A paralisia cerebral (PC) é causada por lesão não progressiva no encéfalo em desenvolvimento nos períodos pré, peri ou pós-natal. As manifestações clínicas incluem distúrbios do tônus, da postura e do movimento, e podem sofrer intensas transformações ao longo da vida. Nas crianças mais gravemente acometidas, os ganhos motores podem declinar durante a adolescência e a vida adulta, reduzindo ainda mais a independência funcional1. Considerando que a expectativa de vida de adultos com PC leve ou moderada é ligeiramente menor, quando comparada à da população neurotípica, durante a vida desses indivíduos os custos com serviços de saúde podem ultrapassar 800 milhões de dólares por ano2.
O avanço da neurociência originou técnicas não invasivas para tratar indivíduos com lesões no sistema nervoso, melhorando sua funcionalidade mesmo quando há incapacidades graves de movimentação ativa e independente, ou grandes limitações para realizar as atividades diárias. A estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) é uma das principais formas de estimulação cerebral não invasiva, sendo de fácil manipulação, baixo custo e capaz de induzir mudanças regionais na excitabilidade cortical, ativando novas redes neurais e potencializando os efeitos do treinamento motor3), (4.
Estudos recentes demonstram que a ETCC, combinada com exercícios motores, melhora significativamente a mobilidade em curto e médio prazo de crianças com PC de comprometimento motor de leve a moderado (Gross Motor Function Classification System, níveis I, II e III) (4. Em adultos e idosos com disfunções neurológicas, a ETCC combinada com a cinesioterapia também demonstrou resultados muito promissores, porém sem o mesmo nível de evidência em casos de PC com estagnação ou declínio dos ganhos motores, como nos indivíduos mais gravemente acometidos (Gross Motor Function Classification System, níveis IV e V).
Portanto, permanece a questão sobre a ETCC ser uma possível ferramenta que proporcionará esperança de recuperação motora e melhora da independência funcional de crianças, adolescentes e adultos com grandes comprometimentos motores causados pela paralisia cerebral e outras lesões encefálicas adquiridas na infância.
REFERÊNCIAS
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1 Palisano RJ, Chiarello LA, Avery L, Hanna S, On Track Study Team. Self-care trajectories and reference percentiles for children with cerebral palsy. Phys Occup Ther Pediatr. 2020;40(1)62-78. doi: 10.1080/01942638.2019.1642288
» https://doi.org/10.1080/01942638.2019.1642288 -
2 Amankwah N, Oskoui M, Garner R, Bancej C, Manuel DG, Wall R, et al. Cerebral palsy in Canada, 2011-2031: results of a microsimulation modelling study of epidemiological and cost impacts. Health Promot Chronic Dis Prev Can. 2020;40(2):25-37. doi: 10.24095/hpcdp.40.2.01
» https://doi.org/10.24095/hpcdp.40.2.01 -
3 Lefaucheur JP, Antal A, Ayache SS, Benninger DH, Brunelin J, Cogiamanian F, et al. Evidence-based guidelines on the therapeutic use of transcranial direct current stimulation (tDCS). Clin Neurophysiol. 2017;128(1):56-92. doi: 10.1016/j.clinph.2016.10.087
» https://doi.org/10.1016/j.clinph.2016.10.087 -
4 Fleming MK, Theologis T, Buckingham R, Johansen-Berg H. Transcranial direct current stimulation for promoting motor function in cerebral palsy: a review. J Neuroeng Rehabil. 2018;15:121. doi: 10.1186/s12984-018-0476-6
» https://doi.org/10.1186/s12984-018-0476-6
