Este artigo explora a relação entre o pensamento de Spinoza e a psicanálise de Freud, examinando como há certa presença de Spinoza, ainda que implícita, nos escritos freudianos. Primeiramente, propõe-se reconstruir o significado da “atmosfera spinozana” da qual Freud afirma ter nutrido-se e através de figuras que lhe são próximas, como Zweig, Rolland, Tausk e Salomé. Em seguida, detecta-se a presença de Spinoza nos escritos de Freud através de palimpsestos os quais nos permitem aproximar especulativamente noções como sentimento oceânico, a teoria da individuação spinozana e a psicologia das massas freudiana, assim como a teoria da imaginação e a teoria do narcisismo, ademais, com enfoque específico na noção de sobredeterminação. O objetivo principal deste trabalho é abrir caminho para futuros diálogos e pesquisas ulteriores concernentes à presença de Spinoza na psicanálise, cujos impactos, dentre outros, também tocam problemas de filosofia política.
Palavras-chaves:
Spinoza; Freud; psicanálise; sobredeterminação; palimpsestos