. g. branch with flower. h. detail of flower with pink petals and yellowish nuances. i. detail of the numerous stamens arranged in fascicles and the greenish gynoecium. Photos: a-b. Alessandro Ferreira. c. Karena Pimenta. d. André Brandão. e. Lucas Marinho. f. Aluísio Fernandes. g-i. Maria Fernanda Gomes.

Hemiepífitas, alcançando até 7 m alt.; raízes escoras ausentes, raízes adventícias presentes; exsudato branco a amarelado, conspícuo. Folhas com pecíolo 0,3-0,6 cm compr., liso; lâminas foliares 2,9-9 × 1,9-4,4 cm, coriáceas, verde-escuras, obovadas a elípticas, ápice arredondado a acuminado, base decurrente, margem inteira, lisa; nervura central proeminente nas faces adaxial e abaxial; nervuras secundárias pouco salientes nas duas faces; canais de exsudato conspícuos. Inflorescências terminais 3-16 flores, cimosas; botões florais oblongo. Flores unissexuadas, 1,4-1,6 cm diam., sépalas 5, 0,2-0,5 × 0,2-0,5 cm, brancas a esverdeadas, orbiculares, subcoriáceas, margens membranáceas e livres; pétalas 5, 0,4-0,7 × 0,3-0,5 cm, brancas com base interna vermelha, obovais, membranáceas e livres; flores estaminadas com pedicelos 0,2-0,4 cm compr.; estames 10, ca. 1,5 mm compr., clavados, amarelados e livres; anteras amarelas; pistilódio ausente; flores pistiladas com pedicelos ca. 0,5 cm compr.; estaminódios 8-10, ca. 0,1 cm compr., amarelados, resiníferos e unidos; ovário ca. 0,2 cm compr., 5-locular, amarelo; estilete ca. 0,3 cm compr.; estigma em formato triangular. Frutos tipo cápsula 0,7-2,3 × 0,7-1,3 cm, piriformes a elípticos, verde quando imaturos e verdes a vináceos quando maduros. Sementes numerosas, envoltas por arilo vermelho.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São Luís, Araçagy, próximo ao Recanto Cabral, 11-IV-1988, M. Ribeiro 39 (SLUI!); ibid., Alumar, 21-XI-1995, K.B. Ferreira s/n (MAR 14265!). Ilha de São Luís, Estreito Coqueiro, supralitoral, proximidades de transição manguezal - terra firme, 18-VI-1984, M.C.F.V dos Santos & E. Damázio 76 (MAR!).

Material adicional examinado: BRASIL. MARANHãO.Morros, estrada de terra perpendicular à MA-402, em mata de galeria, 02º51’25,1”S, 43º59’25,6”W, 08-VII-2023, A.W.C. Ferreira 1233 (MAR!). PARá: Parauapebas [Marabá], Lagoa da Bauxita, 29-I-1985, bot., O.C. Nascimento et al. 1056 (MG!); platô N4, 12-I-2010, L.C.B. Lobato et al. 3807 (MG!); N4WS, 505 m, 24-III-2012, A.J. Arruda 828 (BHCB!); N5, trilha da Lagoa da Mata, 665 m, 21-VI-2015, R.M. Harley et al. 57250, 57252 (MG!); próximo à portaria do N5, 02-IX-2015, A. Gil et al. 512 (MG!).

Clusia panapanari é registrada no Brasil em parte nos Estados da Região Norte (Amazonas, Amapá, Pará e Roraima) e da região Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí). Pode apresentar variação considerável nas flores estaminadas, que têm muitos ou poucos estames, livres e clavados, com ou sem pistilódio e presença de resina (Flora e Funga do Brasil 2024).

Esta espécie também pode ser reconhecida pelo hábito hemiepifítico com raízes adventícias e pelas folhas pecioladas, coriáceas, obovadas a elípticas e com canais de exsudato conspícuos. Não há registros de amostras mais recentes depositadas nos herbários consultados. Este fato pode sugerir que C. panapanari pode estar restrita a pequenas populações na ilha, ou até mesmo ter se extinguido localmente. Talvez esse seja outro efeito da urbanização nessa região de estudo, que costuma afetar as populações de plantas com hábitos de vida específicos, como as epífitas e as hemiepífitas (Giacon et al. 2022). Portanto, C. panapanari poderia ser utilizada como um indicador de preservação ambiental.

2. Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi, Kew Bull. 48(2): 410. 1993.

Figura 2 d

Árvore, ca. 6 m alt., raízes escoras e adventícias ausentes; exsudato amarelo-esbranquiçado, escasso. Folhas com pecíolo 0,5-1,8 cm compr., estriado transversalmente; lâminas foliares 5,9-14,3 × 1,7-7 cm, subcoriáceas, verde-escuras na face adaxial e opacas na abaxial, oblongas a elípticas com ápice e base atenuados, margem ligeiramente sinuosa; nervura central proeminente nas faces adaxial e abaxial; nervuras secundárias proeminentes em ambas as faces; canais de exsudato conspícuos. Inflorescências em fascículos, axilares, com 5-15 flores. Flores unissexuadas, ca. 1 cm de diâmetro; sépalas 2, 0,2-0,3 × 0,1-0,3 cm, branco-esverdeadas, arredondadas, subcoriáceas, margens membranáceas, unidas na base; pétalas 4, 0,4-0,6 × 0,2-0,7 cm, brancas, fortemente reflexas após a antese, oblongo-ovadas, subcoriáceas, livres; flores estaminadas com pedicelos 0,1-0,25 cm compr.; estames12-20, 0,4-0,6 cm compr., terete, dispostos em 2 séries, eretos, hialinos e livres; anteras apicais; pistilódio ausente; flores pistiladas com pedicelos 1,3-1,6 cm compr. com ca. 9 estaminódios, 0,2-0,3 cm compr., livres; ovário súpero ca. 0,35 cm alt., 2(-3)-locular, oval; estigma ca. 0,2 alt. Frutos tipo baga 2,5-5,1 × 2,1-3,7 cm, globosos, epicarpo liso, verde quando imaturos, amarelos quando maduros, polpa branca, mucilaginosa. Sementes elípticas, 1-2 por fruto, exariladas.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São Luís, Reserva Rosa Mochel, UEMA, Fazenda Escola, 21-VII-2022, A.K.M Pereira & M. Mota 02 (SLUI!).

Material adicional examinado: MARANHãO (em cultivo, matrizes provenientes de outras locais do Estado do Maranhão): São Luís, UEMA, campus Paulo VI, 09-X-2015, S. Searlath 01 (SLUI!); ibid., 29-X-2018, L.R.S. Nascimento s/n (SLUI 5392!); ibid., 29-X-2018, L.R.S. Nascimento s/n (SLUI 5393!); ibid., 17-X-2018, F.H. Muniz et al. 4100 (SLUI!).

Garcinia gardneriana é nativa, mas não endêmica do Brasil, e apresenta registros de ocorrência nas cinco Regiões do país (Flora e Funga do Brasil 2024). Na Ilha de São Luís, apresenta registros apenas em remanescentes florestais no interior do campus da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Neste sentido, os espécimes cultivados na ilha, foram considerados como material adicional, uma vez que as sementes são de outras localidades do Estado. A espécie pode ser reconhecida pelas folhas pecioladas, oblongas a elípticas, verde-escuras na face adaxial e opacas na abaxial; pela inflorescência em fascículos axilares; e pelo fruto liso, amarelo-esverdeado, subgloboso a elíptico (Flora e Funga do Brasil 2024).

O fruto de G. gardneriana é comestível e bem reconhecido no Brasil. É apreciado pelo sabor doce-acidulado de sua polpa branca mucilaginosa, que envolve as sementes, e na culinária popular, são aproveitados principalmente para a produção de compotas e licores (Carvalho 2014).

3. Garcinia madruno (Kunth) Hammel, Ann. Missouri Bot. Gard. 76 (3): 928. 1989.

Figura 2 e

Árvore, ca. 9 m alt., raízes escoras e adventícias ausentes; exsudato amarelo. Folhas com pecíolo 0,5-1 cm compr., estriado transversalmente; lâminas foliares 7-12 × 3-5 cm, subcoriáceas a coriáceas, verde-escuras, oblongas com ápice agudo a acuminado, base arredondada a atenuada, margem inteira; nervura central proeminente nas faces adaxial e abaxial; nervuras secundárias proeminentes na face abaxial; canais de exsudato conspícuos. Inflorescências em fascículos, axilares. Flores não vistas. Frutos tipo baga ca. 2,3 × 1,1 cm, elipsoide, epicarpo ornamentado, verde quando imaturos, amarelos quando maduros, polpa branca, mucilaginosa. Sementes lisas, elípticas, 2 por fruto, exariladas.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. Island of São Luiz, Anil, I-1940, fr., R.L. Fróes & B. A. Krukoff 11703 (NY imagem!).

Material adicional examinado: BRASIL. MARANHãO.Carolina, Parque Nacional da Chapada das Mesas, Faz. Monte Alegre, 27-I-2021, L.C. Marinho et al. 1652 (BMA!, HUEFS!, MAR!).

Garcinia madruno é nativa, mas não endêmica do Brasil, e apresenta registros de ocorrência em quase todos os Estados do domínio Amazônico, exceto Roraima, além da Bahia e Minas Gerais, em áreas de Floresta Atlântica (Flora e Funga do Brasil 2024). Na Ilha de São Luís, apresenta apenas um registro depositado no herbário NY e datado de 1940. Segundo as anotações, o espécime possui aproximadamente 9 m de altura e estava localizado na região do Anil, uma área que hoje em dia, encontra-se completamente urbanizada. Diante da ausência de materiais recentes, do porte dos espécimes e ausência de locais preservados, é possível que G. madruno tenha se extinguido na ilha. Garcinia madruno pode ser diferenciada de G. gardneriana especialmente pelos frutos ornamentados (vs. liso em G. gardneriana).

4. Platonia insignis Mart., Nov. Gen. Sp. Pl. 3: 169, t. 288-II, 289. 1829 [1832].

Figura 2 f-i

Árvore, ca. 6 m alt., raízes escoras e adventícias ausentes, exsudato amarelado. Folhas com pecíolo 1,1-1,5 cm compr., liso; lâminas foliares 7-12,5 × 3,7-7,5 cm, coriáceas, verde-brilhosas, elípticas a oblongas, ápice acuminado, base arredondada, margem levemente ondulada, nervura central imersa na face adaxial e proeminente na face abaxial, nervuras secundárias proeminentes na face adaxial e imersas na face abaxial; canais de exsudato inconspícuos. Inflorescência terminal, flores solitárias ou em grupos de 2-12 em pedúnculos. Flores bissexuadas, pedicelo ca. 2 cm compr.; botões florais ovais, 3-6 cm compr.; sépalas 5, 0,7-0,8 × 0,5-1 cm, verde-claras, livres; pétalas 5, 5-5,5 × 4-5 cm, rosa em tom claro com nuances amareladas, aveludadas, livres; estames reunidos em 5 fascículos, > 100 estames por fascículo, 4-6 cm compr., amarelo-esverdeados; anteras amarelo-esverdeadas; ovário ca. 2 cm compr., verde-esbranquiçado, unicarpelar; estilete ca. 3,2 cm compr., verde-claro; estigma 5-lobado, lobos alongados. Frutos tipo baga, 4-7 × 3-4,5 cm, esféricos ou ovoides, epicarpo liso, coriáceo e resinoso, fruto verde quando imaturo e verde-amarelado, verde uniforme, amarelo ou marrom-avermelhado quando maduro, mesocarpo mucilaginoso branco a amarelado. Sementes subglobosas ou assimétricas, 5, exariladas.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São Luís, Granja Barreto, 3-IX-1949, fl., R.L. Fróes 28558 (NY imagem!); ibid., 15-IX-1952, fr., R.L. Fróes 29337 (NY imagem!); ibid., Base física do Itapiracó, 20-VII-1989, K. Mourão s/n (MAR 2452!); ibid., Universidade Federal do Maranhão, campus Bacanga, 15-VIII-2019, A.C.A. Silva 01 (MAR!), ibid., Universidade Federal do Maranhão, campus Bacanga, 03-V-2023, M.F.S. Gomes & L.C. Marinho 01 (MAR!).

Platonia insignis ocorre nas regiões Norte e Nordeste do país (Flora e Funga do Brasil 2024) e ampla na Ilha de São Luís. Algumas características marcantes são as folhas de coloração verde intenso e brilhante na face adaxial, e pálida na face abaxial; as flores de coloração rósea, grandes e vistosas, bissexuadas, com estames agrupados em cinco fascículos. Seu fruto, chamado localmente de bacuri, possui importância econômica e é caracterizado pela coloração geralmente verde-amarelada ou amarela quando maduro, pelo mesocarpo espesso e coriáceo que libera resina amarela e pelo endocarpo (parte comestível) de sabor agridoce, aroma agradável e coloração branca (De Carvalho & Do Nascimento 2017). Um fato que colabora ainda mais para o consumo do fruto da bacuri na região de estudo, mesmo em áreas com influências urbanas, é a capacidade dessa espécie emitir brotações laterais derivadas das raízes, que podem gerar pequenos pomares a partir de apenas um indivíduo (Homma et al. 2007).

5. Symphonia globulifera L.f., Suppl. Pl. 302. 1781 [1782].

Figura 3 a-c

Figura 3
a-c. Symphonia globulifera L.f. a-b. árvore localizada na Área de Proteção ambiental do Itapiracó. c. Flor, detalhe dos estames unidos, formando um tubo e do estigma em formato estrelado. d-g. Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess. d. árvore em região alagada. e. detalhe da flor estaminada e botões florais oblongos. f. detalhe da flor pistilada em vista lateral. g. fruto aberto. h-i. Tovomita guianensis Aubl. h. detalhe da flor estaminada em vista lateral. i. detalhe da flor pistilada em vista frontal. Fotos: a,c,e. Maria Fernanda Gomes. b,d,f,g. Lucas Marinho. h,i. Hervé Galliffet.
Figure 3
a-c. Symphonia globulifera L.f. a-b. tree at the Área de Proteção Ambiental do Itapiracó. c. flower, detail of the fused stamens, forming a tube and the stigma in a star shape. d-g. Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess. d. tree in flooded area. e. detail of the staminate flower and oblong floral buds. f. detail of the pistillate flower inside view. g. open fruit. h-i. Tovomita guianensis Aubl. h. detail of the staminate flower inside view. i. detail of the pistillate flower in front view. Photos: a, c, e. Maria Fernanda Gomes. b,d,f,g. Lucas Marinho. h, i. Herve Galliffet.

Árvore, ca. 15 m alt., raízes escoras presentes, raízes adventícias ausentes; exsudato amarelo. Folhas com pecíolo 0,5-1 cm compr., liso; lâminas foliares 5,5-9,7 × 2-2,9 cm, subcoriáceas, verdes lustrosas na face adaxial, acobreadas quando secas, elípticas a oblongas, ápice acuminado, base arredondada a decurrente, margem inteira, nervura central imersa na face adaxial e proeminente na face abaxial, nervuras secundárias imersas em ambas as faces; canais de exsudato inconspícuos. Inflorescência terminal, umbeliforme, com até 7 flores. Flores bissexuadas, pedicelos 1-1,9 cm compr., botões florais esféricos, 1-1,7 cm compr.; sépalas 5, 0,4-1,9 × 0,5-2,5 cm, vermelhas, pouco carnosas, unidas; pétalas 5, 0,5-1,5 × 0,2-1,7 cm, vermelhas, pouco carnosas, livres; estames 5, unidos formando um tubo estaminal, 0,6-1,5 cm compr., vermelhos; anteras amareladas; ovário 0,2-0,5 cm compr., amarelado, unicarpelar; estilete 0,3-1,2 cm, amarelo; estigma 5-lobado, formando uma estrutura estrelada. Frutos tipo baga, ca. 2,5 × 1,8 cm, arredondado, epicarpo liso, verde quando imaturo, amarelado quando maduro, mesocarpo verde-amarelado. Sementes subglobosas ou assimétricas, 1-8, exariladas.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São José de Ribamar, APA do Itapiracó, 19-VI-2021, L.C. Marinho et al. 1705 (MAR!). São Luís, 1940, R.L. Fróes 11878 (NY imagem!); ibid., 10-V-1949, fl., R.L. Fróes 24232 (NY imagem!); ibid., Reserva Florestal do Sacavém, 24-IV-1991, J. Ferreira & E. Barroso 26 (MAR!); ibid., APA do Itapiracó, 08-VI-2023, M.F.S. Gomes et al. 28 (MAR!).

Symphonia globulifera apresenta distribuição nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, é nativa, mas não é endêmica do Brasil (Flora e Funga do Brasil 2024). Na Ilha de São Luís, é encontrada em regiões úmidas e preservadas, como por exemplo, a APA do Itapiracó (figura 3 a-c).

Em campo, S. globulifera é facilmente reconhecida pelas inflorescências umbeliformes, flores vermelhas e vistosas, que caem e formam um “tapete” abaixo da árvore, geralmente de grande porte. Outra característica importante para reconhecê-la são os cinco estames, unidos, formando um tubo estaminal. Além do mencionado “tapete” vermelho de peças florais na superfície do solo, foi comum observar partes inteiras das inflorescências de S. globulifera caídas devido a ação forrageadora de periquitos e jandaias (família Psittacidae).

6. Tovomita fructipendula (Ruiz & Pav.) Cambess., Mém. Mus. Hist. Nat. 16: 419. 1828.

Figura 3 d-g

Árvore, ca. 3 m alt., raízes escoras presentes, raízes adventícias ausentes; exsudato amarelado abundante. Folhas com pecíolo 0,5-0,8 mm compr., liso; lâminas foliares 4-9,9 × 1-3,9 cm; cartáceas, verdes, acobreadas quando secas, elípticas a estreito-elípticas, ápice agudo a atenuado, base atenuada; margem inteira; nervura central proeminente nas faces adaxial e abaxial; nervuras secundárias imersas na face adaxial e proeminentes na face abaxial; canais de exsudato inconspícuos. Inflorescência terminal em dicásios, com até 9 flores. Flores unissexuadas, 2 sépalas 2, 0,3-0,6 × 0,2-0,4 cm; pétalas 4, 0,6-0,8 × 0,2-0,5 cm; botões florais oblongos, 0,3-0,5 cm compr.; flores estaminadas com pedicelos de 0,6-0,7 cm compr.; sépalas esverdeadas, oblongas, pouco carnosas e livres; pétalas esbranquiçadas, membranáceas e livres; ca. 48 estames, 0,2-0,5 cm compr., teretes, brancos, livres; anteras amareladas; pistilódio inconspícuo; flores pistiladas com pedicelo ca. 1,1 cm compr.; sépalas esverdeadas, pouco carnosas e livres; pétalas alaranjadas, membranáceas e livres; ca. 42 estaminódios 0,3-0,4 cm compr., alaranjados e livres; ovário ca. 0,2 cm compr., ovoide, branco a amarelado, 4-locular; estilete ca. 0,3 cm compr., branco; estigma em formato cônico. Frutos tipo cápsula, ca. 2 × 1,3 cm, esférico; com 4 valvas; epicarpo áspero; acastanhado quando imaturo e maduro; mesocarpo alaranjado a vermelho. Sementes ovais, 4, com arilo laranja.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São Luís, Alumar, 17-III-1995, N.A. Rosa s/n (MAR 3485!); ibid., APA do Itapiracó, 08-VI-2023, M.F.S. Gomes et al. 22 (MAR!).

Material adicional examinado: BRASIL. MARANHãO.Morros, Rio Una, Pousada Pedra Grande, 02º50’56”S, 44º01’59”W, 01-VIII-2020, A.W.C. Ferreira 130 (MAR!); ibid., ramal à margem da MA-110, Rio Una, próximo à ponte de madeira, 16-VII-2022, L.C. Marinho et al. 1806 (MAR!).

Tovomita fructipendula apresenta ocorrências confirmadas em apenas três regiões brasileiras - Norte, Nordeste e Sudeste. É nativa, mas não é endêmica do Brasil (Flora e Funga do Brasil 2024). Na Ilha de São Luís, foi registrada em uma região alagada e de difícil acesso, dentro da APA do Itapiracó, além de um espécime dentro da área do Parque de Aventura Valparaíso.

Quando estéreis, as espécies de Tovomita podem ser confundidas em coleções de herbário com Garcinia. No entanto, em Tovomita, os canais de exsudato são poucos visíveis, ao passo que são bem evidentes em Garcinia. Quando férteis, a posição terminal das inflorescências (vs. axilar em Garcinia) é determinante.

7. Tovomita guianensis Aubl., Hist. Pl. Guiane 2: 957, t. 364. 1775.

Figura 3 h-i

Arbusto, ca. 3 m alt., raízes escora presentes, raízes adventícias ausentes; exsudato amarelado, escasso. Folhas com pecíolo 1,3-2,9 cm compr., liso; lâminas foliares 8,9-20 × 3,1-7 cm, cartáceas, verde-escuras, vermelho-arroxeadas quando secas, elípticas com ápice acuminado e base decurrente; margem inteira, lisa; nervura central proeminente nas faces adaxial e abaxial; nervuras secundárias imersas na face adaxial e proeminentes na abaxial; canais de exsudato conspícuos. Inflorescência em dicásios, com até 9 flores, e dicásio na pistilada com 3 flores. Flores unissexuadas, sépalas 2, 0,5-0,7 × 0,4-0,8 cm; pétalas 4, 0,5-0,9 × 0,2-0,7 cm; botões florais esferoides, 0,4-0,7 cm compr.; flores estaminadas com pedicelos 0,8-1,1 cm compr.; sépalas esverdeadas, oblongas, pouco carnosas e livres; pétalas esbranquiçadas, membranáceas e livres; ca. 15 estames, ca. 0,3 cm compr., amarelos e livres, subclavados; anteras amareladas; pistilódio amarelo; flores pistiladas com pedicelos de 0,9-1,5 cm compr.; sépalas esverdeadas, pouco carnosas e livres; pétalas esbranquiçadas, membranáceas e livres; 15-20 estaminódios 0,2-0,5 cm compr., amarelos e livres; ovário ca. 0,3 cm compr., ovoide, 4-locular, amarelado; estigma em formato triangular. Frutos tipo cápsula 2-2,3 × 0,9-1,3 cm, esférico, epicarpo liso, verde quando imaturo e maduro, mesocarpo vináceo a vermelho. Sementes ovais, 4, com arilo laranja.

Material examinado: BRASIL. MARANHãO. São Luís, 10-V-1949, fl., R.L. Fróes 24230 (NY imagem!).

Material adicional examinado: BRASIL. MARANHãO.Axixá, estrada de terra para Presidente Juscelino, paralela ao rio Munin, em igarapé afluente do Rio Munin (planta masculina), 02º52’15”S, 44º03’26”W, 28-VI-2021, A.W.C Ferreira 439 (MAR!); Cachoeira Grande, estrada para o Povoado São José, Rio Piranji, ponte de madeira, (planta feminina), 03º2’14,9”S, 43º53’47,9”W, 09-VIII-2022, A.W.C Ferreira 897 (MAR!).

Tovomita guianensis apresenta ocorrências confirmadas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, é nativa, mas não é endêmica do Brasil (Flora e Funga do Brasil 2024). Não há espécimes depositados nos herbários da ilha, apenas no herbário NY. Como a única coleta registrada para a Ilha de São Luís ocorreu em 1949, e desde então não houve nenhum novo registro, é possível que T. guianensis possa ter sido extinta na ilha ou que esteja restrita a pequenas populações, visto que esta espécie ocorre em áreas preservadas e que a área urbana se expandiu muito ao longo das últimas décadas, apresentando cada vez menos áreas propícias para seu desenvolvimento e reprodução.

Tovomita guianensis pode ser diferenciada de T. fructipendula pelos botões florais esferoides (vs. oblongos em T. fructipendula), pelo formato dos estames e estaminódios (subclavados vs. teretes em T. fructipendula) e, especialmente, pelos frutos lisos (vs. ásperos em T. fructipendula).

Conclusão

Na etapa da pesquisa realizada nos herbários foi perceptível a falta de coletas recentes para algumas espécies, sobretudo aquelas que não são facilmente cultivadas e que não apresentam frutos comestíveis; a maioria encontrava-se com poucas estruturas reprodutivas. Isso pode ser explicado pelo fato de as Clusiaceae normalmente ocuparem áreas florestadas e preservadas da ilha, e com a crescente urbanização, os ambientes propícios para a ocorrência das espécies estão ficando cada vez mais escassos, o que reflete a dificuldade de encontrá-las e coletá-las. Os prováveis efeitos dessa urbanização na Ilha de São Luís foram notáveis no caso da ausência de registros de Clusia grandiflora, já que essa espécie é amplamente distribuída em outras localidades adjacentes à Ilha de São Luís, bem como em áreas de Cerrado, Amazônia e litoral do Estado do Maranhão. Em contraste, constatou-se que dentre as espécies analisadas, Platonia insignis apresentou um número significativo de amostras recentes depositadas nos herbários MAR e SLUI, isso se deve ao fato de ser uma planta amplamente cultivada na ilha, cujo fruto (o bacuri) é importante economicamente em todo o Estado do Maranhão; a árvore também é explorada com finalidade madeireira, embora de forma menos intensa (De Carvalho & Do Nascimento 2017). Ainda, foram observados casos como o de C. panapanari, G. madruno e T. guianensis, que podem ter se extinguido na ilha ou estarem restritas a pequenas populações por apresentarem apenas poucos e antigos registros e nenhum atual, demonstrando assim que não são encontrados com a mesma frequência ou facilidade de outras espécies, e se ainda estão presentes na ilha, estão em regiões de difícil acesso.

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo financiamento dessa pesquisa por meio do Edital Universal (#402943/2021-0). À Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) (Edital Universal, 01312/2019). Agradecemos também aos Curadores dos Herbários citados, por disponibilizarem o acesso aos acervos: à Francisca Muniz e Thiago Mouzinho, pelo auxílio com as espécies do gênero Garcinia.

  • 1
    Parte do Trabalho de Conclusão de Curso da primeira Autora

Literatura Citada

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Editado por

  • Editor Associado:
    Renata Sebastiani

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jan 2025
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    23 Fev 2024
  • Aceito
    02 Ago 2024
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