RESUMO
O artigo se propõe a rastrear a influência de Dilthey na Hegel-Forschung. Após mostrar como as concepções de Dilthey, sobretudo a noção de “arquivo”, foram centrais na formação da pesquisa sobre Hegel e mesmo na instituição do Arquivo Hegel, o texto avalia as concepções de Dilthey em três pontos, a saber, a abordagem histórica e de desenvolvimento, a interdisciplinaridade e a noção de contexto. Por fim, é elaborada uma nota crítica.
Palavras-chaves:
Hegel; Dilthey; contexto; arquivo
ABSTRACT
The article sets out to trace Dilthey's influence on Hegel-Forschung. After showing how Dilthey's conceptions, especially the notion of “archive”, were central in the formation of research on Hegel and even in the institution of the Hegel Archive, the text evaluates Dilthey's conceptions on three points, namely, the developmental approach, interdisciplinarity and the notion of context. Finally, a critical note is made.
Keywords:
Hegel; Dilthey; context; archive
Uma vez que essa recordação se refere também a nosso aniversariante, Helmut Schneider, eu me permito me aproximar do tema de uma forma, talvez, bastante pessoal. Quando comecei, no ano de 1974, meus estudos universitários, na Universidade do Ruhr em Bochum e lá, em especial, no “Arquivo Hegel”, que já funcionava desde 1968, a mim não estava ainda claro o quanto eu cresci às sombras de Dilthey. A mim não se trata apenas de que em Bochum foi especialmente cultivada a pesquisa sobre Dilthey; que lá sempre houve conhecidos especialistas em Dilthey, entre os professores e outros mestres, (por exemplo, Karlfriedrich Gründer, Hans-Ulrich Lessing, Frithjof Rodi, Gunter Scholtz, entre outros); que lá se trabalhou nos escritos reunidos de Dilthey e o Anuário Dilthey foi editado. A influência de Dilthey era muito mais ampla e forte, ainda que ela se operava frequentemente de modo indireto e quase subterrâneo. Inicialmente, em retrospectiva, eu me concentrei, em uma análise quase arqueológica de minha própria “história de desenvolvimento” - a fim de empregar uma palavra-chave característica de Dilthey -, no quanto da Universidade dos meus primeiros estudos e da doutrina que eu acolhi lá foi influenciada pelo espírito de Dilthey. A fim de deixar esse ponto bastante claro, eu gostaria inicialmente de indicar que o espírito de Dilthey em Bochum se refletiu até na pedra, quero dizer, até na arquitetura da Universidade adentro. O visitante de fora vê inicialmente uma boa dezena de torres que dão a impressão de serem ainda mais altas, porque elas se erguem de maneira íngreme em torno de uma terra aplainada e sem construções. Para a orientação do visitante e do usuário as torres carregavam (e carregam provavelmente ainda hoje) as letras: M para Medicina; N para Ciências Naturais (Naturwissenschaften); I para Ciências da Engenharia (Ingenieurwissenschaften) e, então, G para as “Ciências Humanas” (Geisteswissenschaften), justamente o conceito que Dilthey desde 1883 fez valer com seu livro Introdução às Ciências Humanas (Einleitung in die Geisteswissenschaften). As três torres G carregavam ainda outras duas letras: GA, GB e GC. No edifício GA estavam domiciliados os filósofos, pedagogos e psicólogos; a torre GB era o campo de ação dos filólogos (Anglística, Romanística etc.); no edifício GC estavam finalmente acomodados os cientistas sociais, juristas e historiadores. A separação espacial dos cientistas naturais e do currículo do edifício das ciências humanas corresponde exatamente à concepção de Dilthey. Mesmo que ao estudante iniciante não seja suficientemente fácil definir o conceito de “ciências humanas”, ele já recebe com as disciplinas que são representadas nos edifícios G uma noção provisória daquilo o que pode ser pensado. E se a designação “ciências humanas” é simples e acriticamente aceita pelo visitante, a qual parece ser como que uma banal e não problemática ajuda para orientação, esconde-se nela nada menos do que o efeito histórico de Dilthey - cuja citação famosa “O que o homem é, ele experiencia apenas a partir da história”3, a fim de me inspirar em um dito de Joachim Ritter4, poderia estar enquanto divisa na entrada do edifício G.
Naturalmente a influência de Dilthey em Bochum não se esgota na organização das disciplinas, na repartição em edifícios e na designação desses edifícios, mas também se refletiu - e se reflete certamente ainda de modo mais amplo - fundamentalmente sobre o método e o procedimento do “Arquivo Hegel”. Eu tomei consciência plena disso apenas após minha graduação lá. No “Arquivo Hegel”, durante os anos de minha graduação, estava em primeiro plano o trabalho nos manuscritos ienenses de Hegel e nos esboços de sistema iniciais, [algo que] certamente estava relacionado ao estado de edição desses textos, mas por trás disso também [estava] o poderoso impulso do paradigma histórico e de desenvolvimento de Dilthey sobre o modo de como se deve escrever a história da filosofia. Quando eu, um tempo depois, mais uma vez li uma parte dos diversos trabalhos metodológicos de Otto Pöggeler, o por muitos anos diretor do “Arquivo Hegel”, de Annemarie Gethmann-Siefert, sua aluna e colaboradora por muitos anos, e outros pesquisadores que estavam próximos ao “Arquivo Hegel”, impressionei-me com o quão forte e regularmente foi ressaltado o significado de Dilthey para o trabalho do Arquivo Hegel.5 Sob a influência desse professor eu fui familiarizado em Bochum com o ponto de vista de Dilthey e certamente também me apropriei de parte de suas concepções histórico-filosóficas, sem ter plena consciência disso. Dilthey influenciou naturalmente não apenas um determinado modo de praticar a história da filosofia, mas ele também era conhecido como fundador e um mestre inicial da hermenêutica filosófica. Se uma regra fundamental dessa hermenêutica é, nas palavras de Hans-Georg Gadamer, “tanta autotransparência histórica adquirir quanto é possível”6, então agora minha tarefa deveria ser, por conseguinte, que a herança de Dilthey, que a mim foi transmitida, tomar plena consciência e examinar criticamente - ou, conforme o dito de Goethe, “O que hás herdado de teus pais, adquire, para que o possuas”7.
O Dilthey maduro carregava uma cabeça de Jano: por um lado, ele era o grande precursor de Heidegger e Gadamer, uma influência que se refletiu especialmente sobre a dimensão da historicidade e dos métodos da hermenêutica. Sem Dilthey não haveria - escuta-se esse juízo cada vez mais frequentemente8 - nem o Ser e Tempo de Heidegger nem Verdade e Método de Gadamer. Por outro lado, Dilthey abriu um caminho específico da filosofia e da história das ideias.9 O rosto que olha para o século XX, preparado por Heidegger e Gadamer, vale hoje como o lado mais original de sua criação. Para os contemporâneos de Dilthey, sem dúvida, estava o segundo aspecto de sua obra no centro: Dilthey conquistou inicialmente fama com sua grande biografia de Schleiermacher10, também com seus numerosos artigos sobre a história das ideias e do espírito11, muito antes de terem se destacado mais nitidamente suas realizações sistemáticas através da edição póstuma de seus escritos reunidos e sobre a história do efeito (Wirkungsgeschichte). Como historiador da filosofia Dilthey trabalhou sobre tradições e épocas variadas, mas a história da filosofia clássica alemã - a qual deve ser apresentada e criticamente apreciada através do exemplo de Hegel nas próximas páginas - teve um significado prioritário. Nós estamos com Dilthey, assim, em um ponto de cesura, no qual um caminho leva ao Idealismo Alemão e o outro anuncia com Heidegger e Gadamer a filosofia do século XX.
Ao invés de apresentar as contribuições de Dilthey para a pesquisa sobre Hegel, uma a uma, em uma sequência cronológica, para o que um curto artigo não bastaria, iremos tratar sinteticamente em três passos das grandezas e limites nas elaborações que se seguem. Inicialmente se deve discutir o modo de procedimento histórico e de desenvolvimento em seu todo e amplo significado. Em segundo lugar, deve-se destacar a interdisciplinaridade de seu método de história das ideias. Em terceiro, deve ser apreciada a consideração do contexto em seu trabalho histórico e filosófico. Em especial na primeira e terceira parte das elaborações que se seguem, entretanto, não deve ser apenas elogiado o que parece ter êxito em seu modo de procedimento, mas sim também devem ser articuladas notas críticas, o que também já deveria ser compreensível pelo sinal de interrogação do título.
1 A abordagem histórica e de desenvolvimento: a solução ideal ou beco sem saída da pesquisa sobre Hegel?
É importante para uma homenagem à ênfase de Dilthey sobre a história de desenvolvimento de um pensador que se diferencie o programa da execução, os primeiros e programáticos ensaios das tentativas de realização desse programa. Para o nosso problema, muitos artigos importantes e programáticos provêm dos anos de 1880. No meio disso, o artigo frequentemente tratado no qual Dilthey no ano de 1889 se dedicou à criação e consequente ampliação de arquivos tem um papel especialmente importante.12 O fato de a instituição que trabalha em Bochum na edição crítica dos escritos de Hegel não se chamar “Instituto Hegel”, “Centro de Pesquisa em Hegel” ou algo semelhante, mas sim, precisamente, “Arquivo Hegel” não é certamente coincidência, mas sim poderia estar relacionado com o título do artigo de Dilthey e com as exigências lá dispostas. Em seu artigo Dilthey defende basicamente o recebimento, preservação e tratamento, bem como a ordenação e restauração científica, isto é, a edição dos espólios (todos os papéis, manuscritos e documentos os quais os autores significativos do passado, sejam filósofos ou escritores, legaram quando de sua morte). A esse tratamento e restauração deveriam se dedicar especialmente as instituições criadas para isso, precisamente os arquivos. A defesa de Dilthey e seu plano concreto para tais arquivos certamente não surgiram casualmente. A proximidade temporal de seu artigo sobre os arquivos (1889), com seus esforços em torno de uma nova edição de Kant - Dilthey fez a proposta de uma grande edição de Kant, a qual nós todos conhecemos sob o nome de “Edição da Academia”, um pouco mais tarde, no ano de 1893 - indica a conexão interior entre esses projetos.
Seu artigo aborda explicitamente a exigência de uma nova e “definitiva edição de Kant”, a qual a Academia de Berlim deveria financiar: “um dever de honra da Academia de Berlim!”, como ele diz lá.13 O “destino dos papéis de Kant”14 - os quais Dilthey investiga em seu artigo em várias páginas (pp. 565-569), até em seus detalhes tragicômicos, como a utilização das notas de Kant para embalar “café e arenques” em uma mercearia - é para ele um exemplo típico no qual ele justifica não apenas a necessidade de seu projeto de arquivo, mas sim também define a finalidade desses arquivos, a saber, ser o lugar no qual edições exemplares devem ser elaboradas. Mesmo que no espaço desse artigo não se possa entrar nos detalhes do esforço de Dilthey em torno da “edição da Academia” de Kant15, deve-se rapidamente ser lembrado do longo e trabalhoso caminho que ele teve de tomar desde o artigo sobre a criação dos arquivos (1889), passando pela proposta oficial do ano de 1893, pelos esclarecimentos programáticos no primeiro volume da Kant-Studien (1897) até o “Prefácio” à edição completa em seu primeiro volume (1902).16 Ao menos deveria ser mencionado ainda que Dilthey não foi apenas o iniciador da “edição da Academia”, mas sim também diretor responsável do projeto geral bem como da primeira parte das “Obras”. Ele teve significado decisivo para a realização, até porque ele pôde exercer influência sobre a escolha do organizador e editor dos volumes individuais. Contudo, não se pode calar, para que essa história não se torne uma pura success story, que nessa escolha dos editores havia também zonas cinzentas consideráveis: não partiu o coração de Hermann Cohen que ele tenha sido ignorado?
Contudo, é mais importante para a nossa questão que Dilthey, no espaço de seu artigo sobre os arquivos, conferiu à sua abordagem histórica e de desenvolvimento uma expressão explícita, mesmo programática. Para Dilthey, de fato, os papéis legados por Kant continham “a possibilidade plena e completa, com toda probabilidade, de originalmente conhecer a [sua] história de desenvolvimento.”17 O que Dilthey pensava com isso se torna claro na parte seguinte da frase, pois se tratava para ele “dos verdadeiros motivos históricos da sua [= Kant] formação de pensamento”, ou seja, expresso de modo mais fundamental, da reconstrução das intenções originais e dos desenvolvimentos e modificações posteriores.
Ainda um ano mais cedo, mesmo que muito menos notado, Dilthey articulou tais reflexões em exemplo à Hegel. Em um artigo18, mais exatamente uma longa recensão da edição das cartas de Hegel que Karl, um dos filhos do filósofo, editara em 188719, Dilthey reivindicou logo no início com ênfase que há que também se empregar em Hegel “o modo de consideração histórico e de desenvolvimento atual”20 e assim aspirar a uma história do surgimento e formação do pensamento hegeliano; visto que Dilthey trata do “surgimento do sistema de Hegel”, a troca de cartas de Hegel com Hölderlin e Schelling tem um papel “imprescindível”, em especial quando se quer fazer uma representação de como se originou “o considerar de Hegel sobre o tipo, a vida e o mundo e o [seu modo de] abordar questões científicas”. Dilthey ordena Hegel ao lado de Schelling e de seu amado Schleiermacher na história do “panteísmo alemão”, cuja hora de nascimento chegara “quando Lessing tomou pela primeira vez Spinoza nas mãos.”21 Com isso, já se anunciam os resultados sobre os quais nós temos de voltar quando Dilthey trata em sua própria exposição, em especial na História de Juventude de Hegel (Jugendgeschichte Hegels) (1905), do programa histórico e de desenvolvimento. Entretanto, a parir do anúncio programático dos anos de 1888 é ainda citada a palavra-chave com a qual se dirige como um apelo veemente à futura pesquisa sobre Hegel e também certamente aos próprios alunos de Dilthey e jovens companheiros de viagem:
Com intenso agradecimento nós acolhemos esses dois volumes [a edição da troca de cartas de Hegel; N.W.]. Mas elas podem apenas provocar nossa necessidade ainda mais intensa de que com base de um aparato completo e novo nos seja oferecido uma história de desenvolvimento de Hegel com informação bastante satisfatória de trechos a partir dos manuscritos de seus primeiros anos (...) A época de luta com Hegel passou, a época que chega é a de seu conhecimento histórico. Essa consideração histórica irá [separar] o passageiro do permanente22.
Dilthey certamente errou com sua última observação. Ele acreditava que já em 1888 teria chegado ao fim a “luta com Hegel” e a “consideração histórica” séria teria podido começar. A ambicionada “consideração histórica” devia separar o “passageiro” do “permanente” da filosofia hegeliana, com o que Dilthey já parece anunciar o título do influente livro de Benedetto Croce - O vivo e o morto na filosofia de Hegel (Lebendiges und Totes in Hegels Philosophie).23 Nos 120 anos que nos separam do artigo de Dilthey se tornou bastante claro que a esperança dele de uma pesquisa neutra, histórica e objetiva sobre Hegel era precoce, pois nesse meio-tempo a luta com Hegel e a disputa sobre Hegel se deflagrou de maneira constante e intensa. Contudo, é certo que o apelo de Dilthey por uma pesquisa sobre Hegel histórica e de desenvolvimento não permaneceu sem eco. Ainda na época de vida de Dilthey, alguns de seus alunos se esforçaram em torno da realização desse programa. Assim, por exemplo, seu “jovem amigo” Herman Nohl editou no ano de 1907 muitos dos escritos juvenis de Hegel, naquela época ainda inéditos.24 O título do livro pode ter induzido ao erro, pois ele poderia ter sido sobre os escritos juvenis de crítica religiosa de Hegel, [mas, ainda assim,] o mérito dessa edição não deve ser diminuído por isso. Johannes Hoffmeister organizou três décadas mais tarde a edição Documentos sobre o desenvolvimento de Hegel (Dokumente zu Hegels Entwicklung), já sob o título do programa de Dilthey.25 Quando finalmente no curso do trabalho da grande edição do Arquivo Hegel foi elaborada uma datação da cronologia dos manuscritos de Hegel com estatísticas da caligrafia26, Dilthey pode ser reivindicado por ter sido o pai desse método.27 Esses poucos exemplos, que facilmente podem ser multiplicados, comprovam suficientemente o papel de Dilthey como impulsionador e inspirador da pesquisa histórica e de desenvolvimento sobre Hegel.
Se é incontestável o significado e influência de Dilthey como iniciador, deve ser julgado com o maior cuidado sua tentativa, já no final de sua vida, com uma História de Juventude de Hegel28, de contribuir ele próprio com a realização de seu programa de uma história de desenvolvimento. Ele queria seguir as origens e desenvolvimento de Hegel “até o começo das primeiras exposições conservadas de seu sistema”29, portanto até Iena. Entre os méritos de seu trabalho podem ser mencionados aqui apenas alguns. Inicialmente, as premissas metódicas de, o máximo possível, não ignorar nenhum documento, nenhuma fonte, que poderia iluminar o desenvolvimento de Hegel. Seguramente era promissor também que Dilthey não tratou apenas dos textos iniciais de Hegel como passos no caminho do sistema maduro, mas sim, justamente, procurou iluminá-los em seu “valor autônomo”.30 Quando se volta os olhos a um Congresso sobre Hegel, que alguns poucos anos atrás ocorreu em Rotterdam, sobre as realizações da edição de Hegel exatamente com respeito ao período de Iena do filósofo, escolheu-se como título para a publicação das atas o significado intrínseco das concepções ienenses de sistema de Hegel31, então se torna novamente rastreável a influência longa e extensa de Dilthey. Contudo, deve-se criticamente perguntar se Dilthey se manteve em suas premissas de consultar todos os documentos. Georg Lukács, como se sabe, acreditava que era preciso dizer não a essa pergunta. O livro sobre Hegel, que Lukács publicou em 1948, mas já elaborou nos anos da Segunda Guerra Mundial, carregava não casualmente o título de jovem Hegel32, pois todo seu projeto pode ser lido como uma antítese da História de Juventude de Hegel de Dilthey ou, em poucas palavras, como um anti-Dilthey. Dilthey teria apresentado o desenvolvimento de Hegel muito unilateralmente como uma “virada ao panteísmo”33, a qual culmina em um “panteísmo místico”34; Lukács ataca essa perspectiva como “irracionalismo místico”35 e coloca, de sua parte, não sem sua própria unilateralidade36, a dimensão econômica e política no centro do pensamento hegeliano. Ler Lukács como corretivo a Dilthey, entretanto, não deve levar a minimizar outras dimensões do pensamento de Hegel ou até mesmo ocultá-las. Uma história de juventude de Hegel que, como o livro de Lukács, mal mencione um manuscrito juvenil tão importante como a “Vida de Jesus” (“Leben Jesu”) tem de ser repreendida, da mesma forma, por unilateralidade.
A antítese que Lukács forneceu em relação a Dilthey foi, contudo, construtivamente retomada pela pesquisa sobre Hegel posterior, sem assumir as unilateralidades, a saber, por Joachim Ritter e Manfred Riedel.37 A discussão de Hegel com a economia política era uma parte tão decisiva de seu sistema - como a doutrina da “sociedade civil” -, do mais central significado e essa compreensão terá de ser sempre considerada contra a tentativa do próprio Dilthey de realização de seu programa histórico e de desenvolvimento, mesmo quando o valor desse programa mesmo deva permanecer intocado.
2 A interdisciplinaridade do método histórico ideal de Dilthey
Uma vez que Hegel considera a economia política como fonte que reside no exterior da filosofia no sentido mais autêntico38, nós podemos nos servir do último ponto das elaborações da parte precedente enquanto ponte e passagem para o próximo aspecto que é especialmente característico para Dilthey enquanto pesquisador de Hegel, a saber, o modo notável como ele procede de maneira interdisciplinar. A presente exposição a esse respeito, nesse aspecto, se conduz em grande medida sem crítica; o modo de proceder interdisciplinar da história das ideias de Dilthey parece merecer reconhecimento geral.
Dilthey desde sua graduação em Heidelberg e Berlim, então em sua atividade profissional como professor (inicialmente em Basel, então em Kiel e Breslau, finalmente em Berlim) estava sempre domiciliado junto aos filósofos, ele nunca receou flexivelmente de ultrapassar as fronteiras dessa disciplina. Primeiramente Dilthey estava, desde a juventude, ao lado de seu trabalho filosófico, também ativo como historiador da Prússia. O volume XII de seus Escritos Reunidos (Gesammelten Schriften), em especial a bibliografia contida, oferece um olhar geral sobre a atividade de publicista de Dilthey.39 Sob os escritos lá arrolados salientam-se artigos históricos e políticos. Eles documentam que Dilthey não escreveu apenas como filósofo, mas sim, precisamente, destacou-se igualmente como escritor histórico, porque ele também queria atuar através da ciência. Pode ser que seu artigo do ano de 1872, sobre “Os reorganizadores do Estado prussiano” (Die Reorganisatoren des Preussischen Staates)40 não se baseie sobre pesquisa autônoma, mas seja um trabalho de segunda mão que avalia a coleção de material contemporâneo, mas, apesar disso, ele oferece uma apresentação vigorosa e frequentemente perspicaz de uma parte da história prussiana. Esses artigos não podem ser descartados como “pecados de juventude”, pois Dilthey voltou na velhice mais uma vez à história prussiana - ele tinha naquela época quase oitenta anos - e escreveu um significativo artigo sobre “A lei geral da terra” (das Allgemeine Landrecht) da Prússia41, no qual ignorou as pretensões de historiadores e juristas de que apenas eles trabalhem nesse campo. Interessante para a nossa questão é que Dilthey concebeu seu artigo sobre a lei da terra como parte de um grande estudo no qual, nas palavras do editor de Dilthey, Ernst Weniger, devia tematizar “o fundamento espiritual do Estado [prussiano]”.42 Dilthey não queria, assim, se tornar um historiador político, mas sim ele entendia a análise da história do direito prussiano como parte de uma ampla história das ideias, interdisciplinarmente ancorada.
Em segundo lugar, Dilthey cultivou a filosofia ao lado da literatura. O livro que o fez conhecido para além do círculo de colegas de faculdade - certamente o livro mais bem sucedido de toda sua vida - carregava o título A vivência e a poesia (Das Erlebnis und die Dichtung)43 e compreende estudos sobre Lessing, Goethe, Novalis e Hölderlin. Dilthey nesse livro foi muito além da história da filosofia a fim de se aproximar da história da literatura ou dos estudos literários. Nesse aspecto Dilthey não era um caso isolado, pois muitos professores de filosofia de sua época escreviam paralelamente sobre temas literários. Karl Rosenkranz (1805-1879), nascido quase três décadas antes de Dilthey, por exemplo, um dos eminentes historiadores da filosofia alemães do século XIX, cuja História da filosofia kantiana (Geschichte der Kant’schen Philosophie)44 ainda hoje pode ser lida com proveito, compôs em uma bela continuidade inúmeros estudos sobre literatura francesa e alemã, sobre Goethe, Diderot e muitos outros autores que não faziam parte da história da filosofia ou apenas com limitações [faziam parte dela]. Mas o que em Rosenkranz cresceu espontaneamente a partir de um talento multifacetado, que simplesmente o impulsionava a outro âmbito do saber que sua especialidade acadêmica, intensificou-se em Dilthey a partir de um método unificado. Dilthey não reivindica apenas o direito para os filósofos de poderem trabalhar ao lado dos filólogos no âmbito da literatura, mas sim ele move a filosofia ao centro. “À religião, como à poesia, falta o fundamento científico”. Inicialmente a filosofia pode pôr à disposição o “fundamento científico e uma meta prática” que são necessárias às outras disciplinas.45
Para a pesquisa sobre Hegel o relacionamento estreito de Dilthey entre filosofia e literatura certamente se tornou de significado dificilmente superestimado. Que Dilthey na história de recepção de Hölderlin tem um papel decisivo, porque ele logrou pôr em questão criticamente o estudo literário positivista dominante à época e, em vez disso, coloca no centro de interesse a experiência interior do poeta46, precisamente sua “vivência” - isso é algo que deveria ser também de grande influência para a pesquisa Hegel. O caráter pioneiro da recepção de Hölderlin por Dilthey pode ser seguido em primeira linha ao famoso capítulo de conclusão de Vivência e poesia47 e dificilmente se pode contestar que o trabalho, publicado um pouco antes, História de Juventude de Hegel já continha os elementos centrais para a reavaliação de Hölderlin, o que precisamente significou o início de uma reabilitação filosófica do poeta.48 Para a pesquisa sobre Hegel, no sentido mais estrito, foi preparado dessa forma o caminho para ser tematizado firmemente o significado decisivo de Hölderlin para os filósofos: da filosofia da unificação de Hölderlin até a intensificação específica do trabalho conjunto no círculo do chamado “mais antigo programa sistemático” do idealismo alemão.49 Os variados estudos de Dieter Henrich50, H. S. Harris51 e Otto Pöggeler52, juntamente a seus inúmeros alunos53, seriam dificilmente pensáveis sem Dilthey. Para as outras pesquisas sobre a relação de poesia e filosofia, de Ernst Cassirer54 passando por Gerhard Kurz55 até o presente, pode ser dito o mesmo com certeza - independentemente do fato de que a pesquisa sobre Hölderlin hoje sabe muitas coisas melhor do que Dilthey.
Finalmente a interdisciplinaridade enquanto paradigma pode ser bem ilustrada na coleção póstuma que foi publicada em 1914 sob o título Visão de mundo e Análise do Homem desde a Renascença até a Reforma (Weltanschauung und Analyse des Menschen seit Renaissance und Reformation)56 e [nessa coleção] o método de história das ideias de Dilthey se mostra talvez em seu lado mais forte. Ele descreve e analisa o “espírito” de um tempo de reviravoltas, que ele marca com as palavras chaves utilizadas no título “Renascença e Reforma” de modo bastante interdisciplinar; não apenas como historiador da filosofia, mas sim, por exemplo, como historiador da arte e como escritor de história das ideias jurídicas e bastante especialmente das religiosas. “A formação das ideias filosóficas”, assim escreve Georg Misch convincentemente, é para Dilthey “ligada inseparavelmente com o desenvolvimento da religiosidade”.57 Junto a isso, digno de nota também é como Dilthey deixa para trás as tradições e limitações nacionais. A ele aparece o espírito da época tratada de maneira bastante imediata como espírito europeu e assim ele pode estender um arco amplo que vai da Renascença italiana, passa pela Alemanha de Lutero, a França de Montaigne e Descartes, a Inglaterra de Hobbes e Shaftesbury, sem esquecer da Holanda de Spinoza, até Leibniz, que escrevendo em alemão, francês e latim pode aparecer como a figura ideal do futuro espírito europeu. Quanto à interdisciplinaridade da história das ideias de Dilthey é de se registrar enquanto terceira transgressão das fronteiras da filosofia - ao lado do seu já mencionado avanço à história política e à literatura - o tratamento da história da arte, do direito e bastante especialmente da religião, o qual se deixa documentar na coleção de artigos do ano de 1914.
3 A consideração do contexto na história da filosofia de Dilthey
Quando hoje se fala em uma história das ideias contextuais ou história da filosofia, pensa-se talvez inicialmente na Escola de Cambridge em torno de Quentin Skinner58; no âmbito da língua alemã em torno dos esforços de Dieter Henrich que com seus trabalhos - como Hegel em contexto (Hegel im Kontext)59 - sempre articulou a reivindicação para a reconstrução da constelação de diálogo de um pensador. Também Dilthey poderia aqui, entretanto, reivindicar um importante papel de pioneiro. Ele não parece ter utilizado o termo contexto explicitamente, mas ele fala expressamente da “conexão vivente” a qual pertence um filósofo.60 Presumivelmente era a interdisciplinaridade descrita do modo de proceder de Dilthey que o conduziu também a dedicar especial atenção ao contexto no qual um autor se desenvolve - tanto um autor literário quanto um filósofo. Quando Dilthey, por exemplo, trata de um autor da história literária, ele se questiona sempre pela cultura na qual ele se enraíza e sobre a qual ele, por seu lado, influencia. Isso vale não apenas para os autores menos significativos que desaparecem sob uma designação de época, assim como, por exemplo, se poderia falar em uma história da literatura de “outros autores da época do Iluminismo”. Dilthey enfatiza, completamente em oposição, que “quanto maior a obra da vida de um homem é, tanto mais profunda e ricas as raízes de seu trabalho espiritual no solo da economia, costume e direito de sua época”.61 É totalmente nesse sentido que Dilthey nos apresenta, por exemplo, Lessing, cujo Nathan, o sábio (Nathan der Weise) dominava o campo à época, no contexto do debate teológico. Se hoje frequentemente uma abordagem sistemática e uma abordagem histórico-filosófica são mutuamente, de maneira hostil, contrapostas uma à outra e jogadas contra, isso apareceria como uma falsa alternativa a Dilthey. Dilthey jamais viu a análise da argumentação autenticamente filosófica ou “sistemática” de um autor como contraposta ao estudo histórico. Para ele era antes a questão mesma, o interesse filosófico genuíno, que requer que seja superada a contraposição artificial entre uma abordagem pretensamente sistemática e uma histórica, pois para ele é precisamente a experiência de um indivíduo, que é marcada pelo seu desenvolvimento pessoal e pela grande história, estruturada pelo tempo, que leva-o a procurar para essa experiência uma expressão consciente e sistemática em um sistema filosófico. A atenção que Dilthey dedica a todo o contexto espiritual no qual o autor está o leva também a estudar o “colaborador” e o “inimigo”62, em resumo, os contemporâneos espirituais de um pensador, assim como a “geração mais antiga que influenciou de maneira determinada” e a “[geração] mais nova que acolheu as influências”63, em suma, os predecessores e sucessores.
Os sistemas filosóficos surgiram a partir da totalidade da cultura e retroagiram sobre a mesma. Hegel também sabia disso. Mas agora é válido conhecer a conexão causal conforme seus membros na qual se realizou esse processo. Essa tarefa (...) e sua resolução, o deslocamento do pensador filosófico da conexão vivente a qual ele pertence, então imediatamente faz necessário pesquisar um tratamento literário à conexão causal do processo a partir do conhecimento ainda disponível sobre os colaboradores, inimigos e pessoas influenciadas.64
Exatamente nesse sentido, através da atenção à conexão ou contexto, Dilthey exerceu uma influência dificilmente superestimável sobre a pesquisa a respeito de Kant e Hegel. Quando os escritos de Kant inicial e frequentemente foram estudados de maneira imanente, em isolamento a outras contribuições contemporâneas, esse modo de proceder, nesse meio tempo, pode ser visto como superado. Um conhecido exemplo pode ilustrar isso. O célebre artigo “Resposta à questão: o que é esclarecimento?” foi pensado enquanto resposta à questão que foi colocada por um jornal do Iluminismo alemão no ano de 1783 - no Berlinischen Monatsschrift. O artigo de Kant não estava isolado no espaço, mas sim era uma resposta entre diversas outras. Se as mais novas edições do texto de Kant também publicam as outras respostas que foram dadas naquela época65, então há de se agradecer isso à abordagem contextual da história das ideias que se fundamenta em Dilthey. Dieter Henrich no já mencionado - e clássico - estudo Hegel em Contexto, cujo título contém todo um programa, pode ser aduzido como um exemplo da influência de Dilthey sobre a pesquisa a respeito de Hegel. Henrich, à propósito, salientou ele mesmo como muito de seu próprio projeto está em dívida com “a monumental obra de Dilthey sobre a vida de Hegel”.66 Henrich dedica em seu livro, no sentido de Dilthey, capítulos individuais aos predecessores (“Historische Voraussetzungen von Hegels System”), aos contemporâneos (“Hegel und Hölderlin”) e aos sucessores de Hegel (“Karl Marx als Schüler Hegels”).67
Era tão significativo o modo de consideração contextual de Dilthey, ele constitui uma parte de seu legado que transmitiu a pesquisas subsequentes, que essas realizações não devem sem um par de observações críticas serem concluídas. O que Dilthey, apesar de todo seu mérito, pode ser acusado é uma ênfase excessiva e uma certa idealização daquilo que ele mesmo chama de a individualidade de um autor. Nesse aspecto ele tem abertamente uma herança do romantismo alemão. Sua admiração com Schleiermacher ao longo de sua vida é uma prova evidente disso. Todo seu interesse se concentra sobre os grandes indivíduos criativos, isto é, ao fim um grupo (muito pequeno!) de figuras proféticas da história do espírito que apenas parecem seguir sua lei interna e se desobrigam de explicações causais. Isto é, a história de desenvolvimento de um pensador é quase sua reivindicação onipresente, mas aparece nele tão frequentemente como se esse desenvolvimento sem rupturas e crise interior se completasse, como se o desenvolvimento todo do início já em germe fosse predestinado no gênio do grande indivíduo. Vale dizer, ele também menciona “lutas” em suas histórias do desenvolvimento, as quais um indivíduo excelente tem que travar “com as duras realidades do mundo”68, mas nós preservamos dessas lutas em regra apenas um informe higienizado e embelezado - e também normalmente quando essas dificuldades são superadas.
Sem poder entrar aqui nessas outras questões as quais propriamente tinham de ser associadas - por exemplo a respeito dos limites do culto ao gênio etc. -, há se notar que o método de Dilthey é ele mesmo que conduz às grandes figuras da história do espírito (que ele define conforme sua própria medida), às quais atribui um significado exagerado e desvaloriza os outros autores que para ele (frequentemente de maneira errônea!) são, respectivamente, sem interesse. Assim ele consegue descrever a relação de Hölderlin e Hegel do modo mais estimulante e vivaz, porque se trata para ele do contato e interação de duas personalidades que para ele eram autênticos heróis do espírito. Essa é, por assim dizer, sua força. Quando, porém, se trata de evidenciar por exemplo o que possibilitou Hegel se encontrar seu caminho filosófico, então a história de vida de Hegel [feita por] Dilthey é menos exitosa. Os “carecimentos subordinados dos homens”, os quais iniciaram a “formação filosófica” de Hegel, como o filósofo mesmo uma vez escreveu a seu jovem amigo Schelling69, salientam-se com menor clareza. Essa é sua fraqueza. A fim de expressar essa fraqueza ainda de um modo outro e mais geral poder-se-ia dizer que a “conexão vivente”, na qual Dilthey queria pôr as figuras da história do espírito, flutua muito acima dos homens para poder mostrar exatamente o que acontecia efetivamente lá embaixo.
Contra Dilthey seria [possível] lembrar junto com Emil Fackenheim que “O esforço de Hegel ao longo de sua vida era [...] encontrar o absoluto nunca no além, mas sim no presente do mundo; o mundo no qual os homens trabalham e vivem, se desesperam e esperam, destroem e criam, morrem e acreditam.”70
Referências
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- PÖGGELER, O. 1976. Philosophie im Schatten Hölderlins, in: Der Idealismus und seine Gegenwart. Festschrift für Werner Marx Organizado por Ute Guzzoni, B. Rang und L. Siep. Hamburg.
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- SCHÜLER, G. 1963. Zur Chronologie von Hegels Jugendschriften, in: Hegel-Studien II.
- SKINNER, Q. 1988. Meaning and context: Quentin Skinner and his critics Organizado por James Tully. Cambridge.
- WACKWITZ, S. 1985. Friedrich Hölderlin. Stuttgart.
- Was ist Aufklärung? Thesen und Definitionen Textos e documentos de Kant, Erhard, Hamann, Herder, Lessing, Mendelssohn, Reim, Schiller, Wieland. Organizado por Ehrhard Bahr. Stuttgart, 1974.
- WASZEK, N. 1988. The Scottish Enlightenment and Hegel's account of ‘civil society’ Dordrecht, Boston, London.
-
1
Eu pude apresentar uma versão modificada desse texto sob o título “Wilhelm Dilthey como historiador da filosofia: grandezas e limites” em maio de 2007 em um congresso na Universidade de Schang-hai na China. Publicado originalmente em Anfänge bei Hegel. Org. Wolfdietrich Schmied-Kowarzik e Heinz Eidam. Kassel, Kassel University Press, 2009.
-
2
Professor do Departamento de Estudos Germânicos da Universidade Paris VIII. E-mail: norbert.waszek@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-0107-6029. Tradução de Hernandez Eichenberger, Instituto Federal Catarinense - IFC, São Francisco do Sul, SC, Brasil. E-mail: jarivaway@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3463-4656.
-
3
Wilhelm Dilthey, Allgemeine Geschichte der Philosophie. Vorlesungen 1900 - 1905 [Dilthey: Gesammelte Schriften, Vol. XXIII]. Organizado por Gabriele Gebhardt e Hans-Ulrich Lessing. Göttingen 2000, p. 162.
-
4
Cf. Joachim Ritter, Subjektivität. Frankfurt, 1974, p. 122: “A ideia de Dilthey de que o homem apenas se compreende na história poderia hoje certamente estar como expressão de entrada em todos os prédios e institutos das faculdades de filosofia na Alemanha.”
-
5
Cf., por exemplo: Otto Pöggeler, “Perspektiven der Hegelforschung”, in: Stuttgarter Hegel-Tage 1970. Organizado por Hans-Georg Gadamer. Bonn 1974 [Hegel-Studien. Suplemento 11], pp. 79-102; idem, “Zwischen Philosophie und Philologie: Das Hegel-Archiv der Ruhr-Universität Bochum”, in: Ruhr-Universität Bochum Jahrbuch 1970, pp. 137-160; idem, “Hegel Editing and Hegel Research”, in: The Legacy of Hegel. Proceedings of the Marquette Hegel Symposium 1970. Organizado por J. J. O’Malley et al, Haia 1973, pp. 8-23; Annemarie Gethmann-Siefert, “Hegel Archiv und Hegel Ausgabe”, in: Zeitschrift für philosophische Forschung. 30.4 (1976), pp. 609-618. Myriam Bienenstock, “Hegel-Archiv”, in: Dictionnaire des Philosophes. Segunda edição ampliada. Organizado por Denis Huisman. Paris 1993, Vol. I, pp. 1288-1290.
-
6
Hans-Georg Gadamer, Hermeneutik I: Wahrheit und Methode. Grundzüge einer philosophischen Hermeneutik. Tübingen 1986 [Gesammelte Werke. Band 1], p. 4 - essa citação está aproximadamente no fim da introdução do grande estudo de Gadamer no qual no último parágrafo (p. 5) ele cita o nome de três homens que aparecem como seus modelos, precursores e companheiros de viagem: ao lado de Husserl e Heidegger - Wilhelm Dilthey!
-
7
Johann Wolfgang Goethe, Faust. Der Tragödie erster Teil. Verso 682 s. [citado a partir da tradução brasileira de Jenny Klabin Segall, São Paulo, 34, 2004, p. 85].
-
8
Cf., por exemplo, Matthias Jung, Dilthey zur Einführung. Hamburg, 1996, p. 7.
-
9
Cf. Gerhard Masur, “Dilthey and the history of Ideas”, in: Journal of the History of Ideas. 13 (1952), pp. 94-107.
-
10
W. Dilthey, Leben Schleiermachers. Berlin, 1870.
-
11
Por exemplo aqueles artigos que são publicados logo após sua morte (Stuttgart, 1914) sob o título de Weltanschauung und Analyse des Menschen seit Renaissance und Reformation: Abhandlungen zur Geschichte der Philosophie und Religion [Gesammelte Schriften. Vol. 2].
-
12
W. Dilthey, “Archive der Literatur in ihrer Bedeutung für das Studium der Geschichte der Philosophie”, inicialmente em: Archiv für Geschichte der Philosophie. II (1889), pp. 343-367; agora disponível mais facilmente no âmbito dos Gesammelten Schriften de Dilthey, vol. 4: Die Jugendgeschichte Hegels [1905] und andere Abhandlungen zur Geschichte des deutschen Idealismus. Editado por Hermann Nohl. Leipzig 1921,5,1959, pp. 555-575 (será citado conforme os Gesammelten Schriften).
-
13
Ibidem, p. 569.
-
14
Ibidem, p. 568.
-
15
Quanto a isso já existem diversas investigações; cf. Paul Menzer, “Die Kant-Ausgabe der Berliner Akademie der Wissenschaften”, in: Kant-Studien. 49 (1957/58), pp. 337-350 e Frithjof Rodi, “Dilthey und die Kant-Ausgabe der Preußischen Akademie der Wissenschaften”, in: Dilthey-Jahrbuch. 10 (1996), pp. 101-134. Ainda que esses artigos, em especial o de Menzer, apresentem traços apologéticos, eles agrupam as datas mais importantes que devem ser também indispensáveis para análises futuras.
- 16
-
17
W. Dilthey, “Archive ...”, op. cit., p. 568.
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18
W. Dilthey, “Briefe von und an Hegel”, também no Archiv für Geschichte der Philosophie. I (1988), pp. 289-299.
-
19
Briefe von und an Hegel. 2 Volumes. Organizado por Karl Hegel. Leipzig, 1887.
-
20
W. Dilthey, “Briefe von und an Hegel”, op. cit., aqui p. 289 s.
-
21
Ibidem, p. 290.
-
22
Ibidem, p. 299.
- 23
-
24
Hegels theologische Jugendschriften. Organizado por Herman Nohl. Tübingen, 1907.
-
25
Dokumente zu Hegels Entwicklung. Organizado por Johannes Hoffmeister. Stuttgart, 1936.
-
26
Cf. Gisela Schüler, “Zur Chronologie von Hegels Jugendschriften”, in: Hegel-Studien. II (1963), pp. 111-159.
-
27
Pois ele, a respeito de um manuscrito de Kant, tinha elucidado que por meio de um estudo ativo das “mudanças da mão e da caligrafia”, por meio de uma comparação frequente dos manuscritos, poderia ser desenvolvida a capacidade de deduzir “a partir de traços de escrita de uma tira de papel a idade de vida na qual Kant a anotou”; W. Dilthey, “Archive...”, op. cit., p. 569.
-
28
W. Dilthey, Jugendgeschichte Hegels [1905], será citado conforme os Gesammelten Schriften, op. cit., Vol. 4, pp. 1-187.
-
29
Ibidem, p. 3.
-
30
Ibidem, p. 3.
-
31
Die Eigenbedeutung der Jenaer Systemkonzeptionen Hegels. Organizado por Heinz Kimmerle. Berlin, 2004.
-
32
Georg Lukács, Der junge Hegel. Über die Beziehungen von Dialektik und Ökonomie [1948]. Nova edição em dois volumes: Frankfurt am Main, 1973.
-
33
W. Dilthey, Jugendgeschichte Hegels, op. cit., p. 36.
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34
Ibidem, p. 43.
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35
Por exemplo, G. Lukács (1973), vol. I, p. 15.
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36
Seu jovem amigo e companheiro de viagem Ernst Bloch criticou a unilateralidade do estudo de Lukács, logo após a publicação, em seu próprio livro sobre Hegel: “Lukács recentemente deu uma excelente direção social, bibliográfica e historicamente orientada ao desenvolvimento da juventude do filósofo [...]; excelente também porque dessa forma é aniquilada a lenda de Dilthey de um Hegel sentimental-vitalista, a lenda fascista-irracionalista de Haering, Kroner e outros. Porém, no esforço de o fazer conhecido como predecessor de Marx, é aqui tanto o caráter de Hegel de predecessor imediato exagerado tanto como o caráter [de predecessor] não imediato diminuído, até mesmo omitido.” Ernst Bloch, Subjekt - Objekt. Erläuterungen zu Hegel [1951]. Edição ampliada: Frankfurt am Main 1972, p. 51.
-
37
Joachim Ritter, Hegel und die französische Revolution [1957]. Nova edição: Frankfurt am Main, 1972; idem, “Subjektivität und industrielle Gesellschaft. Zu Hegels Theorie der Subjektivität” [1961], agora em seu livro: Subjektivität, op. cit., pp. 11-35; Manfred Riedel, “Die Rezeption der Nationalökonomie”, in: Studien zu Hegels Rechtsphilosophie. Frankfurt am Main, 1969, pp. 75-99. Em minha dissertação feita em Cambridge sobre a doutrina de Hegel da “sociedade civil” e a influência que a economia política do Iluminismo escocês (David Hume, Sir James Steuart, Adam Ferguson, Adam Smith) exerceu, eu me integro à essa direção na pesquisa sobre Hegel; Norbert Waszek, The Scottish Enlightenment and Hegel's account of ‘civil society’. Com um prefácio de Duncan Forbes. Dordrecht, Boston, London, 1988, aqui em especial p. 23 s. e 231 s.
-
38
Assim, por exemplo, em suas preleções sobre a história da filosofia dos anos de 1825/1826; cf. quanto a isso Waszek (1988), p. 20 s.
-
39
W. Dilthey, Zur Preußischen Geschichte [Gesammelte Schriften, vol. XII] Organizado por Erich Weniger. 5ª edição, Göttingen, 1985. A bibliografia dos primeiros escritos de Dilthey encontra-se nas páginas 208 até 213.
-
40
Ibidem, pp. 37-122.
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41
Ibidem, pp. 131-204.
-
42
Ibidem, p. VIII.
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43
W. Dilthey, Das Erlebnis und die Dichtung [1906]. Eu uso a 16ª edição, Göttingen, 1985.
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44
Karl Rosenkranz, Geschichte der Kant’schen Philosophie [1ª edição, Leipzig, 1840]. Nova edição, Berlin, 1987.
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45
W. Dilthey, „Archive ...“, op. cit., p. 560.
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46
Quanto a isso, por exemplo, a visão geral de Stephan Wackwitz, Friedrich Hölderlin. Stuttgart, 1985, p. 142 s.
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47
W. Dilthey, Das Erlebnis und die Dichtung, op. cit., pp. 242-317; passagens importantes sobre a amizade, trabalho em conjunto e troca (Befruchtung) mútua de Hegel e Hölderlin encontram-se, por exemplo, nas páginas: 248 ss., 280 ss. e 300 ss.
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48
W. Dilthey, Die Jugendgeschichte Hegels, op. cit., p. 40 ss., pp. 140-148 passim.
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49
Helmut Schneider (junto com Christoph Jamme) compilaram os textos e documentos mais importantes quanto a isso em um belo volume: Mythologie der Vernunft: Hegels “Ältestes Systemprogramm des deutschen Idealismus”. Organizado por Ch. Jamme und H. Schneider. Frankfurt am Main, 1984.
-
50
O arco se contrai dos primeiros artigos - Dieter Henrich, “Hölderlin über Urteil und Sein. Eine Studie zur Entstehungsgeschichte des Idealismus”, in: Hölderlin-Jahrbuch. 14 (1965/ 66), pp. 73-96; “Hegel und Hölderlin”, in: idem, Hegel im Kontext. Frankfurt am Main, 1971, pp. 9-40 - até o grande estudo Der Grund im Bewußtsein: Untersuchungen zu Hölderlins Denken (1794 - 1795). Stuttgart, 1992.
- 51
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52
Também aqui são citados apenas os estudos primeiros e pioneiros: “Sinclair-Hölderlin-Hegel”, in: Hegel-Studien. 8 (1973), pp. 9-53; “Hölderlin, Hegel und das älteste Systemprogramm”, in: Das älteste Systemprogramm. Studien zur Frühgeschichte des deutschen Idealismus. Organizado por Rüdiger Bubner. Bonn, 1973, pp. 211-260; “Philosophie im Schatten Hölderlins”, in: Der Idealismus und seine Gegenwart. Festschrift für Werner Marx. Organizado por Ute Guzzoni, B. Rang und L. Siep. Hamburg, 1976, pp. 361-377; Homburg vor der Höhe in der deutschen Geistesgeschichte: Studien zum Freundeskreis um Hegel und Hölderlin. Organizado por Christoph Jamme und Otto Pöggeler. Stuttgart, 1981.
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53
Por exemplo, Christoph Jamme, “Ein ungelehrtes Buch”: die philosophische Gemeinschaft zwischen Hölderlin und Hegel in Frankfurt 1797 - 1800. Bonn, 1983; Hölderlin und der deutsche Idealismus, Dokumente und Kommentare zu Hölderlins philosophischer Entwicklung und den philosophisch-kulturellen Kontexten seiner Zeit. Organizado por Christoph Jamme e Frank Völkel, Vol. 1-4, Stuttgart-Bad Cannstatt, 2003.
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54
Ernst Cassirer, Idee und Gestalt: Goethe, Schiller, Hölderlin, Kleist; fünf Aufsätze. Berlin, 1921.
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55
Gerhard Kurz, Mittelbarkeit und Vereinigung: zum Verhältnis von Poesie, Reflexion und Revolution bei Hölderlin. Stuttgart, 1975.
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56
W. Dilthey, Weltanschauung und Analyse des Menschen seit Renaissance und Reformation, op. cit.
-
57
Ibidem, p. V.
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58
Os mais importantes de seus relevantes textos, mais comentários e respostas se encontram no seguinte volume: Meaning and context: Quentin Skinner and his critics. Organizado por James Tully. Cambridge, 1988. Q. Skinner dirige a conhecida série de escritos “Ideas in context”, Cambridge University Press.
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59
Dieter Henrich, Hegel im Kontext. Frankfurt am Main 1967, 21975.
-
60
W. Dilthey, “Archive...”, op. cit., p. 558.
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61
Ibidem, p. 561 s.
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62
Ibidem, p. 558.
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63
Ibidem, p. 564.
-
64
Ibidem, p. 558.
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65
Cf., por exemplo, a edição Was ist Aufklärung? Thesen und Definitionen. Com textos e documentos de Kant, Erhard, Hamann, Herder, Lessing, Mendelssohn, Reim, Schiller, Wieland. Organizado por Ehrhard Bahr. Stuttgart, 1974, 21978.
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66
Dieter Henrich, Hegel im Kontext, op. cit., p. 41.
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67
Ibidem, pp. 41-72, 9-40 e 187-207.
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68
W. Dilthey, Das Erlebnis und die Dichtung, op. cit., p. 272.
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69
Hegel a Schelling, 2 de novembro de 1800, in: Briefe von und an Hegel. Vol. I. Organizado por Johannes Hoffmeister. Hamburg, 31969, p. 59.
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70
Emil Ludwig Fackenheim, The Religious Dimension in Hegel’s Thought [1ª edição, 1967], citada conforme a edição: Chicago, 1982, p. 79: “Hegel’s life-long endeavour was to find the Absolute not beyond but present in the world, the world in which men suffer and labour, despair and hope, destroy and create, die and believe.”
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Declaração de Disponibilidade de Dados:
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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