Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo relatar alguns problemas socioambientais, os quais podem ser notados a partir das percepções das paisagens. Estas paisagens foram visualizadas a partir do trajeto percorrido para participar das aulas do Programa de Pós Graduação em Geografia da Universidade Federal de Jataí, sendo observadas as paisagens de oito municípios mato-grossenses (cinco) e goianos (três). Com base nessas percepções, foi possível detectar problemas provenientes do agronegócio, tais como: degradação ambiental, desigualdade social e presença de transporte de carga em áreas urbanas. Neste contexto o é possível concluir que a busca pelo lucro é algo que não há limitação, visto que há favorecimento a pequenos grupos da sociedade em detrimentos da população mais vulnerável.
Palavras-chave:
agronegócio; problemas socioambientais; paisagem
Abstract
The present research aims to report some socio-environmental problems, which can be noticed from the perceptions of the landscapes. These landscapes were visualized from the route taken to participate in classes in the Postgraduate Program in Geography at the Federal University of Jataí, observing the landscapes of eight municipalities in Mato Grosso (five) and Goiás (three). Based on these perceptions, it was possible to detect problems arising from agribusiness, such as: environmental degradation, social inequality and the presence of freight transport in urban areas. In this context, it is possible to conclude that the search for profit is something that is not limited, as small groups in society are favored to the detriment of the most vulnerable population.
Keywords:
agribusiness; socio-environmental problems; landscape
Resumen
La presente investigación tiene como objetivo reportar algunos problemas socioambientales, que pueden notarse a partir de las percepciones de los paisajes. Estos paisajes fueron visualizados a partir del recorrido realizado para participar de las clases del Programa de Postgrado en Geografía de la Universidad Federal de Jataí, observando los paisajes de ocho municipios de Mato Grosso (cinco) y Goiás (tres). A partir de estas percepciones fue posible detectar problemas derivados del agronegocio, tales como: degradación ambiental, desigualdad social y presencia del transporte de carga en las zonas urbanas. En este contexto, es posible concluir que la búsqueda de lucro es algo que no tiene limitación, ya que se favorece a pequeños grupos de la sociedad en detrimento de la población más vulnerable.
Palabras clave:
agronegocios; problemas socioambientales; paisaje
Introdução
Em um viés revolucionário, dos ideais defendidos por Marx, resultou várias obras que questionam os caminhos percorridos pela sociedade principalmente com a ascensão do capitalismo, o qual acentuou as desigualdades sociais e favorecimentos de classes que compõem pequena parte da população em detrimento da grande massa populacional (Engels; Marx, 1999).
Estes questionamentos se desenvolvem principalmente por conta da acentuação dos problemas sociais em todos os setores, ocasionados principalmente pós revolução industrial, mediante a isso, os autores que trabalham com esse viés desenvolveram e desenvolvem obras importantíssimas que visam promover uma Geografia que vai além das academia, ou seja, uma Geografia com relevância social que possa fazer diferença principalmente para a maior parte da população, que no Brasil e em boa parte do mundo é menos favorecida, algo primordial no setor agrário (Marques, 2018).
O pensamento geográfico crítico está presente em praticamente todos os setores das pesquisas, como por exemplo: população, economia, política, urbana, bem como a Geografia agrária e outros, assim sendo esta tendência consolidou-se a partir das pesquisas da escola uspiana, a partir de autores importantes, tais como Léa Goldenstein, Pasquale Petrone, Manoel Seabra, Antonio Carlos Robert de Moraes, Wanderley Messias, André Roberto Martin, Sandra Lencioni, Ana Fani A. Carlos, Amélia Luisa Damiani, Milton Santos e Ariovaldo U. de Oliveira, os quais nortearam diversos outros autores a desenvolver suas pesquisas no âmbito da Geografia Crítica, algo que consolidou-se cada vez mais ao longo dos anos (Marques, 2018).
No âmbito da Geografia Agrária as pesquisas tem como base alguns importantes autores, tais como Ariovaldo de Oliveira, no qual tem suas obras o destaque da promoção de uma geografia militante, a qual precisa ser desenvolvida para que haja melhora o desenvolvimento da sociedade, bem como trazer para a população o conhecimento sobre as causalidades dos fenômenos, para que seja possível traçar metas buscando alcançar a construção social mais justa e de forma mais igualitária.
Ricardo Abramovay, também seguindo a linha de buscar uma produção acadêmica que contribua com a sociedade para o progresso social e construção de uma sociedade cada vez mais justa, difere-se de Oliveira em alguns aspectos, pois em suas obras, de forma veemente, o autor ressalta que é muito difícil agir contrário ao capitalismo, devido ao poder exercido na sociedade, mas que é sempre necessário buscar alternativas para amenizar os problemas, mesmo que esse seja um trabalho árduo e vagaroso.
Marta Inês Medeiros Marques, também é uma das principais autoras na compreensão da realidade social do Brasil, sendo uma importante teórica na contextualização sobre a consolidação da Geografia Crítica no setor Agrário.
Portanto, com base nesses importantes autores é possível ter suporte para o desenvolvimento de uma Geografia a qual possa contribuir para a sociedade, para o desenvolvimento social e igualitário, sobretudo no campo, sendo este local que é “palco” de intensa desigualdade social e acumulação de capital.
Esta é a Geografia que acreditamos com a qual tentaremos contribuir a partir da produção deste artigo, sendo um artigo critico a atuação do poder público em favorecimento dos grandes produtores em detrimento da população mais vulnerável.
O objetivo desta pesquisa é relatar alguns dos problemas notáveis em municípios que compõem a realidade em que vivenciamos, visto que as economias dos municípios abordados têm seus pilares no agronegócio. Portanto, buscamos enfatizar a discrepância entre o que é propagado para a população, visão de progresso, e os problemas que convivemos diariamente que poderiam ser resolvidos caso a prioridade de quem detém o poder não fosse somente busca pelo lucro e acumulação de capital.
Referencial Teórico
A Geografia, tem como base alguns conceitos principais para direcionar o caminho que essa ciência tem percorrido ao longo de seu desenvolvimento. A partir desses conceitos é elaborado formas de análises e definições a respeitos dos fenômenos estudados (Corrêa, 2004).
O conceito de paisagem é utilizado tanto diariamente em nosso cotidiano como também em diversos estudos e áreas científicas (Corrêa, 2004).
A paisagem, como um conceito que sintetiza o objeto geográfico, deve abarcar as questões ambientais e estéticas, incluindo o homem e suas ações, diretas ou indiretas. Para demonstrar as diferentes abordagens e o desenvolvimento do conceito de paisagem apresenta-se a seguir a síntese cronológica das diferentes definições e abordagens do conceito (Holzer, 1999).
Alexander Von Humboldt fez referência à paisagem demonstrando seu interesse pela fisionomia e aspecto da vegetação, pelo clima, sua influência sobre os seres e o aspecto geral da paisagem, variável conforme a natureza do solo e sua cobertura vegetal (Holzer, 1999).
Geógrafo e etnógrafo alemão, Friedrich Ratzel, argumentava de forma contrária a Humboldt, pois dava ênfase nas questões antrópogênicas quando utilizado o conceito de paisagem, evidenciando que este concito é resultante da separação entre homem e seu meio natural (Holzer, 1999).
Carl Sauer, geógrafo americano e autor do livro “a morfologia da paisagem” descreve paisagem como um organismo complexo, resultado da associação de formas que podem ser analisadas. Constituída de elementos naturais disponíveis em um lugar, combinados às obras humanas resultantes do uso que aquele grupo cultural fez da terra (Cavalcanti, 2014).
Para Georges Bertrand o conceito de paisagem nada mais é do que uma determinada porção do espaço, resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos baseado em uma interação dialética fazem da paisagem uma interação indissociável entre estes elementos e em constante e infinita evolução (Bertrand, 1971).
Aziz Nacib Ab’Saber, compreende a paisagem como sendo o resultado de uma relação entre os processos passados e os atuais (Ab’Sàber, 2003).
Compreendemos que a paisagem não passou a existir após o nascimento do homem, ela ja estava presente, mas só quando o homem tem dela percepção é que surge o conceito definido (Cavalcanti, 2014).
A paisagem adquiriu vários significados ao longo do tempo, passando da simples análise dos componentes físicos que a compõem à inserção do homem como parte integrante e modificadora da sua realidade (Cavalcanti, 2014).
Assim, como objeto do interesse desse estudo, a paisagem pode ser entendida como o produto das interações entre elementos de origem natural e humana, em um determinado espaço. Estes elementos de paisagem organizam-se de maneira dinâmica ao longo do tempo e do espaço (Christofoletti, 1999).
Portanto, a partir das percepções das paisagens é possível observar diversos aspectos econômicos e problemas ocasionados por favorecimentos a pequenos grupos da sociedade.
Nesse sentido, verifica-se que desde 1500 a atividade econômica no campo é muito presente no Brasil e ano após ao se torna cada vez mais potencializada. O agronegócio tem os índices de produção crescentes a cada ano e resulta no destaque que o setor tem como a principal atividade econômica do país (Vieira, 2019).
As ideias propagadas à população são somente positivas para o setor, desenvolvendo na maioria dos indivíduos ideia de crescimento e progresso, porém algo que é passível de questionamentos, visto que os índices de fome e desemprego são alarmantes, bem como os índices de crescimento da economia não são proporcionais aos de crescimento do agronegócio (Mitidiero Junior; Goldfarb, 2021).
Portanto, a partir destas verificações é possível compreender que o lucro obtido por toda essa produção fica concentrado nas mãos de pequena parte da população e os danos ambientais são consideráveis (Mitidiero Junior; Goldfarb, 2021).
Porém, o campo brasileiro apresenta interesses que vão além da situação econômica, visto que nele está presente populações tradicionais e históricas que precisam da atuação de políticas públicas para alcançarem seus direitos previstos na Constituição Federal (Marques, 2002).
No Brasil há uma complexidade expressiva no campo, isto ocorre por conta de diferentes comunidades e classes sociais presentes e ainda a diversidade de domínios morfoclimáticos e recursos naturais (Marques, 2002).
Por parte de comunidades de características históricas, há os conflitos que envolve os quilombolas e os indígenas, estes conflitos estão concentrados no viés capitalista devido as investidas dos “barões” do agronegócio, garimpeiros e extratores de madeira, os quais tentam expandir as áreas para exploração sendo contrários a demarcações de territórios indígenas e quilombolas (Abramovay, 1992).
No Brasil existem dois grupos de pessoas muito importantes nos aspectos dos conflitos do campo: os quilombolas, os quais destacamos que são grupos que estão no país desde a época do Brasil colônia e sofrem com políticas tardias e inadequadas da abolição da escravatura; os povos originários desta Federação que têm suas populações reduzidas ano após ano. Esta importância se caracteriza pela necessidade de políticas públicas as quais contemplem seus anseios com senso de justiça e pautados na Constituição Federal (Abramovay, 1992).
Já os conflitos os quais envolvem os trabalhadores sem terras, também têm suas bases na Constituição Federal, a qual assegura que as terras precisam trazer retorno para a população por meio de produtividade e lucratividade. Entretanto há no Brasil problemas de titulação, existência de terras devolutas e quando há alguma normativa governamental a tendência é sempre de favorecimento aos capitalistas, sendo cada vez menos inviabilizada uma real reforma agrária (Oliveira, 2016).
Um exemplo desse favorecimento é a entrega de títulos de terra para pessoas as quais grilaram espaços e conseguiram no governo Bolsonaro a titulação desses locais, os quais deveriam pertencer a reforma agrária (Rohden, 2022).
Outro fator preponderante é a o crescimento da fronteira agrícola com favorecimento as grandes produções, em detrimento da agricultura familiar por meio de políticas públicas, resultando em uma agricultura familiar cada vez mais sujeita e subordinada aos interesses do agronegócio (Oliveira, 2016).
Não havendo políticas públicas justas a agricultura familiar faz cada vez mais parte do sistema capitalista, ocorrendo o menor poder de influência no campo e essa classe cada vez mais, perde a sua essência, ou seja, quando o agronegócio não extingue a localidade de agricultura familiar, o mesmo traça mecanismo para que essa classe venha contribuir com seus lucros, seja como comprador de matéria-prima, seja como atravessador dos produtos fabricados em locais de agricultura familiar (Paulino, 2008).
As questões ambientais também caracterizam problemas graves, pois não há limites na produção do agronegócio, mesmo que isso tenha que aumentar os índices de desmatamentos ou de utilização de agrotóxicos, gerando problemas de contaminação, poluição e contribuições para as mudanças climáticas (Rohden, 2022). Não somente os conflitos e a degradação ambiental são problemas oriundos do agronegócio, pois a partir do momento em que renda está concentrada na mão de pequenos grupos da sociedade, o reflexo se apresenta na população, por meio de desigualdade social, segregação e prestação de mão-de-obra inadequada (Mitidiero Junior; Goldfarb, 2021).
Materiais e métodos
Área de estudo
Os municípios estudados tem suas localizações no sudeste mato-grossense e sudoeste goiano. Os municípios em Mato Grosso são: Juscimeira, Rondonópolis, Pedra Preta, Alto Garças e Alto Araguaia e os municípios de Goiás são: Santa Rita do Araguaia, Mineiros e Jataí (IBGE, 2023).
O Município de Juscimeira está localizado na latitude de -16° 02’ 30” ao sul e 54° 59’ 45” em longitude a oeste, com distância de 156 Kms da capital Cuiabá, tem sua economia baseada no comércio, cultura de cana-de-açúcar e cultivo de arroz, milho feijão e outros em pequenos minifúndios, tendo ainda o turismo com tendência de crescimento por conta da presença de 22 poços de águas termais, cachoeiras e furnas. Tendo contabilizado no último censo do IBGE (2023) uma população de 11.480 pessoas (Ferreira, 2022).
Rondonópolis, está localizado a -16° 15’ 00” sul e -59° 51’ 51” oeste, distante da capital a 211 Kms. Sua economia tem destaque na produção de grãos, como soja, milho e algodão, bem como lavouras de subsistência. Outra atividade forte é a pecuária expressiva com concentração em gado. Há ainda a presença significativa de indústrias, sendo o segundo maior parque industrial do estado. Tendo destaque ainda o comércio e ecoturismo. Conta com uma população de 244.897 pessoas (Ferreira, 2022).
O município de Pedra Preta está localizado a uma latitude de -16° 35’ 20” sul e -54° 25’ 10” de longitude oeste. A economia deste município é concentrada na produção de soja, milho e algodão e em menores quantidades, arroz, feijão e outros, bem como a pecuária cresce a cada dia, juntamente com o comércio. Distante a 234 Kms da capital, tem população de 18.066 pessoas (Ferreira, 2022).
Em Alto Garças, a localização é de -16° 43’ 10” ao sul e -53 37’ 30” oeste, com economia baseada no agronegócio com cultivo de grãos, atividade pecuária, bem como comércio. A distância para a capital é de 357 Kms. Sua população é de 13.052 pessoas (Ferreira, 2022).
Alto Araguaia, está localizado a -17° 11’ 35” sul e 53° 17’ 20” Oeste, tem sua economia baseada no comércio e agronegócio a partir do desenvolvimento de culturas como soja, milho, heveicultura e agricultura de subsistência, tendo ainda a pecuária extensiva como atividade de destaque na região. Distante a 418 Kms da capital Cuiabá tem população de 17.193 pessoas (Ferreira, 2022).
Em Goiás, o município de Santa Rita do Araguaia está localizado a Latitude: 17° 19' 48'' Sul e Longitude: -53° 12' 10'', sua economia é baseada no comércio de serviços, administração pública, agropecuária e indústria, está distante 510 Kms da capital do estado, Goiânia, contando com uma população de 5.927 pessoas (IBGE, 2023).
O município de Mineiros, localiza-se a -17° 34′ 43″ Sul, -52° 32′ 33″ Oeste. Tem na agropecuária o principal setor de sua economia, está a 426 Kms de distância da capital, conta com uma população de 70.073 pessoas (IBGE, 2023).
Por fim, o município de Jataí também é abordado nessa pesquisa, o qual localiza-se a -17° 52' 33'' Sul e Longitude: -51° 43' 17'' Oeste. Sua economia é baseada na produção agropecuária, tendo como destaque a produção de milho, soja e bovinos. Está a uma distância de 320 Kms da capital Goiânia e conta com uma população de 105.729 pessoas (IBGE, 2023).
A localização específica da área de estudo se encontra na BR 364 e trecho em comum das BRs 163/364 conforme destacado na figura abaixo.
Ressaltamos que todos o trecho de Rondonópolis em diante no estado de Mato Grosso, está presente o trecho concomitante entre as rodovias BRs 163 e 364, já o trecho a partir de Pedra Preta, com sentido aos municípios goianos, são pertencentes a BR 364.
O trecho estudado tem distância de 456 Kms, partindo do município de Juscimeira-MT até o município de Jataí-GO. No mapa 1, tem o destaque em vermelho o caminho percorrido, tendo em amarelo, há as marcações dos municípios os quais o caminho perpassa.
O trecho estudado corresponde a uma estrutura que teve início do seu projeto o Programa de Desenvolvimento do Centro Oeste (PRODOESTE), a partir de novembro de 1971, que tinha por finalidade buscar desenvolvimento para os estados de Goiás e Mato Grosso (Pereira, 1974).
Com os recursos do referido programa houveram financiamentos de projetos de drenagem, construção de rodovias, frigoríficos e usinas de beneficiamento, tendo o modal rodoviário financiado pelo DNER (departamento Nacional de Estradas de Rodagem, com ligações de Cuiabá-MT a Campo Grande - MS e Rondonópolis-MT a Goiânia-GO (Pereira, 1974).
Procedimentos metodológicos
A paisagem é um importante conceito da ciência Geográfica, sendo definida por Maximiliano (2004, p. 87) como resultante da “relação dinâmica de elementos físicos, biológicos e antrópicos. E que ela não é apenas um fato natural, mas inclui a existência humana”. O autor indica ainda que a paisagem é dotada de historicidade, formulação e configurações a partir do tempo, através da combinação de diversos elementos.
Tendo como base a categoria de análise Paisagem, as percepções obtidas foram analisadas de maneira qualitativa. No que diz respeito ao método qualitativo Zanella (2013), afirma que a realização da pesquisa ocorre com busca por compreender a realidade do objeto de estudo, a partir da observação de como os indivíduos se relacionam com os fenômenos estudados.
A maior parte dos trabalhos no campo da Geografia Agrária, tem como premissa a utilização do conceito de território, porém na presente pesquisa buscamos destacar a possibilidade que qualquer indivíduo tem de detectar problemas oriundos do sistema capitalista, nesse caso, no setor agrícola, sem que seja preciso levantar dados quantitativos em órgãos oficiais. Os problemas são tão nítidos que é possível que qualquer indivíduo, somente ao observar a paisagem, dentro de um trajeto de seu cotidiano, pode perceber as contrariedades e discrepâncias do que é imposto por quem tem maior poder de capital dentro da sociedade (Maximiliano, 2004).
Portanto, tendo como base as afirmativas de Maximiliano (2004) foi possível verificar alguns problemas que puderam ser pontuados e comprovados nos municípios pesquisados.
A partir do início das aulas no semestre 2023/1 do Programa de Pós Graduação é Geografia da Universidade Federal de Jataí, foi necessário haver o deslocamento do ponto inicial aqui destacado, Juscimeira-MT, até a cidade de JataíGO, para cumprimento de créditos das disciplinas.
Sendo um longo trajeto e a partir das perspectivas de observações das paisagens foi possível desenvolver este trabalho, portanto a escolha dos municípios mencionados foi realizada devido este serem as localidades de acesso no trajeto mencionado.
Ao observarmos as paisagens e a partir das configurações das delas encontradas, as quais deixam claro a presença muito relevante do agronegócio na região, buscamos destacar alguns dos problemas que são encontrados nesses municípios, problemas estes que são acentuados pelo agronegócio e abre margem para discutir sobre: sendo esta uma atividade a qual rende valores astronômicos de lucros, o retorno para a população não é coerente e nem proporcional (Souza, 2016).
Com base nesse contexto, ao observarmos as paisagens, verificamos degradação ambiental, desigualdade social e presença de veículos de carga em centros urbanos, sendo estes os três fatores que buscamos destacar na presente pesquisa, tendo estes fenômenos detalhados nos tópicos de resultados e discussão.
Para evidenciar o crescimento da produção agropecuária nos municípios estudados escolhemos utilizar o mapa de produção de soja de 2000 e 2022 para compararmos o avanço da produção nesse setor. Este mapa foi escolhido por ser uma das principais produções do Brasil, o que fica didático mostrar o crescimento dessa produção em toneladas nos municípios estudados.
É importante destacar que os problemas provenientes do agronegócio não são somente os elencados nesta pesquisa, visto que esta é uma atividade que se mostra cada vez mais crescente no Brasil, sendo a principal atividade econômica do país, porém a busca pelo lucro, acumulação e falta de políticas públicas adequadas, são fatores contribuintes para a ocorrência de problemas como fome, degradação ambiental, poluição, problemas de saúde, desigualdade social, falta de emprego, moradia e outros (Mitidiero Junior; Goldfarb, 2021).
Após elencados os problemas, foi possível destacá-los e relacioná-los ao agronegócio, o qual se mostra com uma atividade em que não há preocupação com justiça social e preservação ambiental.
Resultados e discussão
Degradação ambiental
Mediante ao exposto, observa-se a cada dia o crescimento dos índices de degradação ambiental no Brasil, não sendo diferente nas áreas observadas. O mapa a seguir destaca o crescimento da produção nos municípios estudados, o que resultas nos problemas aqui destacados.
A partir do Mapa 2 é possível verificar que há produção de soja (cultura mais produzida em Mato Grosso) em todos os municípios estudados e que esta produção é crescente, fomentada pelas políticas públicas e hegemonia desse setor no Brasil e sobretudo no estado de Mato Grosso.
A tabela 1 a seguir detalha o crescimento da produção em cada um dos municípios.
Há crescimento considerável em todos os municípios estudados, havendo crescimento de mais de 100% da produção em Alto Garças, Rondonópolis e Jataí, já em Alto Araguaia e Juscimeira a taxa de crescimento ultrapassou duzentos porcento. Mesmo não dobrando a produção, as taxas de crescimento em Pedra Preta e Mineiros também são expressivas, com mais de 80 % e mais de 30% respectivamente.
Algo que chama a atenção é a produção de Santa Rita do Araguaia, que mesmo em números brutos é o município de menos produção sua taxa aumentou mais de 3000% nas duas últimas décadas, saindo de uma produção quase zerada até alcançar crescimento considerável.
Com base nesse cenário é possível verificar que o resultado desse crescimento tem gerado riqueza para pequenos grupos, não sendo crescimento que favorece a população desses locais, conforme destacaremos a seguir.
Para haver esse crescimento, é necessário áreas cada vez maiores, para essa finalidade o desmatamento, as queimadas e poluição são fatores muito presentes nessas regiões.
O avanço tecnológico, a falta de políticas para a preservação ambiental e a busca pelo lucro resultam em intensos processos de degradação ambiental. Na região estudada é possível verificar uma paisagem extremamente degradada, com o solo exposto e altos índices de desmatamento, sendo claro que o caminho percorrido ao longo das últimas décadas é de prioridade para o capital em detrimento da preservação ambiental sem a promoção de real desenvolvimento sustentável (Moreira, 2010).
Esses problemas podem ser visualizados em Mineiros e Jataí visto que a partir de suas paisagens é possível verificar expansão acentuada nas áreas de lavouras que chegam até às margens das rodovias.
Os municípios de Mineiros-GO e Jataí-GO, fazem parte de uma região dominada pelo agronegócio, por conta desse fator a composição da paisagem destas localidades se mostram degradadas, sem preocupação com a preservação ambiental, tendo algo que chama bastante a atenção é a ocupação de áreas pelas lavouras que chegam praticamente dentro do acostamento das vias.
Conforme destacado por Oliveira (2016), a expansão das áreas de lavouras é constante, não há limites para o crescimento destas áreas, as margens dos rios, as áreas de proteção ambiental, os territórios indígenas e outros, nada é respeitado, as figuras abaixo mostram a falta de atenção para com as leis ambientais. A figura a seguir mostra o avanço das lavouras até bem próximo a rodovia BR 364, algo que pode ser caracterizado como expansão inadequada das lavouras.
Na parte “A” da imagem 1 é registrado a presença de lavoura com muita proximidade da pista, isto em Jataí-GO. A foto 2 na parte “B”, demonstra no seu segundo horizonte o cultivo de lavouras de milho, tendo uma pequena vegetação separando a lavoura da pista, sendo uma vegetação significativamente degradada.
Referente ao contexto pontuado, Mitidiero Júnior (2013, p. 50), argumenta que:
Embora não se encontre leis e normas que autorizem ou proíbam explicitamente a agropecuária de beira de estrada, parece ser tácito que a ocupação dessas áreas não possa prescindir de contratos com os órgãos responsáveis, e é o que não acontece no desenrolar dessas atividades. Ainda, a prática da agropecuária nas faixas de domínio das rodovias pode trazer perigos tanto àqueles que a utilizam produtivamente como àqueles que utilizam a rodovia para deslocamento. A circulação de pessoas que produzem nessas áreas é sobremaneira perigosa, levando em consideração a velocidade de deslocamentos dos veículos. O pastoreio do gado nas áreas livres entre a faixa que separa o asfalto das propriedades rurais pode causar acidentes automobilísticos graves.
No sentido enfatizado pelo autor é possível verificar mais um problema, que é o risco de acidentes. Porém a partir da presença dessas grandes lavouras nas proximidades das rodovias é possível detectar através da paisagem a degradação ambiental. Portanto, toda a necessidade de haver cada vez mais áreas para a produção agropecuária podem ser evidenciadas pela paisagem destacada na Imagem 1.
Nesse contexto, podemos destacar que o cultivo de monocultura no Brasil já ocupa vasta área, que se mostra sem limites, ocupando setores como áreas indígenas ou quilombolas, margens de rios e proximidades com rodovias (Spósito, 2010).
Mediante a estes questionamentos o que se observa é a busca incessante pela acumulação de capital, deixando claro que não há limites para a expansão dessas áreas de cultivo e que se não haver medidas enérgicas para regulamentação dessas atividades o resultado é de cada vez mais índices de desmatamento, queimadas, uso de agrotóxicos e outras técnicas perversas de promoção do ganho de capital, visto que o exagero na expansão da área é nítido, ficando claro que as atrocidades e desrespeito as leis são recorrentes, ainda mais em locais mais isolados (Spósito, 2010).
Desigualdade Social
O município de partida é Juscimeira-MT, sendo este um município que além do turismo tem grande parte da sua base econômica no agronegócio. A paisagem no município de mostra cada vez mais degradada devido as atividades econômicas no campo.
A desigualdade social está presente em Juscimeira, sendo clara a acentuação da disparidade de poder aquisitivo, resultando em problemas que são nítidos. Posteriormente, nos deparamos com Rondonópolis-MT, município este sendo um dos mais importantes produtores de grãos do Estado de Mato Grosso, tendo ainda um papel de destaque no setor industrial.
Porém a paisagem observada é de poluição e devastação, visto que nas mediações do setor urbano é nítido a presença de um solo degradado, desmatado e ao adentrarmos o setor urbano é facilmente visualizadas fumaças, tanto de queimadas, quanto de indústrias.
O setor urbano é caracterizado por nítida segregação, tendo bairros estruturados e em contrapartida residências em locais impróprios e sem estrutura adequada. A figura a seguir traz a partir da percepção das paisagens, moradias irregulares em Juscimeira e em Rondonópolis.
A parte “A” da Imagem 2 indica construções no município de Juscimeira-MT e a parte “B” mostra uma residência no município de Rondonópolis. As setas em vermelho indicam a presença de cursos D’águas nas proximidades das residências, caracterizando construções inadequadas e presença de residências em locais inapropriados.
Algo que chama a atenção é que as características das residências são similares, mesmo sendo em municípios de diferentes produções agropecuária, porém ambos com taxas de crescimento, o que evidencia que independente da taxa de produção a desigualdade social está presente, tanto em cidades pequenas, quando em cidades médias.
Os índices de produção do agronegócio crescem a cada ano, sendo esses municípios parte dessa produção, visto que em que suas terras e estruturas são exploradas para que o setor agropecuário já consolidado venha crescer cada vez mais. Nesse sentido observamos um contraste extremamente relevante, principalmente na atuação do poder público frente as demandas sociais, onde o favorecimento é para o grande produtor enquanto que a população mais vulneráveis é ignorada (Costa, 1988).
O Brasil tem uma produção no setor agropecuário de destaque, porém o lucro obtido fica em poder de pequenos grupos, sendo assim, são corriqueiros os relatos de pessoas que passam fome e não tem locais de moradias apropriados nestas cidades e em todo o Brasil (Moncau, 2021).
Há inúmeras localidades com moradias irregulares, como as da imagem 2, isto, mesmo sendo em municípios que são extremamente promissores no setor agrícola.
Os locais em que há moradia irregulares são caracterizados pela ausência do poder público, sendo estes os únicos locais em que algumas classes da sociedade conseguem ter residência fixa, isto mostra que mesmo em localidades em que a proporção dos índices de crescimento da produção do setor agrícola é tamanha, a desigualdade de renda é extrema (Moncau, 2021).
A área urbana que pertence ao município de Pedra Preta, o qual tem sua economia também baseada na produção do campo, apresenta na paisagem aspectos de degradação ambiental.
Pedra Preta é um município que colabora com o crescimento de Rondonópolis, visto que a produção local depende do suporte desta cidade vizinha, ou seja, contribuindo para a economia de Rondonópolis, em detrimento de sua própria economia, devido a falta de estrutura que a cidade apresenta para a produção.
No município de Pedra Preta, os problemas sociais também são parecidos, ou seja, concentração de renda para uns, enquanto que outros sofrem com a ausência do poder público para suprir as necessidades básicas da população e indivíduos vivendo de forma inapropriada.
A imagem 3 mostra as disparidades entre atuação do poder público e diferença de renda entre a população.
A parte “A” da figura, mostra a má atuação do poder público para oferecer estrutura para a população, tendo falta de fiscalização, isto sendo detectado pela presença de lixos descartados em via pública, terrenos que mesmo em áreas urbanas não são cuidados de forma adequada, o que pode acarretar em transmissores de doenças e proliferação de animais peçonhentos, bem como podemos observa falta de pavimentação asfáltica e mesmo em local pavimentado não há construção de meiosfios e boca-de-lobo, caracterizando a falta de infraestrutura na localidade abordada (Carlos, 1994).
Nas partes “B” e “C”, podemos evidenciar, mesmo que de forma sucinta a presença de diferentes estruturas de moradia, onde na parte “B” a estrutura está com construção finalizada e apresenta boa qualidade de construção, entretanto o que se apresenta na figura “C” é uma construção ainda por finalizar.
Não temos por objetivo nestas comparações, destacar as diferentes rendas do proprietário da residência da parte “B” em comparação com o da parte “C”, mas sim trazer uma nítida discrepância de rendas, algo muito presente nas cidades brasileiras, onde mesmo sendo localidades muito próximas há diferenças de rendas e acesso a serviços que são mais viáveis para uns e menos viáveis para outros (Carlos, 1994).
Nesse sentido, é preciso haver questionamentos sobre o setor econômico, visto que mesmo que com a produção agropecuária crescente a cada ano a desigualdade de renda tem sido cada vez mais enfatizada e a atuação do poder público que é forte em subsídios para os grandes produtores, não atua de forma intensa para suprir os serviços básicos da população.
Presença de veículos de carga em centros urbanos
Os municípios, Alto Garças e Alto Araguaia, também tem grande parte de suas economias baseadas no setor do agronegócio, o que caracteriza uma paisagem de desmatamento, queimadas e poluição em torno dessas localidades, entretanto há um agravante no setor urbano desses dois município que é a presença da BR 364, a qual passa pelo centro desses municípios, gerando tráfego intenso nessas cidades, tráfego este provenientes das grandes produções do agronegócio, caracterizando inúmeros problemas para a sociedade local.
No estado de Goiás o primeiro setor urbano verificado é o da cidade de Santa Rita do Araguaia, esta cidade, como as demais, tem o agronegócio como um dos pilares de sua economia, como outras já citadas, apresenta a presença da rodovia em seu centro, sua paisagem é poluída e degradação ambiental é bastante notável.
Nos municípios de Alto Garças - MT, Alto Araguaia - MT e Santa Rita do Araguaia - GO, além dos problemas apresentados há ainda a presença de rodovias no setor urbanos dessas cidades, ocasionando na presença de veículos de carga, (imagem 3)
Na imagem 3, são apresentadas as principais vias dos municípios de Alto Garças-MT (parte “A”), Alto Araguaia-MT (parte “B”) e Santa Rita do Araguaia - GO (parte “C”), sendo esta via, nos três municípios, a rodovia BR 364, a qual atravessa o centro urbano desses municípios acarretando em inúmeros problemas, conforme destacado nos próximos parágrafos. Um dos problemas se refere a mobilidade, isto por conta da redução de velocidade ao transitar pela via, tal problema é resultado da quantidade de veículos de carga juntamente com os veículos de passeio do setor urbano. Esta mobilidade com velocidade reduzida, conforme relatado por Trinta (2001) e Brasileiro et al. (2014), reduz o fluxo de veículos da população local e veículos de outros locais que passam pelos centros urbanos com presença de rodovia, sendo estes problemas ocasionados devido à falta de sinalização adequada e padrões técnicos de qualidade.
Os problemas de acessibilidade a via também é outra situação verificada, a qual é destacada por Brasileiro et al. (2014), como sendo este um problema ocasionado pelo mal planejamento, principalmente pelos responsáveis pelo setor urbano, trazendo prejuízos ao transporte local, por conta das más localizações de acesso a via, bem como locais de entrada e saída de via com estruturas e com sinalizações inadequadas.
Há ainda a segregação da população devido o transtorno do indivíduo ter que lidar com todos os problemas que acontecem ao ter contato com a via. Esta segregação se caracteriza pelo risco que o morador corre ao ter acesso a via ou ter que atravessá-la (DNER, 2001).
A presença da via no centro urbano também compromete a segurança, tendo os índices desses ocorridos aumentados devido a maior quantidade de veículos automotores na via. A presença da rodovia e o desenvolvimento do centro comercial desses municípios localizados no entorno desta estrutura de transporte, faz com que o número de pessoas e veículos sejam sempre consideráveis, o que resulta em números crescentes de acidentes de trânsitos (PIRES et al., 1997).
O referido autor ainda pontua alguns que podem ocorrer a longo prazo, tais como doenças respiratórias e deterioração do patrimônio arquitetônico e da paisagem urbana (PIRES et al., 1997).
Os problemas aqui elencados, são somente alguns dos que se propagam a cada dia em todo o Brasil.
A passagem por esses municípios ao longo do primeiro semestre de 2023, foi uma oportunidade para observarmos problemas presentes na nossa realidade.
Acreditamos que para uma perspectiva de melhora nas condições de vida e justiça social, perpassa por compreendermos o que está inserido em nossa realidade, algo que foi objetivado nesse artigo, sendo o primeiro passo, o de retratar alguns dos problemas presentes em nossa realidade, a fim de termos um panorama da realidade que estamos inseridos, para que posteriormente possamos traçar metas para melhorar a vida de cada indivíduo que faz parte da população brasileira (Abramovay, 1992).
Considerações finais
A partir dos problemas mencionados, é possível verificar que a atuação do agronegócio está focada apenas no lucro e que esta regra se aplica a todas as localidades, independentemente do porte das cidades. Com base nesse contexto é possível concluir que os problemas socioambientais podem ser facilmente detectados a partir das análises das paisagens, visto que as mesmas têm aspectos de degradação com retirada da vegetação e favorecimento a grandes lavouras e pastagens, tendo como agravante o fato de que em determinadas épocas do ano, as mesmas se apresentam com fumaças e mormaços provenientes de queimadas.
Outro fator que precisa ser melhorado é o transporte de carga, visto que a sua presença em áreas urbanas é bastante comum no Brasil, nesse sentido é preciso haver reestruturação, pois estes problemas, além da mobilidade comprometida, acarretam risco a população dessas localidades, por isso é preciso haver retiradas dessas vias dos centros urbanos ou reestruturar o transporte para ferrovias.
Uma situação importante a ser considerado é a preservação ambiental, visto que a busca por lucro é cada vez mais acentuada não proporcionando preservação ambiental, trazendo problemas para atual e gerações futuras. Nesse sentido é necessário haver novas formas de desenvolvimento sustentável objetivando mais preservação ambiental.
Conclui-se também que as políticas públicas voltadas a população mais vulnerável não são executadas de forma satisfatória, visto que em regiões em que os lucros são exorbitantes não tem retorno para a população em forma de serviços básicos de forma satisfatória.
A maior parte da população compreende o agronegócio como sendo algo proveitoso, entretanto se perceberem as paisagens tanto rurais, como urbanas, podem detectar problemas que poderiam ser mitigados caso a justiça social fosse mais importante que a política de acumulação e a população tivesse real dimensão das políticas públicas voltadas ao agronegócio.
Portanto é necessário repensar os caminhos que as políticas públicas brasileiras para o setor agropecuário estão percorrendo e quais os resultados serão alcançados a curto, médio e longo prazo, pois o que temos é um cenário que acarreta diversos problemas e deixa marginalizadas as classes mais vulneráveis da população, bem como a preservação ambiental.
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Editor:
Altemar A. Rocha







Fonte: Base Cartográfica do IBGE, 2022 (Elaborado pelo autor)
Fonte: IBGE, 2022 (Elaborado pelo autor)
Fonte: Google Earth, 2023 (Elaborado pelo autor)
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