Introdução: Apesar de essenciais no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), os serviços de fisioterapia atravessam desafios que podem ser enfrentados com a avaliação da oferta e da demanda, de forma a orientar políticas públicas e contribuir para a organização e práticas mais efetivas.
Objetivo: Analisar o perfil sociodemográfico e clínico de usuários de serviço de fisioterapia em um centro de reabilitação no Rio de Janeiro.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo baseado na análise de prontuários. Para análise estatística, utilizaram-se os testes: medidas de tendência central, análise de frequência, teste qui-quadrado, teste exato de Fisher e teste de correlação de Spearman.
Resultados: Foram analisados 300 prontuários. Observou-se uma maioria de mulheres (68%) e de pessoas negras (61%). As lesões mais comuns foram traumato-ortopédicas (54,7%), reumatológicas (34,3%) e neurofuncionais (9%). Homens jovens foram mais associados a doenças cardiorrespiratórias e idosos a lesões neurológicas. As sessões duraram em média 28 minutos, sendo a eletroterapia o recurso fisioterapêutico mais utilizado. Doenças reumatológicas receberam mais tratamento com terapias combinadas. Mulheres receberam menos cinesioterapia e mais terapia manual. Pessoas negras receberam mais terapias combinadas e pessoas brancas, mais recursos únicos.
Conclusão: Na amostra analisada, houve desigualdade no tratamento em relação ao sexo e à raça. Os resultados indicam que a abordagem, métodos, técnicas e tempo de atendimento precisam ser repensados considerando o modelo biopsicossocial, as diretrizes científicas e os princípios do SUS.
Palavras-chave:
Perfil epidemiológico; Unidades Básicas de Saúde; Reabilitação; Sistema Único de Saúde; Fisioterapia
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