A Fisioterapia na Saúde da Mulher é uma especialidade reconhecida há 13 anos pela Resolução do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) nº 372/20091, que determinou seu papel fundamental para o cuidado durante as diversas fases do ciclo de vida feminino, com início na infância e adolescência, passando pela gestação, parto, puerpério e, finalmente, acompanhando o processo de envelhecimento2. A atenção à mulher é necessária devido às mudanças hormonais, sociais, físicas e emocionais pelas quais ela passa ao longo dos anos. O fisioterapeuta é um profissional da saúde habilitado a atender demandas específicas dessas mulheres em cada uma dessas etapas.
A Resolução nº 401 do Coffito, de 18 de agosto de 20112, disciplinou a especialidade profissional de Fisioterapia na Saúde da Mulher definindo cinco áreas de atuação: assistência fisioterapêutica em uroginecologia e coloproctologia; ginecologia; obstetrícia; disfunções sexuais femininas; e mastologia. Dentro dessas áreas, o fisioterapeuta pode exercer diferentes papéis, como gestão, coordenação, supervisão, docência, pesquisa, atendimento em hospitais, ambulatórios, domicílios, serviços filantrópicos, terceiro setor e serviços militares, por exemplo.
As diretrizes internacionais reconhecem a atuação do fisioterapeuta como fundamental para a reabilitação de disfunções pélvicas, como as urinárias, coloproctológicas e sexuais. Para a incontinência urinária (IU), por exemplo, a International Continence Society recomenda o tratamento conservador, que inclui técnicas fisioterapêuticas como treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP), eletroestimulação e terapia comportamental como primeira linha de tratamento, devendo ser indicado pelos médicos para mulheres de todas as idades (gestantes, puérperas e idosas) com qualquer tipo de IU3),(4.
Em relação à sexualidade, a Fisioterapia vem se desenvolvendo muito, mas ainda enfrenta desafios para lidar com as dificuldades de um tema que, culturalmente, é permeado por tabus e preconceitos. Sabemos que o fisioterapeuta possui recursos para atuar nas diferentes fases do ciclo de resposta sexual, de maneira humanizada e junto a uma equipe multiprofissional, oferecendo melhor resposta corporal, não só do ponto de vista do desempenho dos músculos pélvicos, mas também da consciência e do entendimento do próprio corpo5. Pesquisas são necessárias para firmarmos nossa importância nessa área, incluindo aí as questões relacionadas a diferentes populações, como as pessoas LGBTQIA+.
A área da coloproctologia também vem avançando de forma consistente no âmbito dos atendimentos fisioterapêuticos, principalmente no tratamento de disfunções como incontinência anal, defecação dissinérgica, prolapsos, algias e constipação.
Vale ainda ressaltar a importância da Fisioterapia na área da mastologia. O atendimento fisioterapêutico para pacientes submetidas a tratamento para o câncer de mama tem como objetivo principal a prevenção de complicações por meio de condutas e orientações domiciliares, diagnóstico e intervenção precoce, visando melhorar a qualidade de vida e reduzir os custos pessoais e hospitalares.
Finalmente, é preciso reforçar a atuação da Fisioterapia na Saúde do Homem. A literatura traz referências importantes para a reabilitação de disfunções miccionais pós-prostatectomia5, alguns dados na área da sexualidade e outros em relação à dor pélvica. Não há ainda uma especialidade reconhecida pelo Coffito, mas muitos incluem essa atuação no espectro da área pélvica.
Ao longo dos últimos anos, a área vem apresentando crescimento importante, tanto na amplitude de abrangência como na sua representatividade nos setores de ensino e pesquisa; e a especialidade vem sendo cada vez mais incluída em serviços ambulatoriais, hospitalares e encaminhamentos das equipes de saúde. Do ponto de vista de ensino e pesquisa, além de sua presença como disciplina obrigatória nos cursos de graduação vimos a criação de novos cursos de pós-graduação, assim como a publicação e apresentação de importantes pesquisas em periódicos e congressos nacionais e internacionais
Referências bibliográficas
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1 Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BR). Resolução nº 372, de 6 de novembro de 2009: reconhece a Saúde da Mulher como especialidade do profissional fisioterapeuta e dá outras providências. Diário Oficial da União [Internet]. 2009 Nov 30 [cited 2023 Mar 22];1:101. Available from: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3135
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2 Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BR). Resolução nº 401, de 18 de agosto de 2011: disciplina a especialidade profissional de Fisioterapia na Saúde da Mulher e dá outras providências [Internet]. Brasília (DF): Coffito; 2014 [cited 2023 Feb 6]. Available from: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3164
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3 Nambiar AK, Bosch R, Cruz F, Lemack GE, Thiruchelvam N, Tubaro A, et al. EAU Guidelines on assessment and nonsurgical management of urinary incontinence. Eur Urol. 2018;73(4):596-609. doi: 10.1016/j.eururo.2017.12.031.
» https://doi.org/10.1016/j.eururo.2017.12.031 - 4 Dumoulin C, Adewuyi T, Booth J, Bradley C, Burgio K, Hagen S, et al. Adult conservative management. In: Abrams P, Cardozo L, Wagg A, Wein A, editors. Incontinence: 6th International Consultation on Incontinence, Tokyo, September 2016. Bristol: ICS; 2017. p. 1443-628.
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5 Rahnama'i MS, Marcelissen T, Geavlete B, Tutolo M, Hüsch T. Current management of post-radical prostatectomy urinary incontinence. Front Surg. 2021;8:647656. doi: 10.3389/fsurg.2021.647656.
» https://doi.org/10.3389/fsurg.2021.647656
