Open-access Apresentação

Apesar do domínio da escrita, os recursos aos meios visuais aparecem valorizados desde as primeiras experiências etnográficas por antropólogos precursores da utilização de recursos audiovisuais neste século. Menos privilegiadas apareceram, ao longo do tempo, as reflexões teóricas em torno do seu uso e força epistemológica na produção do conhecimento antropológico.

Cada vez mais harmonizado com a “civilização da imagem”, o conhecimento antropológico hoje recorre ao recurso imagético não só como meio de pesquisa, mas como instrumento interativo a centros de pesquisa de diferentes áreas que têm, no uso da imagem, um modo de conhecimento comum abordado sob uma riqueza de reflexões multidisciplinares.

Com o objetivo de integrar a UFRGS de uma maneira definitiva nos diálogos e intercâmbios em torno da produção audiovisual em ciências sociais o Programa de Pós-Graduação de Antropologia da UFRGS, através do Núcleo de Antropologia Visual, promoveu, em 1992, a I Jornada de Antropologia Visual, contando para isso com o apoio financeiro da Fapergs.

A fim de ampliar essa experiência, em outubro de 1994 buscou-se consolidar um fórum mais amplo para se avaliar sobre a produção teórico-metodológica no país, no Cone Sul, na Europa e nos EUA, com a realização da II Jornada de Antropologia Visual promovida pelo PPGAS, contando com o apoio financeiro da Fapergs e Propesp/UFRGS. Além de evidenciar a produção local, esse encontro científico proporcionou uma intensa troca de experiências que buscamos divulgar.

É difícil historicizar em curto espaço o que a II Jornada nos proporcionou em termos de amadurecimento e intercâmbio. Para a realização desse evento, contamos com o estímulo de Patrícia Mont-Mór, curadora da II Mostra Internacional do Filme Etnográfico realizado no Rio de Janeiro, de 20 de setembro a 2 de outubro de 1994, que nos possibilitou realizar uma versão condensada dessa mostra internacional. Na leva deste apoio foi possível também contar com a presença do cineasta e antropólogo francês professor Marc-Henri Piault que desenvolveu uma oficina sobre “Crítica de Filmes Etnográficos”. Esse verdadeiro “mergulho” na história do filme etnográfico foi seguido de outras oficinas teóricas e práticas, para o qual contamos com a valiosa presença do professor Etienne Samain da Unicamp que nos ensinou sobre o uso do material fotográfico nos primórdios da antropologia.

O Simposium Internacional (de 8 a 10 de outubro de 1994) consolidou o momento de maior intercâmbio da II Jornada e cujos textos, que nos foram fornecidos, são reproduzidos nesta revista, dedicada à antropologia visual. Contando com quatro encontros temáticos, os painelistas, professores Marc-Henri Piault, Marcius Freire (Unicamp) e Dominique Gallois (USP-CTI), abriram o debate com o tema “Da tradição do filme etnográfico às suas perspectivas atuais”. Na seqüência, tivemos a oportunidade de ouvir o professor Etienne Samain (Unicamp), a professora Mariel Cisneros (Universidad de La República, do Uruguai) e a antropóloga Ana Luiza Rocha (UFRGS) repensando sobre a linguagem visual na antropologia. Nos relatos de suas experiências de pesquisa, que conjugam a antropologia visual e o método de histórias orais ou narrativas biográficas, tivemos a oportunidade de ouvir as professoras Susana Sel (Universidad de Buenos Aires), Bela Feldman-Bianco (Unicamp) e Clarice Peixoto (UERJ). E, na finalização, esteve em evidência o debate sobre a imagem no texto etnográfico nas apresentações da professora Carmen Silvia Rial (UFSC) e das antropólogas Jacqueline Pólvora (UFRGS) e Claudia Turra Magni (UFRGS).

Somados a esses trabalhos, trazemos também duas produções locais, os textos de Nuno Godolphim e Claudia Fonseca apresentados na XIX Reunião da ABA (Niterói, 27 a 30 de março de 1994) e na 2ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico.

Por fim cabe salientar que, neste ano, o Projeto de Antropologia Visual se consolida, sob a coordenação da professora Cornelia Eckert, como Núcleo de Antropologia Visual (Navisual), contando para isso com o apoio do PPGAS/UFRGS, sob a coordenação do professor Ari Pedro Oro e do Departamento de Antropologia, sob a chefia da professora Daisy Macedo de Barcellos.

A trajetória e experiência de trabalho do Navisual, que, sem dúvida nenhuma, é o resultado de um trabalho conjunto que exprime o esforço de todos os professores do PPGAS, dos alunos do mestrado e doutorado do PPGAS, de bolsistas e funcionários, é resumidamente relatada pela professora Cornelia Eckert (coordenadora do Navisual), pelos mestrandos Nuno Godolphim (Coordenação Técnica) e Rogério Rosa e pela bolsista recém-mestre Adriane Rodolpho no Espaço Aberto. Neste mesmo espaço trazemos também a transposição de um trecho da entrevista que realizamos com o fotógrafo Milton Gurhan, por ocasião de sua visita a Porto Alegre, exemplificando um pouco da produção registrada como acervo didático em antropologia visual.

Cornelia Eckert e Nuno Godolphim, organizadores

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Fev 2026
  • Data do Fascículo
    1995
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